sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

2014 *

Mais um … este é o quarto ano que me encontro longe do meu país. Este era o tempo limite que a início tinha delineado para estar longe de casa ... ingénuo! Casa ... dizem que ela é onde o teu coração está ... o coração?! ... esse eu tive de guardar e deixar de ouví-lo para tornar estes quatro anos mais suportáveis. A meio do percurso comecei a acreditar que tão cedo não voltaria para Portugal. Comecei a não economizar tanto e a gastar um pouco comigo e em viagens. Aqui, finalmente redescobri o motivo pelo qual estudei Turismo e isso ajudou-me a aceitar o facto de não estar a trabalhar na área para a qual estudei.
Viajar abriu-me os olhos para outro mundo e não só tornou as minhas ambições mais exigentes como também me fez acrescentar uma série de pontos à minha “to do list”. Ainda assim ... aqui continuo ... vejo o futuro com outros olhos agora. Este foi um ano em que aprendi a não planear nada e a aproveitar a vida de uma forma inteligente com o pouco que tenho. Não me conformei em estar na Suíça... nunca o farei... apenas me tornei mais paciente e decidi aproveitar o percurso em que estou até chegar ao destino.
Como me tornei paciente?! ... Bem... descobri que afinal “depressões” existem e podem acontecer até a quem não acredita nelas e foi preciso cair lá bem no fundo para entender que certas coisas e pessoas não merecem tanta energia da minha parte.
Este ano decidi tornar-me mais receptivo a amizades e deixar que algumas me conheçam melhor e assim derreter um pouco do meu “gelo” como lhe chamam – Erro! Entrarmos e partilharmos momentos é uma coisa mas  quando se trata de tomar os problemas dos outros como nossos envolve muitos dissabores... no thanks! Na vida somos a nossa melhor arma e também a nossa melhor defesa, temos de saber usar ambas para vencer!
Hoje eu prefiro ser aquele que dá conselhos, ajuda q.b., sem dar segundas oportunidades ... Detecto a falsidade e o cinismo a milhas e quando sinto que não gostam de mim ou são más influências eu próprio me afasto automaticamente, sejam amigos ou familiares... Acreditem ou não, as más energias dos outros podem sugar a vossa determinação e dedicação. Mas não pensem que a falsidade, cinismo ou más energias foram os meus piores obstáculos... O maior número de pessoas excluídas da minha vida este ano deveu-se à pequena mentalidade que tinham. Por isso posso dizer que me orgulho bastante de ver o quanto a mentalidade dos meus pais evoluiu nestes tempos e do que melhorou nas nossas vidas graças à nova visão que eles ganharam.
Nem tudo foi luta ... descobri que fazem óptimos waffles em Bruxelas e que me é impossível experimentar todos os tipos de cerveja que lá existem, num curto espaço de tempo. Que Roma não se deve visitar no verão e tem a melhor gastronomia no mundo – a seguir à portuguesa claro. Descobri que não podemos experimentar tudo o que temos curiosidade de experimentar em Amesterdão... e que Berlim tem conforto suficiente para umas grandes férias e a preços acessíveis, ainda que não saiba de onde vem aquele urso! Lyon não deve ser visitada a pé... a não ser que sejas peregrino e Paris nunca perderá o encanto, não importa o número de vezes que a visites.
Este ano descobri que é possível encerrar com velhas tradições e fechar os meus velhos trajes no baú definitivamente, aceitar que todos os meus amigos seguiram as suas vidas e que cada um tem um papel diferente do papel que tinhamos em conjunto; isso mostrou-me outros níveis de amizade que desconhecia até então. Afinal de contas ... não é fácil ter-me como amigo ... e até já estou a acostumar-me a ser o único solteiro nos casamentos e a embebedar-me como se tivesse 20 anos!!
Este ano aceitei os meus velhos amigos em novas amizades e com isso veio um certo perdão pelo Alentejo e o que lá ficou no passado. O que lá reencontrei este ano, as amizades, as boas memórias, fizeram amenizar tudo o resto.
Foi um ano de novas tattoos... dor ... passemos à frente ... novos amores ... esqueçamos lá isso ...!
Enfim... dou valor à minha privacidasde e por mais que eu fale ou tu perguntes gosto de saber que ninguém sabe um terço da minha história, pois não há uma só pessoas que me tenha acompanhado em todas as fases da minha vida...e isso faz-me pensar às vezes.
2015 ... vou continuar com a minha busca... acho que continuarei a ser narcisista por mais uns tempos... quero viajar mais ... quero esforçar-me, quero ser o melhor exemplo para os meus irmãos e dar-lhes a liberdade de serem quem quiserem ser na vida!
Acredito que seja outro nível de êxtase casar e ter filhos aos 28 anos ou já o ser e ter com essa idade ...que parte do salário já se dirija para outros pontos como casa ou carro e que tenha de esperar as economias atingirem um certo ponto para ir de férias ... eu invejo-os ... saudavelmente... por terem os pés acentes e estabilidade... a sério! ... e também invejo aqueles que são livres e se perdem em festas e bebida ...acontece que... esse não sou eu ... quando naqueles casamentos eu sou o único solteiro da mesa e falamos sobre a vida ...  eu sei que sou o Outsider e sê-lo-ei sempre ..e eu ... gosto disso!

