quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Caminhos


Há dias em que prefiro desistir …

Dias em que não consigo lutar sem ter algo que me motive essa luta

Quero lutar… mas não consigo lutar!

Sinto angústia… mas tenho de sorrir!

Fraquezas e desabafos aqui não existem!

Não posso fugir aos estereótipos aos quais se moldam estes indivíduos.

Quero gritar … quero bater a eles e a mim

Há dias de revolta, há dias de fúria!

Dias em que não temos onde descarregar

Dias em que descarregamos onde não devemos!

Sinto-me confuso … Mas tenho de me concentrar!

Falta de objectivos e ocupação aqui não existem!

Não posso fugir aos estereótipos aos quais se moldam estes indivíduos.

Quero chorar … quero encostar a minha cabeça a alguém e chorar! Chorar tanto!

Há dias de melancolia … há dias de nostalgia!

Dias em que tudo nos emociona

Dias em que tudo nos influencia e fragiliza

Sinto-me frágil … Mas tenho de ser inquebrável!

Falta de postura forte é caminha para a forca aqui.

Não posso fugir aos estereótipos aos quais se moldam estes indivíduos.

Há dias em que tenho de estar em branco … dias em que os meus olhos não mostrem sentimentos e o meu coração não revele a sua vontade! Dia em que caminho pela rua em direcção ao campo, cruzando-me com os troncos húmidos onde passa uma carreira de insectos, molhando os sapatos na erva ainda molhada da noite longa e gélida, respirando o ar cortantemente frio misturado com o fumo vindo das primeiras fornadas de lenha na aldeia. E eu caminho, caminho rua e campo sempre em frente como eu bem o sei fazer, pois há 14 anos atrás eu fazia este mesmo caminho, e fazia-o com a mesma mente vazia, coração forte e olhos que tudo queria absorver! E chegado ao fim da rua, a mesma visão me preenchia a alma e me dava um sorriso nos lábios, a minha avó à minha espera, quer estivesse a tratar das suas plantas, quer estivesse com o meu pequeno-almoço à espera, mas estava sempre lá. Senti falta destes dias, senti falta de ser esta pessoa. É como se o meu interior se estivesse a reconstruir de uma grande batalha da qual saiu bastante danificado.

Ricardo Ruaz

sábado, 25 de dezembro de 2010

Renascer

Já passou algum tempo desde o meu último “post” aqui no meu cantinho dos desabafos, mas estou a passar por uma fase de mudanças na minha vida, e há muita coisa que necessita de ir ao lugar.

Confesso que pensei que aqui no Alentejo, a rotina e dia-a-dia me inspirariam para mais desabafos, desabafos sobre tristezas e cenas que eu poderia não estar a aceitar no momento, mas “felizmente” não é o que se está a suceder.

Em primeiro lugar, gostava de referir que, não tenho qualquer saudade de Portimão ou do Algarve, sim também estou surpreendido com isso, mas é que, acho que tomei mesmo a decisão certa em sair delá, o facto de estar saturado daquilo tudo, do constante assombramento de recordações e o facto de não ter realização profissional, faz com que não sinta essa saudade daquilo. Claro que há aquelas pessoas que penso nelas, e gostava de as ter perto de mim, mas sei que de alguma forma estas estão a encontrar também o seu caminho neste mundo, e dentro de cada um sabemos que estamos aqui uns para os outros sempre que seja necessário.

Bem, queria também delinear, e antes que se pense que eu estou a odiar o Alentejo, que de facto, eu não “o” estou a odiar! Eu confesso que no primeiro dia eu vinha com as ideias convictas de que ia tudo correr mal, tinha de mudar maneiras de ser, hábitos, etc. e tive alguns stresses com o meu pai e falta de paciência para pessoas, mas depois percebi, eu e os outros, que se houver tolerância de ambas as partes as coisas correm bem. É verídico que as pessoas mudaram, eu mudei, já não sou aquele que cala e diz que sim a tudo, e eles também já não são os que impõe as regras e deve tudo ser cumprido como manda a tradição. É verdade que a mentalidade retrógrada nunca há-de mudar, mas cada um já se vai metendo no seu lugar, o que facilita em muita coisa por aqui.

