O fim aproxima-se, e tenho momentos em que quero dar em louco para que o tempo avance. Custa-me admitir isto, mas talvez eu esteja a cometer um grande erro, começo a achar que em tempos de passos difíceis, eu opto pelo mais cómodo e fácil, se é que regressar a Portugal a este ponto vá ser fácil.
Estou receoso do que me espera, apreensivo, e triste. Eu já passei a fase difícil aqui e com esta comodidade ainda conseguiria ter alcançado mais objectivos, nomeadamente o avanço de pagamentos da minha casa e ter conhecido mais uns quantos países. Mas está acabando.
Não estou fechado para o tempo que irei aqui ficar no desemprego, pois irá dar-me geito, mas se eles não me pagarem o mesmo e me decidirem penalizar de algo, eu não esperarei e parto. Também não estou fechado para outro trabalho que me agrade, nunca se sabe se encontrarei, pois se encontrar aguentarei mais uns mesitos para avançar um pouco da casa. Mas está tudo a encaminhar para a mudança final.
Já avisei os meus pais e família. Pois eles têm de estar com noção que não poderão contar mais comigo se eu for embora. E todos terão de aceitar a futura rotina e a rotina de socorro se algo correr mal. Para a minha mãe terá de aguentar dois anos para saber se consegue a reforma antecipada e para que o meu irmão acabe a escola. Ela não quer ficar a não ser que a sua relação dê alguma coisa, mas se ela voltar será para o Algarve onde alugaria uma casa. O meu irmão tem de se esforçar até à última energia, são os dois últimos anos, terá exames e depois poderá mudar completamente de fase. E vir para Portugal, mas ele tem tempo de decidir o que quer, se mudar de país ou continuar aqui. A vontade dele ainda é regida pela motivação ou desmotivação de estudar, e isso confunde-o pois não sabe o que quer da vida, e terá de escolher até lá. Tem tempo... Se eles forem embora, quase é certo que a minha tia não aguentará aqui, e terá de ir embora também. Eu gostava que ele vendesse a casa dela no Alentejo e pedisse outro empréstimo para comprar uma nova casa no Algarve, com a minha mãe. Assim seria um novo recomeço para todos. A minha irmã quer continuar aqui, para ela pensei dar-lhe este meu estúdio com tudo o que aqui tenho pois não quero levar nada disto para Portugal, já lhe facilita o novo começo, embora a orientação financeira tenha de vir dela.
Eu quero e aceito ir-me embora. Estou tranquilo com a minha decisão e não me sinto mais obrigado a ficar por eles ou por outros factores, pois já vejo possíveis saídas para eles, basta que aceitem tomá-las e seguirem em frente. Estamos todos em idades e fases decisivas de mudança, e não mudar neste momento implica ficar preso numa rotina por mais uma fase por tempo indeterminado.
Estou ao máximo a tentar mobilar e preparar a minha casa em Portugal, até ao fim do ano. A ver se até às minhas férias de Outubro já avancei tudo o que diz respeito aos trabalhos e manutenção do que eu queria fazer, pintura e compra do quarto, assim como a compra do termoacumulador e do ar condicionado, vai ser duro, mas tenho de conseguir. Durante as férias acertaria pormenores e depois até ao fim do ano, tentaria comprar mais umas coisas... Não pensando o que poderá acontecer depois do fim do ano.
Enfim, o tempo não para agora... e eu estou impaciente... pois tenho de comprar, economizar, poupar, continuar a comprar.... enfim... tou a dar em louco lol.