quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O fim aproxima-se ?

O fim aproxima-se, e tenho momentos em que quero dar em louco para que o tempo avance. Custa-me admitir isto, mas talvez eu esteja a cometer um grande erro, começo a achar que em tempos de passos difíceis, eu opto pelo mais cómodo e fácil, se é que regressar a Portugal a este ponto vá ser fácil.
Estou receoso do que me espera, apreensivo, e triste. Eu já passei a fase difícil aqui e com esta comodidade ainda conseguiria ter alcançado mais objectivos, nomeadamente o avanço de pagamentos da minha casa e ter conhecido mais uns quantos países. Mas está acabando. 
Não estou fechado para o tempo que irei aqui ficar no desemprego, pois irá dar-me geito, mas se eles não me pagarem o mesmo e me decidirem penalizar de algo, eu não esperarei e parto. Também não estou fechado para outro trabalho que me agrade, nunca se sabe se encontrarei, pois se encontrar aguentarei mais uns mesitos para avançar um pouco da casa. Mas está tudo a encaminhar para a mudança final.
Já avisei os meus pais e família. Pois eles têm de estar com noção que não poderão contar mais comigo se eu for embora. E todos terão de aceitar a futura rotina e a rotina de socorro se algo correr mal. Para a minha mãe terá de aguentar dois anos para saber se consegue a reforma antecipada e para que o meu irmão acabe a escola. Ela não quer ficar a não ser que a sua relação dê alguma coisa, mas se ela voltar será para o Algarve onde alugaria uma casa. O meu irmão tem de se esforçar até à última energia, são os dois últimos anos, terá exames e depois poderá mudar completamente de fase. E vir para Portugal, mas ele tem tempo de decidir o que quer, se mudar de país ou continuar aqui. A vontade dele ainda é regida pela motivação ou desmotivação de estudar, e isso confunde-o pois não sabe o que quer da vida, e terá de escolher até lá. Tem tempo... Se eles forem embora, quase é certo que a minha tia não aguentará aqui, e terá de ir embora também. Eu gostava que ele vendesse a casa dela no Alentejo e pedisse outro empréstimo para comprar uma nova casa no Algarve, com a minha mãe. Assim seria um novo recomeço para todos. A minha irmã quer continuar aqui, para ela pensei dar-lhe este meu estúdio com tudo o que aqui tenho pois não quero levar nada disto para Portugal, já lhe facilita o novo começo, embora a orientação financeira tenha de vir dela.
Eu quero e aceito ir-me embora. Estou tranquilo com a minha decisão e não me sinto mais obrigado a ficar por eles ou por outros factores, pois já vejo possíveis saídas para eles, basta que aceitem tomá-las e seguirem em frente. Estamos todos em idades e fases decisivas de mudança, e não mudar neste momento implica ficar preso numa rotina por mais uma fase por tempo indeterminado.
Estou ao máximo a tentar mobilar e preparar a minha casa em Portugal, até ao fim do ano. A ver se até às minhas férias de Outubro já avancei tudo o que diz respeito aos trabalhos e manutenção do que eu queria fazer, pintura e compra do quarto, assim como a compra do termoacumulador e do ar condicionado, vai ser duro, mas tenho de conseguir. Durante as férias acertaria pormenores e depois até ao fim do ano, tentaria comprar mais umas coisas... Não pensando o que poderá acontecer depois do fim do ano.
Enfim, o tempo não para agora... e eu estou impaciente... pois tenho de comprar, economizar, poupar, continuar a comprar.... enfim... tou a dar em louco lol.

sábado, 15 de agosto de 2015

Será tarde ?

