sábado, 5 de dezembro de 2015

Pouco a pouco... Avança!

É de manhã bem cedo e o meu cérebro está cansado. Hoje, vou trabalhar na minha folga, aliás ... já começou a contagem decrescente para o fim do meu contracto de trabalho. Estão a acabar os cinco anos de Suíça, e curiosamente o meu Visto está a ficar sem validade ao mesmo tempo.
As maior parte das decisões estão tomadas, e as que não estão, já se consegue ter uma nesga do que irá ser.
Estamos em Dezembro, e já comprei quase todos os items necessários para poder recomeçar em Portugal, mas ainda me falta um pouco mais de paciência para poder estar bem confortável em minha casa, e tenho de esperar. Assusta-me tudo isto, mas sei que quando me meto bem fundo em algo já não há volta atrás, e agora sei que vai acontecer mesmo.
Já ando a sondar possíveis trabalhos, reunir contactos para quando for o momento começar as candidaturas, já ando a ver possíveis carros para comprar e começar a minha rotina. Tudo está no seu caminho certo.
Aqui na Suíça o processo tem sido diferente, pequenas coisas que têm de ser anuladas pois são uma dor de cabeça, e principalmente deixar a minha família no patamar correcto, e se quem segue esta loucura já tinha concluído, a solução é mesmo deixá-los lutar a sua própria luta, e eu tenho de conseguir fazer isso. Não é ignorá-los, mas há coisas mais fortes que eu e eu tenho de aceitar isso. Por outro lado, estamos a encaminhar o processo para o meu irmão ir comigo para o Algarve e aí dar continuação à sua escola. Tenho mais esse trabalho futuro, de lhe encontrar algo entre as possibilidades existentes.
Mas não é fácil livrar-me destes anos todos de Suíça e falo materialmente. Embora eu já me tenha livrado de grande parte das coisas, oferecendo e jogando fora, já consegui organizar a minha Cave com os Items que quero levar, resta ainda encontrar forma de os levar, mas para tudo o que tenho em casa já encontrei destino, e foi mais fácil do que pensei. Agora começo a livrar-me dos Contractos que não preciso mais, o do Telephone, passou a pré-pago e só terei Internet onde houver Wireless, e anulei o outro velho telefone que aqui tinha que só usava para o trabalho, os suíços são pesados no que respeita a anular contractos e vou ter de pagar uma boa quantia por isso, mas mais vale ser já que ainda tenho um salário. Consegui também livrar-me da minha Mastercard e Cartão Fnac, que tinham custos anuais e não preciso deles.
Aos poucos também recupero o que deixei em Portugal, os meus cartões das lojas, e em breve irei actualizar o meu Cartão de Cidadão e Carta de Condução para Portugal e com a minha actual morada.
Este mês será Soft, tenho material a chegar a casa que comprei recentemente, preciso agora de dar iluminação ao meu espaço, e um pouco de conforto na sala, antes de passar ao essencial que são alguns electrodomésticos. Conto fazê-lo pessoalmente no fim do mês quando voltarei por uma semana, para poder dar mais uns passeios, rever amigos e controlar o estado actual das coisas. Confesso que este rápido avanço das coisas não seria possível sem ajuda da Mimi, está sempre em cima do acontecimento, baixas de preços, promoções, ofertas, compras, ida aos locais comprar e controlar o avanço dos trabalhos, olho para o negócio, sinceramente foi muito mais do que eu poderia esperar desta amizade, e sem esta ajuda não seria a mesma coisa. Aqui está uma das várias amizades que não me enganei em preservar, e estes anos têm provado isso.
Agora resta-me organizar também as minhas procuras de trabalho aqui, tenho de assegurar o desemprego enquanto aqui estou, para me irem pagando o avanço dos meus planos, não planeio encontrar trabalho, planeio ficar descansando o meu cérebro fingindo procurar trabalho aqui, para depois pedir-lhes o programa que oferecem para irmos a outro país procurar trabalho, e então ir os três meses procurar.

Wish me luck*

domingo, 15 de novembro de 2015

Passo a Passo

Por vezes não é evidente o que temos de fazer e que caminhos escolher na vida... mesmo que já tenhas o caminho traçado com os passos a dar... há sempre incertezas, medos, inseguranças com as quais tens de lidar...
Ontem a minha mãe dizia-me que já não tem garra para andar instável e de um lado para o outro, isto porque falávamos do nosso regresso a Portugal (sim finalmente tivemos uma conversa sobre isso tudo, como deve ser), e eu quero que ela tenha... ela ainda não tem a idade para relaxar embora já o mereça, tem um filho que ainda está na escola e outra filha que não consegue estar estável, e eu também estou em fase de transição e mais uma mudança. Portanto ela tem de ser forte, pois não tem com quem contar para estar ao lado dela a dar os passos. Nós estamos mas temos de nos focar nos nossos passos e financeiramente cada um só pode contar consigo mesmo neste momento.
Quero dar um pequeno passo a cada dia, para a mudança, para não perder a coragem e o rumo, pequenos gestos, pois não posso avançar mais do que me é permitido e tenho de fazer as coisas com cabeça... tenho de pensar que anular coisas tem custos e há coisas que aqui só podem ser anuladas no último minuto quando tiver o Certificado de Partida que anula tudo. A mudança tem custos, o levar bagagem e tudo o que tenho em casa tem custos e tem de ser feito aos poucos. Tenho a gata que quando decidir ir tenho de ir mesmo e não voltar pois ela irá comigo. O chegar lá tem custos, pois precisarei de um carro para me deslocar e procurar trabalho, precisarei de pagar renda e contas mesmo sem ter trabalho, por isso até ir convém ter algum dinheiro de lado para isso.
E ainda nem acabei de mobilar a casa como quero ... e já tenho tão pouco tempo para fazer isto tudo. 
E depois há ele ... ele está lá.. estamos constantemente em contacto e ele próprio já me deu o conselho de ir com calma para não passar dificuldades... e eu quero ir com calma, por mim, mas quero acelerar por ele... mas não posso fechar os olhos às consequências se me precipitar... se ele gostar minimamente de mim e também apostar em algo juntos..ele espera... tem de esperar.. espero que espere..
Agora mais um pouco ... Hoje pedi um subsídio de ajuda para pagar o seguro de saúde aqui .. tinha um que acabou agora o prazo e preciso de ter esse custo mensal reduzido para me focar em outras coisas... ao mesmo tempo enviei mais alguns currículos para ter procuras de trabalho para o desemprego, e anulei o meu cartão mastercard que era um custo anual para tê-lo, assim quando precisar de comprar viagens fá-lo-ei com o cartão de alguém. 
Hoje vou levar algumas coisas para dar à minha mãe que já não quero e outras a umas amigas. Estou a livrar-me de coisas boas que tenho aos poucos, pois comprei para ter aqui mas que não se adequam lá em minha casa. Talvez deixe uma ou duas coisas na cave da minha mãe para quando ela voltar para Portugal me levar, pois ela diz que quer levar as coisas dela para Portugal. 
Enfim... a luta continua... mas aos poucos estou a ver a minha rotina calma de volta. 
Eu sei que voltar para Portugal pode não ser a melhor coisa... eu sei que poderei arrepender-me de ter "pouco" de novo, de contar os cêntimos ... eu sei que algumas semanas ou meses me podem fazer ver que não foi a melhor escolha ... mas .. esta é a minha realidade... sinto que tenho de ir .. sinto que não posso dar outros passos pois tenho responsabilidades, e acima de tudo, sinto que aqui não posso ficar pois é um local, um ambiente que já me matou parte da minha personalidade e eu não posso permitir que isso continue, ou poderá ser irreversível para sempre. Por isso tenho de me salvar... e se quando me reencontrar em Portugal eu sentir que ainda há mais passos a dar...então que seja... logo o verei.
Se alguém segue isto poderão ver que sou um constante insatisfeito com a vida... mas pronto .. cresci .. vamos ver como serei em Portugal com esta maturidade toda..

