quinta-feira, 29 de maio de 2025

Spears

 Faz um mês que te foste. A minha menina, o ser que eu mais amava na vida.

Até entrares na minha vida, eu não sabia o que era preocupar-me tanto com um ser, cuidar, amar a este nível, e tu, ensinaste-me tanto... Ensinaste-me e muitas vezes através dos meus erros.

Deixaste-me um vazio que nunca mais vou preencher, com o qual não sei lidar.

A casa está vazia, silenciosa e a minha rotina está confusa e em modo automático. Estou a ter dificuldade em saber quem eu sou sem ti.

Todos os dias choro de saudades tuas e, se por algum motivo, não choro ou não te recordo em algum momento do dia, sinto-me culpado e tenho medo de perder as tuas memórias, de elas se irem apagando.

Tenho medo de não me recordar como era o teu cheiro, de como sentia o teu pelo e o teu corpo, de como soava e sentia o teu ronronar que tanto me tranquilizava, medo de esquecer todos os barulhinhos caraterísticos que fazias.

Ensinaste-me tanto e sinto que também te desiludi algumas vezes, sei que me perdoaste sempre por qualquer erro, fizeste-me-o sentir, mas essa dor da culpa que sinto vai sempre caminhar comigo.

A decisão de te deixar partir irá sempre pesar em mim e carregarei para sempre esse coração partido e quero carregá-lo porque no fundo do meu peito sinto que te falhei, sinto que fracassei como pai em vários sentidos.

Para mim falhei, apesar de saber perfeitamente que a tua vida seria tão mais limitada que a de qualquer humano. Simplesmente tive pena que não tivesses partido de velhinha em sonho como sempre pedi aos céus, e que eu tivesse de tomar a decisão da tua partida.

Faria tudo novamente para não sofreres, foi uma decisão rápida, instintiva. Eu podia acrescentar segundos, minutos, horas ou dias para estar mais um bocadinho contigo, mas deste-me a entender que eu podia avançar e deste-me os melhores últimos momentos.

Gostava de saber se transitaste para algum lugar onde estás feliz à minha espera e a colecionar mais por-do-sóis, sem dor e em plena liberdade, a ronronar enroladinha com uma leve brisa. Mas ainda bem que nada sei, pois se soubesse que há algo mais onde podemos estar com quem mais amamos, acho que muitos de nós tomávamos a escolha de partir de livre vontade.

E a minha rotina era perfeita só contigo e eu queria tê-la valorizado mais, ter-te valorizado mais.

A tua partida deixa a minha rotina muito vazia e os meus objetivos de vida ainda mais vazios e confusos, sem sentido.

A tua partida veio mostrar-me que ninguém passa realmente por uma perda semelhante e muitos não sabem as palavras certas a dizer-te, porque também não as há, e dizem coisas sem sentido não valorizando ou não reconhecendo que a perda de um animal é válida. Acham que deves seguir em frente rapidamente, que "a dor passará", "suavizará", "arranjas outro", "há tanto gato abandonado e a precisar de ser adotado".

Estou vazio e desiludido com todos e comigo. Estou sozinho sem ti, sozinho com a dor... e ninguém vê, ninguém reconhece, ninguém valida... e vem a solidão e eu vejo as pessoas e falo com elas, mas nada do que dizem me interessa, nada me conforta, nada ameniza o que sinto.

Obrigado Spears pelo ser que foste na minha vida durante dezasseis anos repletos de aventuras, fases boas e fases más, aprendizagens, amor incondicional, fidelidade, histórias e memórias. Não podia ter escolhido melhor companheira de vida. Faria tudo novamente, faria melhor se pudesse. Sinto a tua falta, uma dor que não sei reparar.

Agora resta-me saber o que fazer com a minha vida, com o meu coração, não sei se conseguirei amar alguém, ou que alguém me ame, ou até se o campo amoroso será algo no meu futuro. Não sei onde me irei encaixar profissionalmente ou se algum dia o meu campo profissional me dará a estabilidade financeira que nunca atingi e destruiu o meu ego e destruiu o meu orgulho até nos meus momentos contigo.

