terça-feira, 28 de julho de 2015

Recusa de uma nova rotina ... luz ao fundo do túnel!

Preciso de despejar... estou com um aperto enorme no peito ...
Neste ponto não é segredo para ninguém que me conhece que eu odeio a Suíça, e estou à espera de uma boa porta aberta para me poder ir embora para outra aventura, e ao longo do correr dos tempos têm sido vários os factores que me têm feito ficar mais um pouco ... e mais um pouco, nomeadamente a minha família e viajar. 
Como qualquer pessoa, tenho de pensar no meu futuro e a nível económico. Sempre fui poupando, inicialmente seria para estabilizar a minha situação em Portugal, na altura tinha uma pequena quantia a pagar ao meu Banco, isso regularizado, quis preparar-me para regressar a Portugal, e acabei por ficar. Comecei a viajar e veio então o gosto por Paris, e então quis economizar para recomeçar a minha vida em Paris, mas achei que era um recomeço muito duro e ousado para mim. 
Pensei que não importa onde vá e onde recomece, um dia tudo isso acabará, eu sou a favor de aproveitar a minha vida ao máximo mas sei que um dia tenho de ter onde acabar os meus dias e de preferência que eu possa chamar a esse lugar de "casa"... os tempos passaram, 5 anos neste país. E eu economizei... tudo mudou em mim e na minha vida... mas havia aquele lugar onde eu sempre tinha de voltar e passar um momento para refrescar as ideias... Portimão ... estranho, eu voltava lá pelos meus amigos, ou pela Praia e aventuras com eles e ela. Mas já para o fim, não era só isso, os amigos mudam, reduzem, e para a Praia já não há paxorra. E eu continuava a ir, nem que fosse para ficar em casa ou no quarto, ou a passear sem rumo ..porque ali eu sou eu, simples, sem projetos imensos, viagens, dinheiro, e tudo o que isso envolve, ali eu sou eu, simples, com pequenos planos como ir ali ou aqui, momentos simples com amigos, projetos de economizar para comprar pequenas coisas conseguidas com o esforço de semanas e mais semanas de trabalho. E isso eu sinto falta. Não gostava quando o tive mas hoje sinto falta e sei apreciar. Então eu pensei ... porque não pegar em tudo o que poupei e meter isto como projeto principal ... comprar uma casa ali ... onde me sinto em casa. 
Pois casa é isso ... onde estás bem contigo e com outros, onde aceitas estar sozinho e com outros, sair vagueando, fazer projetos sozinho ou com outros, pequenas coisas como ir ao café ou às compras, conseguir tudo aos poucos e lentamente. Quero isso, então pensei em meter este projeto que está praticamente concluído ...depois de muitos precalços encontrei um apartamento acolhedor no centro de Portimão e estou a poucos dias da Escritura com o Notário ... e então começarei no processo de pagamento das prestações da casa... avancei grande parte do dinheiro logo e esvaziei todas as minhas economias e os gastos extras da compra também exclui do empréstimo, então ainda que me reste uma boa quantia a pagar, já não é tanto. 
Os bancos hoje em dia não arriscam muito, e foi duro conseguir um empréstimo sozinho sem envolver terceiros e fiadores, não quero chatear ninguém e quero conseguir isto sozinho, e consegui. Ainda que eles me tivessem dado uma opção de 40 anos de pagamento ...exagero ... mas pronto. 
Foi um plano muito bem pensado eu acho, com muitos conselhos de familiares e até mesmo de amigos alheios no banco e agência imobiliária. Agora vejo-me neste limbo ... é a primeira vez que pago algo em prestações.. coisa que odeio ... coisa que me enche o pensamento e não me dá descanso ...e são 40 anos de prestações... Isto fez-me repensar a minha situação atual que já é estressante.