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Mimi - Riri - Sósó

Esta vai para o meu Gang.
Sinto que tenho de escrever sobre nós, pois "nós" temos vindo a percorrer um caminho sem paragens desde há quase 10 anos atrás ... imaginem .. 10 anos.... 
Eu falo por mim quando digo que vocês foram o meu primeiro Gang numa nova aventura, que me acolheram nas vossas loucuras quando eu me sentia Outsider, e vocês sentiam-se perfeitamente bem nesse papel de Outsiders... não sabia eu que era bom estar assim, mais tarde vim a perceber que outros nomes lhes poderiam ter sido chamados... anti-sociais, instáveis, temperamentozinho da merda, etc, por isso estavamos bem nos nossos momentos e aventuras... e ohh boy... se tivemos aventuras.
Faz sensivelmente 5 anos que essas aventuras terminaram, pelo menos com aquele peso de liberdade que elas tinham, sem qualquer responsabilidade ... naquela altura só um de nós tinha a resposabilidade de conduzir e de se safar quando decidía conduzir o seu carro, e .. sabemos que nesse campo houveram consequências lol. Eu próprio a certo ponto quando tive um carro também tive consequências...
Entre nós os três, quando um teve consequências em algo, houve sempre um outro dos três que lá estava para ou rir da desgraça, ou apoiar, se pensarem bem.
O percurso avançou para a fase em que tinhamos de assumir responsabilidades... acho que isso foi e continua a ser um grande desafio.. que acabamos por perceber que afinal nem é desafio e é apenas um factor com o qual temos de nos conformar a viver... e tanto eu como vocês aposto que ficariam curiosos para saber o desenrolar dos acontecimentos tanto para si como para os outros dois... Sabem, é que para seres como nós, o futuro é muito incerto e instável e podem acontecer as coisas mais caricatas.
Eu gosto de pensar que um percurso de vida para ter realização pessoal se divide em quatro caminhos - Familiar - Profissional - Amoroso - e Habitacional. Ambos tentámos todos, ambos já falhámos em todos, acho que é esse laço que nos torna ainda mais amigos.
O familiar sempre foi algo que tivemos em comum, uma família instável, com perdas, com pessoas mais fracas de saúde, distâncias, e até mesmo uma dependência deles e de tornarmos as dores deles como nossas. Mas é nos outros que nós seguimos por caminhos separados, talvez não por opção mas por ironia do destino. E isto pode ser visto de outras perspectivas eu sei.
Para mim, Mimi estás mais que realizada a nível Amoroso, e estas a caminhar para estares realizada aos outros dois, talvez estejas quase bem a nível profissional e depois queiras estabilizar a nível Habitacional.
Sósó por outro lado estás a começar pelo Profissional, e sinto que gostas do que fazes, e isso poderá continuar, e que antes de te realizares a nível Amoroso - algo que achas que não necessitas, ainda vais ter de passar antes pelo Habitacional pois sentes uma grande vontade de te sentir "em casa", e eu sei que vais conseguir.
E eu ... que comecei pelo Habitacional, metendo os dois outros de lado... pois assim se encaminhou o meu percurso, e que possivelmente chegarei ao Amoroso antes do Profissional. 
A vida é imprevisível... e nós somos tambem... por isso nunca se sabe a fase em que o outro vai entrar... cada área tem um peso e karma diferente em cada um ...  Acho que foi esta energia que tornou o nosso último momento tão awkward ...como devem ter achado também.
É que ... nós já passámos por tantos momentos bons e maus ... distâncias.. afastamentos .. e voltamos sempre ... mais fofos ou mais frios... e isso é mais que prova que a nossa amizade nunca mudará... e por mais que um se sinta incompleto, por ainda não ter chegado a mais que um ou dois dos quatro campos da vida, o outro estará sempre lá para dar força e torcer. Mas experienciar um estar num desafio de vida que o outro desconhece ou nunca esteve, torna as cenas confusas lol... e como o alcoól levanta a adrenalina à flor da pele, não soubemos gerir lol.
Acho que isto faz parte de uma fase ... acredito que ainda vamos estar mais próximos geograficamente, acho que vamos ser daqueles adultos com passeios de casais .. ou daqueles com fins de semana em algum lado ... ou daqueles com um dia por semana ou por mês só para nós sem mais ninguém. É a minha visão.
Espero que a vossa não ande longe... bjos Mimi Riri e Sósó * Enquanto não nos decidirmos para o nome do Gang lol

PS: Sósó vê-la se acalmas o alcoól, estás uma beast a beber ... e nem eu, nem a Mimi aguentámos a tua pedalada na última aventura ... e foi o que se viu ... lol não gosto quando o Gregório força a entrada no gang.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Damn yeah!

Se eu alguma vez pensei que nesta minha primeira aventura de férias na minha nova casa, iria ter toda uma outra aventura a nível emocional e romântico, no way... e ao ponto de ganhar força para alinhar todos os meus objectivos e projectos... Damn! 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Rezar !?

"Rezo terços com os teus cabelos, para não pecar com os teus lábios" ... Não sei mas gostei ... forte...

Sem que dizer

Existem tantas formas de dizer que se ama alguém... e as pessoas continuam a escolher as palavras...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Good Vibes

Eu preciso esvaziar o meu coração pois, simplesmente, tem sido demasiado.
Hoje tenho receio, receio do que o futuro me reserva, não sei que passos dar porque os pesos na balança são ambos muito importantes.
Mas eu sei o que quero, sei que quero a tranquilidade e bons feelings como estou a ter estes dias em Portimão, assim como fiz questão de recordar alguns que quando voltar para cá não quero reatar.
Estes dias na "minha casa" têm sido mágicos, dormir na minha cama e planear tudo o que quero ter em casa e as transformações a fazer, é uma sensação que vai crescendo com o tempo, e estou a sentir-me melhor a cada dia.
Estou a visualizar tudo na minha cabeça e gostava de poder transmitir o quão acolhedora eu a imagino.
Mas não é tudo... à medida que os dias avançam, há algo mais que me está a iluminar a rotina.. "Ele".
Ele é alguém especial... Alguém que conheci a muito custo, pois tive de forçar a minha timidez e abstenção de afecto para me dar a conhecer e conhecê-lo.
Ele é diferente... vejo nos olhos lindos dele que quer estar comigo... nunca tinha visto isso nos olhos de alguém... sinto que me deseja e sinto que me quer... algo que não sei explicar... algo que nunca senti... Ele faz-me sentir bem com ele e bem comigo próprio... Adoro o seu toque, os seus olhos e sorriso.
Ele tem uma forma especial de se preocupar comigo, de querer saber o que eu penso ou sinto... e os meus momentos apáticos e em branco diminuíram imenso.
Os meus medos e inseguranças têm sido trabalhados com paciência e ele tem sido óptimo nisso.
Adoro os mimos que ele me dá, os presentes, os beijos e adoro a forma como fazemos amor... é algo inexplicável. Ele deseja-me, ele sente-se bem e seguro comigo e eu quero que isso se mantenha.
Adoro quando ele me abraça, adoro quando andamos de carro ou de mãos dadas, adoro quando ele para a olhar para mim.
Quero guardá-lo e protegê-lo e que isto se torne ainda mais especial e quero que ele queira o mesmo.
Com estas férias ainda não atingi o nível de tranquilidade mental que preciso, mas já sinto os meus pensamentos a alinharem aos poucos e é impressionante as vezes que a minha família me vem ao pensamento, mesmo membros da família que nada significam para mim.
Tudo está a alinhar para o meu regresso, mas está mais que certo o difícil que será partir e deixar a minha família, a minha mãe ao encargo de tudo.
Mas eu quero ser feliz a outros níveis, lutar por alguém a meu lado, por uma boa carreira estável no Turismo, aprender línguas, e quero isso para ontem.

domingo, 25 de outubro de 2015

O Rapaz em mim

As palavras não me saem... Sei exactamente o que quero dizer, mas não sei como...
O rapaz que encontraste em mim é um rapaz quebrado, o meu coração embora refeito, já foi antes estilhaçado e eu tenho tentado repará-lo como posso. O rapaz que encontraste sempre teve problemas de auto-estima, sempre achou que não era o suficiente para alguém, sempre teve defeitos, mas sempre o fizeram sentir mais imperfeito que aquilo que ele era na realidade. O rapaz que encontraste é romântico, embora receie amar; ele sonha sozinho e luta pelos seus sonhos e adoraria fazê-lo a dois, mas começou a achar que esse dia nunca chegaria. O rapaz que encontraste tem quebras de humor, fica sério e apático, perdido no vazio do seu pensamento, pensa muito e ao mesmo tempo não pensa em nada.
O rapaz que encontraste precisa de tempo e manutenção para voltar a sorrir e a ser completo, como há muito ele não se sente.
*
Hoje eu sinto-me perdido, lutei por um futuro melhor, saí completamente da minha zona de conforto indo para o estrangeiro, e isso quebrou o meu ser a um nível que não sei explicar, e perdi imenso de mim... e juntando isso a tudo o resto... fez-me acreditar que eu não iria ser feliz em todos os campos e para uns, eu teria de abdicar de outros.
Fora do meu país, eu tenho estabilidade financeira, eu viajo, eu tenho à vontade para gastarm e o mais importante para mim é que consigo ajudar a minha familia sempre que eles precisam. Mas isto não chega.
Com isto, a minha família criou uma dependência da minha proximidade, e eu comecei a ser eu mesmo depois de me abrir com eles sobre a minha sexualidade, e nestes dois últimos anos, foram os únicos momentos em que eu me senti completo em família. Eu conheci o auge... e sem me realizar profissionalmente ou emocionalmente, eu posso já sentir-me realizado, "q.b." a nível de projectos de vida, coisas que reconheço que seriam difíceis de obter no meu país, a curto prazo. 
Mas eu continuo a sentir-me incompleto a outros níveis. O lado romântico foi algo que sempre pesou em mim, e eu ambiciono muito fazer alguém feliz a meu lado. E por fim, o lado profissional... eu lutei muito para acabar o meu curso de Turismo e ir-me embora para fora deixou-me aquele desejo de construir a minha carreira profissional estável no meu país.
Mas agora tudo é mais difícil... tenho medo de dar um passo em falso... há muito mais em jogo... medo de a minha família passar necessidades... e de eu ficar com algum peso na consciência por me ir embora de perto deles. Tenho medo de não encontrar trabalho e não conseguir aguentar as minhas despesas sozinho. Eu quero arriscar... e acho que tenho a coragem para tal... e estava à procura do momento certo ... e quero dizer que me dás mais força para agir.
Eu nunca te darei o peso da minha decisão, é muito, não vou voltar por ti... mas adoraria ver-te festejar a meu lado eu ter tomado a decisão acertada.
Não falas muito do que sentes e eu também não... não sei os teus desejos ou receios, planos futuros ou o que esperas de mim ...
Eu encontrei em ti alguém que suaviza os meus medos, alguém que me deixa seguro, alguém que me deseja assim como sou, e continua a aceitar-me se eu decidir mudar. Nunca pediria para reparares o meu coração mas sinto que estarias a meu lado nesse processo de reencontro, e acho que irias gostar de mim quando eu me sentisse inteiro.
Tu fazes-me sorrir e deixas-me calmo. Eu desejo-te, eu quero-te. Gosto de te fazer sorrir e de te fazer sentir bem, gosto de te mimar e de te tocar, do teu calor, do teu beijo. Gosto de proteger-te e de abraçar-te.
Nunca pensei encontrar isto tudo numa pessoa... O processo de engate parecia tão mais difícil e longo antes de ti... e afinal ainda há formas rápidas de nos derretermos completamente.
Não falámos muito de como iriamos agir à distância... acho que não foi preciso... eu tenho 29 anos agora, eu sei o que quero, eu quero-te e vou orientar os meus passos para voltar, vai ser lento, mas rápido. Quero fazer tudo como deve ser para não deitar tudo o que fiz a perder, mas ao mesmo tempo tu és ideal...e quero proteger isso ... e faço questão de ir mantendo o meu desejo aceso neste tempo de espera.
Tens-me aqui se me quiseres! ...

Just something I found ...

"All it takes is a beautiful fake smile to hide an injured soul and they will never notice how broken you really are".
Robin Williams

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O fim aproxima-se ?

