sábado, 12 de setembro de 2009

Tuna


" Olá a todos!
Devem estar a pensar “Que seca que agora vamos apanhar”, mas sendo eu como sou, não podia deixar a minha Tuna sem dizer umas palavras, e ainda bem que estas circunstâncias se proporcionaram, pois assim poderei dizer tudo o que quero dizer em todos os sentidos e se alguém for praxado será a Inês. Não se preocupem, apenas me quero despedir e desde já peço desculpa pelo tamanho do texto, mas será a última vez que se aborrecem comigo.
Faz três anos que aqui cheguei, e todos sabem o meu comportamento nesta Tuna, todos sabem o Caloiro que fui, o Projecto que me tornei e o Tuno que consegui ser. Não vou dizer que entrei para a Tuna de livre vontade, foi sim graças à minha madrinha da Universidade, e a ela agradeço por tê-lo feito, pois hoje posso dizer que os melhores momentos passados na Universidade foram passados com a Tuna.
Devo dizer que dada a minha personalidade pouco dada a amizades masculinas, os primeiros tempos não foram nada fáceis para mim, mas eu sou forte e ainda mais, consigo abstrair-me de quem não gosto e ultrapassei isso, e hoje posso dizer que o Koida ou o Diogo são dos poucos gajos que curto na Universidade.
Não podia deixar-vos sem dizer que adorei cada momento passado com cada um de vocês, posso dizer que presenciei os últimos melhores momentos de muita gente na Tuna como o Diogo, a Eliana, o Salvatori, a Vânia, o Thierry, o Satã, a Soraia, as Xanas, e a minha grande madrinha da Tuna Manhanha, presenciei os momentos em que a Tuna passou por uma má fase, e também a fase em que esta se ergueu graças à nossa força de vontade e companheirismo, e é muito triste para mim a fase em que a Tuna está agora que estou de saída.
Falo de força de vontade e de companheirismo, mas também poderia falar de amizades, carinho, entreajuda, dedicação, paixão, empenho, entre outras qualidades que mantiveram esta Tuna unida até hoje. Temos de aceitar que muitas destas qualidades não foram tidas nas quantidades certas, muitas foram as dificuldades, desavenças, falta de compreensão, e até muitas destas qualidades não deveriam ser prioridade para alguém estar na Tuna, pois ainda que muitos estejam na Tuna pelo motivo pelo qual entraram, a maioria ainda se encontra na Tuna, simplesmente porque certas pessoas ainda lá estão, ou porque fizeram uma aposta de lá ficarem até dada altura, isso mantêm-nos na Tuna mas faz-nos faltar a ensaios, actuações, a não termos paciência para ajudar que tem sangue novo e algo para dar e o pior de tudo é que nos faz sair num ápice da Tuna, e a Tuna não precisa dessas pessoas, a Tuna não precisa de pessoas que ficam na Tuna por puro favor de esta não acabar, ou pessoas que só estão à espera dos mais velhos saírem para poderem fazer as coisas à sua maneira, a Tuna precisa sim de espírito novo, uma liderança menos centrada apenas num magister, vice-magister e tesoureiro, precisa de espírito de iniciativa, e por aí fora...
Não posso dizer que não discordei com inúmeras coisas nestes três anos, porque discordei, ou que aceitei tudo o que me foi pedido, ou que me agradou o caminho que certas decisões tomaram; mas dado o respeito que sempre tive pelos Tunos, os seus cargos e hierarquias, resolvi sempre ainda que muitas vezes contrariado respeitar as decisões e ver o que elas iriam trazer de benéfico para a Tuna, pois acima de tudo o que achamos, se em conjunto nomeamos alguém para nos orientar à partida temos de confiar nas decisões que essa pessoa tome.
Posso ter sido o único a dizer tudo isto, mas sei que todos vocês o pensam, e ainda bem que não estou a dizê-lo pessoalmente pois se calhar não seria tudo dito, mas tudo isto deveria ter sido o tema deste jantar e aposto que não foi. Aposto que está cada um para seu lado: a Susana com o Koida e o Xixa, por vezes com a Tati também ou então a Tati com a Nilde, se a Tati estiver sóbria está a falar com a Nádia ou com os caloiros, se já estiver com os copos provavelmente está na risada com o Koida, noutro lado está a Nádia com a Rebocho provavelmente também a Taklim estará pois nos momentos de Tuna ela junta-se sempre a elas, quando não está a picar o Koida ou com o Diogo, e depois está a Cátia a um canto, a Ana que todos vêm que tem boa voz mas que não está minimamente interessada em vocês ou na Tuna, o João Jorge que só faz é obedecer mas que não mais tem a Xana para lhe dar atenção e a Inês que está à espera que todos vocês acordem e se lembrem do que é uma Tuna, dos motivos pelo qual entraram para a Tuna e do empenho que tiveram para aqui chegar pois também ela quer desempenhar o seu papel.