O tempo o dirá.

Por hoje deixo-te o meu coração, embora quebrado, será sempre teu. Amo-te Spears. Amarei sempre. O teu Papi.




sábado, 10 de maio de 2025

Clínica Veterinária do Parchal

 

Bom dia, Equipa da Clínica Veterinária.

Gostava de vos deixar umas palavras calorosas de agradecimento por todo o vosso empenho e profissionalismo que sempre tiveram no atendimento da Spears, na disponibilidade e amabilidade que sempre demonstraram com ela.

A Spears levou com ela um bocado de mim, o tempo atenuará um vazio que eu não vou querer preencher pois será sempre dela.

Este ser ensinou-me a amá-la e por consequência, a ter compaixão e cuidado por outros animais. A Spears veio para a minha vida numa fase em que eu estava a começar a descobrir a vida na adolescência, licenciou-se comigo, conheceu as noites de universidade, passou dificuldades comigo, trocou de emprego comigo, conheceu namorados, amigos, familiares.

Ela é que escolhia as pessoas e não o contrário. A Spears recebeu por uns meses o amor dos meus avós quando eu tive de emigrar para a Suíça, tal como eu recebi quando era pequeno, e após oito meses e uma viagem de carro de 16 horas chegou à Suíça para os meus braços; viu nevar dias sem fim, um após o outro sempre com a promessa que eu lhe fazia que iriamos um dia regressar ao nosso Algarve e teríamos o nosso cantinho, só nosso.

A Spears comprou casa comigo em Portimão, uma bem alta onde conseguíamos ver o pôr-do-sol todos os dias… e quantos gravámos os dois, ela mais do que eu, pois todos os dias lhe dizia que tinha de ir trabalhar para lhe meter comida na mesa, na brincadeira. Então, tirou o passaporte e andou de avião pela primeira vez e regressámos ao esperado destino final. E se foi feliz.

A Spears nunca gostou de veterinários, e eu aprendi desde cedo a deixá-la nas mãos dos profissionais, pois deixava de me conhecer quando estava em ambiente veterinário; até que vos conheceu a vocês. Nunca tinha presenciado tamanho profissionalismo e aptidão para animais, vocês agarravam-na, até beijinhos ela recebeu, conversavam com ela, sabiam o nome dela e o meu, fiquei sempre espantado com isso e este recebimento só nos deixa gratos por haverem profissionais assim.

O sentimento que carrego ainda vai demorar a amenizar, mas sempre tive a clareza que quando ela partisse um dia, se não fosse no sono sem sofrer que eu reuniria a força para tomar essa decisão; por isso espero que o sentimento de que lhe falhei ali, de que tomei essa decisão ou de que desisti; se transforme no sentimento de coragem e amor por ela para que ela esteja bem e sem sofrer onde quer que esteja e à minha espera um dia.

No caminho que agora percorro, apercebi-me claramente que não sou apenas eu que tenho de ter força, afinal eu perdi uma parte de mim, mas quase que para nós, passa ao lado a força interior e amor à profissão que é preciso ter no vosso caso que lidam com estas situações, muitas vezes diariamente, e o peso que isso deve carregar e foco para seguir com amor à profissão. Fico grato por terem essa força e coragem e mais uma vez agradeço todo o vosso carinho connosco, palavras e por fazerem o que fazem e tão bem.

Votos de muito sucesso para a equipa e Clínica para o futuro.

Ricardo Ruaz

Obrigado pela patinha dela. Foi uma surpresa bastante calorosa que irei guardar para sempre.

 

Uma imagem com mamífero, Gatos de porte pequeno a médio, gato doméstico, Felidae

Os conteúdos gerados por IA poderão estar incorretos.