O fim aproxima-se, e tenho momentos em que quero dar em louco para que o tempo avance. Custa-me admitir isto, mas talvez eu esteja a cometer um grande erro, começo a achar que em tempos de passos difíceis, eu opto pelo mais cómodo e fácil, se é que regressar a Portugal a este ponto vá ser fácil.
Estou receoso do que me espera, apreensivo, e triste. Eu já passei a fase difícil aqui e com esta comodidade ainda conseguiria ter alcançado mais objectivos, nomeadamente o avanço de pagamentos da minha casa e ter conhecido mais uns quantos países. Mas está acabando. 
Não estou fechado para o tempo que irei aqui ficar no desemprego, pois irá dar-me geito, mas se eles não me pagarem o mesmo e me decidirem penalizar de algo, eu não esperarei e parto. Também não estou fechado para outro trabalho que me agrade, nunca se sabe se encontrarei, pois se encontrar aguentarei mais uns mesitos para avançar um pouco da casa. Mas está tudo a encaminhar para a mudança final.
Já avisei os meus pais e família. Pois eles têm de estar com noção que não poderão contar mais comigo se eu for embora. E todos terão de aceitar a futura rotina e a rotina de socorro se algo correr mal. Para a minha mãe terá de aguentar dois anos para saber se consegue a reforma antecipada e para que o meu irmão acabe a escola. Ela não quer ficar a não ser que a sua relação dê alguma coisa, mas se ela voltar será para o Algarve onde alugaria uma casa. O meu irmão tem de se esforçar até à última energia, são os dois últimos anos, terá exames e depois poderá mudar completamente de fase. E vir para Portugal, mas ele tem tempo de decidir o que quer, se mudar de país ou continuar aqui. A vontade dele ainda é regida pela motivação ou desmotivação de estudar, e isso confunde-o pois não sabe o que quer da vida, e terá de escolher até lá. Tem tempo... Se eles forem embora, quase é certo que a minha tia não aguentará aqui, e terá de ir embora também. Eu gostava que ele vendesse a casa dela no Alentejo e pedisse outro empréstimo para comprar uma nova casa no Algarve, com a minha mãe. Assim seria um novo recomeço para todos. A minha irmã quer continuar aqui, para ela pensei dar-lhe este meu estúdio com tudo o que aqui tenho pois não quero levar nada disto para Portugal, já lhe facilita o novo começo, embora a orientação financeira tenha de vir dela.
Eu quero e aceito ir-me embora. Estou tranquilo com a minha decisão e não me sinto mais obrigado a ficar por eles ou por outros factores, pois já vejo possíveis saídas para eles, basta que aceitem tomá-las e seguirem em frente. Estamos todos em idades e fases decisivas de mudança, e não mudar neste momento implica ficar preso numa rotina por mais uma fase por tempo indeterminado.
Estou ao máximo a tentar mobilar e preparar a minha casa em Portugal, até ao fim do ano. A ver se até às minhas férias de Outubro já avancei tudo o que diz respeito aos trabalhos e manutenção do que eu queria fazer, pintura e compra do quarto, assim como a compra do termoacumulador e do ar condicionado, vai ser duro, mas tenho de conseguir. Durante as férias acertaria pormenores e depois até ao fim do ano, tentaria comprar mais umas coisas... Não pensando o que poderá acontecer depois do fim do ano.
Enfim, o tempo não para agora... e eu estou impaciente... pois tenho de comprar, economizar, poupar, continuar a comprar.... enfim... tou a dar em louco lol.

sábado, 15 de agosto de 2015

Será tarde ?

Quando eu paro para pensar neste meu percurso de vida, tenho muita vontade de chorar. Tenho vontade de chorar pois lembro-me de onde eu venho, lembro-me de como a vida era simples, lembro-me dos meus amigos e das pessoas com quem me cruzei. Quando penso lembro-me de cada desafio, de cada ferida que eu tive de esperar que o tempo sarasse. Lembro-me de como venci cada meta, como ultrapassei cada fase. Lembro-me da minha família e de como eles eram e são agora.
Por vezes meto-me a procurar razões para entender o que me tornou um constante insatisfeito na vida, o que me faz querer sempre mais depois de algum tempo numa rotina. Uns dizem-me que a isso se chama viver, buscar sempre mais, melhor, pior, o que for mas que te faça levantar e encarar a vida dia após dia.
Aquele rapaz com medo de se aventurar em coisas novas, hoje já entende muito mais da vida, se calhar mais do que ele poderia ter imaginado. Penso no que fui capaz de fazer, umas coisas decididas, outras que o destino colocou no meu caminho e eu aproveitei, outras para onde fui com medo e no fim acabei por sair vitorioso.
Pois ainda que eu nem sempre tenha tido as escolhas acertadas, a vida encarregou-se de me dar as melhores e piores experiências. Lembro-me que tinha de sair do Alentejo a certo ponto, pois não aguentava ser mais mal-tratado por aquelas pessoas, e embora a dado ponto eu tenha escolhido universidades longe dali, algumas até eram por ali - o destino actuou e levou-me para longe.
Portimão como já referi milhentas vezes foi a minha melhor experiência de vida, o único lugar onde eu ganhei vida, personalidade, onde me encontrei, onde me senti em casa, talvez por isso tenha sido o meu local de eleição para ter o meu próprio lar, e assim foi.
Mas como todas as fases da nossa vida, por vezes o balanço do bom e do mau desequilibra-se e algumas más experiências transformara-me para sempre e torturaram-me de tal maneira o coração que demorei anos a recuperar. Não perdendo o amor por tudo ali, mas o meu coração e mente precisavam focar-se em algo mais. Nesta mudança de fase eu tomei uma das atitudes mais corajosas de sempre e voltei para onde fui tão humilhado, o Alentejo.
É curioso como a vida funciona às vezes. Embora hajam vários aspectos da vida que nós busquemos para termos um bom equilíbrio, isto é, estabilidade financeira, amor, realização pessoal e profissional, boas relações familiares, simplesmente é muita coisa para a qual lutar, e definir prioridades simplesmente é difícil. 
Eu a dado ponto, preferi o meu bem estar pessoal e amoroso, e achava que com isso se podia viver, e foi preciso um impulso do destino para me provar o contrário. 
A vida ensinou-me que primeiro temos de tentar realizar-nos pessoal e profissionalmente, fazer o que gostamos para sermos felizes com nós mesmos, antes de podermos ajudar outros, antes de podermos ser um exemplo para a família, antes de aceitarmos tornar os problemas deles nossos pois queremos ajudar, antes mesmo de pensarmos em fazer outra pessoa feliz no amor. Eu aprendi isso, e embora me tenha arrastado para a vida de Imigrante tempos depois, aprendi isso com estes anos a viver na minha rotina.
Foi talvez a pior experiência que tive, mas talvez a mais marcante a nivel de descobrimento de quem eu sou e o que quero. Sem esta experiência eu nunca teria ganho força o suficiente para recriar momentos com os amigos que deixei em Portugal vezes e vezes sem conta, o que me ajudou a avançar e a entender o porquê de eu estar longe. Sem isto eu nunca teria tido força interior e financeira para equilibrar a minha família e aproximar-me dela de uma forma tão marcante quanto me aproximei. Sem esta experiência eu não teria aberto a minha visão do mundo com viagens que me fizeram encarar e ver vários aspectos da realidade, da forma como aconteceu, e mais não me teria permitido dar a mesma experiência aos meus familiares e amigos.
E o mais importante de tudo, é que, ainda sendo uma forte e marcante má experiência que eu sei que tem de acabar um dia, sem ela eu não poderia regressar em breve ao meu país já com a minha casa e um lar para onde ir e começar a construir a minha vida.
Estou contente por ter tido cabeça para me orientar nesse aspecto, pelas decisões que tomei, e que planeio tomar. Pelo menos levo essa vitória destes cinco anos torturantes e ao mesmo tempo repletos de memórias que me transformaram a essência.
Agora, eu poderei regressar e aproveitar aquilo que em Portugal temos de melhor, e com o qual não conseguimos avançar e ser felizes, a tranquilidade de espírito, o lutar o dia a dia para ter o mínimo que seja, o apreciar o simples, o pouco, o sentir, o cheirar, o saborear e sobretudo o Amar.
Não sei se ainda irei a tempo de reatar algumas amizades, mas sinceramente não tenho isso em prioridade, gostaria claro. Não sei se será tarde para iniciar a minha carreira profissional, ou se será tarde para alguém me amar. Espero sinceramente que não seja. É aos trinta anos que as pessoas começam a querer viajar pois já enconomisaram um pouco, começam a ter convivios entre amigos e famíliares, casar e comprar coisas em conjunto, já estão mais ou menos com um bom curriculo profissional e alguma experiência na área.
Eu inverti a minha vida e comecei ao contrário, e agora não sei como fazer, o que eles querem eu já tenho ou tive, e agora eu quero viver e ter o que eles tiveram. 
Espero que não seja tarde....

terça-feira, 28 de julho de 2015

Recusa de uma nova rotina ... luz ao fundo do túnel!

