Bullying ... palavra forte ... Hello ... não é fácil meter isto cá para fora pois implica que retroceda bastante no tempo e que vá apanhando vários pedaços de história em gavetas há muito fechadas... mas, visto que tenho assistido a imensa gente a desabafar sobre como foi afectaa pelo "bullying" ao longo da vida; a coragem com que o enfrentaram, e a força que os seus testemunhos transmite para quem está neste momento a passar por isso; faz com que eu ache justo meter isto cá para fora, seno que isto é a causa de muita da minha fraqueza de hoje em dia, mas também a essência da minha coragem.
Retrocedamos aos meus tempos e Escola Primária. Acho que desde sempre a presença feminina me influenciou muito, as minhas avós, tias, mãe, sempre foram mais presentes no meu dia-a-dia, na escola também sempre andei com raparigas que com rapazes... talvez por eles repararem no meu lado mais feminino, que nesta altura nem eu reparava aina... tinha amigos rapazes também, super amigos até, e confesso que "bullying", ou "gozo" como chamava nesta altura, era meio nulo. Cheguei a ser alvo de bocas uma tarde quando brincava no parque, por uma rapariga com a qual me recusei namorar, e ela chamou-me e "mariquinhas", tão friamente que ainda hoje me lembro. Nesta altura consideravam-me um "quebra-corações", era tipo aquele com que as raparigas queriam namorar, tive sempre a mesma paixão nesta altura, também foi esta a primeira e única rapariga que me fez chorar de amor.
Os meus pais separaram-se o que fez com que eu mudasse de escola, de localidade, de amigos, fiquei um pouco retraído, tímido, entretanto tive um problema nos intestinos (que já referi anteriormente em outro post) e que me fez engordar imenso; mais um pretexto para alguém gozar.
Começando o Ciclo (5º - 9º ano), o meu Inferno começou, reencontrei uma ou duas amigas do Infantário e colava-me a elas sempre, embora elas nunca o tivessem mencionado, elas sabem o quanto esta fase me custou. Todos os dias era o Calvário, primeiro começou com um ou dois rapazes de outras aldeias, a chamar-me de "maricas", "gordo", "paneleiro" palavras que me matavam aos poucos, e algumas que eu próprio não conhecía bem o que significavam, ou o porquê de as direccionarem a mim. Eles descontrolavam-se por vezes, e não ficavam pela agressão verbal... de vez em quando se eu não reagisse verbalmente ou se ignorasse eles agrediam-me, palmadas, pontapés... era horrível.
Nunca chorei em frente a eles, nunca me queixei, nem nunca desabafei com a minha família ou "amigos". Era o meu martírio, eu não saía de casa para não me cruzar com eles e quando saía, rezava para não os encontrar. Se os visse eu virava por outras ruas. Era obrigado a chegar atrasado a aulas, ou a entrar antes só para não me verem na entrada, a almoçar mais tarde na cantina, pois eles sempre estavam lá. Por vezes fugía e ía almoçar a casa, a minha mãe era cruel e discutia comigo por eu não comer na escola, não entendendo aquilo que eu estava a passar, e muito menos me deixando à vontade para lhe contar.
Eu permanecía na Biblioteca da escola, estudava, lía, fechava-me na casa de banho, era uma correría todos os dias. Isto manteve-se nestes 5 anos e mesmo que uns parassem um pouco de me infernizar, havía sempre outros que começavam... e eu limitava-me a levar e calar... foi horrível. Era fraco, sem auto-estima, gordo, feio, frágil... aquele "arrasa-corações" de outrora não existía mais.
Nos primeiros verões ainda os passava na aldeia com os velhos amigos, mas depois até estes se afastaram, não era que não quisessem estar comigo, mas porque não queriam ser vistos comigo e depois serem alvos de piadinhas. Isso magoou-me muito mais que qualquer acto de "bullying"... e nunca os perdoei por isso.
Na verdade, hoje fecho essa história e essas pessoas num canto bem escuro, não lhes desejo mal nem aos que me fizeram sofrer, nem aos que se afastaram de mim, simplesmente risquei-os e tal maneira que é como se nunca tivessem existido. Se me cruzo com alguém nos dias de hoje - sou tão seco e dou tal olhar que eles se relembram de tudo e baixam a cabeça.
Confesso que esse foi o meu maior calvário. E chegou o meu secundário... decidi que ía para a Escola mais difícil, um Liceu na Cidade, sabía que aqueles preconceituosos - burros também, nunca se iríam aventurar ali, então era um novo recomeçar, um de muitos na minha vida.