Vou ficar sem trabalho no fim do ano, o meu local de trabalho fecha para remodelações, e eu tenho de encontrar trabalho até ao fim do contrato, isto porque como fui avisado com antecedência pelo Patrão, o Desemprego penaliza-me de dois meses se eu não fizer procuras efetuadas ou não encontrar nada, sendo que não receberia nada em Janeiro e Fevereiro. Para mal dos meus pecados o meu Visa acaba em Março e se eu não tiver um contrato de trabalho eles não me renovarão os documentos... então tem sido esta pressão para ter algo...e é aí que vem o entrave.
Como disse no começo .. odeio a Suíça e já me quis ir embora N vezes... e o pensamento de "ser obrigado a ir" assusta-me ... assusta-me o facto de passar pelo mesmo que passei quando aqui cheguei.... racismo, não gostarem de portugueses por já haver imensos aqui, até mesmo a língua ainda que eu seja praticamente fluente, assusta-me o facto de não ter trabalho para suportar a decisão de tomei de comprar casa. Mas o que assusta mais é eu ter este medo mas ao mesmo tempo não conseguir esforçar-me para encontrar de tal modo desmotivado que estou ... não quero , não aceito continuar aqui ... mas tem de ser... e tenho-me arrastado... arrastado para trabalhar, arrastado para procurar trabalho ... não queria procurar nada até ir de férias em Outubro e só depois procurar, mas será super tarde a apertado ... ao mesmo tempo preciso de sair e repensar tudo ... e não pode ser.
E aconteceu ... amanhã vou experimentar um novo trabalho, um trabalho onde aceitam que eu seja part-time nas minhas folgas do meu atual trabalho e depois no fim do verão havendo a possibilidade de ser efetivo ... fixo - como aqui lhe chamam, e eu não quero ... quero chorar de tão desmotivado que estou e sem vontade... ainda pra mais é mais um trabalho na Restauração ..bar-restaurante... onde tem imensas horas noturnas, festas e mais festas, até altas horas da noite, e se eu já estava farto de um bar de estação de comboios, agora num verdadeiro bar, nem sei ... mas tenho de ir, foi a minha irmã que me encontrou isto falando com o chefe dela, e não posso fazer-lhe a desfeita para ela não ficar mal vista... normalmente eu nem apareceria, que acontece quando eu tenho estes ataques de pânico, mas desta vez tenho de aguentar. Parece que são super versáteis, é um bar-praia com areia, e temos de nos vestir à praia ... passando para estilo dark-metal à noite e classe se passarmos ao restaurante... Não quero ter de me tornar alguém na linha, com estilo, emagrecer forçado ... não quero ... não quero fazer novos conhecimentos ou aturar mais bebedeiras... não consigo, não quero adaptar os meus horários à vida noturna de novo ...sabe Deus as recordações que tenho ... não quero habituar o meu corpo ao álcool de novo, já não sinto falta disso ... dessa vida...
Mas tem de ser... na minha cabeça queria mais 2 anos aqui ... um para amortizar uma grande parte da casa e reduzir bastante o valor das mensalidades - outro para economizar para um carro, e então voltar para Portugal, com 30 anos e começar finalmente a minha carreira em Turismo, fosse no que fosse, tranquilo numa rotina de trabalho casa , com a minha casa e a paz de espírito que eu já tinha quando lá estudava, mas que não soube que no final seria isso que eu iria querer apreciar. 
Dois anos seria o ideal, é o tempo de espera para - se tudo correr bem - meter a minha mãe na reforma antecipada e ela poderia regressar a Portugal com a minha tia, em dois anos o meu irmão chegaria ao fim desta etapa escolar e poderia escolher uma aventura seguinte, seja em Portugal, aqui - onde tem o pai também, ou em Paris - sonho que partilhamos juntos, quem sabe com ele lá a recomeçar uma aventura não seria fácil eu ter acesso a uma aventura semelhante também. Em dois anos tudo pode acontecer... 
Mas por agora... tentar não chorar e mentalizar-me que vou experimentar um trabalho novo, fingir que não estou super saturado deste tipo de clientes... ser paciente para bebedeiras e nights sem fim, e sobretudo ... trabalhar sem folgas ... meu Deus...

