segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Transformações

Faz algum tempo que me determinei a tratar da minha transformação a todos os níveis. Acontece que por mais que tenham a opinião formada sobre mim ou sobre a minha aparência, se nós não nos sentirmos bem com nós próprios, nunca vamos conseguir transparecer a 100% que estamos bem com a nossa auto-estima, e na verdade são muito poucas as pessoas que estão bem consigo mesmas hoje em dia.
Por vezes podemos cruzar-nos com pessoas que nos fazem sentir bem é verdade, e isso faz-nos desleixar, e não vermos que estamos a ir por maus caminhos, e a ficar com aparências diferentes; não devemos nunca perder a opinião sobre nós próprios só porque alguém se sente bem connosco assim como somos. Eu já caí nesse erro...
Muitos podem não ver essa transformação em mim, pois ela tem sido lenta, eu próprio mal a vejo, mas já lhe vou reconhecendo os traços e é isso que me vai dando forças para continuar... Desleixar-me neste ponto? É muito fácil, basta estar em sítios errados com pessoas erradas para ir por outros caminhos menos saudáveis...
Agora, não estou aqui a falar das minhas transformações... estou a querer chegar ao ponto onde falo do que me levou a querer estas transformações, do que elas estão a originar, e do que eu queria que elas orginassem...
Pois bem... quem não me conhece há anos, não sabe pelo que passei, olhando para mim agora, ninguém diria que até aos 10 anos de idade eu corria, jogava à bola, e era esquelético, por outras palavras, era o que se chamava "um rapaz normal", as ideias parvas de criança estão sempre à porta quando se tem um espírito de brincadeira, e as minhas levaram-me a apanhar uma gastroentrite quando estava a acabar a primária... não sabia eu o que me esperava...
O tratamento da gastroentrite para quem não sabe, cinge-se a colocar no organismo, mais especificamente nos intestinos grandes quantidades de água quente, e outras tratamento; tudo por via "um tanto ou quanto difícil de pronunciar"; mas que por consequência, além de nos limparem os intestinos, também os alargam bastante, o que consequentemente aumenta o processo de digestão, o que origina cada vez mais e mais fome. Resultado: Iniciei o meu Ensino Básico com o processo de engorda a começar...e não parou até ao 9° ano.
Resumindo estes anos, que eu tanto tento apagar da minha vida, mas que não consigo, foram anos dolorosos, anos em que fui gozado, anos em que estive do lado das pessoas que não são "populares" na escola, por isso hoje lhes dou valor, estava no grupo dos marrões, simplesmente porque pouco me restava fazer na escola a não ser estudar; o que vejo de positivo nisto é que ao menos ainda não me tinha começado as confusões da sexualidade, mas talvez isto tenha sido um grande empurrão para elas. Acredito que estes tempos me tenham ensinado a dar valor a boas amizades, a defender pessoas mais fracas que precisavam dessa defesa contra pessoas que a vida pouco lhes ensina, e acima de tudo deram-me grandes valores morais. Gosto sempre de ir apreciando a vista à medida que avanço na vida, e algumas dessas pessoas anormais de cérebro não chegam nem a metade de onde eu cheguei.
Infelizmente, esses mais valias que advieram dessa experiência, nada contribuiram para que a minha auto-estima se elevasse. Eu era gordo, não me conseguia controlar, as pessoas com que estava, e em casa não ajudavam nem motivavam a minha melhoria e o tempo foi passando, nunca recebendo um elogio, nunca namorando, e apenas sonhando no meu pequeno mundo.
Cheguei ao Secundário, após um ano totalmente inútil no mesmo, eis que reencontro velhas amigas minhas da Escola Primária, eramos bons conhecidos, mas eu estava num grupo de pessoas que passavam despercebidas, e elas estavam naqueles grupos que se achavam superiores e os outros inferiores, como tinhamos boa amizade (achava eu) comecei a andar com elas, a forma como lidavam com as pessoas, a forma como me tratavam a mim e me faziam sentir levaram-me a entrar numa fase de desprezo pelos outros, e por mim mesmo. Entrei para o ginásio, para a nutricionista, dexei de me dar com as pessoas que antes considerava importantes, e agora limitava-me a ser a sombra delas...
