sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ela


Ela anda pelas ruas perdida
Repetidamente perdida a cada passo
E rasga as noites e o silêncio, sem pudor
E às vezes ela é o luar e as estrelas.
Passa por mim e não me olha.
Tem os olhos presos no outro lado do horizonte
E há noites de inverno em que vem ter comigo
Empurra-me contra as paredes
E faz ir embora o frio
Depois conta-me histórias de tempos em que ainda a não conhecia.
E parte...
As mulheres da minha rua, que se vestem de preto como ela
Chamam-lhe nomes diferentes do dela
Porque não a conhecem
E só a vêm passar de noite na rua
Com o vento a soprar-lhe os cabelos escuros e lisos
Como um mar calmo onde navegam os sonhos de tantos homens...
Há noites em que a chamo e não vem
Deixando-me sozinho em rimas perdidas
Que eu não sei fazer...
E ela é triste e melancólica
E dizem que tem muitos homens
Dizem que às vezes faz traços de sangue nos pulsos
E que tem dias frenéticos em que se atira de pontes
E eu acredito...
Mas quando passo por crianças que brincam e se sujam na rua
Vem ter comigo, e sorri
Gosto de estar com ela...
Tem dentro dos olhos todas as verdades
E nos lábios um gosto pelas que não podem ser ditas
E a sua voz, imprevisível, pode ser doce
Ou o pior dos venenos
Gosta de se por entre mim e as mulheres que amo
Gosta de se esconder atrás dos espelhos e da minha solidão
E é perigosa porque nunca a ensinaram a mentir
Perguntei-lhe hoje o nome, ela sorriu.. depois saiu sem sem despedir de mim !

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