2015 ... já há algum tempo que o ando a querer despejar
para aqui mas ainda não encontrei a inspiração certa, ou o momento adequado, ou
as palavras acertadas. Tanta coisa aconteceu neste último ano, um ano de
tentativas, um ano de encerramento, um ano de conclusões e sobretudo um ano de
novas aventuras e novas sensações. Ainda que tenha sido um ano repleto de
novidades e coisas para contar, e muitas delas fui desabafando aqui no decorrer
do ano, foi um ano em que eu não queria ver o que estava inevitavelmente à
minha frente, e com isto refiro-me ao fim do meu trabalho no último dia do ano,
e ao não querer transitar para um ano onde eu sabia que era obrigado a agir e a
passar a um capítulo seguinte da minha história. Não que isso não fosse o que
eu tanto queria, apenas talvez estava à espera de melhores condições para o
fazer ou de mais coragem, sem ter de ser pressionado a fazê-lo, mas acho que só
assim o faria/farei.
Nunca fui de gerir mal as minhas economias, mas nunca
tinha parado para pensar em usar uma certa quantia dinheiro e tentar
proporcionar-me determinados momentos “só porque sim”, porque o destino e o
dinheiro assim o permitiriam, então, no início do ano, coloquei os meus
objectivos em stand by por um mês, e decidi “make it happen”. Acontece que tinha
este amigo no Brasil que conheço há imensos anos, uma das primeiras pessoas que
conheci no mundo gay, ainda dos tempos em que nos estamos a descobrir e a
querer saber mais sobre isto tudo e a vida, e começamos a aventurarmo-nos no
mundo virtuar, e nesses tempos, numa rede social conheci este rapaz. Pessoa
fantástica, simpático, e as conversas foram as mais variadas no decorrer de
muitos e muitos anos, talvez uns 10 ou mais, com ele desabafei tudo e ele o
mesmo por mim. Ausentamo-nos um do outro em conversa quando tinhamos outras
pessoas e sempre voltávamos quando sentiamos necessidade disso. Ele vem de
outra realidade, de outro continente, do outro lado do Oceano, e eu sei que
ainda estudando e trabalhando para pagar os estudos, tão cedo ele não poderia
ter uma aventura por estes lados, e eu ainda não estava preparado para uma
viagem “solo”, então resolvi tornar este encontro realidade. Falei com ele e
ele aceitou vir um mês para a Europa. Não pensei muito, deixei-me ir. Fui ter
com ele a Lisboa, onde o voo dele faz escala, e decidi passar uns dias por lá
para ele conhecer Portugal... escolhi um hotel bem simpático e escolhi a Suite
Principal ... não sei porquê... parece que eu estava com segundas intenções e
ele sentiu isso, mas nesses primeiros dias não aconteceu nada, ele foi
carinhoso e apenas nos sentimos bem um com o outro. Seguimos para a Suíça, onde
passamos alguns dias pois eu ainda tinha dias de trabalho antes das férias e
ele conheceu quase toda a minha família que aqui estava. Não sei porque o
apresentei, acho que é por não querer mesmo saber de nada, do que poderia
acontecer ou eles poderiam pensar. E acontece que eles adoraram-no, e
principalmente gostaram de me ver com ele, e de como eu estava “diferente”. Ele
conheceu alguns pontos da cidade, e decidi fazer-lhe mais uma pequena surpresa.
Peguei em alguns pontos turísticos mais baratos na altura e preparei-lhe uma
viagem de três países-cidades pela Europa.
Começámos a nossa viagem por uma cidade que é bastante
conhecida por ser acolhedora para viagens a dois, Veneza em Itália. Devo dizer
que estava bastante curioso por conhecer esta cidade, os canais, a forma de nos
deslocarmos, e com malas, foi um verdadeiro desafio. Não desiludiu em nada, é
verdade que é uma cidade que se faz a pé, mas assim é a melhor forma de
conhecermos todos os cantos ao pormenor, e a comida aqui é divinal. Ainda
tivemos tempo para uma visita de um dia a Burano, uma ilha-cidade de Itália que
se visita através de um Barco que se apanha em Veneza, e foi verdadeiramente
mágico, era super frio mas valeu a pena.
