sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tempo extra para carregar baterias !

Algum tempo passado depois das minhas últimas férias em Portugal, onde tanto se passou, sinto este bolo dentro de mim, ou estes acontecimentos para meter para fora, pois como é hábito cada vez que lá vou, há sempre imenso que já mudou, deste a imagem de todas as paragens que faço até às personalidades das pessoas que vejo.
Desta vez, como tinha mais tempo de férias do que alguma vez tive em Portugal, optei por chamar a minha irmã que vive em Lisboa e passar 3,5 dias no Alentejo perto da família, e aproveitar para ir a um casamento. Já há algum tempo que estava a flipar na minha cabeça por ir a este casamento, são pessoas que tinham estudado comigo nos tempos mais negros da minha vida, o ciclo, e pessoas que me viram na minha pior fase, a tortura que passei, entre outros factores, fase essa onde até eu tinha o meu físico horrível e nenhum cuidado com a imagem; e pessoas essas que me acompanharam até ao secundário onde depois os deixei. Eu estava uma pilha de nervos e na minha cabeça estava a planear chegar atrasado à igreja e depois inventar uma desculpa para não ir ao copo-de-água e ir logo embora. Outro factor que me fazia panicar um pouco era o facto de todo este grupo se fazer acompanhar dos namorados/maridos e eu ser o único do grupo não-acompanhado, podia evitar este desconforto lol. Casamento "en route", cheguei atrasado como planeado, não de propósito, mas porque os convidados eram tão poucos que nem reparei terem entrado na igreja, na entrada, tentei localizar os membros do grupos e vi-os espalhados com os respectivos namorados, acenei para alguns e meti-me na fila de trás perto de outros, e a rezar para que aquilo fosse interminável para eu não ter de passar à parte da socialização.  Como era de esperar, a cerimónia, os noivos, tudo fez com que eu puxasse dos meus pensamentos e tornou-se um pouco nostálgico e emocional, quase caiu uma lagriminha.
No fim da cerimónia saímos todos para fora e aí pude cumprimentar minimamente as pessoas, ainda havia algumas de quem passava ao lado, pois conhecia mas não sabia se iam falar-me, então não dizia nada, mas acabavam sempre por me vir falar. Com o decorrer do dia fui fazendo um esforço enorme para uma socialização razoável com todos, ia de casal para casal, petiscando e bebendo, assim colocava a conversa em dia com todos (coisa que nunca tive oportunidade de fazer até esse dia, dado aos momentos de segundos que nos vimos nestes anos todos) e não incomovada muito o casal, cujo acompanhante ainda se estava a ambientar a mim. Dia bem passado, tenho de confessar, nunca mas nunca pensei que este grupo ainda me pudesse proporcionar tais momentos, e ainda tive uma atenção especial por parte da noiva, a minha amiga, e os seus pais e familiares, conhecemo-nos desde os 5 anos, e os pais dela perguntavam a algumas pessoas se eu não tinha vindo, onde de facto apenas não me tinham reconhecido, quando perguntaram a esta minha amiga e ela os direccionou para mim foi algo de facto cómico de ver. Uma curiosidade à parte, o noivo deste casamento nunca gostou de mim, como alguns namorados de grandes amigas minhas, talvez inveja ou ciúme do à vontade que eu posso ter com uma rapariga, não sei, e ainda pelo facto de ela ter sido a minha primeira namorada. Os pais dela sempre desejaram algo mais para a filha do que um futuro com este rapaz, e deram-lhe a entender isso ao socializar imenso comigo, o que não me deixou muito à vontade por alguns momentos do dia.
Em geral, foi um dia muito bem passado e eu não poderia estar mais contente de me sentir reintegrado neste grupinho de uma fase tão escura da minha vida.
Casamento terminado estava na altura de voltar para a minha irmã que tinha descido de Lisboa comigo no dia anterior para passar algum tempo comigo na casa dos meus avós. É incrível ver o quanto ela está mudada, o quanto ela tem crescido e está independente. Adorei ver o que ela cresceu e passar estes momentos com ela, onde tirámos imensas fotos, passeámos e rimos os dois e ainda enfrentámos as mentalidades mais retrógradas lá da aldeia, incluíndo os meus avós.
