sábado, 23 de setembro de 2017

Estarei assim tão errado ...

Como é que conseguimos continuar a fazer o que estamos a fazer, sabendo e achando que estamos a fazer tudo bem, e no entando nos fazem sentir que estamos a fazer tudo mal?
É assim que me sinto ultimamente.
Ontem senti que algo não estava bem connosco, às vezes sinto isso, mas guardo para mim. Tal como muitas coisas com as quais não me quero chatear, ignoro-as ou sigo em frente e espero que se resolvam ou desapareçam. Mas ontem não o fiz.
Tive aquela sensação de que algo falhou, o mesmo que tem falhado outras vezes nas quais deixei passar. Seguido a isso, quando fomos para o banho juntos, trocamos “aquele olhar”, aquele em que tu sabes que te amo mas não o digo para não ser o primeiro a fazê-lo, aquele em que tu sabes perfeitamente que espero muito mais de ti, aquele que diz tanto mas sem me incriminar pois nunca digo nada, e que inevitávelmente te deixa sempre com pressão para sentires mais do que aquilo que sentes por mim.
Naquela troca de olhares e já iniciando a sensação de que algo tinha falhado anteriormente, eu perguntei, “gostas de mim?” e tu dispersaste, denunciando logo que estavas a sentir a mesma cena que eu, de que algo não estava bem, afinal estavamos com a mesma sensação, e disseste que já estavas cada vez mais perto de me amar ... que já lançavas uns “amor” involuntariamente. E isso devia ter-me contentado, como acontece sempre, mas eu, já desconfortável, só piorei ...
Ontem deveria ter sido tudo normal, mas eu decidi tocar no assunto ... queria saber se algo mais estava mal, se eu estava a fazer algo de mal, se me faltava fazer algo para que tu me amasses mais... ou para eu ter a sensação de que me amavas mesmo sem dizê-lo.
Depois do banho iniciei o questionário ... e eu não gosto de questionários ... faz-me ser alguém que não sou, alguém que já fui há muito tempo e que não mais faz parte de mim. Mas quis entender o porquê.
Dispersaste muito, como fazes sempre, utilizaste todas as chatices da tua rotina diária como desculpas para não estares bem, criticaste a minha rotina profissional, a minha rotina diária, as minhas motivações, as minhas atividades do dia-a-dia, o que faço em casa, e a minha recente rotina alimentar, e por fim, mencionando uma dor de cabeça, foste-te embora.
*
E eu tinha passado por uma fase de depressão e desmotivação, e como sabem, ou não, nessas fases estamos medicados e não reagimos a muita coisa, principalmente chatices e desentendimentos, então ele nunca teve um verdadeiro debate comigo em que eu argumentasse e ripostasse o que ele dizia.
Eu não o queria fazer ali, porque queria apenas entender se me faltava algo ou se eu estava a fazer algo de mal, e não consegui a minha resposta.
Nunca lhe omiti nada, ele sempre soube o quão fraco emocionalmente e psicologicamente eu estava quando ele me conheceu, e decidiu esperar que eu fosse melhorando ... ainda estou a melhorar, mesmo um ano e tal depois de ter recomeçado a minha vida aqui ...
Eu estive abstraído de relações amorosas e sexo durante cinco anos enquanto estive no estrangeiro, isso não me fez mal, mas essa ausência juntando à depressão no fim e consequentemente aumento de peso final, deu-me imensos problemas de auto-estima, e complicou uma pequena operação que decidi fazer antes de regressar a Portugal.
Quando ele ficou comigo, eu muitas vezes não queria que ele tocasse no meu corpo, ou em determinadas partes onde estava mais desconfortável ... hoje, graças a ele, essas partes diminuiram muito, e estou mais confiante, e graças a ele as mazelas que tinham ficado da operação que mencionei, desapareceram, mas ainda tenho pequenos momentos em que lhe agarro a mão para não me tocar... eu sei que isso já deveria ter passado ... mas não queria que complicasse mais, sendo que acho que vai passar completamente...
Hoje sinto-me super realizado por ter a minha casa, carro e conseguir pagar todas as minhas contas mensais com o meu salário, consigo manter-me de uma forma que às vezes só um casal junto consegue manter-se. Tenho de ter um trabalho noturno e estou realizado no mesmo, pois não exige muito de mim, mas estou nele para ter mais esse subsídio, tenho de ser rígido na minha rotina para dormir saudavelmente e ter os fins de tarde livres para ele. Mas quando se chateia menciona sempre o meu pouco tempo livre devido ao meu trabalho, onde eu tenho o mesmo tempo livre das outras pessoas... que saem às 17h do trabalho e é quando eu acordo. O único ponto que pedi que ele compreendesse foi apenas que não esperasse que eu fosse super ativo e social com outros logo quando acordo, pois precisava de tempo para “despertar” e ficar disposto a socializar com outros. É normal eu acordar às 17h e só começar a ser simpático com outros lá para as 20h .
Esforço-me por dormir menos horas em alguns dias que ele aparece aqui de surpresa, esforço-me por ir passear sempre que ele me pede, mas na maior parte dos dias nem saiu de casa, e ficamos por casa no pc, cama ou a falar. Mas não lhe chega, ele sente que não sou ativo o suficiente ou que não socializo com outras pessoas.
Eu nunca fui o mais social ou simpático, e ainda comecei a sê-lo menos depois de regressar a Portugal, e eu não vejo mal em querer ficar em casa e gostar de trabalhar à noite, onde normalmente se evita mais contato com pessoas. Sei que isso me tem dado consequências a nível social e de amizades, eu próprio sinto-o, e sinto que me afeta, principalmente quando estou rodeado de muita gente, panico facilmente e fico angustiado.