Em seguida, e como não poderia falhar, decidi ir a Paris,
cidade pela qual eu sou apaixonado, e queria mostrar-lhe, acho que foi mais
pelo meu desejo interior de ir a Paris com alguém especial, para ver se a
cidade era ainda mais mágica, e assim foi, não me desiludiu (a cidade).
Em seguida seguimos para a Grécia, decidi visitar Atenas,
que há imenso tempo me despertava curiosidade, com uma visita de um dia a
Piraeus, a cidade vizinha. Atenas é diferente, ,muito mais industrial e envelhecida
do que aquilo que eu poderia esperar, mas o lado turístico e histórico não
desilude. A qualidade do hotel não desiludiu, fomos super bem tratados, vê-se a
simplicidade e empenho das pessoas, super profissionais, e pela cordialidade da
Hospedeira, ou Senhora da Limpeza do Andar que me tratou como eu nunca tinha
vivenciado, deixei-lhe uma gorjeta super generosa e uma grande nota de
agradecimento. Nesta cidade aproveitei para proporcionar-me um outro encontro
com uma rapariga que também há imenso tempo conhecia da Internet devido ao
nosso gosto em comum pela dança, decidimos sair e conviver um pouco e adorei
conhecê-la. Para o dia com ela decidimos provar comidas e bebidas
características gregas e ser um pouco mais atrevidos nas escolhas, porque normalmente
eu jogo pelo seguro a comer.
Bom, o resultado desta aventura poderam ler no 2º post de
2015, eu sabia que não iria dar em nada pois ele vive longe, mas nunca pensei
que me iria desiludir mais que isso. Ele desligou completamente de mim, eu nem
estava à espera de nada, mas parece que esta viagem serviu para ele se
reaproximar do ex-namorado dele e apagar-me da vida dele. Nas redes sociais
dele quando se pode ver fotos e momentos desta aventura “de vida” que ele teve
na Europa, em nenhum momento se pode ver a minha existência, e isso eu não
compreendo, o porquê de negar a minha existência. E isso eu magoa-me e não
desculpo, life goes on, mas não compreendo a atitude dele em “ocultar-me”. Mas
ele já falou algumas vezes comigo desde então, e quando agora fez um ano dessa
viagem ele fez questão de me lembrar. Anyway, é pessoa que não cruzarei mais na
minha vida.
Ainda só vou no primeiro ponto de 2015 e
aqui já vêm porque é que eu não fiz isto mais cedo, é que 2015 foi cheio de
pontos que eu ultrapassei mas que segui em frente sem pensar neles ... se
calhar desabafei de leve sobre alguns sem aprofundar porque não quis pensar
muito neles, mas juntando-os todos eu vou ter de os abrir ao máximo e metê-los
para trás de mim, e não consigo ter um texto “resumo” do ano que seja rápido e
inspirador.
Foi um ano de constante stress no
trabalho, um trabalho onde todos estavam fartos e saturados há imenso tempo, e
o saberem que iria acabar não ajudou em nada. Portanto todos começaram a “agir”
a definir e a acelerar objectivos, a tentar que as coisas “acontecessem” mais
rápido. Eu ainda não tinha acordado verdadeiramente, eu sou muito de me deixar
ir pelos acontecimentos e pelo destino ... tem corrido mais ou menos bem até
então... Pouco tempo depois disto, a minha colega de viagens sugeriu-me
fazermos mais uma pequena aventura, e consoante as opções decidimos ir para
Espanha, a Santiago de Compostela. Eu tenho este ponto na minha “bucket list”
mas como Peregrinação e não como destino turístico, mas fui na mesma. Não posso
dizer que é um ponto turístico apesar de ter passado o meu tempo a visitar
igrejas e monumentos religiosos, mas a aura que paira na cidade, o acolhimento
das pessoas, o hotel, a energia no ar deixaram-me tranquilo, fizeram-me querer
viver ali, isolado do mundo. Imaginei-me numa vida isolado do mundo, como em
uma aldeia, onde encontramos as pessoas mais idosas, o rio que atravessa a
cidade, as lojinhas de conveniência, amei verdadeiramente a cidade em si e a
energia que remetia para outros tempos muito antigos.
Tentando voltar par a rotina em contagem
decrescente, e com extrema necessidade de reagir, decidi que para eu acordar e
reagir rapidamente eu precisava de meter as ideias no lugar e para fazer isso
eu teria de ir a Portugal.
