sábado, 31 de janeiro de 2015

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Por vezes dou comigo a pensar como é que eu me sinto confortável nos lugares mais solitários, frios, imensos. Quem poderia escolher, solidão, frio e imensidão, o desconhecido como lugar para construir uma rotina?!
Eu considero-me um constante insatisfeito, a vida ensinou-me que se não estás contente com o que tens ou com a tua realidade então vive o momento em que estás e em seguida prepara-te para saltar e pensa um pouco em ti.

Hoje eu sou como esses lugares, frio, solitário e poucos me conhecem pois tenho em mim uma imensidão de personalidades que tive de criar para sobreviver aos mais variados cenários. Como sobrevivo? Bem... não gosto de dizer que é pela educação que tive pois eu considero que construí a minha base retirando exemplos de várias pessoas diferentes e construí quem sou a partir daí; mas posso dizer que de onde eu venho sobrevive-se com pouco, as pessoas são humildes e as socializações fazem-se cara a cara. Então é esse o meu equilíbrio, metade das minhas personagens possuem as minhas raízes que não esqueço e o fogo que preciso para querer mais e melhor para mim; enquanto a outra metade de mim possuí a bagagem de cada aventura que passei e me fazem seguir sem olhar para trás.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Some more nostalgia ...

Hoje acordei um pouco nostálgico, uma das consequências de quando me levanto cedo. Hoje estou com uma vontade enorme de escrever, estou cansado e triste. Mas hoje em especial... não me sinto desejado ... acho que é uma sensação nova para mim; não é o facto de estar sozinho ou de alguém não se sentir atraído por mim e não querer nada comigo; é o facto de estar com alguém e sentir essa pessoa fria e distante, sem sentir desejo de se aproximar de mim, de me tocar e me beijar, de fazer amor comigo...
Estes últimos dias tenho estado com este rapaz ... lindo, sexy, brasileiro, carinhoso, simpático, já o conheço há dez anos mas esta é a primeira vez que passamos algum tempo juntos, um mês, e eu proporcionei-nos este momento juntos, acho que mereço, acho que já há imenso tempo estou sozinho e a precisar de uma aventura deste teor... sempre houve aquela química entre nós, aquele desejo, aquelas palavras carinhosas, aquele afeto, mas agora que estamos juntos sinto que isso está a perder-se a alta velocidade e ainda temos uma enorme aventura pela frente nestes dias juntos.
É verdade que há muito que a minha auto-estima estava por terra, deixei de cuidar de mim porque simplesmente não tinha ninguém para gostar de mim e eu próprio nunca o fiz... acomodei-me e o passar do tempo fez-se "soft" e conformar comigo e com o meu corpo e defeitos. Mas pela primeira vez este frio e distância entre alguém e eu... fez-me acreditar que sou repugnante, feio e indesejável... e fez-me querer mudar ... acho que é o que vou fazer quando ele for embora ... seis meses de treino intenso ... mudança de estilo ... de hábitos, mudar-me e criar um novo "eu"... eu preciso reinventar-me por mim, não pelos outros, quero gostar de mim...
Tenho pena de isto não estar a dar resultado com ele... sinto-me bem com ele, faz-me rir e dá-me segurança, até a minha família gosta dele, o que me deixa nervoso... pode ser que isto mude agora que vamos viajar um pouco ... cansado ... !
( tinha rascunhado isto antes do anterior post...)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Yet ..another winter love ...

