Mais um … este é o quarto ano que me encontro
longe do meu país. Este era o tempo limite que a início tinha delineado para
estar longe de casa ... ingénuo! Casa ... dizem que ela é onde o teu coração
está ... o coração?! ... esse eu tive de guardar e deixar de ouví-lo para
tornar estes quatro anos mais suportáveis. A meio do percurso comecei a
acreditar que tão cedo não voltaria para Portugal. Comecei a não economizar
tanto e a gastar um pouco comigo e em viagens. Aqui, finalmente redescobri o
motivo pelo qual estudei Turismo e isso ajudou-me a aceitar o facto de não
estar a trabalhar na área para a qual estudei.
Viajar abriu-me os olhos para outro mundo e
não só tornou as minhas ambições mais exigentes como também me fez acrescentar
uma série de pontos à minha “to do list”. Ainda assim ... aqui continuo ...
vejo o futuro com outros olhos agora. Este foi um ano em que aprendi a não
planear nada e a aproveitar a vida de uma forma inteligente com o pouco que
tenho. Não me conformei em estar na Suíça... nunca o farei... apenas me tornei
mais paciente e decidi aproveitar o percurso em que estou até chegar ao
destino.
Como me tornei paciente?! ... Bem... descobri
que afinal “depressões” existem e podem acontecer até a quem não acredita nelas
e foi preciso cair lá bem no fundo para entender que certas coisas e pessoas
não merecem tanta energia da minha parte.
Este ano decidi tornar-me mais receptivo a
amizades e deixar que algumas me conheçam melhor e assim derreter um pouco do
meu “gelo” como lhe chamam – Erro! Entrarmos e partilharmos momentos é uma
coisa mas quando se trata de tomar os
problemas dos outros como nossos envolve muitos dissabores... no thanks! Na
vida somos a nossa melhor arma e também a nossa melhor defesa, temos de saber
usar ambas para vencer!
Hoje eu prefiro ser aquele que dá conselhos,
ajuda q.b., sem dar segundas oportunidades ... Detecto a falsidade e o cinismo
a milhas e quando sinto que não gostam de mim ou são más influências eu próprio
me afasto automaticamente, sejam amigos ou familiares... Acreditem ou não, as
más energias dos outros podem sugar a vossa determinação e dedicação. Mas não
pensem que a falsidade, cinismo ou más energias foram os meus piores
obstáculos... O maior número de pessoas excluídas da minha vida este ano
deveu-se à pequena mentalidade que tinham. Por isso posso dizer que me orgulho
bastante de ver o quanto a mentalidade dos meus pais evoluiu nestes tempos e do
que melhorou nas nossas vidas graças à nova visão que eles ganharam.
Nem tudo foi luta ... descobri que fazem
óptimos waffles em Bruxelas e que me é impossível experimentar todos os tipos
de cerveja que lá existem, num curto espaço de tempo. Que Roma não se deve
visitar no verão e tem a melhor gastronomia no mundo – a seguir à portuguesa
claro. Descobri que não podemos experimentar tudo o que temos curiosidade de
experimentar em Amesterdão... e que Berlim tem conforto suficiente para umas
grandes férias e a preços acessíveis, ainda que não saiba de onde vem aquele
urso! Lyon não deve ser visitada a pé... a não ser que sejas peregrino e Paris
nunca perderá o encanto, não importa o número de vezes que a visites.
Este ano descobri que é possível encerrar com
velhas tradições e fechar os meus velhos trajes no baú definitivamente, aceitar
que todos os meus amigos seguiram as suas vidas e que cada um tem um papel
diferente do papel que tinhamos em conjunto; isso mostrou-me outros níveis de
amizade que desconhecia até então. Afinal de contas ... não é fácil ter-me como
amigo ... e até já estou a acostumar-me a ser o único solteiro nos casamentos e
a embebedar-me como se tivesse 20 anos!!
Este ano aceitei os meus velhos amigos em
novas amizades e com isso veio um certo perdão pelo Alentejo e o que lá ficou
no passado. O que lá reencontrei este ano, as amizades, as boas memórias,
fizeram amenizar tudo o resto.
Foi um ano de novas tattoos... dor ...
passemos à frente ... novos amores ... esqueçamos lá isso ...!