E é triste saltar para este parágrafo, mas é inevitável, eu sempre disse que uma das razões pelas quais eu voltava aqui de férias era pelos meus avós, mas eles estão a entrar numa fase impossível de aturar, estão mais velhinhos, e estão com os desejos de ver todos casados e com filhos à flor da pele, o que se tornou ainda mais insuportável estes momentos com eles. Já não se contém nas críticas seja do estilo, seja de tatuagens e piercings, cortes de cabelo, acabando na mais chata que é o facto de estarmos solteiros. Eu adoro-os, eles criaram-me e deram-me todo o amor e necessidades básicas que precisava por muito tempo da minha vida e para sempre serei grato por isso. Eu sempre disse que uma vez que o meu avô partisse deste mundo, a minha avó ficaria comigo e eu cuidaria dela, e ainda não desisti disso; mas eu terei de os evitar por agora, para bem da minha auto-estima. Se eles nesta fase quiserem dar preferência a outros membros da família, só porque eles já estão orientados na vida e têm companheiros/as tudo bem, eu compreendo, e espero que na fase terminal da sua vida não se arrependam destas decisões, mas eu tenho de me afastar um pouco por agora.
Ainda fiz um pequeno desvio para ir ver os meus tios e primos, para ir dar um presente à minha Afilhada, aproveitar que estou numa fase da minha vida onde posso dar bons presentes, e visto na minha família dar-se muito valor aos afilhados a quem se deve dar bons presentes e um pouco de atenção, foi o que fiz, dei-lhe dois excelentes pares de sandálias como ela queria, e ainda uma notinha ao irmão (meu primo também) para não parecer mal, e minutos depois fui embora, não me senti bem-vindo ou confortável ali com eles. Os meus tios agora sabem da minha sexualidade graças à minha mãe que quis desabafar algumas coisas com eles nas férias dela, então eu senti que o meu tio respeitou mas não está à vontade comigo, então poupei-lhe o constrangimento e dei uma desculpa para ir embora; também não tenho qualquer afinidade com o meu primo, que é muito hetero-troglodita para o meu gosto. Já nem fui ver o meu avô materno, estar com os meus avós e depois tios, esgotou-me qualquer força interior que tinha para os enfrentar e resolvi partir, pois eu estava ali em busca de força e não para esgotar as reservas que tinha armazenadas. No dia seguinte levei a minha irmã ao autocarro, a quem presenteei com dinheiro para comprar uns ténis que ela queria, e fui ao dentista, partindo de seguida para o Algarve e desistindo na hora de ali voltar nestas férias fosse sequer para me despedir.
Rumo ao Algarve como bem anseava, ía para me instalar na casa de uma amiga minha da Tuna, que se disponibilizou para me acolher num quarto extra, o qual aceitei de seguida por estar mais à vontade, ter uma casa de banho para mim e ainda Internet de borla. A ela faço vénia pela amizade e disponibilidade que teve para mim, sem nunca pedir nada em troca. Quando cheguei já sabia que ela me ia fazer conviver em Tuna então tive de ir rumo à Universidade onde a Tuna estava a ensaiar para ir buscar a chave de casa. Chegando lá, vi que haviam algumas novidades, um razoável número de caloiros que não conhecía, novos órgãos de poder, algumas pessoas que tinham saído e outras que tinham voltado, músicas novas. Gostei do que vi, não me deu más sensações, todos me cumprimentaram e o Magister fez uma grande apresentação de quem eu era aos caloiros (babei um  bocadinho) mas mantive-me sempre na minha, sem grandes interacções, a observar e depois fui para casa com jantar marcado no dia seguinte com o grupo.