Preciso de escrever … escrever sempre foi para mim não só uma forma de ordenar os meus pensamentos mas também de gravar aquilo que a minha voz não consegue falar ao vento. Devido aos últimos acontecimentos não tenho conseguido exprimir o que sinto pois estou num turbilhão de sensações  ...
Sinto que estou a apagar-me ... sinto-me escondido e pior sinto necessidade de me esconder, mas eu não quero esconder-me ... eu quero ser visto, eu quero que tu me vejas, eu quero ser alguém importante aos teus olhos, quero que gostes de mim como eu sou e pelo que sou ... mas como o poderás fazer se eu próprio não o faço? Como pode haver interesse por alguém sem amor próprio ... mas eu quero gostar de mim, eu quero mudar para alguém que consiga olhar-se no espelho e pelo menos contentar-se com o que vê ... com um mínimo de confiança para saber jogar com uma auto-estima razoável e ir à luta... quero lutar por ti ou por alguém com quem me sinta bem... Eu vou fazê-lo.
Tu fizeste-me acordar ... fizeste-me entender que era possível alcançar o que desejamos. Eu estava adormecido nesta rotina sem fogo, conformado com o que tinha e paciente para alcançar objectivos que já nem sei se são os meus. Eu esqueço-me que as pessoas crescem e os objectivos mudam, alguns podem retomar-se anos mais tarde, outros devem ser esquecidos, e a maioria são completamente renovados por outros novos.
Palavras não seriam suficientes para descrever o que me deste nestes últimos dias, trouxeste-me de volta à vida, fizeste-me sentir de novo, um coração que eu julgava quebrado e gelado, e no fim estava apenas em negação ou com medo de reagir. Não posso comandar o tempo, então não posso reviver estes momentos vezes e vezes sem conta... se pudesse, estaria batendo o pé no trabalho a contar os minutos para chegar em casa e saber que lá estarias à minha espera, chegando a casa um beijo me aguardaria ... talvez uma carícia se assim o entendesses. Se eu pudesse retomaria os momentos em que dormias e eu te observava ou colocaria a minha mão em cima da tua barriga e sentiria a tua respiração, ou apenas me abraçaria a ti ou te daria a minha mão e assim ficava por horas nocturnas sem fim.
Reviveria a noite em que consegui quebrar barreiras e se entregamos um ao outro e todos os beijos e abraços que não consigo esquecer e que marcaram cada rua, ponte, monumento, hotel, cama pelos quais passamos durante estes dias.
Acordas-te-me e eu continuei consciente que apenas estavamos a viver “momentos”,  continuei consciente que todo aquele sonho acabaria e eu teria de aproveitar o máximo possível. Fizeste-me sentir desejado e ao mesmo tempo mantiveste-me afastado para eu não soltar os meus sentimentos mais fortes e eu consegui fazê-lo.
Hoje, 2 dias depois de teres ido embora ... penso em ti ... talvez em quase todas as horas... em algumas eu choro ... em outras confesso que ainda sinto o teu cheiro na minha almofada, roupa de cama, ou casacos que te emprestei ... e afasto-me para as lagrimas cairem ... anseio pelo próximo dia em que lavarei a roupa para estas memórias não doerem.
Sou forçado a pensar em ti pois amigos e familiares viram os imensos momentos em queos meus olhos brilhavam a teu lado ... ficaram contentes por mim ... e insistem em querer saber da nossa historia ... e eu nada falo ... para que não sintam pena de mim ... e apenas sorrio fingindo a timidez ... e penso ... eu estou bem e vou ficar bem.
Não te sintas culpado ou arrependido pelo que eu sinto agora, eu sinto falta dos momentos contigo, mas fomos super bem comportados e agimos bem para não envolvermos sentimentos, e eu também consegui fazê-lo. Mas as sensações que eu tive contigo e nos nossos momentos, o prazer que eu tive em ver quando familiares meus nos observavam ... isso é indiscritivel e não tem preço ...e isso sim está a fazer-me falta.
Tive tanto prazer em vivenciar novas experiências contigo e ver o teu olhar virgem em cada uma delas, os teus olhos brilharam imensas vezes e esse brilho está bem gravado na minha memória ... e é com esse brilho que ficarei e lembrarei na nossa história.