Serviu de alguma coisa? Se calhar serviu apenas para "iniciar" esta transformação, mas a auto-estima nunca se iria alterar, tendo companhias como estas, pois so se viam a elas ao espelho e era impossível que o partilhassem com alguém... Sentia que precisava de uma mudança radical... no último ano "extra" do Secundário separámo-nos involuntariamente, elas seguiram e eu fiquei por ali a dar-me com a minha nova turma, não fiz grandes amigos, pelo menos agora já não lido muito com eles, mas foram pessoas que se mantinham cada um no seu lugar, e não desprezavam ou se importavam com a aparência uns dos outros; e isso serviu para eu aprender em muito com eles...
Ainda assim, a minha autoestima não mudou em nada... precisava de uma mudança mas radical que a mudança de companhias... e o fim do secundário, a saída do Alentejo, a entrada na Universidade, o corte radical com amizades (no sentido) de começá-las do zero...serviu de muito...
Ia muito "traumatizado", não sorria, nao convivia, mas as Praxes talvez me tenham ajudado nesse ponto, pois as pessoas são praticamente obrigadas a socializarem umas com as outras, a ajudarem-se, e eu começei a ver que realmente estar fora de casa e afastado de pessoas que conhecemos pode realmente mudar um pouco as pessoas... apesar de haver pessoas que serão sempre anormais e estúpidas...
O meu corpo tinha mudado um pouco com a nutricionista, o ginásio tinha-me dado massa muscular apesar de com a gordura que ainda tinha extra, isso pouco se notar... mas pouco a pouco fui descobrindo como lidar com o meu corpo, descobrindo os meus gostos, como o da Dança... patamares que as minhas companhias e mentalidades das mesmas nunca me deixariam descobrir, e acima de tudo estava a descobrir a minha verdadeira sexualidade, agora que começava a ser apreciado pelas pessoas.
Finalmente chego à fase que referi à pouco, a mudança estava a notar-se aos olhos dos outros, mas ainda faltava, falta, o essencial, eu sentir-me bem comigo mesmo, sentir a minha auto-estima elevada. Ja perceberam o que me levou a querer mudar... Pois estas mudanças ainda que pouco visíveis na minha opinião, como eu referi, elas estavam a começar a fazer com que pessoas reparassem em mim, e mal cheguei a este sitio novo, deparei-me com situações de engate, com as quais demorei a conseguir lidar... pessoas interessadas em mim, pessoas a querer algo comigo, pessoas que me usaram.. eu deixe-me usar por elas, pois era tudo novidade para mim... simplesmente me sentia bem, pois elas faziam-me sentir bem comigo... mas isso era o que me faziam sentir, não o que eu sentia la no fundo dentro de mim...
Mais recentemente, depois de uma série de desgostos decidi iniciar "mais um processo de transformação" este diferente de todos os que fiz até agora... um processo de transformação do corpo, mais lento, mas que ao mesmo tempo a sua evolução é acompanhada com a evolução da minha auto-estima, e sobem em simultâneo...
É bom, pois tenho aprendido a apreciar-me a mim próprio, a querer trabalhar mais a imagem que gosto em mim, o meu estilo de roupa e afins... mas outras coisas também estão a mudar...
Antes sentia-me feio, e pensava que devia sentir-me grato por pessoas que eu não considerava giras se interessassem por mim, e não entendia como é que eu não conseguia sentir nada por elas... sinto que me tornei exigente nesse ponto... Agora sinto-me no direito de escolher as pessoas... e sinto que cada vez que melhor me sinto, mais direito tenho de ter a pessoa que mais acho indicada para mim...
Não sei se posso ser assim... mas quero realmente ter a pessoa que corresponde aos meus parâmetros de beleza exigidos, e quero lutar para ter os parâmetros indicados para poder fazer essa exigência... mas tenho medo de que, quanto mais atinja, mais me torne na pessoa a nivel interior que eu sempre odiei.
Será a beleza interior o preço a pagar pela beleza exterior?... Ou haverá um concílio entre as duas?... Vamos ver... Só sei que não consigo nem quero parar esta lenta evolução para atingir o limite da minha auto-estima por agora..pois estou a atingir algo de muito bom e sinto-me bem com isso...
O objectivo, estar perfeito no meu espelho, com alguém ideal ao meu lado...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Passeio pela Liberdade