E sempre foi assim que se formaram os nossos ensaios, jantaradas, actuações, chegando até a ser desmotivante e aborrecido e deixa-me mesmo triste tudo isto. Não criticando, mas apenas desabafando que tudo poderia correr de maneira diferente, se tivéssemos sido mais liberais com novas entradas na Tuna, outros tipos de motivação, mas eu compreendo e todos vocês sabem que já demos tudo o que tínhamos para dar, muitos de vocês acabaram o curso, é difícil conciliar com namoros e trabalho, e mesmo que o façam não pode ser para sempre, outros está na hora de darem prioridade à universidade para finalmente se verem livres disto tudo, e outros porque infelizmente sabem que vão para longe e que o seu futuro não será em Portimão, uns já foram e eu seguirei também.
Mas sim, não pensem que não gostei, posso dizer que fiz na Tuna tudo o que me apeteceu fazer, de acordo com a minha personalidade e choquei com quem tive de chocar e voltaria a fazê-lo, voltaria a ser caloiro da Tunabebes e a persuadir todos os caloiros a entrarem comigo como fiz há três anos, aprendi flauta com a ajuda e pouca experiência da Nilde para ter uma função na tuna por mais pequena que fosse, depois bombo, pois nunca gostei de ser um caloiro ignorado e passei para a fila da frente e tenho a agradecer principalmente à Vânia e Manhanha que me ensinaram o toque no Osvaldo, mas um toque que não se regia àquilo que era sempre o mesmo e me davam liberdade para mudar o que quisesse, por fim a Pandeireta que foi aquilo que mais tinha a ver comigo, pelo facto de eu ser uma pessoa que gosta do espectáculo e de dar boa imagem, fiz tudo o que gostei, ensinei o que sabia de flauta à Xana, de Bombo à Soraia e à Mariana e um pouco de tudo o resto que sabia, esforcei-me por esta Tuna pela qual tenho orgulho e para meu agrado até me nomearam Tesoureiro.
Quero apenas deixar aqui o meu agradecimento, a minha saudade, e o meu pedido de desculpas por não ter conseguido corresponder a 100% das expectativas que puseram em mim, principalmente a Tatiana e o Koida, foram motivadoras as vossas palavras para o cargo que ambicionaram que eu ocupasse um dia, mas é chegada uma altura, que as forças estão em baixo, que apesar de termos consciência para saber o que está mal, não temos força para sermos quem tem de orientar tudo isto.
Obrigado por isso e por tudo mais. E agora sem referir defeitos:
Obrigado Tatiana por toda a confiança que depositas-te em mim, estatuto que me deste e acima de tudo liberdade para fazer o que gostava.
Obrigado Nilde pela ajuda, trabalhos fora da Tuna que me arranjas-te, e pela simpatia que sempre tiveste, és um exemplo de espírito e força de vontade para mim.
Obrigado Koida por teres sido tão rígido nos primeiros tempos, isso ajudou-me a crescer imenso, e acima de tudo obrigado por todas as tuas palavras quando quebras-te o gelo, acredita que me deu forças para continuar e ver que afinal tinha amigos rapazes na tuna.
Obrigado Susana, minha Madrinha dos Copos, minha amiga, que infelizmente foram poucos momentos e não fortalecemos a relação madrinha-afilhado, nem cumprimos a tradição, mas a tua personalidade foi daquelas pelo qual a tuna valeu a pena para mim.
Obrigado Diogo, Carla e Xixa em nome da Tuna e sendo eu um membro da tuna apesar de não ter criado grande amizade convosco, vocês ajudando a tuna, contribuíram para que os meus momentos nela fossem prolongados até ao fim do meu curso.
Obrigado Madrinha Mariana, por como já referi, me teres obrigado a vir para a tuna, graças a isso eu tive a oportunidade de ter passado convosco grandes momentos.
Obrigado Nádia e Taklim simplesmente por estarem presentes, muitas vezes quando estava em baixo, a tuna foi para mim um refúgio e uma distracção apenas por vocês estarem lá.
Caloiros agora é com vocês, só o vosso espírito novo e atitudes diferentes pode levar esta Tuna a um outro nível que nós nunca alcança-mos, mas é com orgulho que assistirei da plateia a essa nova etapa, principalmente a ti Afilhada, que tenho o maior orgulho.