Eu posso conter a minha respiração ... posso morder a língua ... e posso fingir que tudo está bem e nada aconteceu durante dias ... eu posso forçar um sorriso ou fazer uma gargalhada mas eu sou apenas um humano ... eu posso sangrar se cair.... eu sofro e eu quebro-me ... há memórias que são facas no coração de tão boas que são ...  mas ... eu vou ligar-me e ser uma boa máquina ... !

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Contagem decrescente !

Com o avançar do tempo não posso deixar de me inquietar com o meu futuro, tantos planos e pouco tempo para me preparar.
O meu plano era ficar na Suíça o tempo suficiente para pagar a totalidade de uma casa em Portugal e voltar para o meu país, trabalhar em algo estável que me agradasse na minha área até ao fim dos meus dias. Com a casa já paga mesmo que o salário fosse pouco, isso chegaria para uma rotina satisfatória. Mas um ano é um prazo muito curto para ter esse dinheiro e eu não quero prolongar o meu tempo na Suíça procurando outro trabalho.
Ainda que haja essa hipótese de continuar em outra coisa e economizar o que me falta para uma casa, tenho de enviesar outra coisa.
Paris continua uma hipótese, mas ir para lá é aceitar outra rotina e não comprar casa; viver numa rotina que me agrada, talvez com um trabalho que me agrade mas sem conseguir prever o meu fim. Ir para Paris é aproveitar este ano para estudar a história e as cinco línguas que tenho e conseguir um diploma de cada uma para que isso me abra algumas portas.
Voltar para Portugal também é uma hipótese, mas quero um emprego estável onde não trabalhe apenas no verão, ir para lá é desistir de comprar uma casa e investir num carro. Ao contrário de Paris onde me orientaria com transportes públicos, em Portugal estaria dependente do meu carro. Claro que a ideia de voltar à normalidade me agrada, a ideia de descer o nível para a nossa naturalidade e simplicidade portuguesas. Mas confesso que ordenar essas ideias na minha cabeça me assusta tremendamente pois sinto-me desprotegido com a sensação de que dependerei de alguém e ajudas, talvez porque uma grande parte da minha vida em Portugal tenha sido vivida dessa maneira. 
Tenho pouco tempo e sempre ponderei que os últimos tempos na Suíça seriam passados a colocar o meu corpo em forma num ponto que me orgulhasse, por isso... acho que tenho de começar já... entretanto convém começar a estudar e pedir os exames para os diplomas das línguas... Paris, Portugal, ou seja onde for, eles vão ser necessários! Já são dois projetos a começar - Já!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