Começei um pouco apagado... não me arrependo... mas as companhias eram diferentes, tive de me reencontrar ... começei a olhar os rapazes com outros olhos...e a perceber aquilo que sempre me tinham chamado... Aqui tirando um ou outro olhar, ou mesmo um gajo que me atiçava, nunca fui alvo de nenhum preconceito grave. Reprovei de ano, mas reencontrei-me, apliquei-me no seguinte, tirei a carta de condução, entrei para a nutricionista e para o ginásio e emagreci,q.b. , mas já se notava a diferença. Mudei de novo de companhias, não eram as melhores, nem sei se boas, mas permitiam-me ganhar força, confiança, e manter-me longe de preconceitos, e estava bem com isso. No entanto, o meu "foco de luz" continuava apagado para mim... até ir para a Universidade... onde recomecei de novo, reinventei-me, fiz as minhas verdadeiras amizades.
Olho para trás e... é triste ver o que passei, de muita coisa ter sido tão fácil para muitos e eu ter de passar por tudo isto sozinho, sem sequer ter partilhado isto com a minha família... mas hoje ... sou forte, q.b. , e não voltaria atrás... não mesmo.
A minha vida começou aos 19 anos quando entrei para a Universidade (ao escrever isto acabei de entender o porquê de ter amado a Universidade tanto); foi aos 17 anos que deixei de ser alvo de bullying e aos 19 que me livrei das amizades falsas...
Só peço para quem passar por isto.. não desistir... mesmo sem esperança, sem apoio e amigos ou família... continue focado na Escola, pois é ela que vos permite ir longe e passar acima de todos, ganhar prestígio, valor, ir muito mais além que todos aqueles que vos fizeram sofrer um ia, e podê-los olhar de cima. Os verdadeiros amigos aparecerão na altura certa, e quando aparecem ficam para sempre; e a família... bem.. para os que têm sorte de a ter ao vosso lado a apoiar e a enfrentar tudo... espero que reconheçam a sorte imensa que estão a ter nesse sentido... a minha... bem ainda estou a tentar compô-la...a ver com que poderei contar ... Continuem lutando***
São posts destes que valem a pena ler, reler e divulgar e voltar a divulgar, acredita amigo
ResponderEliminarquando o lia voltei tb a reviver mta coisa que passei em toda a mnha infancia e a verdade e q as crianças podem ser mto mas msm umas com as outras, entao quando toma a questoes a nivel de orientaçao sexual sao msm mt mas mt crueis com as palavras e muitas vezes ate com os seus actos que deixam feridas, n so fisicas mas tb psicologicas, que dificilmnt se curam.
Nc na vida desejei ser chamado pelo que uma vez fui, nc desejei levar ate com lixo, mas aprendi que se nao lutar contra a maré nc serei ninguém, hj não tenho medo de dizer quem sou, e ninguem m olha nem cmo coitado nem como o "maricas", olham-me por ser o Filipe, e msm que haja um minimo comentario eu hj sei ir ao encntro da pessoa e perguntar o pq dauqele pensament infeliz?!
Obrigado Amigo por partilhares, gostei mto de ler ;)
Olá!
ResponderEliminarGostei imenso do texto!
Parabéns pela forma honesta com que escreveste...com que ousaste encarar esses factos do teu passado que te magoaram...e/mas que fizeram de ti a pessoa forte que és.
Beijinhos
sg
Bem, foi forte... fiquei com a lágrima no olho ao ler isto, pq também revejo um pouco de mim nestas tuas palavras... não totalmente, mas um pouco do que escreveste se passou comigo tbm...
ResponderEliminarToda a gente passa por estas coisas na infância, uns não tão "afincadamente" que outros, mas de uma forma ou de outra todos são gozados, lhes é apontado o dedo, ou são maltratados. Infelizmente mta gente não aguenta tanta "pressão" e acabam por deprimir e ter insucesso escolar, profissional ou sentimental, outros sentem-se um trapo, outros nem sequer querem mais viver, ou têm forças para aguentar tal coisa...
Como disse, identifico-me com algumas coisas que escreveste... tbm fui gozado, tbm me apontaram o dedo, mas felizmente consegui e contei algumas coisas sobre o que se passava, a professores e familia, e mta das situações acabaram por se resolver, e pararam de me "chatear", talvez por ser uma escola mto mais pequena, uma vila pequena, um meio pequeno, e com um circulo de amigos restrito, que realmente sempre o foi... sempre tive poucos amigos, alguns (que eu achava que eram) acabaram por se afastar mais cedo ou mais tarde, outros simplesmente perdi contacto, porque chumbei uma ano e fiquei sozinho, sem os colegas com quem me dava bem... Hj em dia, só mantenho contacto com 2 pessoas e que são ainda verdadeiros amigos... os restantes, deixaram de interessar simplesmente... :D
Acho uma atitude forte e de coragem em expores o que te martirizava e te feriu durante anos...
Parabéns por isso... mta paz e luz em toda a tua caminhada... :D
Obrigado pelos vossos comentários..sei que como eu há muita gente, infelizmente, mas espero que saibam que no fim de tudo.. há esperanças.. e nunca se esquecam de ver quem sao os verdadeiros amigos pois esses estarao la independentemente de tudo ;D
ResponderEliminarTudo de bom pa voces *
Rik