Preciso de despejar... estou com um aperto enorme no peito ...
Neste ponto não é segredo para ninguém que me conhece que eu odeio a Suíça, e estou à espera de uma boa porta aberta para me poder ir embora para outra aventura, e ao longo do correr dos tempos têm sido vários os factores que me têm feito ficar mais um pouco ... e mais um pouco, nomeadamente a minha família e viajar. 
Como qualquer pessoa, tenho de pensar no meu futuro e a nível económico. Sempre fui poupando, inicialmente seria para estabilizar a minha situação em Portugal, na altura tinha uma pequena quantia a pagar ao meu Banco, isso regularizado, quis preparar-me para regressar a Portugal, e acabei por ficar. Comecei a viajar e veio então o gosto por Paris, e então quis economizar para recomeçar a minha vida em Paris, mas achei que era um recomeço muito duro e ousado para mim. 
Pensei que não importa onde vá e onde recomece, um dia tudo isso acabará, eu sou a favor de aproveitar a minha vida ao máximo mas sei que um dia tenho de ter onde acabar os meus dias e de preferência que eu possa chamar a esse lugar de "casa"... os tempos passaram, 5 anos neste país. E eu economizei... tudo mudou em mim e na minha vida... mas havia aquele lugar onde eu sempre tinha de voltar e passar um momento para refrescar as ideias... Portimão ... estranho, eu voltava lá pelos meus amigos, ou pela Praia e aventuras com eles e ela. Mas já para o fim, não era só isso, os amigos mudam, reduzem, e para a Praia já não há paxorra. E eu continuava a ir, nem que fosse para ficar em casa ou no quarto, ou a passear sem rumo ..porque ali eu sou eu, simples, sem projetos imensos, viagens, dinheiro, e tudo o que isso envolve, ali eu sou eu, simples, com pequenos planos como ir ali ou aqui, momentos simples com amigos, projetos de economizar para comprar pequenas coisas conseguidas com o esforço de semanas e mais semanas de trabalho. E isso eu sinto falta. Não gostava quando o tive mas hoje sinto falta e sei apreciar. Então eu pensei ... porque não pegar em tudo o que poupei e meter isto como projeto principal ... comprar uma casa ali ... onde me sinto em casa. 
Pois casa é isso ... onde estás bem contigo e com outros, onde aceitas estar sozinho e com outros, sair vagueando, fazer projetos sozinho ou com outros, pequenas coisas como ir ao café ou às compras, conseguir tudo aos poucos e lentamente. Quero isso, então pensei em meter este projeto que está praticamente concluído ...depois de muitos precalços encontrei um apartamento acolhedor no centro de Portimão e estou a poucos dias da Escritura com o Notário ... e então começarei no processo de pagamento das prestações da casa... avancei grande parte do dinheiro logo e esvaziei todas as minhas economias e os gastos extras da compra também exclui do empréstimo, então ainda que me reste uma boa quantia a pagar, já não é tanto. 
Os bancos hoje em dia não arriscam muito, e foi duro conseguir um empréstimo sozinho sem envolver terceiros e fiadores, não quero chatear ninguém e quero conseguir isto sozinho, e consegui. Ainda que eles me tivessem dado uma opção de 40 anos de pagamento ...exagero ... mas pronto. 
Foi um plano muito bem pensado eu acho, com muitos conselhos de familiares e até mesmo de amigos alheios no banco e agência imobiliária. Agora vejo-me neste limbo ... é a primeira vez que pago algo em prestações.. coisa que odeio ... coisa que me enche o pensamento e não me dá descanso ...e são 40 anos de prestações... Isto fez-me repensar a minha situação atual que já é estressante.
Vou ficar sem trabalho no fim do ano, o meu local de trabalho fecha para remodelações, e eu tenho de encontrar trabalho até ao fim do contrato, isto porque como fui avisado com antecedência pelo Patrão, o Desemprego penaliza-me de dois meses se eu não fizer procuras efetuadas ou não encontrar nada, sendo que não receberia nada em Janeiro e Fevereiro. Para mal dos meus pecados o meu Visa acaba em Março e se eu não tiver um contrato de trabalho eles não me renovarão os documentos... então tem sido esta pressão para ter algo...e é aí que vem o entrave.
Como disse no começo .. odeio a Suíça e já me quis ir embora N vezes... e o pensamento de "ser obrigado a ir" assusta-me ... assusta-me o facto de passar pelo mesmo que passei quando aqui cheguei.... racismo, não gostarem de portugueses por já haver imensos aqui, até mesmo a língua ainda que eu seja praticamente fluente, assusta-me o facto de não ter trabalho para suportar a decisão de tomei de comprar casa. Mas o que assusta mais é eu ter este medo mas ao mesmo tempo não conseguir esforçar-me para encontrar de tal modo desmotivado que estou ... não quero , não aceito continuar aqui ... mas tem de ser... e tenho-me arrastado... arrastado para trabalhar, arrastado para procurar trabalho ... não queria procurar nada até ir de férias em Outubro e só depois procurar, mas será super tarde a apertado ... ao mesmo tempo preciso de sair e repensar tudo ... e não pode ser.
E aconteceu ... amanhã vou experimentar um novo trabalho, um trabalho onde aceitam que eu seja part-time nas minhas folgas do meu atual trabalho e depois no fim do verão havendo a possibilidade de ser efetivo ... fixo - como aqui lhe chamam, e eu não quero ... quero chorar de tão desmotivado que estou e sem vontade... ainda pra mais é mais um trabalho na Restauração ..bar-restaurante... onde tem imensas horas noturnas, festas e mais festas, até altas horas da noite, e se eu já estava farto de um bar de estação de comboios, agora num verdadeiro bar, nem sei ... mas tenho de ir, foi a minha irmã que me encontrou isto falando com o chefe dela, e não posso fazer-lhe a desfeita para ela não ficar mal vista... normalmente eu nem apareceria, que acontece quando eu tenho estes ataques de pânico, mas desta vez tenho de aguentar. Parece que são super versáteis, é um bar-praia com areia, e temos de nos vestir à praia ... passando para estilo dark-metal à noite e classe se passarmos ao restaurante... Não quero ter de me tornar alguém na linha, com estilo, emagrecer forçado ... não quero ... não quero fazer novos conhecimentos ou aturar mais bebedeiras... não consigo, não quero adaptar os meus horários à vida noturna de novo ...sabe Deus as recordações que tenho ... não quero habituar o meu corpo ao álcool de novo, já não sinto falta disso ... dessa vida...
Mas tem de ser... na minha cabeça queria mais 2 anos aqui ... um para amortizar uma grande parte da casa e reduzir bastante o valor das mensalidades - outro para economizar para um carro, e então voltar para Portugal, com 30 anos e começar finalmente a minha carreira em Turismo, fosse no que fosse, tranquilo numa rotina de trabalho casa , com a minha casa e a paz de espírito que eu já tinha quando lá estudava, mas que não soube que no final seria isso que eu iria querer apreciar. 
Dois anos seria o ideal, é o tempo de espera para - se tudo correr bem - meter a minha mãe na reforma antecipada e ela poderia regressar a Portugal com a minha tia, em dois anos o meu irmão chegaria ao fim desta etapa escolar e poderia escolher uma aventura seguinte, seja em Portugal, aqui - onde tem o pai também, ou em Paris - sonho que partilhamos juntos, quem sabe com ele lá a recomeçar uma aventura não seria fácil eu ter acesso a uma aventura semelhante também. Em dois anos tudo pode acontecer... 
Mas por agora... tentar não chorar e mentalizar-me que vou experimentar um trabalho novo, fingir que não estou super saturado deste tipo de clientes... ser paciente para bebedeiras e nights sem fim, e sobretudo ... trabalhar sem folgas ... meu Deus...

domingo, 5 de julho de 2015

Valerá a pena ?!

Durante estes últimos anos tenho vivido fora do meu país. Tem sido uma aventura incrível que me ensinou mais sobre a vida, amor e medos do que algum livro me ensinaria.
Construir uma nova “existência” longe de tudo aquilo que alguma vez conheceste é um dos sentimentos mais poderosos do mundo.
As pessoas que já viajaram para fora irão concordar com um movimento da cabeça. Eles irão dizer-te que viajar para fora lhes abriu o horizonte, abriu-lhes a mentalidade e mostrou-lhes o que realmente interessa na vida.
O que muitos não te dirão é que foi o acto mais solitário, de exclusão e de culpa que eles alguma vez fizeram.
Na verdade, contos de fadas não existem. E posso dizer-vos cinco coisas que certamente acontecerão se decidirem deixar o vosso lar para trás.
1.       A vossa família ficará devastada. Não importa como o tentam embelezar, ir para fora é uma decisão egoísta. É óptimo que estejas a seguir os teus sonhos e a vida que sempre quiseste, mas na verdade é que não estás a fazer ninguém feliz a não ser tu mesmo.
Se foste abençoado com uma excelente família e amigos eles irão fazer de tudo para esconder os seus sentimentos. Eles não querem carregar-te com o fardo das suas dúvidas, medos ... eles irão dizer-te “se te faz feliz então fá-lo”.
O meu caso é diferente, os meus pais também sairam do país, então tudo isto se reflectiu neles e nos seus familiares, e eu estava tão centrado em mim, eu e só eu, que só hoje consigo identificar certos olhares de tristeza nos olhos deles. Hoje, no rosto deles vejo o preço que pagaram por tudo isto, um envelhecimento de quase 10 anos. O mesmo envelhecimento todos vêm no rosto daqueles que deixaram para trás.
2.       Vão sentir-se culpados o tempo inteiro. Desde que vim para fora já perdi quase o contacto com os meus avós; amigos meus casaram, tiveram filhos, outros continuaram os estudos. Eu não estava lá para os maus momentos mas também não estava lá para os bons. Quando vais para fora, o tempo e as restrições financeiras vão determinar as escolhas sociais que fizeres. Ainda que seja a minha vida e eu posso decidir o que fazer com ela, vir para fora já me fez sentir um mau amigo ou um familiar menos bom, por várias vezes.
3.       Vão-se sentir verdadeiramente sozinhos. Eu nem sempre fui rodeado de muitos amigos e sempre lidei bem com a solidão, mas já para os meus últimos tempos no meu país eu consegui afirmar que estava rodeado de um ciclo de pessoas maravilhosas. Já noutro país também não me afectava o ciclo social pois aguentava bem uma rotina sem socializar. Ainda assim, estando longe de casa eu tive uma sensação de solidão que nunca antes tinha sentido. É preciso tempo para construir amizades que signifiquem algo, e quando vais para fora, vais obrigatoriamente passar imenso tempo com pessoas que são divertidas e extrovertidas, mas com as quais não partilhas ainda histórias ou memórias. É como começar uma nova fase na escola, mas desta vez estas num país longínquo por tua conta, longe daqueles que importam.
4.       Já não te vais enquadrar. Ir para fora mudou-me em aspectos que eu nunca pensaria que fossem possíveis. Eu descobri gostos, paixões e medos que eu não imaginava que tinha, abandonei crenças e convicções que já não faziam mais sentido. É uma boa mudança que eu recebi de braços abertos, muito lentamente e reticente, mas que me afastou daqueles e do lugar a que chamei de casa. Quando vais para fora, o teu crescimento vai acontecer num lugar desconhecido o que te obriga a adaptar a este novo ambiente. Ainda assim, a falta de raízes e história vão fazer com que nunca te sintas 100% em casa, independentemente dos teus esforços. É por isso que todos aqueles que encontrei no meu percurso colocam questões como “onde é que eu irei envelhecer”, “onde pertenço eu” ...e outros fecham os olhos e limitam-se a viver na rotina recusando-se a pensar nisso. Incapacitados de responder a essas questões, muitos optam por mudar de novo, uma e outra vez, procurando aquele sentimento de “casa” que outrora foram tão frios em deixar para trás.
5.       Vais perder os amigos mais queridos. Aqueles amigos que pensas que nunca irás perder, pois tiveste grandes fases com eles, escola, trabalho, entre outros, irão crescer em direcções diferentes e seguir outros caminhos. Por todas as razões atrás mencionadas, ir para fora irá mudar e sacrificar amizades fortes. Claro, algumas ficarão, mas a maioria não. Não é culpa de ninguém mas é culpa de todos. Vais esquecer-te dos seus aniversários pois estás ocupado com as tuas novas amizades. Eles culpam-te por voltares por outras ocasiões que não os seus momentos de celebração. Vais achar que poderias esforçar-te um pouco mais para ir vê-los, mas também começas a pensar que eles também se poderiam esforçar para vir ao teu encontro. Escolher caminhos diferentes encerra amizades, assim como acaba com muitas relações. É inevitável e é a vida, mas isso não quer dizer que seja fácil. Perdendo amigos, perdes uma parte de ti e da tua história.