Ja faz um tempo que precisava deste Retiro Espiritual, um Retiro em que me sentisse livre e fora do mundo em que tenho estado ultimamente.
Já tinha estado em Madrid há alguns meses atrás, neste "mundo liberto" que é esta cidade, um mundo onde toda a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bis e transexuais) anda em liberdade e não se preocupam com o preconceito - porque não o há simplesmente. Da outra vez que aqui estive não me senti totalmente liberto para ser eu mesmo devido às minhas companhias, fui estúpido, pois poderia tê-lo feito, mas desta vez já vinha com a ideias de que postura iria assumir ao visitar Madrid.
Não vim com esse propósito, pois vim passar o Natal com parte da minha família, mas também vim com essas ideias. Estou numa fase da minha vida, em que estou a finalizar o meu curso, mas ainda muita água pode correr, e um passo em falso pode fazer com que não faça alguma cadeira no Curso; um passo em falso pode fazer com que opte pelo estágio errado, e agora muita coisa tem de ser considerada. O que fiz até aqui não tenciono, nem quero mudar, as coisas aconteceram-me e estão assim por uma razão, que até eu desconheço, resta-me apenas traças as linhas de acção daquilo que poderá eventualmente ser o meu futuro depois deste momento em que me encontro.
Por isso também quis alongar os dias deste Retiro, quero fortalecer as minhas prioridades, mentalizar-me que tenho de me dedicar ao estudo agora no fim; já me estou a mentalizar e a aceitar a ideia de que possivelmente não permanecerei em Portimão com algumas das pessoas que mais amo, e que as saudades dos mesmos me atrapalharão, mas pelo menos já estou a arrumar as ideias, e a aceitar essa arrumação, de que as memórias de óptimos e maus momentos que passei nesta cidade onde estudei, ficarão para sempre nessa mesma categoria - Recordações.
Vou tentar ser um pouco diferente, do que fui outrora, e não cortar ligação com as pessoas que conheci e que quero manter para a vida, pois é a tendência que eu tenho, é para cortar com quem me faz lembrar os tempos em que fui feliz, e assim sofrer sempre sozinho e em silêncio. Mas eu não tenho de perder esses amigos, nem quero. Eles estiveram, e estarão sempre nas várias fases que irão ocorrer na minha vida, irão ter opinião nas decisões mais importantes que eu tomar, e os seus conselhos ainda me irão orientar em muitas coisas, porque eu assim o quero.
Se sair vitorioso deste estudo árduo em que vou "tentar" entrar, tenho, e de preferência agora de definir o meu estágio curricular.
Joguei na sorte, e apenas mandei curriculos para sítios em que amigos meus me poderiam ajudar a entrar, e para sítios que eu gostaria: Companhias de Cruzeiros, que tanto me faz sonhar, que alimenta a minha ambição e gostos, pois completa o ganhar bom dinheiro com o meu gosto, mas tenho de aceitar que acabaria a fazer animação turística nesses mesmos cruzeiros, pois não quereria profissão nenhuma inferior. Organização de Eventos, pois essa profissão, além de meter o trabalho de escritório que eu tanto adoro, me aproximaria daquele que é o meu sonho número 1, a Dança. Câmaras Municipais ou Juntas de Freguesia, pois além de terem o mesmo propósito da anterior, visto que estas estão ligadas à Organização de Eventos, são trabalhos do Estado, e a minha ambição mais uma vez liga o que gosto de fazer com algo que me poderá ser útil de futuro, visto trabalhar nestes sítios poder garantir-me emprego fixo durante mais tempo. E depois está trabalhar no Turismo na Área de Sintra, uma Cidade linda e misteriosa, a minha cidade favorita de Portugal, a única cidade em que me sujeitaria a trabalhar nas coisas que menos me fascinam na área do Turismo, Hotéis; mas uma cidade que me faz sonhar bastante, não que eu tenha necessidade de ser "ainda mais" sonhador, mas é aquele sonhar inspirador, que nos alimenta a força de viver, a mim Sintra faz-me isso...
Depois destes últimos meses a arrastar-me, agora sinto-me com forças para seguir em frente, apesar de neste momento, eu ter essa força em simultâneo com a ideia de que vou em frente mas com as costas desamparadas e sem apoio, sozinho nesta luta, mas ainda assim consigo ir... quem me dera meter certas pessoas num saquinho e arrastá-las sempre comigo para onde eu fosse. Mas isso seria muito egoísmo da minha parte, pois impediria que essas mesmas pessoas seguissem com as suas vidas.
Hoje aprendi, e sonhei alto... "A Vida É Uma Escalada"
*
Quase que o consigo ver
Aquele Sonho que eu sonhei
Mas há uma voz dentro da minha cabeça que diz
"Nunca o irás atingir"
*
Cada passo que estou a dar
Cada movimento que faço
Parece perdido e sem direcção
A minha Fé fica balançada
*
Mas eu tenho de continuar a tentar
Tenho de manter a minha cabeça segura no topo
*
Irá sempre haver mais uma Montanha
Eu irei sempre querer que ela se mova
Irá sempre ser uma batalha perdida
Por vezes eu vou ter de perder
*
Não é sobre o quão rápido eu chego lá
Não é sobre o que está à espera do outro lado
É a escalada...
*
Os esforços que eu estou a fazer
Os riscos que eu estou a enfrentar
Eu irei recordar a maioria, sim
Mas tenho de continuar
*
E eu, eu tenho de ser forte
E continuar a insistir
*
Continuar em frente, continuar a escalada,
Continuar com fé
Isto é tudo sobre a Escalada
*
Vamos ver o que acontece. Por agora ainda estou no meu Retiro, a tentar repôr as minhas forças e definir estratégias. E aproveitar o meu Passeio da Liberdade, que também vos quero contar um pouco.
Pois é, aqui em Madrid isto é mesmo "tudo ao molho e f'é em Deus", hehe, se vamos na rua, em 10 rapazes 9,5 sao gays, bis ou curiosos, é incrivél, e o melhor é que nenhum deles tem problemas com isso, muito menos eu.
E o que mais gosto nisto aqui, é que a comunidade LGBT não é somente aqueles bixões desesperados que só querem sexo com quem lhes apareça pela frente, e curtem com qualquer um, aliàs aqui praticamente não há bichices; sabem aqueles gajos gays ou bis que são um desperdício, na opinião das mulheres heteros, por eles gostarem de gajos? Aqueles gajos demasiado giros até demais para nao serem heteros? Pois é aqui são todos assim, na rua aos montes. E o melhor, é que são daqueles sedutores raros, e daqueles que raramente vêm um Português, e que têm a ideia de que um Português é um romântico sonhador- coisa que até me identifico um pouco ,e acho deveras raro em Portugal, para minha infelicidade.
Mas aqui é assim, por isso, por mais que saia de casa apenas para ir ao café, ou centro comercial, é aprontar-me como se fosse para a night. eheh
Mas isto tudo para dizer, que aqui sou eu mesmo, aqui não escondo o que sou, não tenho de desviar o olhar de quem me aprecia, ou não tenho de fugir quando me elogiam, e posso agradecer esses mesmo elogio. Aqui em Madrid andam tão à vontade, e já é tão normal, que a população daqui foi criando o seu próprio espaço, não sei se já ouviram falar da Chueca, é uma parte da Cidade de Madrid, onde os habitantes pertencem à comunidade LGBT, e onde se podem encontrar todos os Bares, Discotecas para a mesma malta, onde as lojas são próprias para eles, os hotéis a mesma coisa, entre tantas outras particularidades existentes nesse Bairro de Madrid. Até os próprios sinais de trânsito são diferentes e chegam a ser cómicos.
É óptimo e ao mesmo tempo triste, pois vejo o que posso ter aqui e o que não tenho onde vivo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Erro - Parte II

