quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Erro - Parte II

Continuando o antigo Post, eu dizia que não tinha a noção do quão fundo me estava a enterrar ao meter-me nesta relação.

Ele era uma pessoa que estava habituada a ter as suas mordomias em casa, eu era semelhante, ele tinha os seus 3 ou 4 melhores amigos, também eu tinha os meus, ele aproximou-se dos meus amigos, logo daqueles que ele não ligava muito, os tunantes, os adeptos da Praxe; pois ele sempre viveu num mundo universitário de engates e curtes e outras cenas, ao contrário de mim que optei por gerir o meu tempo de outras formas. Ele veio com a conversa dele do costume, parecia-me outra pessoa, mas abordou-me o mais discaradamente que lhe foi possível e partiu logo para a sedução, eu espantou-me a lata que ele tinha, depois do que me fez, agora achava que tinha hipóteses comigo, eu quis ouvir o que ele tinha para me dizer, um pedido de desculpas, qualquer coisa… e lá pediu as desculpas dele, seguidas de mais sedução.

Envolvemo-nos de novo, ele começou a ir a minha casa e eu à dele, sempre sem ninguém mais saber disto, pois os meus amigos já tinham ouvido os meus desabafos negativos sobre ele, agora não conseguiria explicar o que estava a acontecer de positivo, e o mesmo se dizia dos amigos dele.

Os dias passaram, e decidimos ir contando aos nossos amigos, eu desisti de ir para Erasmus na Grécia para não ficar longe dele, quer dizer… parte dos motivos eram esses… a outra metade residia na minha insegurança quanto à fidelidade dele.

A minha colega de casa estava prestes a partir para Erasmus também, e eu, sendo que já não ia, só me restava encontrar outra casa para alugar, o que era uma dor de cabeça em pleno ano lectivo, e ele convidou-me para morar com ele e com a sua melhor amiga. Não sabia eu que este era outro dos meus piores erros.

Meter-me no habitat dele e dos seus amigos, era abdicar de muitas das minhas características, do que me definia, à medida que ia perdendo aquilo que era, ia também afastando-me dos meus amigos, era apenas as aulas e ele em casa, além dos momentos de tuna, que quando se estendiam a actuações já se tornava um castigo estar longe dele. Morar com ele tornou-se um cordão umbilical de que não me conseguia livrar, e os momentos longe dele enlouqueciam-me.

Eu sou Leão de signo, tenho o meu próprio espaço, as minhas próprias regras, e as pessoas em meu redor; era de se esperar que esta situação não durasse muito tempo de boa saúde. Começaram os conflitos, começaram as discussões, chocávamos em tudo e praticamente só nos dávamos bem na cama, coisa que nunca irei criticar. E então, sendo que o amava, cometi outro erro, tentar mudá-lo, tentar moldá-lo a mim, visto tudo aquilo a que eu me tinha sujeitado até então… foi a minha maior luta amorosa até hoje… mas os conflitos não pararam… as dores de cabeça eram demasiadas, e já discutíamos por tudo, até pelas compras de comida para casa, ou simplesmente ver televisão, chegámos a um ponto em que nem eu sabia se estava correcto, nem ele o sabia, simplesmente os nossos feitios nos faziam teimar até ao fim que eu tinha razão e ele tinha razão, e ninguém dava o braço a torcer… os meus únicos refúgios eram mesmo a minha escrita e a minha música, nesta altura como referi, eu achava que só as acções dele estavam mal, e esperava que ele entendesse que estava errado ser só eu a lutar pela relação e que o jeito despreocupado dele estava a acabar com a nossa relação.