 

Aquele dia de véspera

Naquele dia em que eu soube exatamente o que ia acontecer no dia seguinte peguei nela ao colo e andámos pela casa a falar sobre todos os nossos momentos juntos, os momentos que passámos com cada objeto da casa, em cada parte da casa e todo o percurso que nos tinha levado ali, toda a nossa história, e nesse dia falei tanto contigo...

Onde quer que estejas, irei sempre amar-te e espero que estejas à minha espera quando eu for ter contigo, irás ser a primeira que eu vou procurar.

Levaste um pedaço de mim. E mais não consigo ainda escrever por agora... mas acho que é porque fomos sempre falando de tudo...

terça-feira, 6 de maio de 2025

Do I Know My Life is Weird?!

 O blog "Do I Know My Life is Weird" conta com uma coleção rica e variada de histórias pessoais e reflexões que oferecem uma janela única para a vida do autor.

Os textos exploram temas que vão desde a nostalgia de experiências passadas, como a vivência em grupos como a Tuna Académica, até desabafos sobre as dificuldades da rotina e as emoções humanas mais profundas.

Capítulo I:  Raízes e Identidade: Histórias que conetam o autor às suas origens, tradições e memórias, como as descrições das suas interações com o grupo Tunabebes ou reflexões sobre crescer em um ambiente específico.

Capítulo II: Aventuras e Desafios: Contos sobre viagens, mudanças de rotina e superação de dificuldades, incluíndo os desafios de trabalhar no exterior e o impacto disso na saúde mental.

Capítulo III: Reflexões Filosóficas: Textos introspetivos que abordam questões essenciais, valores e sonhos.

Capítulo IV: Quotidiano e Humor: Experiências engraçadas ou peculiares que capturam o lado leve da vida do autor.


A linguagem pessoal e sincera do Blog seria um diferencial.


Capítulo I: Inícios e Identidade

Exploração das raízes, memórias de infância e experiências formativas.

Exemplo de conteúdo: O texto sobre a experiência na Tuna, onde o autor reflete sobre o impacto do grupo na sua vida pessoal e académica, marcando o fim de uma era e a gratidão pelas amizades construídas.


Capítulo II: Reflexões sobre a vida.

Textos introspetivos, filosóficos e emocionais.

Reflexão sobre valores, aceitação e a luta para manter a autenticidade na vida adulta. Histórias como "Sem que dizer" mostram uma abordagem mais íntima e honesta do autor para temas complexos.


Capítulo III: Humor e Quotidiano

Contos peculiares e engraçados do dia a dia.

Pequenas anedotas ou observações que mostram um lado mais leve e descontraído do autor.


Capítulo IV: Lições do Passado.

Textos de desfecho ou retrospetiva, mostrando o amadurecimento do autor e as suas conclusões sobre a vida.

Exemplo: 2012. Retrospetiva, que oferece uma visão abrangente de um período da vida com altos e baixos e o que foi aprendido ao longo do tempo.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Terminar com paixão

 Já alguma vez terminaram uma relação com alguém por quem ainda estavam apaixonados? Ou já tiveram de sair de um trabalho pelo qual a chama do desafio nunca se apagava?

Parece de loucos... mas acontece...

Porque na verdade, não importa o teu nível de paixão por algo ou alguém, o quão excitante e maravilhoso o teu percurso esteja a ser, o amor por algo ou alguém nem sempre é o que mais importa.

E estar apaixonado por algo ou alguém nem sempre significa que és feliz.

Nunca conseguirás crescer do modo que tens de crescer agregado a esses locais, a essas pessoas.

Mas já passaram meses, e ainda não cresceste, ainda não conseguiste sair desse estado mental.

Quando será o momento certo?

Será que ainda vai funcionar para mim?

Nunca sabemos realmente.

E isso deve ser a parte mais triste de tudo.

Então sentas-te no precipício esperando que ganhes coragem para saltar, e que esse salto seja o correto.

Não sabes se te vão aparecer asas ao saltar ou se vais partir a cara novamente.

Corrijam-me se estiver errado.

