quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Aquela fase que eu receio ... há muito tempo..

Só eu, no mais fundo do meu interior sei o que passei ao mudar de país. Só eu, no meu mais fundo interior sei o que senti com tudo o que vivenciei durante estes cinco anos. A batalha não foi, de longe, a mais fácil, mas está a chegar ao fim.
Acho que tão cedo não conseguiria ter a força suficiente para dar este passo final, então só temos de trabalhar as circunstâncias para que o destino nos empurre a tomar as decisões... O trabalho acabou, estou no desemprego, não é fácil, não é fácil fingir que se procura trabalho apenas para ganhar tempo e ainda ter mais alguns bons rendimentos deste país e avançar algumas coisas que ainda custam algum dinheiro lá para a minha casa em Portugal.
Custa. Custa ficar em casa dia-após-dia, a planear o futuro, a redefinir objectivos e passos a tomar, custa ver os dias a passar e ter de esperar por mais um fim-do-mês para avançar os próximos pontos da minha "to do list". Mas a culpa é minha. Eu não fui mau gestor do meu dinheiro, até considero que o utilisei muito bem durante estes cinco anos, mas eu esqueci-me do que é viver com pouco. Tenho tentado re-educar-me cada vez que vou a Portugal, mas não tem sido fácil.
Vou ter de fazer alguns sacrifícios quando voltar de vez.
Mas as coisas parecem não avançar, quando penso que vai correr bem, vêm entraves. Eu não suporto mais este país. Quando penso que se ficarr sossegado em casa sem chatear ninguém que consigo ficar bem, não, têm de provocar algo para tirar a tranquilidade.
O que acontece é que quando me inscrevi no Desemprego decidi avisá-los que iria a Portugal nos primeiros dias do meu primeiro mês no Desemprego, e eles logo prontamente me avisaram que para além de ser obrigado a procurar trabalho nesses dias de férias, eu não iria ser pago por esses dias. Eu sei que podia ter ficado calado e não dizer que ia viajar, mas poderia correr o risco de eles me marcarem a única reunião mensal que tenho com eles para esses dias das férias e eu ser prejudicado por faltar. Fiz de outra forma, quando voltei disse à minha conselheira que não tinha ido de férias e que tinha mudado de ideias e tinha-lhe dado provas de procuras de trabalho que eu tinha feito porta-a-porta para os dias que coincidiriam com as minhas férias, ela disse que muito dificilmente mudaria de ideias mas que iria reflectir.
Resumidamente, decidiu penalizar-me e não me pagar esses dias. Tal facto não só me atrasou os planos na Casa, onde eu já me tinha precipitado e avançado pontos que iria pagar no fim do mês, como também me deixou nos limites financeiros para sobreviver todo o mês.
Mas eu vou aguentar, eu vou recordar-me como é quase não comer, ou comer muito pouco, por mais que isso seja difícil quando se está em casa o tempo todo. 
Estou um pouco preocupado pois sinto-me doente, não só não consigo despejar os intestinos e isso têm me dado desconforto, como acho que isso está e pode estar ligado ao ainda estado depressivo de onde não saí. Estou melhor mentalmente e sinto as melhoras, mas, sinto-me triste em alguns momentos, e tento ser forte, porque preciso de o ser para o decorrer destes meses.
Vamos ver se isto melhora, ou aguento até ir de novo a Portugal pois não aguento mais pagar médicos aqui.
Tentei desabafar um pouco com a minha mãe hoje, acho que pouco o tinha feito durante toda a minha vida... fez-me bem, por mais que ela não tenha a melhor forma de reflexão, ajudou-me a acalmar as ideias. Ela entendeu que mesmo sem dinheiro era importante para mim ir a Portugal e acender a chama de novo que é a única coisa que me tem motivado ultimamente, e decidiu oferecer-me a viagem, ou pelo menos até lhe reembolsar no mês seguinte, que não quero que ela me pague nada.
Eu sei que pode soar que ando a pensar muito "nele", e ando, estou meio que apaixonado embora não o admita nem para mim, nem para ele, não quero e ainda não é o momento certo, e assim protejo o coração. Ele tem estado ali todos os dias a mostrar-me que me espera, e eu sinto isso 100% quando estamos juntos, estranhamente sinto tudo, o desejo, o carinho, a preocupação e sobretudo a compreensão e respeito. Nunca tinha tido tamanha admiração da parte de alguém e isso é algo que me faz querer lutar por ele, pois sinto exactamente a mesma coisa por ele. Embora ir para lá seja um objectivo "anterior a ele", é um objectivo que eu consigo ser paciente para conseguir, mas agora sinto um pouco a pressa de me salvar daqui e ir para lá mesmo que ainda não esteja preparado.
Outra das coisas que me fez alterar a ordem dos meus planos foi o meu irmão. Acontece que ele quer ir comigo para Portugal e estudar em Portimão e ir viver comigo. Eu aceitei, e isso fez com que eu tenha de orientar tudo até Agosto, e em Setembro já lá estar com um ambiente apresentável e confortável para vivermos os dois em casa. Tenho muito receio disto tudo pois ainda que vá para Portimão vai ser uma experiência nunca antes vivida.
Não só vou viver a minha rotina na "minha casa", como terei de encontrar um novo trabalho nunca antes tentado pois ainda não tenho experiência na minha área de estudos, com um novo carro, a conduzir diariamente, com uma possível relação amorosa séria, a minha gata em casa, o meu irmão a meu encargo e responsabilidade vivendo e ajudando-o em todo um mundo de novas experiências para ele, não só em rotina para ele, como estudos, como cidade nova, amigos, uma rotina em Portugal que ele não tem desde pequeno, e o começar de novas experiências que se tem na adolescência a chegar a uma idade de "primeiras experiências" pois não tarda tem 18 anos, e ainda é tão inocente, e eu tenho de encontrar um equilibrio entre protegê-lo e ajudá-lo e ao mesmo tempo dar-lhe espaço para ele ter privacidade e viver as coisas e aprender com elas por ele mesmo. Vou tentar prepará-lo o melhor possível para ele ser forte, mas esta experiência, associada a todas as novas que eu irei ter... vai ser uma fase daquelas... ainda não é desta que eu fico sossegado no meu canto a ver as vistas sem stress.. mas com certeza que será marcante. 
Vou tentar que a minha idade não pese tanto, para lhe dar alguns dos bons momentos que ali tive, como ao mesmo tempo ter a minha responsabilidade e cabeça de um homem de 30 anos que aproveita a vida como tem de ser, fazendo da vida o que ele sente ser o acertado e continuando a ter aventuras.
Mas esta fase de transição ainda vai dar muito que falar ... não é facil ir embora com tanta burocracia, coisas a anular, mudanças, gato, família que fica para trás e meter tudo isto atrás das costas, não vai mesmo ser nada fácil. Mas em Agosto espero brinda a tudo isto, que consegui, e saí vitorioso.

