quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

À beira de algo ...

Hoje estou aqui sentado no meu estúdio em frente ao meu computador ... estou em plena ruptura psicológica, se é que já não me encontro nela, nunca poderei saber, pois foram raras as vezes que me encontrei cansado a este ponto, e no entanto as razões que me deixam assim requerem que seja o mais forte de todos mentalmente.
Tenho visões, tenho flash's de memória do passado ou de momentos reconfortantes, pôr-do-sois, momentos sozinho a olhar o campo no Alentejo, momentos em que vivia com os meus avós, momentos em que vivia com a minha mãe e a casa era o meu mundo; momentos em que adormecia ao lado do meu pai no sofá, a lareira, não sei mas não tendo estes momentos, tenho a necessidade de os encontrar no fundo do meu pensamento. Mas o que mata mais é eu não ter momentos futuros que me confortem, que me aqueçam ... momentos que me motivem e tenha de ir buscar o passado, que muitas vezes me magoa.
Estou sozinho ... o prazo de me ir embora há muito expirou, estou estagnado e a minha agonia já atingiu a barreira e posso dizer que estou preso. Não vou pôr a culpa na minha família que em parte é por eles que estou agora aqui sem avançar com a minha vida, mas é o que tem de ser e isto está a acabar comigo... vê-los assim, a cair um por um e eu sem poder ajudar a todos, ver que querem a minha ajuda mas não seguem os meus conselhos, e não vêm o quão errado as suas decisões afectam os outros e a si mesmos. Por vezes gostava de ser como uma espécia de "manager" para lhes endireitar a vida, mas não posso, eles não querem. E eu vou ficar estagnado até que tudo se endireite. Os meus irmãos não tomam atitudes, não avançam, não lutam por si.
Tinha planos para ir e dar um último suspiro em outro dos meus objectivos, a dança, mas começo a pensar que nunca será o meu momento e que se está a fazer cada vez mais tarde ... e isso mata-me. Quero sair daqui com plena consciência de que não precisam da minha ajuda e eu posso ir à luta, seja para cair, seja para vitoriar. 
Acumula, acumula, e agora aparece-me mais alguém na minha vida amorosa ... alguém que parece interessado em mim, alguém que tem características que eu quero e gosto, mas eu não consigo ir ter com ele, não consigo avançar e arriscar ... este medo, este nervoso miudinho, frio no estômago, esta "timidez" ... está a impedir-me de ir e temo que ele acabe por desistir, mas não consigo fazer nada... ainda por cima ele é suíço e já se sabe o quanto eu fujo a isso ... a possibilidade de aqui ficar por tempo indeterminado não entra na minha cabeça ..
Tudo isto está a entrar em parafuso na minha cabeça e não sei como gerir ... e temo que brevemente acabe por explodir ... e espero que quando exploda não descarregue em quem não merece.
Ontem quando me abri com a minha mãe quase chorei e quase que ia falando tudo o que estava aqui entalado, mas ela já tem tanto problema que não lhe quero descarregar os meus ou sequer falar dos dela, pois não a quero magoar mais. É triste pois ainda sinto a barreira com os meus pais que sempre tive, aquela barreira fria que não me deixa dizer tudo o que vai na alma, no pensamento, e isso magoa-me mais do que tudo ....

domingo, 12 de janeiro de 2014

Triângulo

Ele só tem olhos para ela
Nem sequer consigo a sua atenção
Nem dois segundos que seja
É pena, o seu corpo arde de desejo carnal
E mexe com o meu instinto...
Com o meu corpo adormecido há muito
Os seus lábios carnudos e vermelhos chamam por mim
... mas eles apenas querem tocar os dela...
E ela ..
Ela não o deseja ... é louca ...
Mais louca ainda porque ela tem outro desejo que não ele...
Um desejo inalcancável ...
O desejo de me ter ...
Algo fora de questão pelas minhas leis da vida...
e aqui me encontro eu neste triângulo ...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O meu sonho .. o meu cansaço ..

Preciso de escrever... estou um pouco triste com o meu dia de trabalho de ontem ... vim revoltado e desiludido para casa por algo ter desaparecido no trabalho e as culpas terem caído em cima de mim ... sem sequer poder provar o contrário... isso deitou-me abaixo. E fê-lo porque eu mais que ninguém aprecio a oportunidade que tive de poder ter saído de uma função de merda para ir para ali trabalhar, e aprecio o meu chefe que me deu essa oportunidade; por isso na minha cabeça é estúpido ser acusado de ter roubado algo que não roubei, e acreditem que eu trago muito para casa, e vou logo ser culpado por algo que eu sei que não posso fazer. Enfim...
No meio desta revolta caí no sono por várias horas e dei comigo a ter um "sonho" .. estranho mas um sonho.. e acreditem há muito não tinha um verdadeiro sonho a dormir e que me lembrasse no dia a seguir ... foi um tanto ou quanto estranho.. de repente encontrei-me na minha aldeia natal... possivelmente no meio de festividades..no entanto não havia muita gente.. então os dois cantores do dia andavam a cantar de um lado para o outro..palco para a rua, rua para o palco, e no meio disso eu conseguia estar ao lado deles e tirar fotos, até falar com um deles, havia uma distância entre eles, eu e as pessoas que assistiam, como se eles não se conseguissem aproximar como eu conseguía. E no fim eu pude dizer o que sentia ..coisa que tenho uma certa dificuldade em fazer nos dias de hoje... não consigo identificar a mensagem deste sonho, só que me deu um pouco de paz interior, mas deixou-me ainda mais triste e com vontade de acabar de vez com estes dramas e deste jogo em que estou metido.
Acho que parte da mensagem do sonho foi alguém intocável deixar-me aproximar de si .. deixar-me desabafar, ouvir-me, querer saber o que sinto, o que gosto, o que sonho, o que passei .... parte da naturalidade e simplicidade do local (a aldeia) poderá querer dizer que tenho de regressar à simplicidade.. ou talvez que não me posso esquecer da minha essência ... !