Então, valerá a pena? Arrependo-me eu de ter arriscado uma aventura internacional? Sim e não. Com um grande sacrifício vem uma grande recompensa... vamos ver!

domingo, 14 de junho de 2015

Tunabebes - Tuno Honorário

Tunabebes ...
Praticamente 10 anos depois e ainda continuo ligado a este grupo, a esta família que tanto me deu... e continua a dar.
Independentemente da minha história e percurso tunante que tanto me marcaram e marcaram a minha vida, eu fui sempre agradecendo nas devidas alturas e aos devidos tunantes que lá se encontravam e nunca me poupei a palavras e agradecimentos, talvez por isso hoje me faltem algumas...
Querendo ou não, a história de quase 10 anos só por si já pesa e alimenta a chama tunante, mas para mim foi muito mais que isso... em 10 anos eu não vivi apenas as vitórias e derrotas de uma Tuna, eu não defendi apenas um lema e uma Instituição... em 10 anos eu entrei na vida de cada um deste grupo e permiti que eles tivessem impacto na minha... em 10 anos assisti a percursos académicos começarem e acabarem, vi lágrimas de saudade, despedidas. Em 10 anos conheci pessoas que não só geriam tudo isto com estudos como ainda o souberam fazer com a vida profissional. Como eles, também para mim isto era um refúgio de tudo o resto.


Em 10 anos eu vi pessoas partirem, vi pessoas virarem costas, assisti à chegada de outros com aquela chama por atear. Aqui, vi famílias começarem, pequenos rebentos a surgirem. O tempo passou e então comecei a ver pessoas que já não ficavam a ensaiar em grupos num auditório e agora abriam as portas das suas casas para um convívio a outro nível. Estas são pessoas que não só tive como exemplo enquanto tunante mas também a nível pessoal e profissional.
Hoje alguém me disse que esse foi o meu maior feito como Magister desta Tuna... a União.
Acho que em parte foi sempre isso que procurei desde início... em 10 anos eu tive num grupo que aprendeu a aceitar-me e a respeitar-me exatamente como eu era, e embora essa aceitação abranja campos que não precisasse de ter mencionado, direta ou indiretamente todos estiveram sempre lá para mim, embora algumas coisas fossem um pouco "raras" nos padrões tunantes até então.
Foi todo este "sentimento" que tornou a minha partida mais difícil, mas o mesmo sentimento faz-me voltar todas as vezes que me é possível para mais uma vez estar convosco, conviver, cantar, trajar e esquecer tudo o resto.

Hoje, perante esta passagem, este meu sentimento saberia exatamente o que dizer, mas neste momento ele não consegue dizer mais... ele diz-me apenas para "sentir o momento". Dito isto, é uma honra aceitar ser vosso "Tuno Honorário" e é no meu sentimento que reside todo o meu agradecimento. Para mim este momento teria de ser vivenciado com todos aqueles que moldaram o Tuno que fui e sou e o Tuno que não quis ser, mas fez todo o sentido de viver este momento com os primeiros e últimos Tunos que aqui conheci. É uma honra e sinto-me lisonjeado de saber que foi algo decidido por vós e é uma honra ter sido passado por um Magister que vi começar na Tuna.
É uma honra e ao mesmo tempo alarmante de pertencer a este grupo de Honorários, sendo eu o mais novo e onde todos me praxaram e viram começar. É uma honra de pertencer a um grupo onde também se encontram a minha Madrinha de Tuna e o seu Padrinho, se ela já estava orgulhosa de eu ter sido Magister espero que o continue. E por fim não poderia deixar de mencionar o prazer de ter sido Honorário na mesma fornada com alguém super importante para mim e que foi um dos meus pilares enquanto tunante!
Da minha parte será "Uma Vez Tunabebes Sempre Tunabebes" enquanto a alma o permitir (e as larguras do Traje claro ...). Até Já!

'
Ricardo Ruaz
Honorário Tunae

Carta à Avó

Evoluir, crescer, tornar-me melhor e maior, não aos olhos dos outros, mas aos meus próprios olhos, foi esse o projecto quando saí do Alentejo há alguns anos atrás e hoje, não posso estar mais contente pela pessoa que sou.
Tornei-me num ser em tudo diferente daquele que antes corria pela aldeia sem horas para nada, dias enormes passados entre amigos ou com a minha Avó que como uma mãe de tempos que não eram os meus, me transmitia valores que me moldavam e me faziam passar o meu tempo das formas mais impensáveis para alguém da minha idade.
Na aldeia tudo era simples, a família era unida e eu andava de casa em casa, só porque sim. Na rua todos se conheciam... pelo menos todos me conheciam. Na minha família sempre houveram planos e padrões a obedecer para não sair das normas... tens de estudar, tens de ter boas notas, tens de ter um bom emprego, pelo menos um bem visto pelos outros - pensavam eles; aos dezoito anos tens de pensar na carta de condução; deverias ir à Tropa que faz de ti um Homem; temos de conhecer as tuas namoradas; tens de casar algures depois dos estudos, pelo menos depois dos teus familiares mais velhos e antes dos mais novos. E quando isto não acontecia havia sempre forma de te fazerem sentir da pior forma possível.
Eu ... adoraria ter feito isto tudo para que se orgulhassem de mim, mas o turbilhão no meu cérebro exigia que eu fosse muito aquém desta rotina de vida.
Mudar a sociedade ou valores requer uma força e tempo que nunca quis ter, não sou um ativista, e à medida que fui crescendo e percebendo o quão diferente eu era, foram sendo cada vez menos as vezes em que aceitava adaptar-me e ser alguém que não era, apenas para que não houvessem conflitos de ideias. Nunca quis argumentar de forma a que me compreendessem e aceitassem. Calava-me e virava costas, e preferia acreditar que as pessoas conseguiriam concluir algo um dia e talvez chegar a um consenso ou abrir de olhos para a vida.
Eu segui. Já não volto à aldeia, é muito doloroso ter de caminhar de cabeça baixa pelas ruas onde antes eu corria livre, ainda que com a mesma cabeça baixa e anos mais tarde ainda hajam aldeões que me reconheçam e chamem pelo meu nome.
Nesta aldeia de hoje, o tempo continua a passar lentamente e aquele rapaz que antes tinha mil e uma formas de se ocupar, hoje não sabe o que aqui fazer longe de modernices e tecnologias.
De vez em quando ele ainda recorda os velhos amigos, ou pelo menos, aqueles que considerou como tal, e magoa, não sei o que a vida lhes reservou. A partir do momento em que para eles era embaraçoso ter um amigo como eu, eu próprio decidi caminhar noutra direção. Revoltava-me ter de explicar a minha forma de agir ou ser, ou até mesmo uma sexualidade que com aquela idade eu desconhecia.
Na aldeia, tudo continua simples, a família já não se encontra unida pois hoje apenas existe entre eles um jogo de superioridades e bens materiais que nada me diz.
Hoje, tenho de voltar à aldeia, esta minha mãe de outros tempos - a minha avó, que o tempo não quer envelhecer, ainda se encontra na mesma rotina.
Por ela, inspiro e encho-me de paciência para suportar estes ares (e os 40 graus alentejanos). Para ela ainda tenho de ser aquele rapaz com planos futuros e mais objetivos para dar como desculpa de não ser alguém realizado com 28 anos (isto aos olhos dela); e para não ter de abordar assuntos muito evoluídos e aguçados para a sua empoeirada mentalidade, apenas finjo.
Gostaria de dizer-lhe que cresci, que sou uma pessoa intelectualmente estável, amadurecido pelas minhas experiências de vida; talvez duro de mais para a minha idade. Dizer-lhe que estudei, apesar de nunca ter sido o melhor e ter concluído todos os meus estudos embora lentamente. Que tenho um bom salário embora não exerça nada para o qual tenha estudado, mas estou feliz. Dizer-lhe que sim, consegui a carta de condução aos 18 anos como previsto, ainda que odeie conduzir e não planeie comprar carro ainda. Que agradeci aos céus não ter sido obrigado a ir à Tropa pois a minha alma já estava suficientemente quebrada pela sociedade.
Dizer-lhe que nunca lhe apresentei namoradas, mas houveram namorados que talvez tivessem adorado tê-la conhecido... e tê-la chamado de avó. E por fim, dizer-lhe que ainda não casei por ser exigente de mais com o que quero... talvez por todos os valores que me incutiram eu tenha de ser alguém forte e independente a todos os níveis... talvez porque eu tenha aprendido à força que tenho de sobreviver por mim mesmo... ou talvez pela rigidez de tais valores eu hoje não saiba como fazê-lo com alguém.
Hoje, não bastasse a batalha de línguas que tenho no meu cérebro, e me esgota quando tento ter uma conversa normal, também tenho de batalhar para me relembrar do que significam as tuas expressões alentejanas (como há pouco quando me queixava do calor e me dizias para abrir o "bestigo"). Mas é assim que eu tenho de aguentar... aos teus olhos posso não ter ido muito longe, para ti, tal como para muitos, emigrar é uma forma de sobreviver ou salvar o que ficou em Portugal, mas a realidade é que para alguns é uma mera opção, um recomeço quando mais nada há para lutar.
A prova, é que fui para longe, cresci, até eu envelheci, vejo-o nas minhas mãos, nos meus olhos, na minha mente e alma, e a prova é que aqui volto... Olho-me ao espelho e volto a ser "aquele", opto por tocar em feridas saradas pelo tempo e pego nas máscaras esquecidas que outrora tanto usei, isto para passar mais um momento contigo.
E sabes... ao olhar-me no espelho não posso deixar de reparar que tenho algumas das tuas expressões corporais e faciais... mas o sorriso ... sim o sorriso... é igualzinho ao teu! 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Rebelde