Este foi o ano em que me encontrei ...!

2 comentários:

  1. brutal!!! adorei o texto...
    tive uma sensação fantástica ao lê-lo...senti-me tão próxima de ti e ao mesmo tempo percebi que estamos em fases tão diferentes da nossa vida, apesar de algumas semelhanças...sinto que me ultrapassaste...que estás já uns degraus acima de mim...
    Parabéns por te teres encontrado...não é fácil ...e lutaste imenso para poderes chegar até aí...soltaste as amarras...foste honesto contigo e com a tua família...e penso que isso é o grande passo de tudo...
    bjnhos

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  2. Por mais que estagnemos por vezes... ou que estejamos em stand-by... a vida continua em nosso redor... isso faz com que os objectivos e metas se renovem automaticamente sem nos darmos conta... acho que temos de atingir o fundo para dar valor à realidade ...não sei ... os momentos em que paramos fazem-nos ... aceitar novas realidades ou aquela em que estamos presos, acho que por vezes faz parte continuarmos insatisfeitos e continuarmos ambiciosos de querermos mais para nós, e sim continuamos sempre a querer fases novas pois não somos pessoas de acentar. Acho que para mim o segredo não esta em aceitar aquilo que tenho agora, o segredo estava em perdoar o que ficou para trás e aceitar isso ... muito mudou depois disso ...
    Como eu disse há dias a alguém ... para mim o ritmo não pode parar mais ... neste momento tenho-o a ele e tenho a minha família ... eu meti-me numa rotina sem saída fácil.. trabalhar num país que não gosto e gastar em viagens ... aceito-o para poder sonhar e assim receber novas realidades e isso compensa tudo quando estou a conhecer novos locais ... como eu disse a essa pessoa .. sim, eu meto em hipótese quase todas as semanas de voltar para Portugal, sobretudo agora que estou na meta final do meu trabalho ... mas se vir para aqui foi um passo de coragem e que me mudou para sempre, voltar para Portugal iria ser um passo igualmente grande visto não ter mais nada aí ... seria recomeçar tudo de novo, procurar trabalho, recomeçar numa cidade, reganhar a confiança dos amigos ... e aí eu tenho o click que se for para fazer isso mais vale ter uma nova aventura e fazer isso tudo onde tudo me seja novo .... e aí eu aceito ser o outsider ... aceito sim que me falta uma peça, a minha metade da fruta como lhe chama a Mariana ... esse metade da fruta tem guardada a força que eu preciso para acentar e aceitar todos os pontos que uma rotina traz atrelados, mas eu não vou à caça de frutas... já aceitei (de uma forma assustadora) estar assim, quando chegar chega ... daí eu ter falado de me ter afastado de alguns membros da familia por terem uma mentalidade pequena... custou-me imenso afastar dos meus avós este ano ... pois já não estão a aceitar que eu esteja só ... e eu não lhes posso explicar mais nada nesta fase... só espero que um dia quando a "luz" lhes der mentalidade absoluta eles compreendam as minhas razões e me continuem a amar.
    PS. também parei de me embebedar ... não de beber, mas de me embebedar... it feels good.
    Para mim não há soluções .. há aceitações. Kiss *

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