Em Portugal indo directamente para
Portimão eu revi os meus amigos e a minha praia, e comecei a pensar em tudo...
estava mais claro que nunca que tinha de voltar, era ali que eu queria seguir
para uma nova rotina... eu estava outrora infeliz com uma rotina que me impedia
de satisfazer os meus objectivos a curto prazo, ou a qualquer prazo e por isso
decidi sair... viajei, economizei e avancei, evolui, e agora esses objectivos
estavam alcançados, não havia mais motivos para estar longe da minha rotina
calma, na minha cidade ou na única cidade onde fui mais feliz na minha vida. E
agora que eu já tinha também percorrido o longo caminho de aceitar que o que
nesta cidade se passou, faz agora parte de uma bela história do passado da qual
guardo a mais bela recordação, eu estaria em paz para voltar. E aí eu
acordei... voltar para uma rotina ok, mas voltar para uma rotina de pagar
rendas de casas de outras pessoas e nunca conseguir a minha com um salário
deste país, não ... então era o momento de pessar nisso.. sozinho, com 28 anos comprar uma casa... nem sabia por onde começar.
Conversando com os meus amigos sobre
isto tudo, resolvi na mesma semana marcar imensas visitas a casas para sondar
um pouco o terreno, ver preços, pagamentos e tudo mais. Os meus amigos deram-me
os melhores conselhos e eu tinha uma ideia do que queria, assim como bons
exemplos de pessoas a seguir, pessoas que conseguiram algo na vida e que eu
admiro imenso, que já referi em anteriores posts. Para meu espanto, este meu
reencontro com eles para conversas, deram origem a algo que eu não esperava e
que há muito eu tinha ambicionado e posteriormente riscado da minha “bucket
list”, ser Tuno Honorário da Tunabebes, Tuna da qual eu fiz parte desde 2006 e
que desde que fui para a Suíça eu continuava a visitar e fazer parte nos
momentos em que ia a Portugal de férias. Os agradecimentos foram feitos e este
foi um grande momento do meu ano, e deu-me a energia e motivação que eu
precisava para começar a luta para o regresso oficial.
O Calor a voltar e eu com uns dias de
férias para aproveitar ainda do ano anterior, fui forçado a seguir
imediatamente para outras férias, e como não podia deixar de ser, peguei na
minha colega de viagens, e seguimos de novo para Espanha, desta vez Palma de
Maiorca. Como leram no devido Post, foi um erro, pois ela não gosta de praia, e
destinos de verão com ela são para esquecer, mas pronto, visitámos o máximo que
pudemos, incluíndo a cidade do outro lado da ilha, Porto Cristo, e foi uma
viagem produtiva a nível turístico, mesmo que o ponto principal deste destino –
a praia, não tenha sido alcançado.
Regressando por pouco tempo ao trabalho
e ainda com dias de férias para aproveitar, e antes de tomar a decisão final de
uma casa, decidi que enquanto tinha trabalho era o momento para uma última
operação que sempre tinha querido fazer, e era o momento ideal, tirar as
amigdalas. E agora ainda que ache ter sido uma boa coisa, se tivesse de voltar
atrás, não o teria feito de novo, foi uma das experiências mais traumatizantes
que tive, e o que isso me quebrou ao nível psicológico nem hoje eu conseguirei
descrever... acho sim que isso foi o culminar do que se seguiria meses mais
tardes a nivel psicológico.
Recuperação quase feita, aproveitei a
baixa para voltar a Portugal tomar uma decisão final na casa e bancos e pouco
tempo depois tive talvez o momento auge dos meus 20’s, talvez o segundo melhor
dos 20’s desde que acabei a minha Licenciatura, consegui a minha casa!! Foi o
objectivo mais improvisado e bem sucedido que tive até hoje, e correu bem, e
apenas desejo que continue a correr bem por todos os anos que se seguem.
Com a casa em minha posse começava aqui
um processo enorme e apressado de meter a casa perfeita de acordo com a visão
que tinha despertado em mim, de como seria o espaço ideal para mim, criado por
mim, e só para mim, pois estava sozinho nesta aventura. Esta etapa de
preenchimento da casa encontra-se num rascunho que vou actualizando com o
decorrer dos acontecimentos mas que ainda não concluirei tão cedo pois quero
fazê-lo como deve ser.