Lá no fundo tenho os meus medos, tenho medo que daqui a uns dias me volte a sentir incompleto, não realizado, inferior, agoniado e preso a este sítio. Mas eu mentalizei-me logo de duas coisas antes de vir, primeiro queria descansar, por isso me é indiferente que uma ou outra pessoa refira que eu tou desempregado, que isto não é vida para mim…etc. E depois, também não vim para aqui de mente fechada, como que nunca seria possível que também pudesse encontrar algo aqui que me cativasse, embora continue com as minhas ambições e expectativas mais altas. Mas aprendi que devo ficar de boca calada e não dizer que “nunca faria” para não aprender mais lições já aprendidas.

Nos últimos momentos tenho perdido o meu tempo em volta de curriculos, mails, internet à procura de escapatórias, possibilidades, enviar currículos… e assim se têm processado os meus dias. Não muito exaustivamente, pois na maior parte do tempo estou a esquecer-me do mundo a ver TV ou filmes, ou nas redes sociais – isto como forma de escapatória aos modos alimentares daqui, que tanto estou a batalhar para mudar, mas está a mostrar-se uma batalha demorada!

Recolho-me no quarto que tanto arrumei ao meu gosto, coisa que não tinha possibilidade por estas bandas desde o nascimento dos meus irmãos, e aqui me mantenho abrigado do frio que faz la fora. Custa-me enfrentar a água gélida que demora a aquecer para o banho ou fazer seja o que for de arrumação em casa. Custa-me enfrentar o frio lá fora, mas de vez em quando até me proponho a ir passear para pensar, olhar o campo, que nesta altura está acinzentado, o cheiro a terra molhada misturado com o frio que entra nos pulmões, dá um misto de sensações que aproveito até ao último instante antes de começar a deixar de sentir as pontas de todos os meus 20 dedos. Em outras alturas dirijo-me a casa da minha avó e fico horas em frente à lareira que insiste em aquecer-me a roupa ao ponto de não conseguir que esta me toque na pele – mas eu não me importo… nestes momentos eu posso esvaziar a minha mente, ainda que hajam pessoas a falarem pela casa.

Há um parágrafo que gostava de dedicar à minha mais fiél amiga, a minha gata Spears, que me acompanha nestas aventuras e mudanças, ela que era uma companheira caseira e nunca tinha passado por um frio como este ou saído de casa, apesar de ter aqui as suas raízes, também ela voltou às suas origens para me acompanhar. Ela que de vez em quando aparentava um ar incompleto quando andava pelas divisões da casa onde estávamos, agora parece uma gata completamente renovada, o pêlo – se antes já brilhada, agora quase que reluz, e se torna “prateante”, dorme comigo no quarto, coisa que antes nem eu conseguia, mas parece que afinal eu consigo levantar-me do meu sono uma ou outra vez para ela sair e fazer as suas “cenas”, pois até ela lhe custa sair do quarto seja para o que for. Ela adora passear-se pelas novas divisões desta casa por explorar, até porque estamos numa divisão da casa distantes das restantes onde está o resto da família, portanto ela não incomoda ninguém, e no quintal ainda não se aventura, apesar de ter liberdade para tal, mas mantem-se a olhar da porta, respirar o ar puro, e voltar para mais umas tantas horas a dormir na minha cama. Nos primeiros dias tinha medo das pessoas, até a mim se virava, mas depois voltou a confiar, acho que foi em sintonia comigo quando nós começamos a ver aqui em casa que tinhamos de ser tolerantes uns com os outros, até ela ficou tolerante com as novas caras que via.

E assim se resumem os nossos dias e os nossos estados de espírito ultimamente.

Em breve desabafarei algo que estou prestes a enfrentar… o meu medo em aventurar-me em alguns trabalhos, assim como aventuras amorosas que nos batem à porta quando menos esperamos – isto remetendo para a mudança que se deu no Alentejo a nível de homossexualidade desde que saí daqui até ter regressado...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Inesperado

Hoje é um daqueles dias que me apetece fazer algo contra a rotina, algo que não seja normal de se fazer. Preciso de respirar, levar com o vento e a chuva na cara. Costumava ter dias destes há muito tempo atrás, era dos poucos momentos em que me sentia livre. Hoje apeteceu-me fazer isso. Sair de casa, não me preocupar como ia sair, e definir uma meta, ir até lá e voltar, soube bem respirar este “ar molhado” soube bem refrescar as ideias. Só não soube bem a tosse que trouxe comigo :D

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cai o pano ...