Eu vivi a minha vida como um masoquista
Ouvindo o meu pai dizer "é assim, é assim"
"Porque não és como os outros rapazes?"
Pensei: "Oh não, esse não sou eu e acho que nunca serei"

Pensei pertencer a uma tribo diferente
Caminhando sozinho
Nunca satisfeito, insatisfeito
Quis integrar-me, mas não era eu
Pensei: "Oh não, eu quero mais, não é isto que eu procuro"

Então escolhi o caminho menos percorrido
E quase não o acabei com vida
Através das trevas de alguma forma sobrevivi
Duro amor ... soube-o desde início
Bem no fundo das cláusulas do meu coração rebelde.

Passei algum tempo como narcisista
Ouvindo os outros dizerem "olha pr'a ti, quem és tu?!"
Tentando ser provocador
Pensei: "Oh sim, este sou eu
As coisas que fiz só para ser visto"

Ultrapassei o meu passado
E camuflei a minha pele
Deixando-me ir, comecei de novo
Nunca olhei para trás
Perda de tempo... pensei: "Oh sim, é quem tenho de ser"
"E estou exactamente onde eu quero estar"
Pensei: "Sim, este sou eu"
"Exactamente onde devo estar".

I Lived

"Hope when you take that jump
You don't feel the fall

Hope when the water rises
You built a wall

Hope when the crowd screams out
They're screaming your name

Hope if everybody runs
You choose to stay

I hope that you fall in love
And it hurts so bad

The only way you can know
You give it all you had

And I hope that you don't suffer
But take the pain

Hope when the moment comes
You'll say
I did it all

I owned every second that this world could give
I saw so many places, the things that I did
Yeah with every broken bone
I swear I lived

Hope that you spend your days
But they all add up

And when that sun goes down
Hope you raise your cup

I wish that I could witness
All your joy and all your pain

But until my moment comes
I'll say
I did it all

With every broken bone
I lived... "

One Republic *

Desta vez...

Estas paredes e estas ruas
Reflectem cada memória
Este corredor que percorri milhentas vezes
Namoros, desilusões, os meus amigos, tudo aparece
Eu olho para tudo o que fui
E para tudo o que alguma vez amei
E consigo ver o quanto cresci
E ainda que ao espelho não se veja
Está claro para mim, e eu sinto-o
Consigo seguir o meu caminho
Não tenho medo de seguir em frente
Só que é tão difícil dizer Adeus ao que eu sei, eu sei ...
Desta vez ninguém dirá Adeus
Eu vou mantê-los no meu coração
Desta vez eu sei que nunca acabará
Não importa que ou o que sou
Eu irei aguentar de onde todos começamos
Desta vez o que tivemos guardarei para sempre
Estes velhos lugares
Onde cada feição é uma parte de mim
E eu jogava outro jogo na altura
Na altura eles chamavam-me um nome diferente
Eu penso em tudo o que fiz e no quanto eu desejo ter sabido o que sei hoje
O quão longe eu fui e os passos que acertei
Que quando estava procurando o meu foco
Estava a tentar encontrar-me a mim próprio
Ultrapassei os meus medos
Mostrei-lhes de que material eu era feito
Mais do que interior ou imagem
E com todas aquelas lutas que com vocês perdi podendo ter ganho
Cantamos promessas de um dia voltar a terras de rio e mar
Agora estou a olhar desta falésia
Não sei o quão longe eu irei
Inspiro e fecho os olhos
Uma qualquer voz há-de guiar-me
Desta vez sei que nunca acabará...
Desta vez eu aguento para sempre!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Renascer

Já alguma vez acordaste
E tudo estava ao contrário?
A sentir que estavas perdido
Que ninguém estava ao teu lado?

Aquela fraqueza
Difícil de aguentar...
Não consigo entender
Não sei que dizer
Como posso eu lutar!?

Eu sei que é difícil
Mas eu sei que tu consegues
Porque eu sei que conseguimos

E vamos... Renascer!
Somos jovens sonhadores a voar
Quando o mundo não acredita em nós
Renascemos destas cinzas
A vida passa acredita
Nesta voz

É duro tentar manter-te acordado
Quando caminhas com a dor.
Sem ter ninguém a teu lado
Que te lembre o teu valor.

É fácil desistir
E não podes ceder
Pois eu vou-te lembrar
Eu vou-te agarrar
E esta luta vais vencer

E mesmo quando o tempo é nublado
E te impede de avançar
E tu és estúpido o suficiente
Para tentar arriscar

Ficas congelado
Sem poder falar (Sem poder falar...)
Não quero pensar...

(Pensar que estás aqui bem perto de mim...)
Eu sei que é difícil
Mas eu sei que tu consegues
Porque eu sei que conseguimos
E vamos ... Renascer!

(Renascer)
Renascemos destas cinzas (cinzas)
A vida passa acredita nesta voz!

Tu e eu vamos Renascer!!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Joan of Arc

" I don't wanna talk about it right now
Just hold me when I cry my eyes out
I'm not Joan of Arc
Not yet
But I'm in the dark
...

I can't be a superhero right now
Even hearts made out of steel can break down
I'm not Joan of Arc
Not yet
I'm only human

(...)

I'll just close my eyes and let you catch me now

(...) "

