Foste a minha “primeira” Afilhada, pelo menos, no que respeita ao pleno sentido da palavra Afilhada Académica, no entanto, foste a 1ª Afilhada da Tuna, e foi como um finalizar do meu destino na Ualg, talvez o teu baptismo fosse um presságio do fim da minha vida académica.
Sabes que sempre te adorei, nunca me enganei acerca da pessoa que eras, e foi bastante fácil ao inicio, quebrar qualquer barreira de confidencialidade contigo. Ao início sempre fui mais aberto contigo que vice-versa, mas acho que é isso que te caracteriza, uma boa ouvinte e amiga, que sabe ouvir e ter a palavra que precisamos ouvir – talvez tenha sido por isso que não gostei quando cantas-te de Galo para mim. Posso não ter recorrido muitas vezes a ti, mas sei que estavas lá, e nem era preciso, pois sabias ver quando eu estava em baixo ou mais alegre. Agradeco-te por essa amizade, e por mesmo depois do meu tempo ali estar contado, teres contribuído para me dar mais momentos que eu pudesse recordar mais tarde com um sorriso no rosto e muita saudade.
Desde os nossos passeios, às confidencialidades, a 1ª dormida juntos, a noite de Pizza em que aluguei dois filmes e vi-os sozinho pois tu ferras-te a dormir, o tremor de terra que me fez ficar de joelhos à porta do teu quarto e tu a acordares de sobressalto, o teu “picar a minhoca” em diversas noites, os momentos em que estavamos fartos de estar na Rocha com a Tatiana que não nos deixava ir embora, o shot de água que quase me deixou cair tudo aos pés, os momentos na Rocha em si – muita dança juntos, muita gargalhada, os números juntos nas músicas da Tuna. Recordo aquele mítico balançar a dormir que parecia que estavas a sofrer um exorcismo , o tempo que morámos juntos, os favores que te pedi, recordo as palavras que me escreves-te em papel, mail, fita, recordo com saudade o nosso Intra-Rail, entre tantos outros momentos que passámos, pois tu eras a Caloirinha que saía com os Excelentíssimos, e andavas logo com os que massacravam mais, isso tornou-te forte. E ainda bem que desde cedo pudes-te identificar os bons amigos das amizades que nada interessavam dali para a frente, isso foi um Orgulho de ver.
Sabes que eu vivi o meu curso ao máximo, vivi a Tradição Académica nas veias e tu sempre completas-te aquilo que eu achava que uma Afilhada devia ser. Confesso que devia ter parado no tempo certo, em académico e tu caloira, apesar de ser com Orgulho que te vi subir nestes graus, o tempo certo era aquele, pois não era suposto eu lá estar contigo Académica ou Tuno. Aconteceu o mesmo que comigo e a minha Madrinha, e Afilhados Praxantes já têm de ter a mínima ligação com os Padrinhos, ou poderão entrar em conflito, e confesso que não gostei de algumas situações que nos fizeram chocar, que nem vale a pena enumerar, mas isto é mesmo para isso, um compacto de todos os momentos. E nós crescemos com os bons e os maus, assim como a nossa amizade.
No entanto, cada coisa é uma coisa, e a Vida Académica dá-nos muitas amizades depois de passarmos pelos momentos bons e maus, e nós continuámos bons amigos e nada retirará aquilo que passámos.
Tenho orgulho de te ver chegar ao fim do Curso, e estás de Parabéns por isso! Espero que daqui para a frente fujas à regra da maioria – de ficar neste país a ganhar pouco e à espera de se destacar dos restantes, coisa que é impossível, sei que ambicionas algo maior lá fora, e ainda bem que procuras-te estágio, foi um primeiro passo bem dado e espero que não desistas de lutar. Nada cai do céu, temos de levar “nãos”, desilusões, mas mesmo assim nunca desistir. O percurso de uns por vezes é mais longo que outros, mas como sabes, tudo a seu tempo, e tudo acontece por uma razão. Não percas o rumo do teu caminho, que é o Correcto! Finalizado o Curso, finaliza a Ligação Padrinho-Afilhada, assim manda a Tradição, mas a Amizade destes dois ainda vai ter muitas páginas por escrever. Da minha parte sempre que precisares de mim estarei aqui para ti. Desejo-te tudo de bom. Um Beijo do Padrinho da Tuna. Ricardo Ruaz
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