É chegado uma altura em que temos de fechar uma porta para outras se abrirem. Como pessoas não podemos ficar presos em recordações de outros tempos, e temos voluntariamente de seguir em frente.

Vou dar por encerrada esta grande fase que foi a Universidade e tudo o que ela comporta, encerrar tudo o que diz respeito à vida académica, encerrar praxes, encerrar a Tuna, encerrar linhagens académicas, hierarquias, trajamentos, noites loucas, arrependimentos e alegrias em Portimão, Portimão em sim, o Algarve.

Aqui, aprendi que nunca devo dizer nunca a algo que a vida me coloca à frente, por isso não vou dizer que nunca mais aparecerei por estes lados. Aprendi a aproveitar a vida ao máximo e a fazer o que gosto, e mesmo que isso não seja possível a vida dá sempre um geito de delinear os seus caminhos.

Esta foi uma fase repleta de bons momentos, e também de momentos bem amargos, mas eu tenho de levar tudo comigo, pois sem isso não seria a pessoa que sou hoje.

Comigo, levo a minha capa de finalista que tantas palavras traz gravadas, palavras de pessoas que já nem se lembram da minha existência, palavras de outras que ainda fazem questão de manter contacto. Levo comigo a minha Capa do Traje repleta de emblemas, cada um com uma história boa ou má para contar, cada um com uma lembrança que ali foi cozida com um sorriso nos lábios.

Comigo, levo o espírito tunante que todos temos dentro de nós, aquele espírito que nos faz deitar cá para fora aquilo que gostamos de viver, aquilo que sofremos, aquilo que experienciamos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

De volta para mim

Quem diria que ainda conseguia dar a volta por cima em relação a alguns dos meus medos e sentimentos interiores.

Já tentei aproximar-me anteriormente de pessoas mas sem efeito nenhum, sem sentir nada, sem acreditar nas palavras que ouvia ou que dizia, ou a desistir dessas pessoas sem deixar que elas sequer provassem que eu poderia estar errado.

O beijo, aquele pormenor tão importante e no qual eu colocava quase 100% de mim, nem aí eu já sabia como agir.

Mas parece que não desistir, ignorar os medos, sair de casa contra todos os factores que indicam o contrário, nem que para isso até tenha de andar um bocadinho à chuva, até deram para apaziguar tudo o que ia no meu interior.

Confesso que uma lareira ao estilo alentejano, com a luz apagada, fizeram com que o meu interior apaziguasse e eu esvaziasse a minha mente e me entregasse ao momento.

Se fiquei pensativo em alguns momentos, era por já não estar habituado a estar a viver um momento e estar mesmo ali de corpo e mente. E estive, havia alguma coisa naqueles beijos que me prenderam ali e eu até que gostei disso, e de tudo o que consegui recuperar para o meu bem-estar.

Por isso sim, confesso, voltei para casa com um sorriso de orelha a orelha, sorriso esse que se estendeu por todo o dia seguinte. Sorri por ter estado contigo, sorri por me ter sentido bem por isso, sorri porque afinal ainda não estar tudo perdido, mas principalmente, sorri por me ajudares a recuperar o balanço entre o meu corpo e mente, que estavam bem distantes um do outro. Isso fez tudo valer a pena. Obrigado.

E se em algum momento de menor sanidade eu me dirigi a ti, espero que não tenhas levado a mal, como sabes, o alcool traz aqueles sentimentos de medo, que por mais fortes que sejamos, eles existem sempre. E o medo que ele me trouxe naquela noite foi o de não saber se um dia irei realmente conhecer alguém assim, como tu, e poder dar alguma coisa de interessante que valha a pena lutar.

