Sabem, todos nós temos vocações para algo na vida... disposição ou espírito para fazer determinadas coisas, e aparte isso há a moral onde podemos enquadrar o espírito académico ou tunante, pois moral e espírito é algo que não nasce connosco, mas sim algo que nos é incutido de acordo com a nossa pré-disposição e receptividade para tal.
Nunca me considerei o Caloiro que fazia palhaçada para os outros rirem, ou o Projecto que tinha de ignorar os caloiros, muito menos o Tunante/Magister que tinha de conviver com as outras tunas ou dar a cara em muitas coisas. Ainda assim, eu "pré-dispus-me" a fazê-lo, sempre buscando as mais diversas motivações para me manter nessa vida, não me arrependo, e é facto que quando atingía dada etapa ou estatuto sabia bem essa recompensa.
Esse espírito estava incutido em mim. Não é fácil manter as forças quando vemos pessoas partir, melhores amigos, quando o curso acaba, quando trabalhamos, e eu não sei como alguém consegue sair e pronto... desligar-se disto tudo sem mais nem menos... eu próprio dizia nunca mais sair do Algarve, mas finalmente decidi seguir outro rumo.
Mas eu devo muito mais a esta Tuna do que imaginam, eu ganhei o vosso respeito, e vocês ganharam o meu pois mesmo sem darem conta, vocês aceitaram-me e à minha sexualidade, e mesmo quando se deram conta, continuaram a tratar-me de forma igual... numa fase em que nem o apoio da minha família eu tinha nessa época, e isso é impossível de retribuir, por isso, os agradecimentos àqueles que me falaram desse assunto cara a cara forçando-me a quebrar a armadura de gelo que eu sempre metía; ou aqueles que eu presenciei defenderem-me são imensos; e o Koida e o Diogo superaram qualquer expectativa minha nesse aspecto, eu senti-me exclusivo, porque é raro ver-se casos semelhantes em outras Tunas.
Assim, eu prometia mim mesmo voltar sempre que possível, ajudar sempre que possível e recentemente inseri memórias convosco na minha nova fase na Suíça...e digo-vos que para quem está a tentar deixar isto para trás e seguir em frente, misturar memórias não é muito saudável, mas arrisquei, e tudo o que faço tenho feito de mãos atadas... e sinto-me estranho porque não me sinto tuno... nem me sinto ainda um ex-tuno e temo que nunca me sentirei, mas eu sou do tempo em que chamamos as coisas pelos nomes e estou na fase de ter um novo estatuto, ou de fazer o mesmo que todos os outros, dar costas, não voltar mais, não trajar mais, e deixar que o tempo leve esses momentos para a bagagem.
E assim será, é triste ver que o meu destino foi entregue nas mãos de pessoas que não tiveram as mesmas experiências e tempo na tuna que eu, ou pessoas que eu praxei... e é triste ver os que restam que viram o meu percurso não se lembrem de tal, e e que deram o "derradeiro estatuto" a outros por muito menos motivos ou interesses.
Mas temo que este Enportunas tenha sido o fim, pois não seguindo para outro estatuto, outra fase, eu tenho obrigatoriamente que encerrar esta página da minha vida, para não me sentir como me sinto, entendam que não é saudável para mim, por isso voltei a trajar, voltei ao Enportunas e voltei com quem é importante para mim, tunos e ex-tunos, para viver isto e trajar com eles pela última vez, com este último momente aceito para mim por completo o papel de "ex-tuno" e encerro qualquer memória e vivência que tenha ligação com a minha vida de outrora. Cada um tem o seu tempo para as coisas irem ao lugar, este foi o meu, e teve de ser finalizado desta forma... em grande, pois foi sempre à grande que vivi os meus tempos de estudante-tunante sem nunca me arrepender de nada que tenha feito.
Obrigado Tunabebes, mas temo que o lema "Uma vez Tunabebes, sempre Tunabebes" possa fazer sentido para o coração, mas nem sempre possa ser tornado real ou posto em prática...
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