Agora que não vos vou mais xular dinheiro, de uma coisa eu sei, nunca me vou esquecer de vocês, e “Uma vez Tunabebes sempre Tunabebes”

“Ai tu vais vais, tu vais partir e o teu traje vais deixar de vestir, e nesse dia que sensação, tu vais sentir no teu pobre coração.” "

Esta foi a carta escrita para o Jantar da Tuna este verão, era suposto ter sido a minha despedida... No fundo foi, porque por mais que o bichinho da Saudade e o Espírito Académico insistam em gritar de vez em quando, não posso esquecer as minhas prioridades, e compreender que não tenho mesmo tempo para esta boa vida académica.
Compreendo que os tempos são difíceis e que há coisas que necessitam de ser mudadas, mas eu não posso e tenho mesmo de dizer que "não quero" ser a pessoa a orientar essa mudança.
É triste para mim ser eu a colocar este assunto na categoria de lembrança, e não deixar esse papel encarregue ao "tempo", mas não consigo estar num sítio onde as saudades de pessoas como a Xana ou a Soraia me apertam, onde as próximas saídas como a do Koida, Tatiana ou Susana, vão levar a recair grandes responsabilidades sobre quem fica, onde a perda ou o fraquejar de espírito académico como a Nádia e a Mariana levam à minha desmotivação. E isto tudo são sensações que não quero sentir e que tenho de me abstrair, o que me custa imenso.
Só posso dizer que com a tuna eu vivi grandes momentos, muitos ajudaram-me a ser menos "coninhas", outros fizeram-me voltar a acreditar que ainda conseguia fazer amizades com rapazes, tive a oportunidade de crescer como pessoa, mostrar muito de mim e receber também o que os outros membros do grupo tinham para me mostrar,
Sem dúvida que os melhores momentos de um universitário são passados numa Tuna, sem dúvida que os melhores amigos que se cria se conheceram na Tuna, pois além de amigos somos aquilo a que se poderia chamar de "família". É verdade que um Tunante aliado a um bom espírito académico tem todo o Poder, Espírito e Moral para mudar todo um sistema universitário deficitário, mas como qualquer pessoa, também esse "Herói" tem de ter a sua fonte de inspiração e valentia, amigos e família, pois quando a essência de algumas pessoas muda, todo o corpo conjunto se danifica e foi o que aconteceu com a minha Tuna. Deixar isto acontecer... foi culpa de todos e neste momento já nada podemos fazer. Quem sabe não chega um salvador que coloque tudo nos eixos de novo. Não podemos perder a nossa capacidade de acreditar no melhor!

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