domingo, 5 de julho de 2015

Valerá a pena ?!

Durante estes últimos anos tenho vivido fora do meu país. Tem sido uma aventura incrível que me ensinou mais sobre a vida, amor e medos do que algum livro me ensinaria.
Construir uma nova “existência” longe de tudo aquilo que alguma vez conheceste é um dos sentimentos mais poderosos do mundo.
As pessoas que já viajaram para fora irão concordar com um movimento da cabeça. Eles irão dizer-te que viajar para fora lhes abriu o horizonte, abriu-lhes a mentalidade e mostrou-lhes o que realmente interessa na vida.
O que muitos não te dirão é que foi o acto mais solitário, de exclusão e de culpa que eles alguma vez fizeram.
Na verdade, contos de fadas não existem. E posso dizer-vos cinco coisas que certamente acontecerão se decidirem deixar o vosso lar para trás.
1.       A vossa família ficará devastada. Não importa como o tentam embelezar, ir para fora é uma decisão egoísta. É óptimo que estejas a seguir os teus sonhos e a vida que sempre quiseste, mas na verdade é que não estás a fazer ninguém feliz a não ser tu mesmo.
Se foste abençoado com uma excelente família e amigos eles irão fazer de tudo para esconder os seus sentimentos. Eles não querem carregar-te com o fardo das suas dúvidas, medos ... eles irão dizer-te “se te faz feliz então fá-lo”.
O meu caso é diferente, os meus pais também sairam do país, então tudo isto se reflectiu neles e nos seus familiares, e eu estava tão centrado em mim, eu e só eu, que só hoje consigo identificar certos olhares de tristeza nos olhos deles. Hoje, no rosto deles vejo o preço que pagaram por tudo isto, um envelhecimento de quase 10 anos. O mesmo envelhecimento todos vêm no rosto daqueles que deixaram para trás.
2.       Vão sentir-se culpados o tempo inteiro. Desde que vim para fora já perdi quase o contacto com os meus avós; amigos meus casaram, tiveram filhos, outros continuaram os estudos. Eu não estava lá para os maus momentos mas também não estava lá para os bons. Quando vais para fora, o tempo e as restrições financeiras vão determinar as escolhas sociais que fizeres. Ainda que seja a minha vida e eu posso decidir o que fazer com ela, vir para fora já me fez sentir um mau amigo ou um familiar menos bom, por várias vezes.
3.       Vão-se sentir verdadeiramente sozinhos. Eu nem sempre fui rodeado de muitos amigos e sempre lidei bem com a solidão, mas já para os meus últimos tempos no meu país eu consegui afirmar que estava rodeado de um ciclo de pessoas maravilhosas. Já noutro país também não me afectava o ciclo social pois aguentava bem uma rotina sem socializar. Ainda assim, estando longe de casa eu tive uma sensação de solidão que nunca antes tinha sentido. É preciso tempo para construir amizades que signifiquem algo, e quando vais para fora, vais obrigatoriamente passar imenso tempo com pessoas que são divertidas e extrovertidas, mas com as quais não partilhas ainda histórias ou memórias. É como começar uma nova fase na escola, mas desta vez estas num país longínquo por tua conta, longe daqueles que importam.
4.       Já não te vais enquadrar. Ir para fora mudou-me em aspectos que eu nunca pensaria que fossem possíveis. Eu descobri gostos, paixões e medos que eu não imaginava que tinha, abandonei crenças e convicções que já não faziam mais sentido. É uma boa mudança que eu recebi de braços abertos, muito lentamente e reticente, mas que me afastou daqueles e do lugar a que chamei de casa. Quando vais para fora, o teu crescimento vai acontecer num lugar desconhecido o que te obriga a adaptar a este novo ambiente. Ainda assim, a falta de raízes e história vão fazer com que nunca te sintas 100% em casa, independentemente dos teus esforços. É por isso que todos aqueles que encontrei no meu percurso colocam questões como “onde é que eu irei envelhecer”, “onde pertenço eu” ...e outros fecham os olhos e limitam-se a viver na rotina recusando-se a pensar nisso. Incapacitados de responder a essas questões, muitos optam por mudar de novo, uma e outra vez, procurando aquele sentimento de “casa” que outrora foram tão frios em deixar para trás.
5.       Vais perder os amigos mais queridos. Aqueles amigos que pensas que nunca irás perder, pois tiveste grandes fases com eles, escola, trabalho, entre outros, irão crescer em direcções diferentes e seguir outros caminhos. Por todas as razões atrás mencionadas, ir para fora irá mudar e sacrificar amizades fortes. Claro, algumas ficarão, mas a maioria não. Não é culpa de ninguém mas é culpa de todos. Vais esquecer-te dos seus aniversários pois estás ocupado com as tuas novas amizades. Eles culpam-te por voltares por outras ocasiões que não os seus momentos de celebração. Vais achar que poderias esforçar-te um pouco mais para ir vê-los, mas também começas a pensar que eles também se poderiam esforçar para vir ao teu encontro. Escolher caminhos diferentes encerra amizades, assim como acaba com muitas relações. É inevitável e é a vida, mas isso não quer dizer que seja fácil. Perdendo amigos, perdes uma parte de ti e da tua história.

Então, valerá a pena? Arrependo-me eu de ter arriscado uma aventura internacional? Sim e não. Com um grande sacrifício vem uma grande recompensa... vamos ver!