Mas não desgosto de como estou. Eu adoro estar em casa e adoro ser só dele e ele só meu, adoro sair quando ele quer sair porque ele quer sair comigo, ou sair com amigos quando eles o sentem e me pedem, mas a minha iniciativa para tal é praticamente “zero”. E zero porque hoje em dia apenas faço o que gosto e me apetece e poucos merecem o meu esforço.
Não sei explicar melhor, mas adoro estar em minha casa, rodeado das coisas que alcancei. Reconheço que haja vida fora de casa e temos de manter a relação, apimentar tudo, e manter as amizades, mas essa % neste momento é muito pequena em relação ao resto.
É verdade que não me quero manter na vida noturna para sempre, mas por agora tenho de reconhecer que é a única forma de manter as minhas despesas em dia e sem dever nada a ninguém. Sei que tenho pelo menos de pagar o carro primeiro antes de perder cerca de 100€ no salário e mudar para um regime diurno.
Pagando tudo sozinho e praticamente não me sobrando dinheiro nenhum para “luxo” ou mimos, fazer planos de viagens é praticamente nulo, ou só posso fazer quando sei que vou receber extras ou fins de ano, e ele tem muita vontade de viajar e fazer planos de viagem...
Eu sou alguém que não gosta de exercício físico, desisti do ginásio e de treinar pois na altura estava mal psicológicamente e não conseguia esforçar-me por nada, e é sempre difícil focar-me em algo que envolva emagrecer. Mas recentemente encontrei ajuda para tal e estou focado, mudei a minha alimentação e reduzi tudo o que me fazia mal, drasticamente, fico muito fraco por vezes porque como muito pouco, mas tive de reduzir a alimentação de acordo com a minha rotina, que basicamente é trabalhar sentado de noite, ir dormir 8 h logo a seguir ao trabalho e os fins de tarde não me pedem muito gasto de energia, então a alimentação tem de ser muito pouca e saudável.
Há uns dias atrás fomos passear para os calores alentejanos, saí da minha rotina por ele, mas naquele dia tive a ideia estúpida de manter a rotina alimentar que tinha quando trabalho, e senti-me mal quase desmaiando num lugar isolado, sem sombras e muito quente, sem ninguém para me ajudar e ele assustou-se um pouco com a situação. Com muito esforço e medo cheguei ao carro e recuperei a caminho do hotel, mas ele ficou bastante chateado com isso pelos vistos, pois foi mais uma de que me acusou no seu emaranhado de cenas das quais está descontente.
Foi erro meu e assumi-o. E na opinião dele estou a fazer uma alimentação muito mal feita, e digamos que a alimentação é algo que temos em comum, gostamos de ir comer fora, comer as mesmas porcarias e guloseimas, mas eu cortei com tudo. Esforço-me por ir comer fora e abro exceções quando estou com ele, mas o resto cortei tudo e nem tenho nada em casa de tais coisas....
Não sabia que isso o deixava descontente e isso deixou-me triste, pois estou a fazer isto para melhorar alguns problemas de saúde que tinha e tinha de tratar urgentemente e ele sabe disso. E estou a fazê-lo para eu melhorar a nível de auto-estima e consequentemente melhorar os problemas que daí derivam que mencionei anteriormente... e deixa-me triste que ele não veja isso também. Que também é por ele que tento melhorar.
Essa rotina alimentar ainda reduz mais toda a atividade fora de casa que ele refere que eu não tenho.
Tento pedir férias quando ele tem férias, mesmo temendo que ele ache que eu quero que ele fique atrelado a mim nas férias, pois não podemos viajar nas mesmas a não ser em janeiro ... não lhe pergunto onde ele anda ou o que faz, com medo que ele pense que o controlo... não lhe digo pa não sair com alguém, embora ache que as noites gays que já quase não tem, sejam desnecessárias... nunca controlei a privacidade dele, embora tema o que possa encontrar muitas vezes ... Sigo em frente e meto as inseguranças em relação a ele para trás para dar certo nesse aspeto, mas parece não ser o suficiente. Eu fico no meu canto quando ele desabafa chateado sobre o quão maus alguns dias de trabalho são, fico no meu canto quando desabafa sobre a mãe ou chatices com ela; fico no meu canto quando fala sobre os problemas do carro ou de dinheiro ... e tento ser compreensivo ou dar conselhos, mas até esses são mal interpretados e alvo de contestação e consequente descarga de motivos e razões a justificar-se, sendo que estava apenas a aconselhar algo.
Decidi dar o passo antecipado de regressar a Portugal por ele, para que isto desse certo. Eu ia regressar de qualquer forma, mas também podia ter aguentado mais uns meses lá fora. Eu praticamente faço tudo para que na minha casa ele se sinta ele e para fazer o que bem entender, com o meu carro igual. Ele conheceu as pessoas mais importantes para mim, de família e amigos, pois eu fiz questão de tal.
E com isto tudo ... 1 ano depois de eu regressar, sendo que nos conhecemos antes disso ... onde está o “amo-te” , onde está o “queres namorar comigo?”, onde estão mais noites juntos, onde está o “anel de namoro” (sim porque eu quero um) ... Mas pior que não ter nada disto e tê-lo a ele na minha rotina constantemente é não saber as razões, motivos da parte dele que levam a que isto não avance.