Enfim... dou valor à minha privacidasde e por
mais que eu fale ou tu perguntes gosto de saber que ninguém sabe um terço da
minha história, pois não há uma só pessoas que me tenha acompanhado em todas as
fases da minha vida...e isso faz-me pensar às vezes.
2015 ... vou continuar com a minha busca...
acho que continuarei a ser narcisista por mais uns tempos... quero viajar mais
... quero esforçar-me, quero ser o melhor exemplo para os meus irmãos e
dar-lhes a liberdade de serem quem quiserem ser na vida!
Acredito que seja outro nível de êxtase casar
e ter filhos aos 28 anos ou já o ser e ter com essa idade ...que parte do
salário já se dirija para outros pontos como casa ou carro e que tenha de
esperar as economias atingirem um certo ponto para ir de férias ... eu
invejo-os ... saudavelmente... por terem os pés acentes e estabilidade... a
sério! ... e também invejo aqueles que são livres e se perdem em festas e
bebida ...acontece que... esse não sou eu ... quando naqueles casamentos eu sou
o único solteiro da mesa e falamos sobre a vida ... eu sei que sou o Outsider e sê-lo-ei sempre
..e eu ... gosto disso!
Este foi o ano em que me encontrei ...!
brutal!!! adorei o texto...
ResponderEliminartive uma sensação fantástica ao lê-lo...senti-me tão próxima de ti e ao mesmo tempo percebi que estamos em fases tão diferentes da nossa vida, apesar de algumas semelhanças...sinto que me ultrapassaste...que estás já uns degraus acima de mim...
Parabéns por te teres encontrado...não é fácil ...e lutaste imenso para poderes chegar até aí...soltaste as amarras...foste honesto contigo e com a tua família...e penso que isso é o grande passo de tudo...
bjnhos
Por mais que estagnemos por vezes... ou que estejamos em stand-by... a vida continua em nosso redor... isso faz com que os objectivos e metas se renovem automaticamente sem nos darmos conta... acho que temos de atingir o fundo para dar valor à realidade ...não sei ... os momentos em que paramos fazem-nos ... aceitar novas realidades ou aquela em que estamos presos, acho que por vezes faz parte continuarmos insatisfeitos e continuarmos ambiciosos de querermos mais para nós, e sim continuamos sempre a querer fases novas pois não somos pessoas de acentar. Acho que para mim o segredo não esta em aceitar aquilo que tenho agora, o segredo estava em perdoar o que ficou para trás e aceitar isso ... muito mudou depois disso ...
ResponderEliminarComo eu disse há dias a alguém ... para mim o ritmo não pode parar mais ... neste momento tenho-o a ele e tenho a minha família ... eu meti-me numa rotina sem saída fácil.. trabalhar num país que não gosto e gastar em viagens ... aceito-o para poder sonhar e assim receber novas realidades e isso compensa tudo quando estou a conhecer novos locais ... como eu disse a essa pessoa .. sim, eu meto em hipótese quase todas as semanas de voltar para Portugal, sobretudo agora que estou na meta final do meu trabalho ... mas se vir para aqui foi um passo de coragem e que me mudou para sempre, voltar para Portugal iria ser um passo igualmente grande visto não ter mais nada aí ... seria recomeçar tudo de novo, procurar trabalho, recomeçar numa cidade, reganhar a confiança dos amigos ... e aí eu tenho o click que se for para fazer isso mais vale ter uma nova aventura e fazer isso tudo onde tudo me seja novo .... e aí eu aceito ser o outsider ... aceito sim que me falta uma peça, a minha metade da fruta como lhe chama a Mariana ... esse metade da fruta tem guardada a força que eu preciso para acentar e aceitar todos os pontos que uma rotina traz atrelados, mas eu não vou à caça de frutas... já aceitei (de uma forma assustadora) estar assim, quando chegar chega ... daí eu ter falado de me ter afastado de alguns membros da familia por terem uma mentalidade pequena... custou-me imenso afastar dos meus avós este ano ... pois já não estão a aceitar que eu esteja só ... e eu não lhes posso explicar mais nada nesta fase... só espero que um dia quando a "luz" lhes der mentalidade absoluta eles compreendam as minhas razões e me continuem a amar.
PS. também parei de me embebedar ... não de beber, mas de me embebedar... it feels good.
Para mim não há soluções .. há aceitações. Kiss *