Continuando o antigo Post, eu dizia que não tinha a noção do quão fundo me estava a enterrar ao meter-me nesta relação.

Ele era uma pessoa que estava habituada a ter as suas mordomias em casa, eu era semelhante, ele tinha os seus 3 ou 4 melhores amigos, também eu tinha os meus, ele aproximou-se dos meus amigos, logo daqueles que ele não ligava muito, os tunantes, os adeptos da Praxe; pois ele sempre viveu num mundo universitário de engates e curtes e outras cenas, ao contrário de mim que optei por gerir o meu tempo de outras formas. Ele veio com a conversa dele do costume, parecia-me outra pessoa, mas abordou-me o mais discaradamente que lhe foi possível e partiu logo para a sedução, eu espantou-me a lata que ele tinha, depois do que me fez, agora achava que tinha hipóteses comigo, eu quis ouvir o que ele tinha para me dizer, um pedido de desculpas, qualquer coisa… e lá pediu as desculpas dele, seguidas de mais sedução.

Envolvemo-nos de novo, ele começou a ir a minha casa e eu à dele, sempre sem ninguém mais saber disto, pois os meus amigos já tinham ouvido os meus desabafos negativos sobre ele, agora não conseguiria explicar o que estava a acontecer de positivo, e o mesmo se dizia dos amigos dele.

Os dias passaram, e decidimos ir contando aos nossos amigos, eu desisti de ir para Erasmus na Grécia para não ficar longe dele, quer dizer… parte dos motivos eram esses… a outra metade residia na minha insegurança quanto à fidelidade dele.

