quinta-feira, 20 de março de 2014

Traçar o futuro com feridas do passado!

A vida corre normal, nós vamos para o trabalho, focamo-nos nos objectivos, nos planos futuros, nos novos amigos, na família. Mas eis que o coração aperta com o passado.
Uns dizem que devemos focar-nos no que temos à nossa frente, esquecendo o que ficou para trás, não falando, não mencionando nada, sem referências.... outros afirmam que devemos pensar e aprender com o que ficou para trás, as experiências que tivemos, que devemos voltar aos sitios, recordar, conviver com quem lá ficou.
Eu sinceramente não sei com que teoria concordar, e por vezes deparo-me com este dilema, este aperto no coração a que também podemos chamar de saudade.... e surgem questões, apelos...
Aquelas pessoas e aquelas memórias necessitam que voltes lá para mais momentos, para um "Adeus final" .. precisam de ti para marcar o momento. 
Mas o meu passado tem tantos momentos que eu prefiro esquecer, tem momentos que prefiro apagar, momentos tão dolorosos, mesmo aqueles que foram tão bons tornam-se tolorosos porque não voltam mais, e por mais que eu os queira recordar, reviver, aceitando isso sofro pois é algo impossível e aí sou forçado a seguir a primeira teoria de que não posso pensar.
Muitos me acusam e apontam o dedo, como é que podes virar costas a um apelo, como é que não queres passar mais momentos; eu não posso explicar tudo a cada pessoa, pois não somos todos iguais, e vivemos as coisas com diferente intensidade, mas há que compreender que é doloroso voltar a dado clima e ambiente, aglomerar um certo número de pessoas que me puxam para a recordação. Não o posso fazer. Todas as minhas memórias estão guardadas, o pouco que tenho "material" que me recorde também está guardado. Eu não vou voltar, eu acho que não posso voltar, pelo menos não sozinho ou com mais uma ou duas pessoas; se eu voltar todas as cartas do jogo terão de voltar de novo. Eu não comando mais o navio, eu não sou mais aquele que organiza momentos, jantares, saídas e arrasta todos, eu perdi o fogo e preciso que puxem por mim, estou ancorado algures. Então não vou voltar sem ver que todos olham para a mesma causa. E mais uma vez isso não acontecerá... não somos todos iguais e não vivemos os momentos com a mesma intensidade mais uma vez. 
Eu.. tenho de me focar no meu futuro, como o farei com as feridas do passado que não sei como fechar? Não sei ... não sei se é fazendo as pazes com o passado que posso avançar... não sei se é esquecendo de vez ... não sei ... mas tenho de sair deste Limbo rapidamente... antes que dê em louco.

terça-feira, 18 de março de 2014

Dias estúpidos ... dias de reflexão !

Dias estúpidos é o que tenho vivido ultimamente, dias atribulados, dias confusos, sem noção da realidade. Sinto-me confuso e não sei como reagir, e isto está-me a esgotar psicologicamente. O dia de hoje por exemplo foi calmo, mas como tenho trabalhado todos os dias estou esgotado, ainda que mantenha um ritmo razoável a trabalhar, nunca brincadeira aumentei o volume da música no trabalho; pois a música, as letras delas, são o único refúgio que a minha mente encontra para se motivar, e para enfrentar as oito horas laborais que tenho de cumprir todos os dias. Aumentei um volume pois há um cliente habitual já de idade que insiste em ir beber o seu copo ao bar onde trabalho, daqueles suíços que decidem lá ir beber o seu copo não sei bem porquê, mas depois não aceitam que o estabelecimento é um Bar e não um Café ou uma Taberna ou outra coisa qualquer, e num Bar é obrigatório haver música, num bar há um empregado em cada sector e têm de esperar que ele esteja disponível para vir e não chamar outro para os servir e há simplesmente alguns que não aceitam isso e tentam refilar. Hoje aumentei o volume da música quando um desses senhores de idade resolveu aproveitar uma música mais calma para tocar a sua Gaita, sinceramente, eu não quero ser inconveniente mas ali não é local para isso e aumentei o som, não sei se por malícia, mas acho que sem ser mal educado o quis meter no lugar, e eis que isso lhe pareceu mal, e me insultou, de alguns nomes não agradáveis, eu respondi-lhe e meti-o no lugar. Fiquei um pouco desconfortável com esta situação mas pronto, nada a fazer, segui em frente. Já para o fim, mais um idoso que insiste em beber até à hora de o Bar fechar e no fim se recusa a levantar-se e sair, e faz-nos atrasar a todos. Continuando o meu trabalho vi que o segurança se começava a exaltar e eu em parte compreendo-o... todos os dias estes mesmo tira-paciência, a mesma história "over and over again", as mesmas situações não compreendendo ou respeitando as situações, empregados ou seja quem for, cansa, cansa mesmo e tira do sério. Dias a avisar, a tentar fazer entender, palavras gastas, hoje ele pegou no velho em braços e meteu-o na rua, o velho caiu no chão e magoou-se ... eu observei tudo ... sem reagir. Ainda pra mais fui induzido a esquecer tudo o que tinha visto, como se o senhor tivesse caído por ele mesmo depois de o terem metido na rua. E eu ..aceitei cooperar... porque mais uma vez quero que a pessoa saiba o seu lugar e não volte a repetir estes inconvenientes. 
Tudo terminado eu paro e dou comigo a pensar... fogo ... de onde eu venho ... tudo o que passei... onde comecei e dou comigo nestas situações, neste local, a fazer isto... e regressar a casa para tudo repetir no dia seguinte ou sem saber que situação caricata me depararei no dia seguinte.
Um misto de boas e más acções, ou acções que podem ter diferentes interpretações dependendo do ponto de vista das pessoas.
Estando eu ainda quase a ir embora encontrei uma senhora anã brasileira dormindo no hall de entrada do Bar, onde tem alcatifa e não faz frio, convidei-a a entrar na meia hora que faltava antes de fechar e ofereci-lhe um sumo e sandes para que se alimentasse e mais algumas num saco para levar... senti que o devia fazer ... e fiquei contente por mim ... por sentir que não guardo apenas rancor no meu coração por esta gente que não sabe o seu lugar nem respeita ninguém. Ainda há quem imigre, quem mude de país e até mesmo de continente sem saber para o que vai, deixando tudo para trás, e tem a infelicidade de se encontrar sem ter nem mesmo onde dormir ou o que comer... se eu tenho esta agonia dentro de mim, nem imagino o que esta pessoa sentirá ...
Hoje foi acima de tudo um dia de reflexão ... amanhã nem sei como será..

