Num qualquer caderno meio rasgado começo a escrever como único refúgio do tédio que se vive neste Alentejo.
Este caderno muito provavelmente sobrou do Ano Lectivo de alguém e agora a minha avó usa-o como folhas para apontar alguma coisa... na folha anterior leio "o comer está no frigorífico"...
E eu tenho-me sentido vazio de sentimentos ou de formas para me exprimir, e as circunstâncias quase não me deixam outra alternativa a não ser escrever.
Estou seco, vazio e sem paciências para nada e não sei como vou ter forças para começar o meu tratamento daqui a 3 dias... mas a algum ponto vou ter de me agarrar para vencer esta tão enraizada luta... e vou ter de a enfrentar sozinho.
"Ele" não está a ser o pilar que eu precisava que ele fosse, não sei se sou eu que estou a exigir demasiado, no entanto, não sinto nem uma palavra de encorajamento.
Não posso contar com o meu pai, está claro que já não estou na lista de prioridades dele, nada que eu não soubesse... A minha mãe, essa acabou de chegar da Suíça para voltar a viver em Portugal, chegou pior do que quando de aqui saiu, com uma extrema carga negativa e depressiva em cima e eu nem me consigo aproximar sem me sentir mal... e só quero manter uma distância de segurança por agora, e essa sensação de querer estar distante dela está a magoar-me de certa fora... com ela estão os meus irmãos (de férias) mas que em prol dessa circunstância também não me aproximo...
Eu já saiu imenso da minha zona de conforto quando saiu da minha casa... não sei porquê... a primeira noite fora parece que o mundo vai acabar, fico instável e irritável, e só quero a minha gata na cama comigo... depois o choque de não ter ligação ao mundo, internet, telefone e apenas 4 canais de televisão e o paleio das velhas da aldeia agonia-me imenso.
Eu não era assim tão fechado, e agora não consigo abrir-me de novo, socializar, olhar nos olhos, ter uma conversa descontraída.
Felizmente no segundo dia da minha mãe por cá veio com uma atitude diferente, deve ter sentido a minha distância, e veio mais calma, mas eu decidi que tinha atingido o limite e pedi para me levarem aos autocarros para voltar para o Algarve, inventando uma desculpa. Prometi regressar mais tarde e compensar.
Sem comentários:
Enviar um comentário