Hoje estou aqui sentado no meu estúdio em frente ao meu computador ... estou em plena ruptura psicológica, se é que já não me encontro nela, nunca poderei saber, pois foram raras as vezes que me encontrei cansado a este ponto, e no entanto as razões que me deixam assim requerem que seja o mais forte de todos mentalmente.
Tenho visões, tenho flash's de memória do passado ou de momentos reconfortantes, pôr-do-sois, momentos sozinho a olhar o campo no Alentejo, momentos em que vivia com os meus avós, momentos em que vivia com a minha mãe e a casa era o meu mundo; momentos em que adormecia ao lado do meu pai no sofá, a lareira, não sei mas não tendo estes momentos, tenho a necessidade de os encontrar no fundo do meu pensamento. Mas o que mata mais é eu não ter momentos futuros que me confortem, que me aqueçam ... momentos que me motivem e tenha de ir buscar o passado, que muitas vezes me magoa.
Estou sozinho ... o prazo de me ir embora há muito expirou, estou estagnado e a minha agonia já atingiu a barreira e posso dizer que estou preso. Não vou pôr a culpa na minha família que em parte é por eles que estou agora aqui sem avançar com a minha vida, mas é o que tem de ser e isto está a acabar comigo... vê-los assim, a cair um por um e eu sem poder ajudar a todos, ver que querem a minha ajuda mas não seguem os meus conselhos, e não vêm o quão errado as suas decisões afectam os outros e a si mesmos. Por vezes gostava de ser como uma espécia de "manager" para lhes endireitar a vida, mas não posso, eles não querem. E eu vou ficar estagnado até que tudo se endireite. Os meus irmãos não tomam atitudes, não avançam, não lutam por si.
Tinha planos para ir e dar um último suspiro em outro dos meus objectivos, a dança, mas começo a pensar que nunca será o meu momento e que se está a fazer cada vez mais tarde ... e isso mata-me. Quero sair daqui com plena consciência de que não precisam da minha ajuda e eu posso ir à luta, seja para cair, seja para vitoriar.
Acumula, acumula, e agora aparece-me mais alguém na minha vida amorosa ... alguém que parece interessado em mim, alguém que tem características que eu quero e gosto, mas eu não consigo ir ter com ele, não consigo avançar e arriscar ... este medo, este nervoso miudinho, frio no estômago, esta "timidez" ... está a impedir-me de ir e temo que ele acabe por desistir, mas não consigo fazer nada... ainda por cima ele é suíço e já se sabe o quanto eu fujo a isso ... a possibilidade de aqui ficar por tempo indeterminado não entra na minha cabeça ..
Tudo isto está a entrar em parafuso na minha cabeça e não sei como gerir ... e temo que brevemente acabe por explodir ... e espero que quando exploda não descarregue em quem não merece.
Ontem quando me abri com a minha mãe quase chorei e quase que ia falando tudo o que estava aqui entalado, mas ela já tem tanto problema que não lhe quero descarregar os meus ou sequer falar dos dela, pois não a quero magoar mais. É triste pois ainda sinto a barreira com os meus pais que sempre tive, aquela barreira fria que não me deixa dizer tudo o que vai na alma, no pensamento, e isso magoa-me mais do que tudo ....