A minha colega de casa estava prestes a partir para Erasmus também, e eu, sendo que já não ia, só me restava encontrar outra casa para alugar, o que era uma dor de cabeça em pleno ano lectivo, e ele convidou-me para morar com ele e com a sua melhor amiga. Não sabia eu que este era outro dos meus piores erros.

Meter-me no habitat dele e dos seus amigos, era abdicar de muitas das minhas características, do que me definia, à medida que ia perdendo aquilo que era, ia também afastando-me dos meus amigos, era apenas as aulas e ele em casa, além dos momentos de tuna, que quando se estendiam a actuações já se tornava um castigo estar longe dele. Morar com ele tornou-se um cordão umbilical de que não me conseguia livrar, e os momentos longe dele enlouqueciam-me.

Eu sou Leão de signo, tenho o meu próprio espaço, as minhas próprias regras, e as pessoas em meu redor; era de se esperar que esta situação não durasse muito tempo de boa saúde. Começaram os conflitos, começaram as discussões, chocávamos em tudo e praticamente só nos dávamos bem na cama, coisa que nunca irei criticar. E então, sendo que o amava, cometi outro erro, tentar mudá-lo, tentar moldá-lo a mim, visto tudo aquilo a que eu me tinha sujeitado até então… foi a minha maior luta amorosa até hoje… mas os conflitos não pararam… as dores de cabeça eram demasiadas, e já discutíamos por tudo, até pelas compras de comida para casa, ou simplesmente ver televisão, chegámos a um ponto em que nem eu sabia se estava correcto, nem ele o sabia, simplesmente os nossos feitios nos faziam teimar até ao fim que eu tinha razão e ele tinha razão, e ninguém dava o braço a torcer… os meus únicos refúgios eram mesmo a minha escrita e a minha música, nesta altura como referi, eu achava que só as acções dele estavam mal, e esperava que ele entendesse que estava errado ser só eu a lutar pela relação e que o jeito despreocupado dele estava a acabar com a nossa relação.

*

Nothing seems to be the way
That it used to
Everything seems shallow
God give me truth,
In me,
And tell me, somebody's watching
Over me,
And that is all I'm praying is that
*
Someday I will understand
In God's whole plan
and what he's done to me
But maybe someday I will breathe
and finally see
I'll see it all in my scars
*
Don't you run to fast my Dear
Why don't you stop?!
Stop and listen to your tears
They're all you've got
It's in you
You see somebody's watching
Over you
And that is all I'm praying is that
*
Someday You will understand
In God's whole plan
and what he's done to you
But maybe someday you will breathe
And you'll finally see
You'll see it all in your mistakes
*
No moment will be more true
than the moment I'm superior to you

Someday ... we will understand the God's whole plan

*

Não bastasse os nossos conflitos, agora a melhor amiga dele também colocava todo o veneno possível; fazia-o escolher entre mim e ela; o que me fez perceber o amor dele por mim, que não era muito pois ele nunca me escolheu a mim, mas ainda assim a forma de ser dele, não me deixava ver que eu estava em segundo plano, e fui me arrastando no tempo.

As minhas notas desceram, os meus amigos pouco os via, a família não me apetecia ver, era um perfeito estado de neblina cerebral, tristeza, falta de forças, eu pensava que isto acontecia a todos menos a mim, eu que tenho forças para quase tudo… naquele momento eu nem pensar conseguia, pois até para isso me falhava a vontade. Mas continuei a arrastar-me e estávamos quase nos 11 meses de namoro. O ano lectivo tinha acabado, ele e a amiga tinham chegado ao fim do curso, e a minha colega de Erasmus estava a voltar.

Os derradeiros conflitos estavam a surgir, eu não me querer afastar dele; ele a querer ir trabalhar para Lisboa e eu ainda com um ano de curso pela frente, a minha falta de confiança nele, a minha maneira de ser, não ia deixar esta situação desenrolar-se à distância, e ainda comecei a tratar dos papéis da minha transferência. Transferência essa para a cidade que mais abomino no país, uma cidade em que tenho medo de andar, o perigo, onde as pessoas perdem as suas personalidades e os seus valores, e se entregam aos prazeres mundanos da vida… sem excepções.

