quinta-feira, 3 de março de 2016

2015

2015 ... já há algum tempo que o ando a querer despejar para aqui mas ainda não encontrei a inspiração certa, ou o momento adequado, ou as palavras acertadas. Tanta coisa aconteceu neste último ano, um ano de tentativas, um ano de encerramento, um ano de conclusões e sobretudo um ano de novas aventuras e novas sensações. Ainda que tenha sido um ano repleto de novidades e coisas para contar, e muitas delas fui desabafando aqui no decorrer do ano, foi um ano em que eu não queria ver o que estava inevitavelmente à minha frente, e com isto refiro-me ao fim do meu trabalho no último dia do ano, e ao não querer transitar para um ano onde eu sabia que era obrigado a agir e a passar a um capítulo seguinte da minha história. Não que isso não fosse o que eu tanto queria, apenas talvez estava à espera de melhores condições para o fazer ou de mais coragem, sem ter de ser pressionado a fazê-lo, mas acho que só assim o faria/farei.
Nunca fui de gerir mal as minhas economias, mas nunca tinha parado para pensar em usar uma certa quantia dinheiro e tentar proporcionar-me determinados momentos “só porque sim”, porque o destino e o dinheiro assim o permitiriam, então, no início do ano, coloquei os meus objectivos em stand by por um mês, e decidi “make it happen”. Acontece que tinha este amigo no Brasil que conheço há imensos anos, uma das primeiras pessoas que conheci no mundo gay, ainda dos tempos em que nos estamos a descobrir e a querer saber mais sobre isto tudo e a vida, e começamos a aventurarmo-nos no mundo virtuar, e nesses tempos, numa rede social conheci este rapaz. Pessoa fantástica, simpático, e as conversas foram as mais variadas no decorrer de muitos e muitos anos, talvez uns 10 ou mais, com ele desabafei tudo e ele o mesmo por mim. Ausentamo-nos um do outro em conversa quando tinhamos outras pessoas e sempre voltávamos quando sentiamos necessidade disso. Ele vem de outra realidade, de outro continente, do outro lado do Oceano, e eu sei que ainda estudando e trabalhando para pagar os estudos, tão cedo ele não poderia ter uma aventura por estes lados, e eu ainda não estava preparado para uma viagem “solo”, então resolvi tornar este encontro realidade. Falei com ele e ele aceitou vir um mês para a Europa. Não pensei muito, deixei-me ir. Fui ter com ele a Lisboa, onde o voo dele faz escala, e decidi passar uns dias por lá para ele conhecer Portugal... escolhi um hotel bem simpático e escolhi a Suite Principal ... não sei porquê... parece que eu estava com segundas intenções e ele sentiu isso, mas nesses primeiros dias não aconteceu nada, ele foi carinhoso e apenas nos sentimos bem um com o outro. Seguimos para a Suíça, onde passamos alguns dias pois eu ainda tinha dias de trabalho antes das férias e ele conheceu quase toda a minha família que aqui estava. Não sei porque o apresentei, acho que é por não querer mesmo saber de nada, do que poderia acontecer ou eles poderiam pensar. E acontece que eles adoraram-no, e principalmente gostaram de me ver com ele, e de como eu estava “diferente”. Ele conheceu alguns pontos da cidade, e decidi fazer-lhe mais uma pequena surpresa. Peguei em alguns pontos turísticos mais baratos na altura e preparei-lhe uma viagem de três países-cidades pela Europa.
Começámos a nossa viagem por uma cidade que é bastante conhecida por ser acolhedora para viagens a dois, Veneza em Itália. Devo dizer que estava bastante curioso por conhecer esta cidade, os canais, a forma de nos deslocarmos, e com malas, foi um verdadeiro desafio. Não desiludiu em nada, é verdade que é uma cidade que se faz a pé, mas assim é a melhor forma de conhecermos todos os cantos ao pormenor, e a comida aqui é divinal. Ainda tivemos tempo para uma visita de um dia a Burano, uma ilha-cidade de Itália que se visita através de um Barco que se apanha em Veneza, e foi verdadeiramente mágico, era super frio mas valeu a pena.
