quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ir para o estrangeiro

Hoje gostaria de falar de algo que está presente no meu dia-a-dia, e com o qual me deparei ao reparar num filme sobre a Imigração.
Sair do país é algo que nunca pensei que faria na minha vida, não que o que estava além-fronteiras não me interessasse, mas porque nunca fui aquele rapaz corajoso para o fazer. Hoje não posso estar mais grato por a vida me ter empurrado nessa direcção, nessa e em outras que ficaram para trás.
Sair do país é algo que requer coragem, é algo que requer uma força interior enorme, é algo que te força a mudar a pessoa que és e força a reiventares-te. Saíndo do país vai fragilizar-te ao deixar amigos e família para trás, memórias importantes, se antes seguias em frente mas de vez em quando revivias certos momentos ou matavas saudades; ir embora significa não só arrumar os teus objectos numa caixa mas também todas essas memórias. Cortando com o passado e criando uma espécie de proteccão para isso não te afectar no dia-a-dia vais tornar-te mais frio, mais solitário, despegado. Vais com a esperança que voltarás, de férias a princípio e no fim de teres realizado o que queres, voltarás para recomeçar de onde ficaste... esquece isso. Nas primeiras férias, os amigos que deixaste estarão lá, não vais conseguir evitar falar das tuas aventuras e vais reparar inevitavelmente, embora não aceites à primeira, que estás um pouco à parte de tudo o que se passou entretanto. Vais voltar mais vezes, e vais começar a reparar que alguns dos teus amigos já não se darão ao trabalho de trocar folgas ou deslocar-se por algumas horas para te ver, outros esperam que sejas tu a fazê-lo, como se a tua volta temporária ao país não chegasse já como esforço. Vais reparando que o teu ciclo de amigos se contará pelos dedos das tuas mãos, isto se fores realista o suficiente para o admitir. Casos semelhantes se passará com os teus familiares.
Se és uma pessoa orgulhosa... vais deixar de o ser... vais deparar-te com culturas diferentes, que muitas vezes não aceitam a tua, a tua forma de ser ou estar, e vais inevitavelmente adaptar-te a eles. Se pensas que falas fluentemente a língua oficial enganas-te, o calão é a pior pedra no sapato possível e é preciso meses, senão anos para entrares na perfeição, se é que alguma vez a atinges, portanto o teu orgulho, esquece. Iras encontrá-lo em outros aspectos do teu ser que não esses.
Vais mudar a tua imagem - sim, vais mudar o teu estilo - sim, vais mudar os teus vícios - sim, em geral, vais mudar. Mais um ponto que te vai afastar de tudo o que vais encontrar cada vez que visitas o teu país de origem.
Lá fora iras conhecer novas pessoas, novas personalidades, colegas de trabalho da mesma nacionalidade que tu ou não, pessoas amigos desses amigos, familiares ou amigos deles, e embroa ao início a tua revolta não te deixe engrupar com quem quer que seja, tempos mais tarde vais admitir que essa é a tua pequena família nesta aventura, e vais concluir que o teu conceito de amizade foi completamente redefinido. No meu caso posso concluir que foi muito gratificante, dificil e penoso ao início, não era forte ainda que tivesse muitos sonhos, voltar a Portugal foi sempre uma ideia presente, mas aos poucos embora negando a realidade que a minha mentalidade me mostrava, eu fui percebendo que não iria voltar tão cedo. E hoje depois do que presenciei, eu consigo ver que, um dia se estiver preparado a voltar, ir para Portugal será como ir para o estrangeiro de novo e deixar tudo para trás de novo.

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