Eu vi que ele não escolheu ficar perto de mim a estagiar, vi que os planos dele não me incluíam a mim, apesar de ele não me querer deixar; e então tive de me colocar à frente, tive ainda que com poucas forças pensar em mim e decidir que não iria com ele, e iria morar com a minha colega de Erasmus, iria ficar cá, finalizar o meu curso, e alertei-o para o facto de não conseguir namorar à distância, mas ainda assim continuaria com ele até não poder mais. E então despedimo-nos.

*

Laying here in your arms
And you hold me tight, tight
Trying not to watch the clock
Tick, tickin as the time goes by
And I know that you best me on your way
But I'm wishin I could make you stay
Stay with me for a while
*
Though you're near
Still I want to make it clear
Love, I will always be around
*
You're leaving, I'm waiting
Forgive me
I'll always missing you
Before the Goodbye
I feel it, already
Forgive me
I'll always missing you
Before the Goodbye
*
Kind of hard for me to let you know
Cause I don't let my feelings show
How much I'll be missing you
All the little things that make me weak
Your eyes and the way you speak
Without you babe I'm not me

*

Nesta fase da despedida, eu tentei prolongar todos os momentos com ele, cada beijo, cada Segundo… E não foi fácil o Adeus… nunca o é.


Erro - Parte I


Já há algum tempo que ando para aqui meter esta história, ou digamos, este capítulo errático da minha vida após sair do Alentejo.

Pois é, um rapaz sai do secundário, perde a sua virgindade, mas parece que continua inocente… perder a sua virgindade com o primeiro rapaz gay que conheceu pessoalmente, e que por acaso era giro, não me chateou muito, mas o que era mesmo essa virgindade?

Pois é, se formos falar de todos os tipos de inocência que uma pessoa tem, antes e depois de ter sexo pela primeira vez, nunca mais saíamos daqui. Digamos apenas que pouca ingenuidade perdi depois da minha primeira vez, o que não era de se esperar outra coisa, pois não iria ficar super experiente apenas por uma noite de sexo.

Vim para o Algarve, não sabia eu onde me estava a meter, o rapazinho hetero, aliás Bi que queria aparentar ser hetero perante as pessoas novas que estava a acontecer, este era Eu, sempre fui assim, pelo menos desde que descobri a minha sexualidade, e não falemos do porquê dos meus medos, tendo em conta o sitio de onde venho.

Cheguei ao Algarve, outro mundo, pelo menos as mentalidades já divergem muito das do Alentejo, tudo é mais liberal, e conheci montes de pessoas, confesso que não dava confiança a ninguém, nem àqueles que hoje são os meus melhores amigos, mas esse era o meu escudo, confesso que as Praxes me transformaram, e eu tornei-me noutra pessoa, essa transformação também não é para aqui chamada.

No meio de tantas pessoas que fui praticamente obrigado a conhecer, haviam também gays, bi’s, lésbicas, entre tantos outros tipos, estilos, e tudo o que possa diferenciar as pessoas, mas ao mesmo tempo torná-las semelhantes aos olhos de quem não sabe o que se encontra por detrás das mascaras.

Deparei-me com colegas, e com padrinhos e madrinhas dos meus colegas, pessoas que namoravam e pessoas que estavam ali para a loucura, e devo dizer que saindo de um local e escola onde estava habituado a ser a sombra de outros e o patinho feio, aqui … a escolha foi bastante vasta.

Uns podem ainda afirmar que me acham giro, ou com estilo, mas como é isso possível, se antes da Universidade nem um único elogio recebi? Será que quando as pessoas novas que conhecemos contribuem para aumentar a nossa confiança e auto-estima, assim como em melhorar a forma como nos cuidamos, nós nos tornamos mais giros perante os outros? Ainda hoje estou para desvendar essa… O que sei é que me deparei com vários desafios.

Deparei-me com as que queriam noites de loucura, deparei-me com as que queriam coisas sérias, deparei-me com tipos de aproximação mais correcta mas com segundas intenções, aproximações por meio de praxe, aproximação de gays e até de lésbicas… Resumindo : Tudo choveu na minha horta!

