Tenho saudades.. tenho saudades de Portimão, saudades de um tempo que não volta, e nós... eu.. apenas estamos a re-aprender a viver nesta rotina onde cada um luta para ser algo, alguém neste mundo.
Hoje pergunto-me a mim mesmo como é que deixei o meu interior chegar àquele estado decadente em que me encontrava quando saí de Portimão. Portimão foi o lugar onde finalmente cresci e deixei o cordão umbilical, onde fui feliz, onde conheci o amor, onde sofri os maiores desgostos de amor, lá fui livre, tive as maiores aventuras, conheci as verdadeiras amizades, o verdadeiro amor, aquele que escapou ..para sempre.
Pergunto-me como não soube gerir isto tudo no final, quando acabou, e seguir para o próximo nível.. será que segui, será que fugi, não sei... só sei que no limbo em que me perdi naquela altura eu tive de agir contra tudo o que amava e salvar-me, tive de sair do lugar onde mais fui feliz, afastar-me dos meus amigos e regressar às origens e voltar a usar a máscara e por conseguinte tudo o que se desencadeou depois disso. É como se fosse uma prisão agora, não sei. Sinto que deixei algo por resolver, algo comigo mesmo, provar que conseguia reunir forças e sair por cima, pois cada memória ainda me dói, ainda quando la vou de visita, toda a angústia, toda a confusão psicológica volta de novo e é atrofiante.
Como sinto saudade de simplesmente sair de casa e ir passear sozinho na praia, ir respirar a brisa do mar, ir apanhar sol, ir bronzear-me, ir ver o pôr-do-sol ou o nascer. A tranquilidade que aquilo me transmitia, o bem que me fazia, isso dava-me forças para tudo, é dificil de explicar.
Mas tenho saudades disso tudo, de ser livre, de ser eu-mesmo. Desde que saí de lá, salvei-me é verdade ... mantive a minha sanidade mental é verdade, mas parece que vivo numa prisão, onde tenho de ser sempre correcto, onde tenho de viver segundo os padrões da sociedade sem puder errar... O que fazer...
Eu não tenho saudades de Portimão, mas o que escreveste fez brilhar algures em mim uma estrelinha de nostalgia boa em relação áqueles tempos...
ResponderEliminarMas as coisas são o que têm de ser...quando e onde têm que ser...eu quero acreditar nisto...por isso não te deves agarrar a esse sentimento de que deixaste algo por resolver em Portimão...estiveste o que tempo que tinhas que estar lá...fizeste o que tinhas a fazer...e se saíste de lá foi porque naquela altura tinhas que sair para dar continuidade à tua vida noutros sítios...se algum dia o teu caminho se voltar a direccionar para lá, não será porque deixaste coisas por resolver...será porque o teu caminho tem que voltar a passar por lá...porque há coisas que tens aprender e ensinar lá...ás vezes a vida é assim...partimos de um lugar em busca de tanta coisa...damos voltas e voltas...e um dia, cansados de tantas voltas...acabamos por regressar ao exacto ponto de onde partimos...e percebemos,então, que o que procurámos tão longe, esteve sempre ali bem ao nosso alcance...
beijinhos
Sim... as tuas palavras fizeram todo o sentido.. se calhar é isso mesmo.. se tiver de la voltar que seja porque o caminho assim está traçado e se depois algo fizer sentido de uma outra forma então realmente valerao a pena todas as aventuras que se tiveram pelo meio, para isso fazer sentido. Obrigado, mudas-te a minha visão.
ResponderEliminarBeijao. RIk