Estando eu estavel em todos os aspetos fora relação, e dando passos, ainda que lentos, para melhorar as minhas inseguranças, criando novos objetivos para melhorar isso mais rápido ... o que é que falta...

sábado, 2 de setembro de 2017

Fora do ninho

Num qualquer caderno meio rasgado começo a escrever como único refúgio do tédio que se vive neste Alentejo.
Este caderno muito provavelmente sobrou do Ano Lectivo de alguém e agora a minha avó usa-o como folhas para apontar alguma coisa... na folha anterior leio "o comer está no frigorífico"...
E eu tenho-me sentido vazio de sentimentos ou de formas para me exprimir, e as circunstâncias quase não me deixam outra alternativa a não ser escrever.
Estou seco, vazio e sem paciências para nada e não sei como vou ter forças para começar o meu tratamento daqui a 3 dias... mas a algum ponto vou ter de me agarrar para vencer esta tão enraizada luta... e vou ter de a enfrentar sozinho.
"Ele" não está a ser o pilar que eu precisava que ele fosse, não sei se sou eu que estou a exigir demasiado, no entanto, não sinto nem uma palavra de encorajamento.
Não posso contar com o meu pai, está claro que já não estou na lista de prioridades dele, nada que eu não soubesse... A minha mãe, essa acabou de chegar da Suíça para voltar a viver em Portugal, chegou pior do que quando de aqui saiu, com uma extrema carga negativa e depressiva em cima e eu nem me consigo aproximar sem me sentir mal... e só quero manter uma distância de segurança por agora, e essa sensação de querer estar distante dela está a magoar-me de certa fora... com ela estão os meus irmãos (de férias) mas que em prol dessa circunstância também não me aproximo...
Eu já saiu imenso da minha zona de conforto quando saiu da minha casa... não sei porquê... a primeira noite fora parece que o mundo vai acabar, fico instável e irritável, e só quero a minha gata na cama comigo... depois o choque de não ter ligação ao mundo, internet, telefone e apenas 4 canais de televisão e o paleio das velhas da aldeia agonia-me imenso.
Eu não era assim tão fechado, e agora não consigo abrir-me de novo, socializar, olhar nos olhos, ter uma conversa descontraída.
Felizmente no segundo dia da minha mãe por cá veio com uma atitude diferente, deve ter sentido a minha distância, e veio mais calma, mas eu decidi que tinha atingido o limite e pedi para me levarem aos autocarros para voltar para o Algarve, inventando uma desculpa. Prometi regressar mais tarde e compensar.