Em seguida, e como não poderia falhar, decidi ir a Paris, cidade pela qual eu sou apaixonado, e queria mostrar-lhe, acho que foi mais pelo meu desejo interior de ir a Paris com alguém especial, para ver se a cidade era ainda mais mágica, e assim foi, não me desiludiu (a cidade).
Em seguida seguimos para a Grécia, decidi visitar Atenas, que há imenso tempo me despertava curiosidade, com uma visita de um dia a Piraeus, a cidade vizinha. Atenas é diferente, ,muito mais industrial e envelhecida do que aquilo que eu poderia esperar, mas o lado turístico e histórico não desilude. A qualidade do hotel não desiludiu, fomos super bem tratados, vê-se a simplicidade e empenho das pessoas, super profissionais, e pela cordialidade da Hospedeira, ou Senhora da Limpeza do Andar que me tratou como eu nunca tinha vivenciado, deixei-lhe uma gorjeta super generosa e uma grande nota de agradecimento. Nesta cidade aproveitei para proporcionar-me um outro encontro com uma rapariga que também há imenso tempo conhecia da Internet devido ao nosso gosto em comum pela dança, decidimos sair e conviver um pouco e adorei conhecê-la. Para o dia com ela decidimos provar comidas e bebidas características gregas e ser um pouco mais atrevidos nas escolhas, porque normalmente eu jogo pelo seguro a comer.
Bom, o resultado desta aventura poderam ler no 2º post de 2015, eu sabia que não iria dar em nada pois ele vive longe, mas nunca pensei que me iria desiludir mais que isso. Ele desligou completamente de mim, eu nem estava à espera de nada, mas parece que esta viagem serviu para ele se reaproximar do ex-namorado dele e apagar-me da vida dele. Nas redes sociais dele quando se pode ver fotos e momentos desta aventura “de vida” que ele teve na Europa, em nenhum momento se pode ver a minha existência, e isso eu não compreendo, o porquê de negar a minha existência. E isso eu magoa-me e não desculpo, life goes on, mas não compreendo a atitude dele em “ocultar-me”. Mas ele já falou algumas vezes comigo desde então, e quando agora fez um ano dessa viagem ele fez questão de me lembrar. Anyway, é pessoa que não cruzarei mais na minha vida.
Ainda só vou no primeiro ponto de 2015 e aqui já vêm porque é que eu não fiz isto mais cedo, é que 2015 foi cheio de pontos que eu ultrapassei mas que segui em frente sem pensar neles ... se calhar desabafei de leve sobre alguns sem aprofundar porque não quis pensar muito neles, mas juntando-os todos eu vou ter de os abrir ao máximo e metê-los para trás de mim, e não consigo ter um texto “resumo” do ano que seja rápido e inspirador.
Foi um ano de constante stress no trabalho, um trabalho onde todos estavam fartos e saturados há imenso tempo, e o saberem que iria acabar não ajudou em nada. Portanto todos começaram a “agir” a definir e a acelerar objectivos, a tentar que as coisas “acontecessem” mais rápido. Eu ainda não tinha acordado verdadeiramente, eu sou muito de me deixar ir pelos acontecimentos e pelo destino ... tem corrido mais ou menos bem até então... Pouco tempo depois disto, a minha colega de viagens sugeriu-me fazermos mais uma pequena aventura, e consoante as opções decidimos ir para Espanha, a Santiago de Compostela. Eu tenho este ponto na minha “bucket list” mas como Peregrinação e não como destino turístico, mas fui na mesma. Não posso dizer que é um ponto turístico apesar de ter passado o meu tempo a visitar igrejas e monumentos religiosos, mas a aura que paira na cidade, o acolhimento das pessoas, o hotel, a energia no ar deixaram-me tranquilo, fizeram-me querer viver ali, isolado do mundo. Imaginei-me numa vida isolado do mundo, como em uma aldeia, onde encontramos as pessoas mais idosas, o rio que atravessa a cidade, as lojinhas de conveniência, amei verdadeiramente a cidade em si e a energia que remetia para outros tempos muito antigos.