A parte mais triste de terminar a relação com algo ou alguém é a parte em que estás a terminar com algo ou alguém onde ainda há paixão.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

2024

 Se algum dia imaginei que iria acabar 2024 desta forma? Não…

Este ano o destino quis testar-me, não tivesse já eu sido testado o suficiente…

Este ano reaprendi a ouvir-me, reaprendi a seguir o que sentia e reaprendi a fazê-lo sozinho, quer a nível emocional, quer a nível profissional. Sabem… há um certo poder interior que adquirimos quando estamos sozinhos.

Este ano, no percurso de desapego emocional de alguém, tive de encontrar novos focos de recarga de energia interior e fortalecê-los; tive de abdicar da minha evolução de carreira profissional e recomeçar do zero para salvar o que me restava de sanidade mental e autoestima profissional para superar um assédio moral no trabalho, algo que não conhecia até então.

Falo disso e meto para fora, porque é algo banalizado que as empresas camuflam e ao qual fecham os olhos, mas falo, porque muitos passam por isso e muitos estão a passar, e porque quero deixar esse sentimento tóxico e de impotência em 2024.

Quando me perguntam se faria tudo da mesma forma, eu respondo sem hesitar que SIM.

Respondo que sim, pois os meus valores são fortes e eu sei o meu valor, sei o caminho que tracei e as minhas lutas e não permito que me diminuam ou desvalorizem, que me forcem a ser alguém que não sou (história da minha vida), pois há limites, e enquanto que o que passei à porta fechada eu guarde para mim e tenha demorado a penetrar a minha bolha pessoal até me afetar, a nível de equipa eu nunca consegui ser manipulado para entrar no jogo profissional de sacrificar pessoas para ficar bem na imagem, nunca serei manipulado a fazer com que trabalhem por mim ou por mil ou até para trabalharem sem reconhecimento. Por isso, SIM, faria tudo de novo, pois esse percurso ensinou-me a pensar em equipa e multiplicar objetivos, e foi um percurso que foi percorrido em conjunto e para o qual um grupo de pessoas contribuiu. Por isso, SIM, outra vez, por eles eu voltaria a percorrer.

É curioso o nosso caminho quando queremos virar um capítulo e temos de superar algo de capítulos anteriores que consideramos injusto, que não deveria ter terminado assim, e é aí que nos surpreendemos.

Como? Família – Amigos – Colegas – Conhecidos – Momento – Palavras.

Ainda hoje me surpreende como algumas pessoas se mantêm na vida de um rapaz fechado, isolado, que não precisa de contato social constante para provar que gosta das pessoas e para quem a amizade é importante. Mas aqueles que sentem a tua essência e te dão valor, que te agradecem mesmo sem ser necessário, que se mantêm presentes ou te forçam a sair da tua bolha, que sentem quando andas calado há imensos dias e fazem questão de sair da sua rotina para te darem mais momentos, esses são constantes na minha vida, esses são os meus, e eu agradeço sempre por eles.

domingo, 15 de dezembro de 2024

Recomeçar

 Recomeçar...

... É abandonar os hábitos que nos bloqueiam e tomar novas decisões para a nossa vida.

... É saber que más experiências nos ensinaram a ver mais do que um caminho.

... É juntar os pedaços que sobraram de alguns sonhos e ousar cosê-los novamente... mas também é saber abandonar alguns planos porque eles já não servem para nós.

... É sair daquele estado de dependência e aprender o significado de amor próprio.

... É deixar de ser cómodo e arriscar um pouco mais.

... É encontrar novas formas de ser feliz sem esperar que alguém o faça por ti.

E o mais difícil, no fim de tudo, é quando a nossa mente diz "desiste" e o coração diz "tenta mais uma vez".

Mas escolher a paz significa escolher a dor, porte temos de seguir a nossa intuição, tomar decisões difíceis que são certas, poder partir algo para ser reconstruído e assim enconrar a paz na conquista.