segunda-feira, 26 de março de 2012

Revelação

Finalmente chegou o tão desejado dia... aquele dia que foi visto e revisto vezes sem conta na minha imaginação. Aquele dia que poderia ter mil e um desfechos possíveis e nenhum seguramente previsível, mas aconteceu. Contei aos meus pais a minha sexualidade, aos dois, e no mesmo dia.
Tinha ido passar uns dias para casa do meu pai e tirar um tempo livre então decidi que era o momento. Há muito que queria este momento, mas nunca tive coragem e também tive de ser um pouco inteligente e adiar até o momento me ser oportuno. Os meus pais infelizmente cresceram numa sociedade com mentalidade fechada com tradições familiares muito cerradas e eu tinha de saber jogar com isso tudo. Sei que para eles seria difícil aceitar, e mais dificil ainda para eles encontrarem uma forma de a família aceitar, simplesmente porque para eles a opinião dos outros familiares tem muito peso.
Havia muito que eu queria contar-lhes, e sabia que os nervos iam tomar conta de mim, e deles, sabia que poderia haver uma discussão, ou a conversa ser deixada a meio, então preveni-me disso e escrevi um documento igual para os dois, com tudo o que lhes queria contar, pois eu não me queria ficar apenas pelo segredo em sí, queria contar-lhes uma espécie de resumo desde o começo até ao fim, para eles terem uma mínima noção de tudo o que eu passei e não lhes pude contar.
Contei ao meu pai primeiro quando ele me veio trazer de volta para minha casa, a reacção dele não foi o que estava à espera, pensei de ele ser super bruto comigo até pensei em reacções mais catastróficas, mas apenas ficou apático e me disse "tu substimas-me, pensas que eu não tinha já previsto um assunto assim", ao qual eu lhe respondi que ele deveria já ter-me colocado à vontade para ter tal conversa; e desde aí deixou de me falar até ao dia de hoje. Disse-me apenas algumas palavras, nas quais que precisa de tempo sozinho para colocar as ideias no lugar, chorar o que tem a chorar, mas que apesar de tudo gosta de mim, serei sempre filho dele e continuará a apoiar-me como sempre fez.
Menos mal... agora é só dar tempo ao tempo com ele
Com a minha mãe fiquei bastante nervoso também, ela anda fragilizada com muita coisa e eu não queria fazê-la sofrer nem nada, mas não ia adiar mais esta conversa por razão alguma e também não podia deixar que ela soubesse por outra pessoa, tipo o meu pai. Fui directo a casa dela e direccionei a conversa para isso, ao qual era fecha os olhos do tipo "é agora que ele vai falar", no fundo eu tremia e gaguejava, mas ela já sabia de tudo o que eu ia contar e dei-lhe também o dito documento que escrevi, o qual guardou. E decidi ir embora para minha casa pois queria que ela acalmasse que já tava suficientemente nervosa.
Passado umas horas ela veio ter comigo a minha casa dizendo que me iria aceitar como eu sou, que sou filho dela e isso é algo que não mudaria, que podia não gostar mas aceitaria e respeitaria e podia contar com ela para tudo.
A partir daí ela já teve uma crise de choro quando leu o meu documento, mas tenho passado alguns momentos com ela e as coisas parecem melhorar bastante na nossa relação.
Para quem pensa fazer isso um dia, não há um conselho geral que se aplique a todos, cada um sabe a família que tem sabe quando se sente preparado para trazer essa realidade para a sua vida. Eu tive de esperar uma fase em que não dependesse deles, pois sei que se a reacção deles fosse negativa eles poderiam cortar comigo até ao nível de mesada e coisas assim, então joguei sempre pelo seguro. Aquela cena de eles no fundo sabem, claro que sabem, muitos apenas desejam que seja uma fase, ou desejam que apareça algo que nos mude as ideias, mas no fundo todos já sabem o que somos pois são nossos pais. Mas não pensem que eles vão ser menos felizes se contarem, isso é mentira, pode ser extremamente difícil contar, eu sei, e eles podem e vão passar um momento de reflexão, de meterem fim a muita coisa que tinham ambicionado para nós, mas no fundo eles vão ver que pouco muda, que continuamos felizes e isso sim é de valor. Continuarem com o segredo só faz com que vocês sejam infelizes e se fechem num escudo que os distancia cada vez mais de serem sinceros e honestos com a vossa família. Eu sei, este segredo quase me levou à indiferença na relação com os meus pais, mais um pouco e eu perdia todos os sentimentos.
Como eu li em imensas histórias e testemunhos... It gets better! E realmente fica melhor, se definirmos as nossas metas pessoais e lutarmos por esses sonhos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conformação ou término?