Alguém que me chame à terra quando a minha mente vaguear para longe, ou alguém que me arrepie com um simples toque, alguem que me passe a mão quando me beije, ou até que me faça ver que as minhas origens até não são assim tão más.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Anjo caído

Mostrei-lhe o que de melhor eu tenho

Mas receio que o meu melhor não seja suficiente

E não, ele nunca me quis

Pelo menos não da forma que eu queria que ele me quisesse

E eu sinto-me como se eu tivesse sido um erro

Ele não merece todas estas lágrimas que insistem em não ir embora

Queria que tu visses isso

Ainda o tento impressionar

Mas ele nunca sequer me irá ouvir

*

Será que irei ficar triste quando ele partir todos os meus sonhos?

Por dentro estou a morrer porque não consigo acreditar.

*

Agora que já cresces-te

Tens a noção de que também és uma das pessoas a quem culpar

E parecemos tão fortes por vezes

Mas eu sei que lá no fundo ainda pensas da mesma forma

E aquele rapaz que lá dentro brilhava forte como um anjo

Mesmo depois de tu lhe teres dado a conhecer o Inferno

Gostava que o visses agora

Mas parece que nem sequer me vais ouvir.

*

Por dentro estou a morrer porque tu nunca acreditas-te

Que eu desistisse de ti

Que te deixasse tão frio

*

Eu prometo… Ser feliz!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Desistir de alguém especial"

Nunca é fácil desistir de alguém que se gosta, e quando digo gostar, posso referir-me a “amar”, “alguém por quem sentimos uma grande amizade”, “afecto”, entre tantos outros sentimentos, que tornam imensamente difícil uma separação, um afastamento, um conformismo acima de tudo.

Nesta fase da minha vida que está prestes a passar para o capítulo seguinte conheci imensas pessoas que ajudaram no meu crescimento, que entraram no meu coração, que “roubaram” o meu coração. Nem sempre é fácil um “Adeus” mas por vezes a vida dá-nos motivos para odiar as pessoas, dá-nos razões para não nos custar o afastamento dessas pessoas. Talvez devessemos não nos apegar às pessoas para ser mais fácil afastarmo-nos delas, talvez não nos devessemos apaixonar. Sim, tenho pessoas que não sei como me vou afastar delas… sim tive paixões que ainda palpitam cá dentro, sim conheço pessoas que mesmo antes de as conhecer e ver que são boas pessoas já vou ter de desistir delas.

Eu não acredito que a vida nos dá segundas hipóteses para os mesmos casos passados, prefiro ser surpreendido pela mesma se tiver de o ser.

Se me perguntarem se sou capaz de desistir de alguém especial, Sou, já o fiz e torná-lo-ei a fazer, eu aprendi que tenho de colocar-me à frente e não deixar que levem os meus sonhos e auto-estima. Posso sofrer, posso chorar, mas irei desistir sempre de alguém que não respeite os meus sonhos, aquilo que eu gosto de fazer, de quem não me apoie, de quem não se esforçar por mim como eu também me esforço por esse alguém.

Eu sei que afastar-me das pessoas não implica desistir delas, e falo em relação a amizades, pois há amizades que vão ficar intemporais apesar do afastamento. Mas no que respeita ao coração, ao amor, sim aí a “desistência” é em pleno sentido da palavra.

Posso ser das pessoas mais românticas que conheço, mas também sou das pessoas mais frias que conheço… se é possível ser estas duas coisas? É. Sofro para mim e em silêncio, aí têm a realidade.

Cá dentro, no meu baú de corações partidos, eu guardo rancor de várias pessoas que me magoaram, pessoas que me abandonaram, pessoas que me amaram mas não ao ponto de lutar por mim, e apesar de já não haver ligação com essas pessoas, e apenas quando oiço falar nelas, vê-las, ou algo que se pareça, aquela memória bater de vez em quando, e algumas ainda me deixarem o respirar ofegante, eu vou ter de “desistir” delas. Livrar-me de todos os “cacos” que tiver dentro de mim, apagar todas as memórias e ficar com a experiência que me tornou naquilo que sou hoje.

Quanto àquelas pessoas que acabo de conhecer e que não consigo proporcionar mais momentos para nos conhecermos, tenho realmente muita pena, mas é óptimo saber que a amizade também está presente.

Quando o capítulo acabar, as personagens secundárias irão ser substituídas por outras personagens e o livro continuará a sua aventura.