*

Nothing seems to be the way
That it used to
Everything seems shallow
God give me truth,
In me,
And tell me, somebody's watching
Over me,
And that is all I'm praying is that
*
Someday I will understand
In God's whole plan
and what he's done to me
But maybe someday I will breathe
and finally see
I'll see it all in my scars
*
Don't you run to fast my Dear
Why don't you stop?!
Stop and listen to your tears
They're all you've got
It's in you
You see somebody's watching
Over you
And that is all I'm praying is that
*
Someday You will understand
In God's whole plan
and what he's done to you
But maybe someday you will breathe
And you'll finally see
You'll see it all in your mistakes
*
No moment will be more true
than the moment I'm superior to you

Someday ... we will understand the God's whole plan

*

Não bastasse os nossos conflitos, agora a melhor amiga dele também colocava todo o veneno possível; fazia-o escolher entre mim e ela; o que me fez perceber o amor dele por mim, que não era muito pois ele nunca me escolheu a mim, mas ainda assim a forma de ser dele, não me deixava ver que eu estava em segundo plano, e fui me arrastando no tempo.

As minhas notas desceram, os meus amigos pouco os via, a família não me apetecia ver, era um perfeito estado de neblina cerebral, tristeza, falta de forças, eu pensava que isto acontecia a todos menos a mim, eu que tenho forças para quase tudo… naquele momento eu nem pensar conseguia, pois até para isso me falhava a vontade. Mas continuei a arrastar-me e estávamos quase nos 11 meses de namoro. O ano lectivo tinha acabado, ele e a amiga tinham chegado ao fim do curso, e a minha colega de Erasmus estava a voltar.

Os derradeiros conflitos estavam a surgir, eu não me querer afastar dele; ele a querer ir trabalhar para Lisboa e eu ainda com um ano de curso pela frente, a minha falta de confiança nele, a minha maneira de ser, não ia deixar esta situação desenrolar-se à distância, e ainda comecei a tratar dos papéis da minha transferência. Transferência essa para a cidade que mais abomino no país, uma cidade em que tenho medo de andar, o perigo, onde as pessoas perdem as suas personalidades e os seus valores, e se entregam aos prazeres mundanos da vida… sem excepções.

Eu vi que ele não escolheu ficar perto de mim a estagiar, vi que os planos dele não me incluíam a mim, apesar de ele não me querer deixar; e então tive de me colocar à frente, tive ainda que com poucas forças pensar em mim e decidir que não iria com ele, e iria morar com a minha colega de Erasmus, iria ficar cá, finalizar o meu curso, e alertei-o para o facto de não conseguir namorar à distância, mas ainda assim continuaria com ele até não poder mais. E então despedimo-nos.

*

Laying here in your arms
And you hold me tight, tight
Trying not to watch the clock
Tick, tickin as the time goes by
And I know that you best me on your way
But I'm wishin I could make you stay
Stay with me for a while
*
Though you're near
Still I want to make it clear
Love, I will always be around
*
You're leaving, I'm waiting
Forgive me
I'll always missing you
Before the Goodbye
I feel it, already
Forgive me
I'll always missing you
Before the Goodbye
*
Kind of hard for me to let you know
Cause I don't let my feelings show
How much I'll be missing you
All the little things that make me weak
Your eyes and the way you speak
Without you babe I'm not me

*

Nesta fase da despedida, eu tentei prolongar todos os momentos com ele, cada beijo, cada Segundo… E não foi fácil o Adeus… nunca o é.


2 comentários:

  1. Adoro estes teus textos! colocas sempre tanta honestidade neles.
    É incrível ver a forma como te dedicas às pessoas que amas...mesmo que às vezes saibas à partida que elas te vão magoar imenso...
    Seja como for...o passado passou...é um trapo velho caído no chão e nada há a fazer com ele...
    Mas foram todas estas experiências e provações por que passaste que te tornaram na pessoa que hoje és.
    O que é a vida sem histórias para contar?
    Se a vida é um livro...então tem que se fazer os possíveis para que as suas páginas fiquem bem preenchidas...mesmo que no final nos apercebamos que esse livro nada mais é que uma sucessiva narração de momentos que nos magoaram...


    beijinhos

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  2. Cara SG:
    Mesmo... o que é a vida sem histórias para contar... o que é o mundo sem estas pessoas que têm uma vida repleta de histórias...tem de haver pessoas que sofram para que outras aprendam que erraram, tem de haver pessoas que façam sofrer para em seguida poderem crescer mais correctas... e nós inserimo-nos sempre num dos campos de batalha...

    Beijinhos RR

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