E eu… fiz as escolhas mais erradas…

Naquela altura, estava em fase inicial de emagrecimento, ainda tinha os meus quilos a mais, o meu estilo não era o ideal, assim como outros pontos menos bons, mas surpreendentemente havia quem olhasse para mim… e isso agradava-me…

Através de hi5’s e mensagens recebia elogios, até de rapazes, o que me preocupava, pois ninguém sabia da minha orientação, hoje entendo o chamado “radar gay” …e de que maneira… mas naquela altura isso baralhou-me. E um desses rapazes da universidade começou a meter a sua conversa interesseira para o meu lado…

Por acaso ele tinha namorado, conhecia quase o pessoal todo da universidade, era padrinho de uma das minhas amigas, e por sinal, não disfarçava nada que era gay. E eu, inocente, acreditei na conversa dele, de sair, conversar, músicas em comum (que nem quero recordar). O namorado dele eu tinha conhecido, dias antes de chegar ao Algarve através do hi5, coincidência infeliz, o que me deixou desconfortável numa noite quando ele meteu conversa comigo e eu saí disparado com medo que reparassem que eu estava a falar com um gay. Enfim… isto para dizer que o rapazinho sentiu-se confortável por eu conhecer o namorado dele já que andávamos juntos na mesma universidade, e sendo que tinha uma viagem marcada para a Madeira, pediu-me para olhar pelo namorado, pois desconfiava um pouco da fidelidade dele. E eu olhei… olhei até demais, na noite após ele ter viajado, este veio ter comigo para um suposto passeio, no fim do qual me foi deixar a casa e pediu para entrar… e eu deixei.

Conversa puxa conversa, ele beijou-me e o resto já se deduz…

Arrependi-me … pois claro… de tudo, de ter traído a confiança do outro, de me ter deixado usar, etc. Ele jurou que não ia contar ao namorado, mas dias mais tarde veio a contar-lhe, e o Inferno começou aí…

Mensagens ameaçadoras, telefonemas ameaçadores, medo de ir à rua, de ir à escola, e principalmente de sair à noite … foi o Inferno. Numa das noites o inevitável aconteceu e cruzámo-nos, e não foi nada agradável, discutimos, andámos à bofetada, e podia ter acabado em algo muito pior se outras pessoas não interviessem…

Jurei a mim mesmo que nunca mais iria repetir aquele erro, jurei que nunca lhe iria perdoar por ter contado! E assim me mantive… por 10 meses…

Já tinha estado noutra relação, bastante boa e da qual já vos falei, mas infelizmente não deu certo, e eu estava em baixo, já recuperado mas ainda vulnerável… e parece karma que a mesma pessoa apareça duas vezes em fases de vulnerabilidade, mas apareceu.

It's been a while
I know I shouldn't have kept you waiting
But I'm here now
*
I know it's been a while
But I'm glad you came
And I've been thinking 'bout
How you say my name
Got my body spinning
Like a hurricane
And it feels like
You got me going insane
And I can't get enough
So let me get it up
*
Ooh, looks like we're alone now
You ain't gotta be scared
We're grown now
I'ma hit defrost on you
Let's get it blazin'
We can turn the heat up if you wanna
Turn the lights down low if you wanna
Just wanna move you
But you froze up
That's what I'm saying
*
Let me break the ice
Allow me to get you right
Won't you warm up to me
Baby I can make you feel...
*
So you warming up yet?
*
You got me hypnotized
I never felt this way
Got my heart beating

Like an 808
Can you rise to the occasion?
I'm patiently waiting
Cause it's getting late
And I can't get enough
So let me get it up
*
I like this part
Feels kinda good
Yeah
*
Hot...

*

Identifiquei-me bastante na altura com este poema, cheguei a acreditar que perdoar era mesmo uma virtude como muita gente diz, esta pessoa veio-me retirar do escuro, do fundo do poço… não imaginava eu que ele tinha virado o poço de cabeça para baixo e eu não estava a sair dele, mas simplesmente a afundar-me mais. Como é isto possível? Já vão entender…

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Palco da Saudade


Nervoso miudinho, trémulo da voz
Ouve-se baixinho aquele suspiro
Cresce a ansiedade, tremo das mãos
Subo aquela escada, carregada de emoção
*
Mas de repende, fica tudo diferente
No escuro vislumbro, a vossa voz
Sorriso no rosto, adeus ao desgosto
Vamos cantar e dançar nesta noite sem rosto
*
Sinto que não estou sozinho
Comigo estão nesta canção
Toco a minha pandeireta
Com alma e dedicação
*
Companheiros de uma vida
Bravos guerreiros de mil armas
Lutamos na mesma frente
Sei bem onde me guardas
*
É junto ao coração
Que recordo cada momento
E quando tudo terminar
Só resta o sentimento
*
E agora termina,
E o que mais me fascina
Ficará a saudade, estendo-vos a mão
Vamos juntos cantar mais uma canção
*
Partilhe-mos por um momento esta magia
Por nós cantávamos noite e dia
Seguindo o caminho que nos foi traçado
Jamais esqueceremos o palco da saudade