2014 *

Mais um … este é o quarto ano que me encontro longe do meu país. Este era o tempo limite que a início tinha delineado para estar longe de casa ... ingénuo! Casa ... dizem que ela é onde o teu coração está ... o coração?! ... esse eu tive de guardar e deixar de ouví-lo para tornar estes quatro anos mais suportáveis. A meio do percurso comecei a acreditar que tão cedo não voltaria para Portugal. Comecei a não economizar tanto e a gastar um pouco comigo e em viagens. Aqui, finalmente redescobri o motivo pelo qual estudei Turismo e isso ajudou-me a aceitar o facto de não estar a trabalhar na área para a qual estudei.
Viajar abriu-me os olhos para outro mundo e não só tornou as minhas ambições mais exigentes como também me fez acrescentar uma série de pontos à minha “to do list”. Ainda assim ... aqui continuo ... vejo o futuro com outros olhos agora. Este foi um ano em que aprendi a não planear nada e a aproveitar a vida de uma forma inteligente com o pouco que tenho. Não me conformei em estar na Suíça... nunca o farei... apenas me tornei mais paciente e decidi aproveitar o percurso em que estou até chegar ao destino.
Como me tornei paciente?! ... Bem... descobri que afinal “depressões” existem e podem acontecer até a quem não acredita nelas e foi preciso cair lá bem no fundo para entender que certas coisas e pessoas não merecem tanta energia da minha parte.
Este ano decidi tornar-me mais receptivo a amizades e deixar que algumas me conheçam melhor e assim derreter um pouco do meu “gelo” como lhe chamam – Erro! Entrarmos e partilharmos momentos é uma coisa mas  quando se trata de tomar os problemas dos outros como nossos envolve muitos dissabores... no thanks! Na vida somos a nossa melhor arma e também a nossa melhor defesa, temos de saber usar ambas para vencer!
Hoje eu prefiro ser aquele que dá conselhos, ajuda q.b., sem dar segundas oportunidades ... Detecto a falsidade e o cinismo a milhas e quando sinto que não gostam de mim ou são más influências eu próprio me afasto automaticamente, sejam amigos ou familiares... Acreditem ou não, as más energias dos outros podem sugar a vossa determinação e dedicação. Mas não pensem que a falsidade, cinismo ou más energias foram os meus piores obstáculos... O maior número de pessoas excluídas da minha vida este ano deveu-se à pequena mentalidade que tinham. Por isso posso dizer que me orgulho bastante de ver o quanto a mentalidade dos meus pais evoluiu nestes tempos e do que melhorou nas nossas vidas graças à nova visão que eles ganharam.
Nem tudo foi luta ... descobri que fazem óptimos waffles em Bruxelas e que me é impossível experimentar todos os tipos de cerveja que lá existem, num curto espaço de tempo. Que Roma não se deve visitar no verão e tem a melhor gastronomia no mundo – a seguir à portuguesa claro. Descobri que não podemos experimentar tudo o que temos curiosidade de experimentar em Amesterdão... e que Berlim tem conforto suficiente para umas grandes férias e a preços acessíveis, ainda que não saiba de onde vem aquele urso! Lyon não deve ser visitada a pé... a não ser que sejas peregrino e Paris nunca perderá o encanto, não importa o número de vezes que a visites.
Este ano descobri que é possível encerrar com velhas tradições e fechar os meus velhos trajes no baú definitivamente, aceitar que todos os meus amigos seguiram as suas vidas e que cada um tem um papel diferente do papel que tinhamos em conjunto; isso mostrou-me outros níveis de amizade que desconhecia até então. Afinal de contas ... não é fácil ter-me como amigo ... e até já estou a acostumar-me a ser o único solteiro nos casamentos e a embebedar-me como se tivesse 20 anos!!
Este ano aceitei os meus velhos amigos em novas amizades e com isso veio um certo perdão pelo Alentejo e o que lá ficou no passado. O que lá reencontrei este ano, as amizades, as boas memórias, fizeram amenizar tudo o resto.
Foi um ano de novas tattoos... dor ... passemos à frente ... novos amores ... esqueçamos lá isso ...!
Enfim... dou valor à minha privacidasde e por mais que eu fale ou tu perguntes gosto de saber que ninguém sabe um terço da minha história, pois não há uma só pessoas que me tenha acompanhado em todas as fases da minha vida...e isso faz-me pensar às vezes.
2015 ... vou continuar com a minha busca... acho que continuarei a ser narcisista por mais uns tempos... quero viajar mais ... quero esforçar-me, quero ser o melhor exemplo para os meus irmãos e dar-lhes a liberdade de serem quem quiserem ser na vida!
Acredito que seja outro nível de êxtase casar e ter filhos aos 28 anos ou já o ser e ter com essa idade ...que parte do salário já se dirija para outros pontos como casa ou carro e que tenha de esperar as economias atingirem um certo ponto para ir de férias ... eu invejo-os ... saudavelmente... por terem os pés acentes e estabilidade... a sério! ... e também invejo aqueles que são livres e se perdem em festas e bebida ...acontece que... esse não sou eu ... quando naqueles casamentos eu sou o único solteiro da mesa e falamos sobre a vida ...  eu sei que sou o Outsider e sê-lo-ei sempre ..e eu ... gosto disso!

Este foi o ano em que me encontrei ...!