segunda-feira, 15 de julho de 2019

Podes fugir - mas eles vêm ter contigo na mesma!

É incrível as voltas que a vida dá, os constantes estados de desagrado ou motivação que vão girando como um ciclo vicioso e que geram uma constante satisfação/ilusão sobre o estado físico, mental ou psicológico em que nos encontramos.
Não espero que este desabafo faça sentido. Há muito que o meu Blog deixou de fazer sentido, talvez nunca tenha feito sentido algum. Há muito que deixei de ter uma ordem de raciocínio, não sei se alguma vez a recuperarei, mas dada a minha herança mental materna, duvido que alguma vez venha a ter sanidade mental como antes.
Estou na rotina que quero, tenho um trabalho que me dá gosto fazer, vou motivado trabalhar e acabo por me esquecer do tempo quando lá estou, o salário não é mau, mas ainda não me dá aquele ponto de conforto que preciso e continuo com momentos apertados que tanto me torturam o psicológico... sim, porque não ter o conforto financeiro e ter essa nuvem sobre nós constantemente, pode mesmo tornar a nossa rotina diária bastante stressante e angustiante.
Hoje em dia estou nessa rotina. Continuo com o meu físico insatisfeito, não consigo emagrecer, não consigo aceitar este corpo, nem aceitar que alguém goste do meu corpo assim.
Continuo na minha relação com este rapaz especial, numa relação ao qual temos ultrapassado bastantes desafios de adaptação um ao outro, ao longo dos tempos, e já estamos no quarto ano desta relação à qual ainda não demos um nome.
E sim, continuo insatisfeito com  isso. Insatisfeito porque lhe quero dar um nome e oficializá-la e continuo desinteressado em chatear-me para ter aquilo que quero. Nem sei se tenho força mental para me chatear com tal.
Hoje em dia já reuni alguma da força mental perdida nas noites intermináveis do meu último trabalho como night auditor, e que a ansiedade me deu; mas essa pouca força mental que reuni tem se esgotado diariamente no esforço que o meu novo trabalho requer; o que me torna o cachorrinho perfeito numa relação com alguém difícil.. e eu nunca fui o "submisso".
Mas mantenho-me nesta rotina a tentar lidar com os meus desafios diários e ultrapassando-os. Nunca foi fácil para mim, manter-me contentado com o que tenho, mas o estar na rotina que escolhi faz-me aceitar os desafios.
Não sei por mais quanto tempo a rotina se manterá, pois quando menos esperamos os problemas familiares surgem e eu tenho fugido deles a sete pés. 
Gabo as pessoas que abraçam a família e os seus problemas e tornam-os os seus próprios problemas... eu tive bastante disso quando tive na Suíça e agora queria estar na minha rotina descansado sem mais chatices, a lutar pela minha vida amorosa e profissional... mas não está a ser possível.
Todas as minhas linhas familiares estão instáveis. A minha mãe, que mantém a sua fraqueza mental e instabilidade emocional e de saúde, desde que regressou a Portugal que não consegue manter-se num trabalho por muito tempo. Mudando de trabalho sem parar, tem consequências a nível de desempregos, salários e em manter as contas em dia, principalmente a renda da casa onde está, que é a casa da irmã dela, minha tia, que por sua vez lhe facilitou a vida deixando-a lá ficar na casa do Alentejo a uma renda acessível, mas sempre que a minha mãe não consegue pagar, a minha tia tem de acarretar com as despesas de duas casas. As decisões que toma continuam a ser as que sempre quis tomar, sem pensar nos outros ou nas consequências, ou sequer pensar que tem o filho ao seu encargo em casa; acabou de trocar um carro que apesar de dar problemas, já estava pago, por um carro novo que pagará até estar reformada a um montante mensal fora das suas possibilidades. Neste momento, parou novamente de trabalhar para ser operada ao coração, vai desentupir umas veias e colocar um pace-maker, para que isto melhore o desempenho dela na vida, trabalho e rotina, sendo que arritmias sempre foram um calcanhar de Aquiles para ela. Vamos ver se resolvendo este problema, é o suficiente para ela estabilizar nas responsabilidades diárias.
Tem exigido cada vez mais atenção, depressiva e quer bastante que se preocupemos com ela, o que preocupamos, mas não podemos estar em cima dela constantemente e diariamente, e ela tem de manter um pouco de estabilidade mental para aguentar a rotina e ajudar o filho que ainda vive com ela. Ainda é cedo para que ela se torne o fardo de alguém.
O meu irmão que por sua vez anda também bastante instável, ficou há poucos meses sem a mesada do pai, que ajudava na rotina, estudos e em casa, e como parou de dar-lhe a mesada, a minha mãe teve de ficar com tudo a seu encargo. Ele ainda deu a volta por cima e conseguiu ir estudar à noite e num curso de equivalências terminou o 9° ano; encontra-se em advogados para tentar que o pai dê a mesada, mas não deve dar em muito. E ele não aceita recomeçar a vida dele tendo de estudar e trabalhar ao mesmo teve. Há uns dias teve um esgotamento psicológico vivendo fechado em casa com os ataques depressivos da minha mãe, e não tendo ele próprio forças para lidar com nada. Está depressivo, não consegue lidar com pessoas para aceitar ter um trabalho e achou que estava sem saídas na vida e que ninguém o podia ajudar, pois estamos todos financeiramente impossibilitados para tal. Eu entendo que seja injusto para ele ter as portas todas fechadas para ser ajudado, parte-me o coração que a vida lhe tenha dado este caminho, mas só consigo metê-lo no caminho correto para que ele lute por si mesmo.
Mais uma vez abri-lhes as portas para em breve vir para minha casa, seja para estudar se conseguir a mesada do pai em tribunal; seja para ajudá-lo a procurar um trabalho simples e que não lhe exija muito contato com pessoas para que possa trabalhar e estudar. Mas tenho de me chegar à frente desta vez; apesar de no fundo eu não querer cair na mesma rotina em que ele não aceitava as regras cá em casa, e temo que ele tenha de se sujeitar a essa rotina de novo, e espero que aceite as novas condições.
A minha irmã está na mesma instabilidade financeira que o meu pai, são gémeos em gestão de dinheiro. O meu pai simplesmente já não me apetece lidar com ele, ignoro-o bastante hoje em dia, acho que ele já sentiu isso, mas simplesmente já não me dou ao trabalho. Tudo nele me cansa, a mente fechada, a maneira de falar e estar, a mania das grandezas, aparências e autoridade. Não consigo mais. E a minha irmã simplesmente não orienta financeiramente a vida, para conseguir também ajudar. Neste momento seria a ajuda ideal para a minha mãe, pois é a única que vive num país onde os salários são bons e seria a que melhor conseguiria ajudar alguém financeiramente. Em vez disso ignora a família completamente e age como se não houvessem problemas deste lado.