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Perdido Inevitávelmente


Sinto-me perdido… extremamente perdido…
Já me sentia assim desde que acabou o Verão … mas tentei sempre não pensar muito nas coisas que ainda estavam para acontecer… o inevitável…
É facto que os amigos que reunimos ao longo da nossa vida académica nem todos permanecem connosco depois do fim do Curso, isso ficou mais que provado no nosso grupo de amigos. É triste ver como agora nem nos lembramos da existência de algumas pessoas, e mais triste ainda ver como algumas pessoas não se lembram de nós.
Mas custa ainda mais quando as pessoas que mais gostamos têm obrigatoriamente de ir para longe e mudar os seus caminhos. Do meu leque de melhores amigos tenho visto isso acontecer aos poucos, primeiro foram-se uns, e os que ficaram taparam a falta que sentia dos outros, mas o “inevitável” a que me referia está a acontecer…
Com o fim do curso a aproximar-se, com os contratos das casas a acabar, com a falta de trabalho, está cada um a seguir o seu rumo, e os poucos melhores amigos que ainda se encontravam perto de mim estão também a ir embora… isso faz-me sentir tão perdido.
Eles, tal como eu, ficámos mais um ano extra na Universidade, e estão quase com os seus objectivos cumpridos, eu… não com a mesma facilidade, estou a ver o meu percurso lento… e isso é de tal forma agonizante que também me faz perder o rumo, e é difícil encontrar forças para continuar a lutar.
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Esta agonia pode talvez estar a ter um efeito em mim que me faz querer lutar pelos meus objectivos, mas também me está a tirar as forças para o fazer… é como se fosse apenas um “saber o que quero” mas não o alcançar.
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Hoje, dificilmente tento chegar ao fim disto, deste curso e tenho a esperança que me espera algo que realmente eu vou sentir paixão de fazer… Enquanto espero por isso, tento agarrar-me aos poucos pontos fulcrais que ainda restam por estas bandas, que são os meus poucos melhores amigos que ainda aqui andam (não perdendo contacto com os que já foram), e os pontos que me fazem lembrar os melhores momentos que passei tanto com os que ainda aqui estão, como os que já foram à sua vida.
Ponto como a Tuna, que decidi abandonar quando as pessoas que realmente interessavam iam embora, mas depois parei e pensei, a Tuna deu-me tantos bons momentos, na altura passei por muitos maus momentos (pelo menos vistos do prisma daquela altura) para me conseguir aguentar por lá, enfrentei os meus medos, os meus problemas, e os que entraram comigo ajudaram-me nisso, eu ajudei nos deles, e o companheirismo ajudou-nos a chegar onde chegámos; a Tuna deu-me essa experiência de vida e forçou-me a lidar e a entrar no círculo social de todos os que lá estavam, aprendi com eles, eles aprenderam comigo, e tal como numa família, houve desavenças e houve sorrisos, e essa é a ideia que muitos não tiveram.
Para mim pontos fulcrais como a Tuna que contribuíram para isto tudo, deram-me dos melhores amigos que tenho, momentos óptimos com eles, uma família, animação; esses pontos fulcrais, essa Tuna, eu não poderia chegar a um determinado momento e abandonar, assim estaria a abandonar tudo o que me fez feliz outrora, estaria a abandonar as memórias óptimas dos meus amigos e sorrisos que dei, estaria também a abandonar os momentos menos bons que passei mas que me ajudaram a crescer.
Nunca vou compreender as pessoas que saíram da Tuna por desavenças, nunca vou compreender as pessoas que saíram da Tuna porque simplesmente não souberam gerir o seu tempo, nunca vou compreender quem saiu simplesmente porque achou que já era a altura certa para sair, ou os que saíram porque a Tuna já não tinha significado. Não vou fazer isso, irei fazê-lo sim quando os meus objectivos de vida me tirarem do local onde essa Tuna se encontra, pois a Tuna é como uma casa onde temos a nossa história, a Universidade também é parte dessa história, quer queiramos quer não.
E isto é outra das coisas que me faz sentir perdido… pessoas que eu adoro, pessoas que são das minhas melhores amigas, estão a afastar-se da Tuna por estas razões, e eu não compreendo, nem quero compreender, para mim apenas nunca entenderam o significado do que é uma Tuna. Eu estou a tentar mostrar-lhes isso mas quando não se quer ver é inevitável o desfecho da História…
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É triste…