Não quis muito convívio com a Tuna tanto que nem levei o meu traje comigo (visto já o ter guardado definitivamente) mas enquanto estava no quarto na casa da minha amiga reparei nas minhas velhas pandeiretas que estavam na estante dela à minha espera... mal dos meus pecados, tinha-as deixado ali nas minhas últimas férias por não caberem na minha mala. Antes de ir para o jantar, peguei nas minhas "panda" e "rêta" e lá fui eu para um pequeno convívio. Sinceramente só me apetecia cantar um pouco, beber uns "ratata's" e conversar, mas no fim não foi bem como eu esperava.. música só ouve alguma, ratata's dois ou três... e aquele espírito já não existia.. e eu estava conformado com isso, a minha cabeça sabia que eu podia dar volta à situação, embebedar o pessoal e pedir para tocarem as músicas que eu gostava, mas não, mantive-me na minha e a embebedar-me a mim próprio. Dias seguindo, fui revendo os tunos em momentos e ocasiões diferentes, e acho que toda esta descontração e mais tempo livre reaproximou-me um pouco deles, até de alguns que já sentia uma diferença maior. Foram jantarinhos, bares, revendo outros ex-tunos e ex-colegas da Universidades e conhecidos desses tempos.. Foi agradável.
Logo no segundo dia decidi ser maluco e correr o risco de estragar as minhas férias e pegar na minha companheira de aventuras loucas (Mimi) e ir fazer uma tatuagem.. uma que já queria fazer há algum tempo, uma pantera negra tribal na lateral do tronco, em cima das costelas. Posso dizer que foi das experiências mais dolorosas da minha vida, pior que qualquer tatuagem ou piercing que já fiz até hoje... difícil de suportar a dor e já para o fim só queria espancar o tatuador e sair dali mas tive de aguentar. Resultado: Magnífica !!
Para os curiosos, a pantera negra simboliza mistério, sensualidade, sexualidade, beleza, sedução, força e flexibilidade, representa aquela pessoa que temos próxima de nós para nos ajudar a eliminar as más energias que temos dentro de nós, e é o que eu gosto de ser para os outros. Para mim além deste significado, a pantera negra foi uma homenagem ao único felino que amei na vida, a minha gata preta - Spears.
Ainda antes de ir de férias eu tinha começado a falar com este rapaz que achei bastante giro, sexy, não muito conversador, mas o pouco que dizia, ia directo ao ponto e dizia-me o que eu queria ouvir. Eu deixei sempre claro que nesta fase da minha vida não procuro aventuras amorosas de curta duração, flirts, ou amores de verão, deixei claro que procuro alguém sério, que saiba pensar, que tenha um pouco de estabilidade ou pelo menos objectivos fortes para a conseguir, alguém com planos de vida, e serei sempre sincero daquilo que também quero para mim sem mesmo esconder o objectivo parisiense. Ele parecia completar tudo o que dizia.. mas eu sendo perito nestas andanças (sofrimentos) nunca me apeguei muito mas também não me fechei para o conhecer melhor e no primeiro dia no Algarve decidi ir ter com ele. Fui buscá-lo ao trabalho, fui sempre cuidadoso, Deus sabe o que os amores de verão podem fazer e Deus sabe o karma amoroso que Portimão me ofereceu toda a minha vida, e eu não queria isso. Fomos dar uma volta de carro, eu estava um pouco nervoso e não tinha muita conversa, mas o pior de não ter conversa é que ele não me estava a completar desta vez e haviam momentos de silêncio entre nós. Depois de um bom momento de conversa desinteressante eu decidi que tinha de me ir embora e fui levá-lo a casa, e ele resolveu convidar-me para entrar e conhecer a casa dele... onde se seguiu mais conversa sem muito interesse e ele tentou aproximar-se de mim... rolaram uns beijos e amassos... e ele queria partir para algo mais .. eu cortei-lhe as asas.... se eu podia deixar-me ir ? Sim ... mas só porque nas conversas anteriores ele me tinha mentido .. pois sempre me dizia que tambem queria ir devagar e conhecer alguém sério blablabla e tava a fazer exactamente o contrário e toda aquela noite se tinha resumido a ir para a cama no fim..e eu não quis. Gostei dos amassos e tentei que refizessemos planos para os dias seguintes, na manhã seguinte decidi enviar a mensagem ... aquela que quem dá o passo tem de enviar... e ele disse que não estava disponível ... para mim bastou .. já sei o que a casa gasta e é algo que aprendi ali e há muito tempo é que eu não corro mais atrás de ninguém.. dou passos Ok .. vou contra o que sinto ..Ok .. mas não vou atrás de ninguém ..não mais.. resumindo ele também não disse mais nada.. se fiquei triste ? não ... apenas um pouco desiludido ..