Tentando voltar par a rotina em contagem decrescente, e com extrema necessidade de reagir, decidi que para eu acordar e reagir rapidamente eu precisava de meter as ideias no lugar e para fazer isso eu teria de ir a Portugal.
Em Portugal indo directamente para Portimão eu revi os meus amigos e a minha praia, e comecei a pensar em tudo... estava mais claro que nunca que tinha de voltar, era ali que eu queria seguir para uma nova rotina... eu estava outrora infeliz com uma rotina que me impedia de satisfazer os meus objectivos a curto prazo, ou a qualquer prazo e por isso decidi sair... viajei, economizei e avancei, evolui, e agora esses objectivos estavam alcançados, não havia mais motivos para estar longe da minha rotina calma, na minha cidade ou na única cidade onde fui mais feliz na minha vida. E agora que eu já tinha também percorrido o longo caminho de aceitar que o que nesta cidade se passou, faz agora parte de uma bela história do passado da qual guardo a mais bela recordação, eu estaria em paz para voltar. E aí eu acordei... voltar para uma rotina ok, mas voltar para uma rotina de pagar rendas de casas de outras pessoas e nunca conseguir a minha com um salário deste país, não ... então era o momento de pessar nisso.. sozinho, com 28 anos comprar  uma casa... nem sabia por onde começar.
Conversando com os meus amigos sobre isto tudo, resolvi na mesma semana marcar imensas visitas a casas para sondar um pouco o terreno, ver preços, pagamentos e tudo mais. Os meus amigos deram-me os melhores conselhos e eu tinha uma ideia do que queria, assim como bons exemplos de pessoas a seguir, pessoas que conseguiram algo na vida e que eu admiro imenso, que já referi em anteriores posts. Para meu espanto, este meu reencontro com eles para conversas, deram origem a algo que eu não esperava e que há muito eu tinha ambicionado e posteriormente riscado da minha “bucket list”, ser Tuno Honorário da Tunabebes, Tuna da qual eu fiz parte desde 2006 e que desde que fui para a Suíça eu continuava a visitar e fazer parte nos momentos em que ia a Portugal de férias. Os agradecimentos foram feitos e este foi um grande momento do meu ano, e deu-me a energia e motivação que eu precisava para começar a luta para o regresso oficial.
O Calor a voltar e eu com uns dias de férias para aproveitar ainda do ano anterior, fui forçado a seguir imediatamente para outras férias, e como não podia deixar de ser, peguei na minha colega de viagens, e seguimos de novo para Espanha, desta vez Palma de Maiorca. Como leram no devido Post, foi um erro, pois ela não gosta de praia, e destinos de verão com ela são para esquecer, mas pronto, visitámos o máximo que pudemos, incluíndo a cidade do outro lado da ilha, Porto Cristo, e foi uma viagem produtiva a nível turístico, mesmo que o ponto principal deste destino – a praia, não tenha sido alcançado.
Regressando por pouco tempo ao trabalho e ainda com dias de férias para aproveitar, e antes de tomar a decisão final de uma casa, decidi que enquanto tinha trabalho era o momento para uma última operação que sempre tinha querido fazer, e era o momento ideal, tirar as amigdalas. E agora ainda que ache ter sido uma boa coisa, se tivesse de voltar atrás, não o teria feito de novo, foi uma das experiências mais traumatizantes que tive, e o que isso me quebrou ao nível psicológico nem hoje eu conseguirei descrever... acho sim que isso foi o culminar do que se seguiria meses mais tardes a nivel psicológico.