terça-feira, 11 de março de 2014

Tentei ... next!

I'm back...
... os dias continuam, eu tento agir e reagir com o que a rotina me dá... no fundo, não tenho outra opção, por mais que escolha fugir de um ou outro contratempo que não me apetece enfrentar. Tenho-me focado nos meus objectivos se é que posso dizê-lo, tenho re-planeado tudo de novo, o que quero, o que penso, tudo implicando sair daqui mas ao mesmo tempo ainda aqui ficando um bom tempo.
Tenho tido a cabeça a mil, nestas minhas últimas folgas decidi encontrar-me com alguém, um rapaz francês que habita aqui perto da fronteira e que quis encontrar-se comigo, não pensei muito, não pude pensar... se metesse os meus medos na mesa nunca aceitaria trazer alguém aqui para casa, da mesma forma que foi a primeira vez que o fiz em 3 anos e pouco. Ele veio, tinha medo que eu não fosse o que ele esperava, e eu tinha os mesmos medos. 
O primeiro momento que o vi, fiquei logo retraído, ele é bem apresentado, simpático, extrovertido (de mais), não tem o físico que eu idealizo, mas para dizer a verdade a parte do físico não me incomodou nada. Acontece que eu tenho uma barreira nos meus critérios da qual não consigo abstrair-me - a feminidade dos gays. Está mais que mencionado que eu não tenho qualquer atracção por bixas (ele não era), ou por qualquer tiques extras mais afemeninados que os gays tenham, e era o caso, ele agia normalmente mas tinha saídas com as quais eu não me sentía bem com ele. 
Eu não tenho muita prática em estar em público (locais não gays, ruas etc) com um gay; é verdade que não quero saber, não me importo, mas não tenho o hábito e como é óbvio é algo que quero alcançar, mas sempre me imaginei a fazê-lo com alguém que me dê essa vontade, de o mostrar ao mundo, de me fazer esquecer de tudo e todos, de me sentir protegido. Com ele não senti isso.
No entanto, nos momentos que estavamos os dois juntos em casa eu sentia-me bem... senti que era este companheirismo que me fazia falta, alguém que me faça sentir bem comigo e com o meu corpo - ele fez, alguém que me diga coisas românticas, ver filmes, comer - ele fez, alguém que me elogie - ele fez. Mas como sempre eu sou parvo e isso não me chegou, há pormenores cruciais para mim e eu não os consigo ignorar. Eu venho de uma rotina muito diferente da dele. Tudo o que eu tenho de alcançar numa relação requer tempo, trabalho e paciência, e esse alguém tem de ser paciente para alcançar isso tudo. 
Outros dos factores que pesou foi a idade dele que se reflectia por vezes nas suas acções, amuos, coisas momentâneas que requeriam muita paciência da minha parte, eu ainda tolerei, mas isso vai mexer-me nos meus fantasmas de ex-relações com rapazes que não tinham a maturidade suficiente para mim, e eu acabaria lutando sozinho, perdendo a paciência sozinho e no fim provavelmente enlouquecendo, não ... não quero isso.
Tenho muito em que me focar, e ainda não é desta que vou desviar a minha atenção para o meu coração não me posso dar ao luxo de fazê-lo ainda. Uma coisa ele tinha extraordinária, quer um dia ir viver para Paris e lá trabalhar, isso fez-me remoer no meu cérebro um bom momento.
Enfim, as folgas passaram, ele foi embora, com as palavras que nos iamos encontrar de novo mas agora na cidade dele em França, eu disse que sim, mas sinceramente acho melhor deixar tudo claro com ele, e depois decidir o que fazer, tenho de encontrar as palavras certas.  Estou ainda a curar-me de uma intoxicação alimentar que apanhei nos últimos dias, que horror, nunca me tinha acontecido algo assim, mas pelo menos consigo emagrecer um pouco... há mesmo males que vêm por bem...