Foram noitadas atrás de noitadas, foram jantares e encontros com pessoal atrás uns dos outros, se me agradou .. sim .. fiquei contente pois por uma vez que fosse, não fiz planos e por uma vez mesmo que a correr e tendo pequenos momentos com cada um, consegui ver todos e fazer tudo. E faço aqui a transição para uma sensação horrível que tive ao rever alguns dos meus amigos. Nós acabamos aquela vida rebelde e sem preocupações (infelizmente) e a transição não foi fácil para a maioria, muitos foram embora para as suas terras natais, outros ficaram por ali pois ao início tinham decidido criar um elo entre aquela fase e a nova e ficar ali pelo sul do país com sol e praia todo o ano, e por último aqueles que decidiram não seguir nenhuma destas opções e enveredar por saídas como ir para o estrangeiro (escolha que fiz muito mais tarde que os outros) ou juntarem-se a companhias aéreas ou cruzeiros. Ao lado destes ramos todos há aquela pequena percentagem que ali estagnou e ainda estão a sobreviver da mesma forma, trabalhando na área durante o verão e indo para o desemprego no inverno, ou então sobrevivendo de part-times e biscates aqui e ali, e eu encontrei-me com essa pequena minoria... e apesar de eu estar completamente descontraido e a querer divertir-me ..senti que eles se inferiorizavam e se sentiam mal de eu "ter sido bem sucedido" e eles ali estarem à espera que a oportunidade de ouro caia do céu. Ora tocar no assunto de "como é viver no estrangeiro e as suas aventuras" já é algo que não faço, não só porque os outros não se interessam assim tanto a não ser saber quanto eu ganho de salário ..mas também porque aceitei que nem tudo é um mar de rosas e até eu posso invejar que ficou por Portugal na maior parte das vezes; então eu não o fiz e limitei-me a responder às perguntas desviando o assunto de seguida. Por vezes sentia-os a baixar a cabeça, por vezes sentia-os com uma garra imaginária como se fingissem estar a lutar por algo maior onde no entanto já aceitaram ali ficar na rotina...e eu não gostei dessa sensação. Quem me dera poder ajudar, ou pelo menos transmitir-lhes a minha visão de que .. eu também ando de cabeça baixa, eu também ando na rotina.. talvez hajam outros destinos e outros ex-colegas que estejam a viver um sonho, que adorem a rotina, que tenham um salário aceitável... mas eu não sou uma dessas pessoas
Depois de rever a minha super amiga, ex-colega dos meus tempos de Pingo Doce (oh God) e com quem passei um dia fantástico a recordar momentos e a falar de planos futuros, aqui está uma pessoa que eu poderia ajudar se me fosse possível. Depois de passar os dias a matar o desejo pela melhor gastronomia, sobretudo os meus peixinhos frescos e saladinhas algarvias, bolo de bolacha, cerejas, tudo o que há de melhor no meu país. Decidi pegar no grupinho e ir ver a minha Sósó ao seu novo destino e trabalho - Albufeira.
Se há momento sobre o qual eu estava apreensivo, era este, rever a Sósó, saber como reagiríamos, saber em que ponto estava o nosso à vontade um com o outro. Queria saber se a realidade te permitia desistir dos teus planos e deixar-te voltar à estaca zero, deixar-te voltar a Portugal - ao Algarve, e recomeçar tudo de novo. Na verdade foi um misto de sensações que tive neste momento e não consegui exteriorizar nenhuma, não consegui mostrar sentimentos ou o que ía dentro de mim, limitei-me a fazer o meu sorriso que tenho sempre estampado comigo. A realidade foi que eu fiquei extremamente feliz por ela estar bem, por ter seguido com a vida dela, por estar a lutar por algo e a viver o dia a dia normalmente. Eu, não aprofundando muito ou falando muito da vida, pude ir embora com os meus ombros leves por ver que ela está bem. 
Foram umas férias óptimas, foram momentos únicos, adorei o que fiz e quem revi, o misto de sensações que tive, e agradeço tudo o que fizeram por mim e para estar comigo. Foi bom ver e saber que ainda há quem importe em terras portuguesas.