Quem diria que ainda conseguia dar a volta por cima em relação a alguns dos meus medos e sentimentos interiores.
Já tentei aproximar-me anteriormente de pessoas mas sem efeito nenhum, sem sentir nada, sem acreditar nas palavras que ouvia ou que dizia, ou a desistir dessas pessoas sem deixar que elas sequer provassem que eu poderia estar errado.
O beijo, aquele pormenor tão importante e no qual eu colocava quase 100% de mim, nem aí eu já sabia como agir.
Mas parece que não desistir, ignorar os medos, sair de casa contra todos os factores que indicam o contrário, nem que para isso até tenha de andar um bocadinho à chuva, até deram para apaziguar tudo o que ia no meu interior.
Confesso que uma lareira ao estilo alentejano, com a luz apagada, fizeram com que o meu interior apaziguasse e eu esvaziasse a minha mente e me entregasse ao momento.
Se fiquei pensativo em alguns momentos, era por já não estar habituado a estar a viver um momento e estar mesmo ali de corpo e mente. E estive, havia alguma coisa naqueles beijos que me prenderam ali e eu até que gostei disso, e de tudo o que consegui recuperar para o meu bem-estar.
Por isso sim, confesso, voltei para casa com um sorriso de orelha a orelha, sorriso esse que se estendeu por todo o dia seguinte. Sorri por ter estado contigo, sorri por me ter sentido bem por isso, sorri porque afinal ainda não estar tudo perdido, mas principalmente, sorri por me ajudares a recuperar o balanço entre o meu corpo e mente, que estavam bem distantes um do outro. Isso fez tudo valer a pena. Obrigado.
E se em algum momento de menor sanidade eu me dirigi a ti, espero que não tenhas levado a mal, como sabes, o alcool traz aqueles sentimentos de medo, que por mais fortes que sejamos, eles existem sempre. E o medo que ele me trouxe naquela noite foi o de não saber se um dia irei realmente conhecer alguém assim, como tu, e poder dar alguma coisa de interessante que valha a pena lutar.
Alguém que me chame à terra quando a minha mente vaguear para longe, ou alguém que me arrepie com um simples toque, alguem que me passe a mão quando me beije, ou até que me faça ver que as minhas origens até não são assim tão más.
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