Já passou algum tempo desde o meu último “post” aqui no meu cantinho dos desabafos, mas estou a passar por uma fase de mudanças na minha vida, e há muita coisa que necessita de ir ao lugar.
Confesso que pensei que aqui no Alentejo, a rotina e dia-a-dia me inspirariam para mais desabafos, desabafos sobre tristezas e cenas que eu poderia não estar a aceitar no momento, mas “felizmente” não é o que se está a suceder.
Em primeiro lugar, gostava de referir que, não tenho qualquer saudade de Portimão ou do Algarve, sim também estou surpreendido com isso, mas é que, acho que tomei mesmo a decisão certa em sair delá, o facto de estar saturado daquilo tudo, do constante assombramento de recordações e o facto de não ter realização profissional, faz com que não sinta essa saudade daquilo. Claro que há aquelas pessoas que penso nelas, e gostava de as ter perto de mim, mas sei que de alguma forma estas estão a encontrar também o seu caminho neste mundo, e dentro de cada um sabemos que estamos aqui uns para os outros sempre que seja necessário.
Bem, queria também delinear, e antes que se pense que eu estou a odiar o Alentejo, que de facto, eu não “o” estou a odiar! Eu confesso que no primeiro dia eu vinha com as ideias convictas de que ia tudo correr mal, tinha de mudar maneiras de ser, hábitos, etc. e tive alguns stresses com o meu pai e falta de paciência para pessoas, mas depois percebi, eu e os outros, que se houver tolerância de ambas as partes as coisas correm bem. É verídico que as pessoas mudaram, eu mudei, já não sou aquele que cala e diz que sim a tudo, e eles também já não são os que impõe as regras e deve tudo ser cumprido como manda a tradição. É verdade que a mentalidade retrógrada nunca há-de mudar, mas cada um já se vai metendo no seu lugar, o que facilita em muita coisa por aqui.
Lá no fundo tenho os meus medos, tenho medo que daqui a uns dias me volte a sentir incompleto, não realizado, inferior, agoniado e preso a este sítio. Mas eu mentalizei-me logo de duas coisas antes de vir, primeiro queria descansar, por isso me é indiferente que uma ou outra pessoa refira que eu tou desempregado, que isto não é vida para mim…etc. E depois, também não vim para aqui de mente fechada, como que nunca seria possível que também pudesse encontrar algo aqui que me cativasse, embora continue com as minhas ambições e expectativas mais altas. Mas aprendi que devo ficar de boca calada e não dizer que “nunca faria” para não aprender mais lições já aprendidas.
Nos últimos momentos tenho perdido o meu tempo em volta de curriculos, mails, internet à procura de escapatórias, possibilidades, enviar currículos… e assim se têm processado os meus dias. Não muito exaustivamente, pois na maior parte do tempo estou a esquecer-me do mundo a ver TV ou filmes, ou nas redes sociais – isto como forma de escapatória aos modos alimentares daqui, que tanto estou a batalhar para mudar, mas está a mostrar-se uma batalha demorada!
Recolho-me no quarto que tanto arrumei ao meu gosto, coisa que não tinha possibilidade por estas bandas desde o nascimento dos meus irmãos, e aqui me mantenho abrigado do frio que faz la fora. Custa-me enfrentar a água gélida que demora a aquecer para o banho ou fazer seja o que for de arrumação em casa. Custa-me enfrentar o frio lá fora, mas de vez em quando até me proponho a ir passear para pensar, olhar o campo, que nesta altura está acinzentado, o cheiro a terra molhada misturado com o frio que entra nos pulmões, dá um misto de sensações que aproveito até ao último instante antes de começar a deixar de sentir as pontas de todos os meus 20 dedos. Em outras alturas dirijo-me a casa da minha avó e fico horas em frente à lareira que insiste em aquecer-me a roupa ao ponto de não conseguir que esta me toque na pele – mas eu não me importo… nestes momentos eu posso esvaziar a minha mente, ainda que hajam pessoas a falarem pela casa.
Há um parágrafo que gostava de dedicar à minha mais fiél amiga, a minha gata Spears, que me acompanha nestas aventuras e mudanças, ela que era uma companheira caseira e nunca tinha passado por um frio como este ou saído de casa, apesar de ter aqui as suas raízes, também ela voltou às suas origens para me acompanhar. Ela que de vez em quando aparentava um ar incompleto quando andava pelas divisões da casa onde estávamos, agora parece uma gata completamente renovada, o pêlo – se antes já brilhada, agora quase que reluz, e se torna “prateante”, dorme comigo no quarto, coisa que antes nem eu conseguia, mas parece que afinal eu consigo levantar-me do meu sono uma ou outra vez para ela sair e fazer as suas “cenas”, pois até ela lhe custa sair do quarto seja para o que for. Ela adora passear-se pelas novas divisões desta casa por explorar, até porque estamos numa divisão da casa distantes das restantes onde está o resto da família, portanto ela não incomoda ninguém, e no quintal ainda não se aventura, apesar de ter liberdade para tal, mas mantem-se a olhar da porta, respirar o ar puro, e voltar para mais umas tantas horas a dormir na minha cama. Nos primeiros dias tinha medo das pessoas, até a mim se virava, mas depois voltou a confiar, acho que foi em sintonia comigo quando nós começamos a ver aqui em casa que tinhamos de ser tolerantes uns com os outros, até ela ficou tolerante com as novas caras que via.
E assim se resumem os nossos dias e os nossos estados de espírito ultimamente.
Em breve desabafarei algo que estou prestes a enfrentar… o meu medo em aventurar-me em alguns trabalhos, assim como aventuras amorosas que nos batem à porta quando menos esperamos – isto remetendo para a mudança que se deu no Alentejo a nível de homossexualidade desde que saí daqui até ter regressado...
Adorei o desabafo :)
ResponderEliminarCaro Amigo: Obrigado, fico feliz por isso. :) Abraço
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