Ainda antes de passar à etapa seguinte,
e ainda em Portugal, não sei como, mas Portimão ainda tinha mais surpresas
reservadas para mim, e até tenho medo de falar nelas com medo de correr mal de
novo, e sabe Deus em como eu não quero que Portimão volte a correr mal, por
isso eu fujo a sete pés de qualquer envolvimento amoroso. E mesmo que eu não
corra, estou tão “frio” que as coisas naturalmente não correm bem, e isso não
me afecta... mas ... acho que a minha chama voltou a reacender naquele dia na
praia ... no meu dia de anos, no dia antes da escritura da casa, eu conheci
talvez aquele que me irá ajudar a recuperar a minha essência ... mas isso já
falei um pouco em alguns posts e muito mais estará para vir do desenrolar
disto, eu só defini para mim bem claro que os meus objectivos nada tinham a ver
com isto, para eu não seguir do caminho definido para mim.
Casa conseguida e processo de mobilar em
seguimento, o trabalho começou a apertar, e o meu estado depressivo chegou a
extremos, eu fiquei quebrado com tudo o que se passo neste trabalho, e isso
talvez me tenha danificado por um bom tempo até eu conseguir ter uma boa
relação com clientes de novo. O tipo de clientela e colegas a que me sujeitei
neste trabalho, o que eu consegui enfrentar, eu não desejo a ninguém, e nem todos
conseguiriam ter suportado isto. Hoje considero uma das minhas vitórias, e saiu
de cabeça erguida deste trabalho.
Antes de encerrar esta fase, decidi
pegar nesta pessoa que esta a crescer de importância para mim, e arriscar em
algo, esqueci tudo aquilo em que tinha deixado de acreditar há imenso tempo,
esqueci a minha frieza de coração e esqueci a má experiência de início de ano,
e peguei nele e trouxe-o para uma pequena aventura na Suíça com direito a um
pequeno passei à Alemanha ali ao lado, e proporcionei-lhe uma boa adrenalina na
maior montanha-russa da Europa. Até hoje não me arrependi, ele tá a criar algo
em mim que nunca tinha sentido por ninguém, está a criar um sentimento que não
começa pelo desejo ... ou vontade, ele criou algo que começa por carinho, por
atenção, por querer o melhor para ele, por querer lutar por algo, isto deixa-me
confuso, porque ao recuperar de algo em mim que estava quebrado, estou a
vivenciar algo novo que desconheço.
Esta quebra temporaria de ter de chegar
ao fim do ano, e ele estar em Portugal, o trabalho stressante levou-me ao
abismo, e entrei numa depressão grave, que nunca tinha vivido antes, uma
depressão que não só me trouxe velhos fantasmas, e me fez engordar, como me
enfraqueceu imenso psicologicamente e do qual ainda não estou recuperado.
E assim acabou o meu ano ... ainda
continuo a lutar pelas mesmas coisas e estou em contagem decrescente para
partir, eu e o meu irmão, que vai entrar na minha luta, e por quem vou fazer o
máximo para ser feliz, mas vou ter de restringir a minha luta a isto, e fechar
um pouco os olhos a quem fica aqui, por mais que vá ser difícil. Acabo o ano
fraco psicológicamente e com uma auto-estima quebrada de uma forma que não
estava há imenso tempo, ou talvez não tenha sido só o facto de ter engordado
mas também o facto de estar com alguém de novo e eu não confiar no meu corpo o
suficiente para acreditar que alguém possa gostar dele assim ... mas pronto ...
assim acabo o eu texto ... são histórias vagas que não consigo dar final
ainda... vamos ver o que 2016 me reserva... metade na Suíça e metade no meu
regresso ...
........ e finalmente acorde numa tal
manhã de Fevereiro em 2011 onde talvez não fosse suposto eu ter aceite uma
viagem para a Suíça ...
god...adorei...
ResponderEliminareu li a última frase antes do restante texto...e fiquei "apanhada" ...até estou em lagrimas...
Obrigado Honey, não a queria usar ainda... tinha o texto na minha cabeça desorganizado há imenso tempo, e depois tinha esta frase que me persegue há bués mesmo ...e tinha de a colocar para fora... diz tanto ... mas enfim .. ** Miss u *
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