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

It's Okay *

Hoje estou em modo triste e de quem não se importa mais com os outros ... estou com vontade de gritar as minhas vontades ao mundo e de me fazer ouvir, de me tornar visível aos outros... Estou cansado .... estou talvez no maior desafio a nível interior/exterior que alguma vez me meti na minha vida ... e o pior disso tudo é que estou nisto sozinho! Ou pelo menos sigo sozinho e sei com quem posso contar para me dar força mesmo se desta vez eu escolha não falar com ninguém ...
It's Okay ... eu estou habituado a estar sozinho de qualquer forma, não tenho muito na rotina em que estou a não ser planos que faça e depois ir trabalhar, além destes dois, o pouco tempo que tenho serve para procurar trabalho e enviar currículos ... mas não estou muito virado para esse terceiro ponto, na verdade ... it's okay se eu não encontrar trabalho ...pelo menos it's okay por agora ... quero ficar até fim de Agosto no trabalho onde estou para tentar pedir um empréstimo para uma casa em Portugal e começar a pagar a minha própria casa, quero conseguir isso, é um objectivo que tenho ... neste momento procuro trabalho sim, se não procurar quando sair deste trabalho e não tiver prova de que procurei algo desde que fui avisado que o meu local de trabalho iria fechar, eu serei penalizado de dois meses sem receber o desemprego ... mas it's okay ... de qualquer forma eu nem poderei usufruir do meu desemprego, tenho obrigatoriamente de encontrar trabalho ou ir embora daqui, pois alguns meses depois de estar desempregado, o meu Permi de estadia aqui termina a data e apenas é renovado se eu tiver um contrato de trabalho, caso contrário ficarei clandestino e isso eu não quero mais. 
Mas it's okay ... sair daqui já é uma possibilidade mais forte do que nunca... mas não descarto a ideia de ficar aqui se conseguir trabalho e o empréstimo para comprar a minha casa ... ir para Paris ou voltar para Portugal também vão estar fortemente em jogo.... qualquer um está Okay porque eu quero uma nova aventura e quero dar um passo inteligente na minha vida... Estou em fase de mudança e preciso de um passo de gigante agora, quero entrar em grande na casa dos Trinta! Meu Deus ... trinta anos daqui a 2 anos ... tanto mudou e tanto ainda para acontecer ...mas it's Okay...
Quero que esta fase seja de realização pessoal mas ao nível interior e exterior e não de um ponto da minha carreira ou familiar, estou a focar-me em mim como nunca fiz e quero uma mudança radical ...e para isso tive de me abstrair de todos, boas e más influências, quero lá chegar por minha força e garra. Mas it's okay... foi o que fiz em grande parte da minha vida.
O coração esse não o tenho escutado muito ... está em modo automático ... não tenho mais foco nem força para em magoar, já chorei de mais para uma vida só ... não sei onde mais tenho ponto para desiludir ... não sei em quem mais acreditar ... não sei se quero agradar a alguém ou se alguém quererá agradar-me... o jogo sentimental é tão difícil e eu já perdi tanto ... mas it's okay... eu já me habituei a desistir e a não conseguir agradar os outros ...por isso desta vez criei o meu jogo e decidi que este foco em mim terá como objectivo conseguir agradar-me a mim próprio ... algo que eu nunca tive muito - amor próprio. 
Há dias tão duros...  tenho maus vícios, tenho fraquezas... mas não posso ceder... o cérebro , a auto-estima, a paciência, o cansaço têm sido peças duras neste caminho e tem sido um percurso árduo de conseguir ultrapassar.... mas it's okay... um dia vais olhar para mim e ver que eu consigo ser tão bonito por fora quanto sou por dentro ... um dia vais ver alguém andar de mão dada comigo e a querer mimar-me, agradar-me, fazer sentir-me desejado e vais lembrar-me que um dia foi a ti que eu desejei, que devias ter sabido olhar para além dos meus traços cansados do tempo e que eu próprio nunca consegui combater.
Mas it's okay... sabes ... a pessoa que irás ver daqui a uns tempos será uma pessoa nova e aquela que conhecias não existirá mais ... sabes ... aquele rapaz frágil criado pela avó na aldeia e que sonhava todos os dias foi aniquilado pelo rapaz que perdeu os amigos quando os pais se separaram e teve de mudar de escola e de cidade, este por sua vez foi aniquilado pelo rapaz que engordou drasticamente em três meses e foi viver com uma mãe de pouco mais de trinta anos que pouco sabia da vida de estudante, este rapaz aqui sim foi torturado vezes e vezes sem conta antes de lhe darem um fim, foi humilhado, espezinhado, empurrado, reduzido a nada pelas pessoas daquela escola, rapaz que engordou, era excluído e que pouco sabia de sexualidades diferentes, onde a pouca força que lhe restava era focada em estudar para poder sair rapidamente daquele mundo. Este rapaz foi finalmente abatido por um outro mais frio que quis focar-se em si e tornar-se mais matulão, transformou-se em alguém frio, rígido e sério para se proteger contra os mais fortes e se misturar com os populares, um que conseguiu ir para escolas mais duras onde os mais incompetentes não ousariam ir, esse sim era forte, mas ainda assim quebrado por dentro, incompleto, solitário e no entanto fraco contra desejos alheios, caminhos escuros esses que o levaram a descobrir já para o fim da sua vida aquilo a que chamavam de homossexualidade, palavra ligeira para suavizar todas as outras que magoavam no seu vocabulário. 
Foi uma grande conquista e este rapaz dividiu-se em dois, aquele que sabia apreciar que tinha coração bom e quem se queria aproveitar de quem estava em seu redor e ja para o fim da vida sacrificou a sua parte mais fria e deixou sobressair o seu lado bom e virar costas a tudo o resto. Este meio-rapaz quis viajar para longe, explorar um novo mundo, ver o mar, pensou que turismo era a sua onda, visto a sua auto-estima de várias gerações não lhe permitir seguir sonhos mais arriscados. Este meio-rapaz estava sozinho e sujeito ao que poderia vir, mas não estava feliz ,era fraco e sentia-se muitas vezes dividido entre o conforto da família e a liberdade que o assustava e então tomou a decisão importante, ele sabia que havia vida depois da morte então decidiu sacrificar isso tudo, apagar as suas origens, despegar-se da família, esquecer as fraquezas dos seus antepassados e recomeçar de novo e assim foi. Este novo rapaz que renasceu ... este sim soube aproveitar ... viveu, reviveu, emoções que os outros nunca tinha conhecido, a visão do mundo e das experiências que se podia viver foi alargada a níveis impensáveis e no seu sonho isto nunca acabaria, ingénuo... mal sabia ele que este sonho não só acabaria dentro de alguns anos como o sonhador esqueceu-se de proteger o seu coração contra pessoas alheias, não só o sonho acabou como ao mesmo tempo viu-se com o seu coração quebrado em partes impensáveis, partes que nem mesmo as experiências dos antepassados tinham conseguido chegar a esses bocados. Ele estava fraco, perdido, desorientado e não havia solução .. então decidiu pedir ajuda aos seus antepassados ... decidiu então chamar o espírito daquele meio-rapaz que ainda tinha sentimentos pela família e que era fraco ao mesmo tempo e assim, fraco e quebrado ele regressou ao seio da família. Mas a escuridão era imensa e ele frágil de mais para aguentar tudo isso, talvez fosse tempo de medidas extremas ... pedir ajuda ao seu antepassado que era mais frio e rígido e capaz de tomar medidas mais extremas para atingir os fins e com a ajuda desse ele batalhou para apagar os seus sonhos, batalhou para colar os pedaços do seu coração e conseguiu colocar o pouco que lhe era importante dentro de uma mala de viagem e partiu. Hoje, esse rapaz possui caracteristicas desses dois antepassados a quem pediu ajuda, e com eles segue a sua rotina, frio e forte para seguir a vida e fragil e sensível aos seus problemas e familiares, este foi o rapaz que conheceste ... este foi o rapaz que deixaste assim ...em alerta, pensando no significado de tudo ...este rapaz acha que está na hora de partir e deixar um novo ser tomar conta de sim ... mas tem medo do que possa tomar lugar ... tem medo de ser alguém fraco e de quem não se orgulhe, medo que seja alguém incapaz de seguir sonhos ou objectivos ... mas ele tem de arriscar... ele quer que este rapaz seja aquele que vai dar sentido a todas as outras encarnações ..alguém de quem tu olhes e pares ... mas it's okay... pois se parares ...ele vai continuar ...pois ele será superior a ti ... e tu terás sido uma passagem numa outra vida passada....

sábado, 31 de janeiro de 2015

Seguir **

Por vezes dou comigo a pensar como é que eu me sinto confortável nos lugares mais solitários, frios, imensos. Quem poderia escolher, solidão, frio e imensidão, o desconhecido como lugar para construir uma rotina?!
Eu considero-me um constante insatisfeito, a vida ensinou-me que se não estás contente com o que tens ou com a tua realidade então vive o momento em que estás e em seguida prepara-te para saltar e pensa um pouco em ti.

Hoje eu sou como esses lugares, frio, solitário e poucos me conhecem pois tenho em mim uma imensidão de personalidades que tive de criar para sobreviver aos mais variados cenários. Como sobrevivo? Bem... não gosto de dizer que é pela educação que tive pois eu considero que construí a minha base retirando exemplos de várias pessoas diferentes e construí quem sou a partir daí; mas posso dizer que de onde eu venho sobrevive-se com pouco, as pessoas são humildes e as socializações fazem-se cara a cara. Então é esse o meu equilíbrio, metade das minhas personagens possuem as minhas raízes que não esqueço e o fogo que preciso para querer mais e melhor para mim; enquanto a outra metade de mim possuí a bagagem de cada aventura que passei e me fazem seguir sem olhar para trás.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Some more nostalgia ...

Hoje acordei um pouco nostálgico, uma das consequências de quando me levanto cedo. Hoje estou com uma vontade enorme de escrever, estou cansado e triste. Mas hoje em especial... não me sinto desejado ... acho que é uma sensação nova para mim; não é o facto de estar sozinho ou de alguém não se sentir atraído por mim e não querer nada comigo; é o facto de estar com alguém e sentir essa pessoa fria e distante, sem sentir desejo de se aproximar de mim, de me tocar e me beijar, de fazer amor comigo...
Estes últimos dias tenho estado com este rapaz ... lindo, sexy, brasileiro, carinhoso, simpático, já o conheço há dez anos mas esta é a primeira vez que passamos algum tempo juntos, um mês, e eu proporcionei-nos este momento juntos, acho que mereço, acho que já há imenso tempo estou sozinho e a precisar de uma aventura deste teor... sempre houve aquela química entre nós, aquele desejo, aquelas palavras carinhosas, aquele afeto, mas agora que estamos juntos sinto que isso está a perder-se a alta velocidade e ainda temos uma enorme aventura pela frente nestes dias juntos.
É verdade que há muito que a minha auto-estima estava por terra, deixei de cuidar de mim porque simplesmente não tinha ninguém para gostar de mim e eu próprio nunca o fiz... acomodei-me e o passar do tempo fez-se "soft" e conformar comigo e com o meu corpo e defeitos. Mas pela primeira vez este frio e distância entre alguém e eu... fez-me acreditar que sou repugnante, feio e indesejável... e fez-me querer mudar ... acho que é o que vou fazer quando ele for embora ... seis meses de treino intenso ... mudança de estilo ... de hábitos, mudar-me e criar um novo "eu"... eu preciso reinventar-me por mim, não pelos outros, quero gostar de mim...
Tenho pena de isto não estar a dar resultado com ele... sinto-me bem com ele, faz-me rir e dá-me segurança, até a minha família gosta dele, o que me deixa nervoso... pode ser que isto mude agora que vamos viajar um pouco ... cansado ... !
( tinha rascunhado isto antes do anterior post...)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Yet ..another winter love ...