Quando eu paro para pensar neste meu percurso de vida, tenho muita vontade de chorar. Tenho vontade de chorar pois lembro-me de onde eu venho, lembro-me de como a vida era simples, lembro-me dos meus amigos e das pessoas com quem me cruzei. Quando penso lembro-me de cada desafio, de cada ferida que eu tive de esperar que o tempo sarasse. Lembro-me de como venci cada meta, como ultrapassei cada fase. Lembro-me da minha família e de como eles eram e são agora.
Por vezes meto-me a procurar razões para entender o que me tornou um constante insatisfeito na vida, o que me faz querer sempre mais depois de algum tempo numa rotina. Uns dizem-me que a isso se chama viver, buscar sempre mais, melhor, pior, o que for mas que te faça levantar e encarar a vida dia após dia.
Aquele rapaz com medo de se aventurar em coisas novas, hoje já entende muito mais da vida, se calhar mais do que ele poderia ter imaginado. Penso no que fui capaz de fazer, umas coisas decididas, outras que o destino colocou no meu caminho e eu aproveitei, outras para onde fui com medo e no fim acabei por sair vitorioso.
Pois ainda que eu nem sempre tenha tido as escolhas acertadas, a vida encarregou-se de me dar as melhores e piores experiências. Lembro-me que tinha de sair do Alentejo a certo ponto, pois não aguentava ser mais mal-tratado por aquelas pessoas, e embora a dado ponto eu tenha escolhido universidades longe dali, algumas até eram por ali - o destino actuou e levou-me para longe.
Portimão como já referi milhentas vezes foi a minha melhor experiência de vida, o único lugar onde eu ganhei vida, personalidade, onde me encontrei, onde me senti em casa, talvez por isso tenha sido o meu local de eleição para ter o meu próprio lar, e assim foi.
Mas como todas as fases da nossa vida, por vezes o balanço do bom e do mau desequilibra-se e algumas más experiências transformara-me para sempre e torturaram-me de tal maneira o coração que demorei anos a recuperar. Não perdendo o amor por tudo ali, mas o meu coração e mente precisavam focar-se em algo mais. Nesta mudança de fase eu tomei uma das atitudes mais corajosas de sempre e voltei para onde fui tão humilhado, o Alentejo.
É curioso como a vida funciona às vezes. Embora hajam vários aspectos da vida que nós busquemos para termos um bom equilíbrio, isto é, estabilidade financeira, amor, realização pessoal e profissional, boas relações familiares, simplesmente é muita coisa para a qual lutar, e definir prioridades simplesmente é difícil. 
Eu a dado ponto, preferi o meu bem estar pessoal e amoroso, e achava que com isso se podia viver, e foi preciso um impulso do destino para me provar o contrário. 
A vida ensinou-me que primeiro temos de tentar realizar-nos pessoal e profissionalmente, fazer o que gostamos para sermos felizes com nós mesmos, antes de podermos ajudar outros, antes de podermos ser um exemplo para a família, antes de aceitarmos tornar os problemas deles nossos pois queremos ajudar, antes mesmo de pensarmos em fazer outra pessoa feliz no amor. Eu aprendi isso, e embora me tenha arrastado para a vida de Imigrante tempos depois, aprendi isso com estes anos a viver na minha rotina.
Foi talvez a pior experiência que tive, mas talvez a mais marcante a nivel de descobrimento de quem eu sou e o que quero. Sem esta experiência eu nunca teria ganho força o suficiente para recriar momentos com os amigos que deixei em Portugal vezes e vezes sem conta, o que me ajudou a avançar e a entender o porquê de eu estar longe. Sem isto eu nunca teria tido força interior e financeira para equilibrar a minha família e aproximar-me dela de uma forma tão marcante quanto me aproximei. Sem esta experiência eu não teria aberto a minha visão do mundo com viagens que me fizeram encarar e ver vários aspectos da realidade, da forma como aconteceu, e mais não me teria permitido dar a mesma experiência aos meus familiares e amigos.
E o mais importante de tudo, é que, ainda sendo uma forte e marcante má experiência que eu sei que tem de acabar um dia, sem ela eu não poderia regressar em breve ao meu país já com a minha casa e um lar para onde ir e começar a construir a minha vida.
Estou contente por ter tido cabeça para me orientar nesse aspecto, pelas decisões que tomei, e que planeio tomar. Pelo menos levo essa vitória destes cinco anos torturantes e ao mesmo tempo repletos de memórias que me transformaram a essência.
Agora, eu poderei regressar e aproveitar aquilo que em Portugal temos de melhor, e com o qual não conseguimos avançar e ser felizes, a tranquilidade de espírito, o lutar o dia a dia para ter o mínimo que seja, o apreciar o simples, o pouco, o sentir, o cheirar, o saborear e sobretudo o Amar.
Não sei se ainda irei a tempo de reatar algumas amizades, mas sinceramente não tenho isso em prioridade, gostaria claro. Não sei se será tarde para iniciar a minha carreira profissional, ou se será tarde para alguém me amar. Espero sinceramente que não seja. É aos trinta anos que as pessoas começam a querer viajar pois já enconomisaram um pouco, começam a ter convivios entre amigos e famíliares, casar e comprar coisas em conjunto, já estão mais ou menos com um bom curriculo profissional e alguma experiência na área.
Eu inverti a minha vida e comecei ao contrário, e agora não sei como fazer, o que eles querem eu já tenho ou tive, e agora eu quero viver e ter o que eles tiveram. 
Espero que não seja tarde....