2 comentários:

  1. Honey...quando tudo isso passar...vais olhar para trás e sentir um misto de emoções...primeiro vais sentir um alívio tremendo por estar de volta a Portugal que por muito mau que seja, eu diria que é um paraíso...e nunca terias a sensação de que o é se nunca tivesses ido embora...e só por isso já valeu a pena...vais dar contigo a pensar como foi possível teres ido embora...e pouco a pouco vais reencontrar a pessoa que eras em Portugal e que pensavas que havias perdido...e pouco a pouco a pessoa que és na Suiça vai surgir como um estranho...
    Apesar de tudo, mais vale ganhar um salário mais baixo e ter menos outras possibilidades de carreira e estares no teu país...do que estares num ambiente hostil mesmo que possas viver como um milionário...
    Nem tudo é mau...nem tudo foi mau...tens a experiência...cresceste e aprendeste a lutar mais e mais...e isso vai-te ser necessário até à última hora...até entrares no avião de volta para sempre...até fazeres o teu primeiro ano aqui em POrtugal...e durante a tua vida toda...a Suiça pode magoar-nos mas também nos endurece imenso a carapaça...
    Os últimos tempos são sempre os que custam mais...parece que está tao proximo...mas como é algo que desejas muito...parece irremediavelmente tão longe...
    Não preciso de dar-te conselhos de como seres forte ou lutar paea sobreviver, pois sempre foste mais forte do que eu...digo-te apenas que nunca duvidei nem duvido nem por um segundo de que tens a força e maturidade para vencer todo e qualquer obstáculo que se coloque no teu caminho.
    beijinhos

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  2. Obrigado Honey ... foi tão bom ler isto tudo ... precisava dessa força para continuar.
    Não sei muito que dizer, acho que não preciso, agora é "agir".
    E no meio de tanto que espero recuperar quando voltar, quero recuperar mas criando novas experiências e desejo que estejas algures nelas.
    Até Já Já !!
    Rik

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