Preciso de escrever … escrever sempre foi para mim não só uma forma de ordenar os meus pensamentos mas também de gravar aquilo que a minha voz não consegue falar ao vento. Devido aos últimos acontecimentos não tenho conseguido exprimir o que sinto pois estou num turbilhão de sensações  ...
Sinto que estou a apagar-me ... sinto-me escondido e pior sinto necessidade de me esconder, mas eu não quero esconder-me ... eu quero ser visto, eu quero que tu me vejas, eu quero ser alguém importante aos teus olhos, quero que gostes de mim como eu sou e pelo que sou ... mas como o poderás fazer se eu próprio não o faço? Como pode haver interesse por alguém sem amor próprio ... mas eu quero gostar de mim, eu quero mudar para alguém que consiga olhar-se no espelho e pelo menos contentar-se com o que vê ... com um mínimo de confiança para saber jogar com uma auto-estima razoável e ir à luta... quero lutar por ti ou por alguém com quem me sinta bem... Eu vou fazê-lo.
Tu fizeste-me acordar ... fizeste-me entender que era possível alcançar o que desejamos. Eu estava adormecido nesta rotina sem fogo, conformado com o que tinha e paciente para alcançar objectivos que já nem sei se são os meus. Eu esqueço-me que as pessoas crescem e os objectivos mudam, alguns podem retomar-se anos mais tarde, outros devem ser esquecidos, e a maioria são completamente renovados por outros novos.
Palavras não seriam suficientes para descrever o que me deste nestes últimos dias, trouxeste-me de volta à vida, fizeste-me sentir de novo, um coração que eu julgava quebrado e gelado, e no fim estava apenas em negação ou com medo de reagir. Não posso comandar o tempo, então não posso reviver estes momentos vezes e vezes sem conta... se pudesse, estaria batendo o pé no trabalho a contar os minutos para chegar em casa e saber que lá estarias à minha espera, chegando a casa um beijo me aguardaria ... talvez uma carícia se assim o entendesses. Se eu pudesse retomaria os momentos em que dormias e eu te observava ou colocaria a minha mão em cima da tua barriga e sentiria a tua respiração, ou apenas me abraçaria a ti ou te daria a minha mão e assim ficava por horas nocturnas sem fim.
Reviveria a noite em que consegui quebrar barreiras e se entregamos um ao outro e todos os beijos e abraços que não consigo esquecer e que marcaram cada rua, ponte, monumento, hotel, cama pelos quais passamos durante estes dias.
Acordas-te-me e eu continuei consciente que apenas estavamos a viver “momentos”,  continuei consciente que todo aquele sonho acabaria e eu teria de aproveitar o máximo possível. Fizeste-me sentir desejado e ao mesmo tempo mantiveste-me afastado para eu não soltar os meus sentimentos mais fortes e eu consegui fazê-lo.
Hoje, 2 dias depois de teres ido embora ... penso em ti ... talvez em quase todas as horas... em algumas eu choro ... em outras confesso que ainda sinto o teu cheiro na minha almofada, roupa de cama, ou casacos que te emprestei ... e afasto-me para as lagrimas cairem ... anseio pelo próximo dia em que lavarei a roupa para estas memórias não doerem.
Sou forçado a pensar em ti pois amigos e familiares viram os imensos momentos em queos meus olhos brilhavam a teu lado ... ficaram contentes por mim ... e insistem em querer saber da nossa historia ... e eu nada falo ... para que não sintam pena de mim ... e apenas sorrio fingindo a timidez ... e penso ... eu estou bem e vou ficar bem.
Não te sintas culpado ou arrependido pelo que eu sinto agora, eu sinto falta dos momentos contigo, mas fomos super bem comportados e agimos bem para não envolvermos sentimentos, e eu também consegui fazê-lo. Mas as sensações que eu tive contigo e nos nossos momentos, o prazer que eu tive em ver quando familiares meus nos observavam ... isso é indiscritivel e não tem preço ...e isso sim está a fazer-me falta.
Tive tanto prazer em vivenciar novas experiências contigo e ver o teu olhar virgem em cada uma delas, os teus olhos brilharam imensas vezes e esse brilho está bem gravado na minha memória ... e é com esse brilho que ficarei e lembrarei na nossa história.

Eu posso conter a minha respiração ... posso morder a língua ... e posso fingir que tudo está bem e nada aconteceu durante dias ... eu posso forçar um sorriso ou fazer uma gargalhada mas eu sou apenas um humano ... eu posso sangrar se cair.... eu sofro e eu quebro-me ... há memórias que são facas no coração de tão boas que são ...  mas ... eu vou ligar-me e ser uma boa máquina ... !

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Contagem decrescente !

Com o avançar do tempo não posso deixar de me inquietar com o meu futuro, tantos planos e pouco tempo para me preparar.
O meu plano era ficar na Suíça o tempo suficiente para pagar a totalidade de uma casa em Portugal e voltar para o meu país, trabalhar em algo estável que me agradasse na minha área até ao fim dos meus dias. Com a casa já paga mesmo que o salário fosse pouco, isso chegaria para uma rotina satisfatória. Mas um ano é um prazo muito curto para ter esse dinheiro e eu não quero prolongar o meu tempo na Suíça procurando outro trabalho.
Ainda que haja essa hipótese de continuar em outra coisa e economizar o que me falta para uma casa, tenho de enviesar outra coisa.
Paris continua uma hipótese, mas ir para lá é aceitar outra rotina e não comprar casa; viver numa rotina que me agrada, talvez com um trabalho que me agrade mas sem conseguir prever o meu fim. Ir para Paris é aproveitar este ano para estudar a história e as cinco línguas que tenho e conseguir um diploma de cada uma para que isso me abra algumas portas.
Voltar para Portugal também é uma hipótese, mas quero um emprego estável onde não trabalhe apenas no verão, ir para lá é desistir de comprar uma casa e investir num carro. Ao contrário de Paris onde me orientaria com transportes públicos, em Portugal estaria dependente do meu carro. Claro que a ideia de voltar à normalidade me agrada, a ideia de descer o nível para a nossa naturalidade e simplicidade portuguesas. Mas confesso que ordenar essas ideias na minha cabeça me assusta tremendamente pois sinto-me desprotegido com a sensação de que dependerei de alguém e ajudas, talvez porque uma grande parte da minha vida em Portugal tenha sido vivida dessa maneira. 
Tenho pouco tempo e sempre ponderei que os últimos tempos na Suíça seriam passados a colocar o meu corpo em forma num ponto que me orgulhasse, por isso... acho que tenho de começar já... entretanto convém começar a estudar e pedir os exames para os diplomas das línguas... Paris, Portugal, ou seja onde for, eles vão ser necessários! Já são dois projetos a começar - Já!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

2014 *

Mais um … este é o quarto ano que me encontro longe do meu país. Este era o tempo limite que a início tinha delineado para estar longe de casa ... ingénuo! Casa ... dizem que ela é onde o teu coração está ... o coração?! ... esse eu tive de guardar e deixar de ouví-lo para tornar estes quatro anos mais suportáveis. A meio do percurso comecei a acreditar que tão cedo não voltaria para Portugal. Comecei a não economizar tanto e a gastar um pouco comigo e em viagens. Aqui, finalmente redescobri o motivo pelo qual estudei Turismo e isso ajudou-me a aceitar o facto de não estar a trabalhar na área para a qual estudei.
Viajar abriu-me os olhos para outro mundo e não só tornou as minhas ambições mais exigentes como também me fez acrescentar uma série de pontos à minha “to do list”. Ainda assim ... aqui continuo ... vejo o futuro com outros olhos agora. Este foi um ano em que aprendi a não planear nada e a aproveitar a vida de uma forma inteligente com o pouco que tenho. Não me conformei em estar na Suíça... nunca o farei... apenas me tornei mais paciente e decidi aproveitar o percurso em que estou até chegar ao destino.
Como me tornei paciente?! ... Bem... descobri que afinal “depressões” existem e podem acontecer até a quem não acredita nelas e foi preciso cair lá bem no fundo para entender que certas coisas e pessoas não merecem tanta energia da minha parte.
Este ano decidi tornar-me mais receptivo a amizades e deixar que algumas me conheçam melhor e assim derreter um pouco do meu “gelo” como lhe chamam – Erro! Entrarmos e partilharmos momentos é uma coisa mas  quando se trata de tomar os problemas dos outros como nossos envolve muitos dissabores... no thanks! Na vida somos a nossa melhor arma e também a nossa melhor defesa, temos de saber usar ambas para vencer!
Hoje eu prefiro ser aquele que dá conselhos, ajuda q.b., sem dar segundas oportunidades ... Detecto a falsidade e o cinismo a milhas e quando sinto que não gostam de mim ou são más influências eu próprio me afasto automaticamente, sejam amigos ou familiares... Acreditem ou não, as más energias dos outros podem sugar a vossa determinação e dedicação. Mas não pensem que a falsidade, cinismo ou más energias foram os meus piores obstáculos... O maior número de pessoas excluídas da minha vida este ano deveu-se à pequena mentalidade que tinham. Por isso posso dizer que me orgulho bastante de ver o quanto a mentalidade dos meus pais evoluiu nestes tempos e do que melhorou nas nossas vidas graças à nova visão que eles ganharam.
Nem tudo foi luta ... descobri que fazem óptimos waffles em Bruxelas e que me é impossível experimentar todos os tipos de cerveja que lá existem, num curto espaço de tempo. Que Roma não se deve visitar no verão e tem a melhor gastronomia no mundo – a seguir à portuguesa claro. Descobri que não podemos experimentar tudo o que temos curiosidade de experimentar em Amesterdão... e que Berlim tem conforto suficiente para umas grandes férias e a preços acessíveis, ainda que não saiba de onde vem aquele urso! Lyon não deve ser visitada a pé... a não ser que sejas peregrino e Paris nunca perderá o encanto, não importa o número de vezes que a visites.
Este ano descobri que é possível encerrar com velhas tradições e fechar os meus velhos trajes no baú definitivamente, aceitar que todos os meus amigos seguiram as suas vidas e que cada um tem um papel diferente do papel que tinhamos em conjunto; isso mostrou-me outros níveis de amizade que desconhecia até então. Afinal de contas ... não é fácil ter-me como amigo ... e até já estou a acostumar-me a ser o único solteiro nos casamentos e a embebedar-me como se tivesse 20 anos!!
Este ano aceitei os meus velhos amigos em novas amizades e com isso veio um certo perdão pelo Alentejo e o que lá ficou no passado. O que lá reencontrei este ano, as amizades, as boas memórias, fizeram amenizar tudo o resto.
Foi um ano de novas tattoos... dor ... passemos à frente ... novos amores ... esqueçamos lá isso ...!
Enfim... dou valor à minha privacidasde e por mais que eu fale ou tu perguntes gosto de saber que ninguém sabe um terço da minha história, pois não há uma só pessoas que me tenha acompanhado em todas as fases da minha vida...e isso faz-me pensar às vezes.
2015 ... vou continuar com a minha busca... acho que continuarei a ser narcisista por mais uns tempos... quero viajar mais ... quero esforçar-me, quero ser o melhor exemplo para os meus irmãos e dar-lhes a liberdade de serem quem quiserem ser na vida!
Acredito que seja outro nível de êxtase casar e ter filhos aos 28 anos ou já o ser e ter com essa idade ...que parte do salário já se dirija para outros pontos como casa ou carro e que tenha de esperar as economias atingirem um certo ponto para ir de férias ... eu invejo-os ... saudavelmente... por terem os pés acentes e estabilidade... a sério! ... e também invejo aqueles que são livres e se perdem em festas e bebida ...acontece que... esse não sou eu ... quando naqueles casamentos eu sou o único solteiro da mesa e falamos sobre a vida ...  eu sei que sou o Outsider e sê-lo-ei sempre ..e eu ... gosto disso!

Este foi o ano em que me encontrei ...!