Estes dias têm-se passado em monotonia e crises de agonia, é como se estivesse preso no mesmo filme, dia após dia, após dia, e todos os dias se repetem as mesmas coisas, se vêem as mesmas pessoas, e eu limito-me a agir, sem reagir mas apenas agindo.
Há muito que o ânimo se foi, eu já aceitei que aqui estou e aqui tenho de estar até os meus pontos estarem realizados e até a minha família estar estável, é o que tem de ser, e eu não gosto, mas sou inteligente o suficiente para aceitar este Fado.
Simplesmente não ando com força para me focar em coisas básicas como "amor", desafios como "melhorar o físico" coisas que me poderiam ajudar a passar o tempo e eu nem me consigo debruçar sobre elas... isso entristece-me.
O pior é que de há alguns dias para cá, tenho tido "déjà-vu's" de sensações se é que isso é possível, isto é, sentimentos de calma e tranquilidade por exemplo quando estou em casa, sozinho, como me sentia nos meus tempos no Algarve; situações como uma corrente de ar a despentear-me remete-me logo os pensamentos para aqueles tempos de estar sozinho no meu mundo. Falando de cabelo, estou a voltar a deixar crescê-lo, acho que é mais um sinal de estar a fechar-me cada vez mais, pois o cabelo grande representa para mim um "eu" aprisionado ... mas pronto, vou em frente...
Não há um dia que passe que não veja a mil e uma vertentes, ficar aqui, ir para outro destino e ter uma nova história, voltar para Portugal, tudo passa pela minha cabeça e tento imaginar as várias histórias desenrolarem-se e no fim tudo acaba com a conformidade ..."ainda não é o momento".
Sinto-me a desistir de procurar alguém, não tenho confiança para tratar do meu corpo ou força de vontade e ao mesmo tempo a minha auto-estima desaparece pouco a pouco e fecho-me para as relações por falta de confiança.
Estou com muitos sentimentos negativos dentro de mim e não gosto disso, fico revoltado e inquieto, desmotivado para trabalhar, e aí eu não posso mesmo falhar. Hoje o pai do meu irmão pediu-me para ir com ele a uma reunião da escola do miúdo eu disse que sim a início, mas depois lembro-me da última vez que pisei a escola dele para o levar ao primeiro dia de aulas, os medos dele misturaram-se com os meus e tornaram-se os meus, os olhares dos colegas novos, o recinto novo, inseguranças, foi uma explosão de sentimentos que me perturbaram imenso e acabei por em parte explicar isso ao pai dele para entender um pouco que escolas e ter a mínima ideia de que o meu irmão possa passar por uma parte do que eu passei amedronta-me e eu não consigo lidar com esses sentimentos e sensações dentro de mim. Quero sim ajudá-lo, apoiá-lo em tudo, mas prefiro não ir à escola pessoalmente. Isto entristeceu-me, pois estou fraco para enfrentar isto por ele, e em outras ocasiões eu esqueceria os meus medos e por ele eu iría.
Enfim... melhores dias virão.