Os dias aproximam-se... a minha Tuna vem à Suiça, por mais que eu tenha virado a página acho que há coisas das quais fizemos parte que simplesmente não podemos encerrar e por mais que esteja desiludido pelo facto de tudo o que fiz não ter qualquer valor para eles, por mais que muitas pessoas tenham mudado ou mudado o que fiz, eu gosto da Tuna e não pude deixar de fazer este "último esforço" por eles, fazer com que eles fossem convidados para vir à Suiça actuar, algo remarcável para o currículo de uma Tuna. E digo "último esforço" porque o meu percurso foi algo espontâneo, eu subi, eu cresci por mérito e pelo que achavam de mim, eu fiz o que tinha a fazer, aprendi, ensinei, tive a Tuna como prioridade, deixei a minha marca e para jurei, que sempre que me fosse possível, conviver com eles e recordar isto tudo em actuações, jantares e tudo mais e assim tenho feito. Se não estão dispostos ou não concordam em dar-me o estatuto seguinte então terei de riscar este ponto da minha "bucket list" e encerrar de vez este capítulo sem fim.
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Além disso Abril será também o mês de visita a Barcelona e assim encerrar as visitas a Espanha e passar ao objectivo seguinte na Bucket List.
Barcelona que me aguarde...

sábado, 3 de março de 2012

Aqueles momentos... afinal sinto falta..

Tenho saudades.. tenho saudades de Portimão, saudades de um tempo que não volta, e nós... eu.. apenas estamos a re-aprender a viver nesta rotina onde cada um luta para ser algo, alguém neste mundo.
Hoje pergunto-me a mim mesmo como é que deixei o meu interior chegar àquele estado decadente em que me encontrava quando saí de Portimão. Portimão foi o lugar onde finalmente cresci e deixei o cordão umbilical, onde fui feliz, onde conheci o amor, onde sofri os maiores desgostos de amor, lá fui livre, tive as maiores aventuras, conheci as verdadeiras amizades, o verdadeiro amor, aquele que escapou ..para sempre.
Pergunto-me como não soube gerir isto tudo no final, quando acabou, e seguir para o próximo nível.. será que segui, será que fugi, não sei... só sei que no limbo em que me perdi naquela altura eu tive de agir contra tudo o que amava e salvar-me, tive de sair do lugar onde mais fui feliz, afastar-me dos meus amigos e regressar às origens e voltar a usar a máscara e por conseguinte tudo o que se desencadeou depois disso. É como se fosse uma prisão agora, não sei. Sinto que deixei algo por resolver, algo comigo mesmo, provar que conseguia reunir forças e sair por cima, pois cada memória ainda me dói, ainda quando la vou de visita, toda a angústia, toda a confusão psicológica volta de novo e é atrofiante.
Como sinto saudade de simplesmente sair de casa e ir passear sozinho na praia, ir respirar a brisa do mar, ir apanhar sol, ir bronzear-me, ir ver o pôr-do-sol ou o nascer. A tranquilidade que aquilo me transmitia, o bem que me fazia, isso dava-me forças para tudo, é dificil de explicar.
Mas tenho saudades disso tudo, de ser livre, de ser eu-mesmo. Desde que saí de lá, salvei-me é verdade ... mantive a minha sanidade mental é verdade, mas parece que vivo numa prisão, onde tenho de ser sempre correcto, onde tenho de viver segundo os padrões da sociedade sem puder errar... O que fazer...