Recuperação quase feita, aproveitei a baixa para voltar a Portugal tomar uma decisão final na casa e bancos e pouco tempo depois tive talvez o momento auge dos meus 20’s, talvez o segundo melhor dos 20’s desde que acabei a minha Licenciatura, consegui a minha casa!! Foi o objectivo mais improvisado e bem sucedido que tive até hoje, e correu bem, e apenas desejo que continue a correr bem por todos os anos que se seguem.
Com a casa em minha posse começava aqui um processo enorme e apressado de meter a casa perfeita de acordo com a visão que tinha despertado em mim, de como seria o espaço ideal para mim, criado por mim, e só para mim, pois estava sozinho nesta aventura. Esta etapa de preenchimento da casa encontra-se num rascunho que vou actualizando com o decorrer dos acontecimentos mas que ainda não concluirei tão cedo pois quero fazê-lo como deve ser.
Ainda antes de passar à etapa seguinte, e ainda em Portugal, não sei como, mas Portimão ainda tinha mais surpresas reservadas para mim, e até tenho medo de falar nelas com medo de correr mal de novo, e sabe Deus em como eu não quero que Portimão volte a correr mal, por isso eu fujo a sete pés de qualquer envolvimento amoroso. E mesmo que eu não corra, estou tão “frio” que as coisas naturalmente não correm bem, e isso não me afecta... mas ... acho que a minha chama voltou a reacender naquele dia na praia ... no meu dia de anos, no dia antes da escritura da casa, eu conheci talvez aquele que me irá ajudar a recuperar a minha essência ... mas isso já falei um pouco em alguns posts e muito mais estará para vir do desenrolar disto, eu só defini para mim bem claro que os meus objectivos nada tinham a ver com isto, para eu não seguir do caminho definido para mim.
Casa conseguida e processo de mobilar em seguimento, o trabalho começou a apertar, e o meu estado depressivo chegou a extremos, eu fiquei quebrado com tudo o que se passo neste trabalho, e isso talvez me tenha danificado por um bom tempo até eu conseguir ter uma boa relação com clientes de novo. O tipo de clientela e colegas a que me sujeitei neste trabalho, o que eu consegui enfrentar, eu não desejo a ninguém, e nem todos conseguiriam ter suportado isto. Hoje considero uma das minhas vitórias, e saiu de cabeça erguida deste trabalho.
Antes de encerrar esta fase, decidi pegar nesta pessoa que esta a crescer de importância para mim, e arriscar em algo, esqueci tudo aquilo em que tinha deixado de acreditar há imenso tempo, esqueci a minha frieza de coração e esqueci a má experiência de início de ano, e peguei nele e trouxe-o para uma pequena aventura na Suíça com direito a um pequeno passei à Alemanha ali ao lado, e proporcionei-lhe uma boa adrenalina na maior montanha-russa da Europa. Até hoje não me arrependi, ele tá a criar algo em mim que nunca tinha sentido por ninguém, está a criar um sentimento que não começa pelo desejo ... ou vontade, ele criou algo que começa por carinho, por atenção, por querer o melhor para ele, por querer lutar por algo, isto deixa-me confuso, porque ao recuperar de algo em mim que estava quebrado, estou a vivenciar algo novo que desconheço.
Esta quebra temporaria de ter de chegar ao fim do ano, e ele estar em Portugal, o trabalho stressante levou-me ao abismo, e entrei numa depressão grave, que nunca tinha vivido antes, uma depressão que não só me trouxe velhos fantasmas, e me fez engordar, como me enfraqueceu imenso psicologicamente e do qual ainda não estou recuperado.
E assim acabou o meu ano ... ainda continuo a lutar pelas mesmas coisas e estou em contagem decrescente para partir, eu e o meu irmão, que vai entrar na minha luta, e por quem vou fazer o máximo para ser feliz, mas vou ter de restringir a minha luta a isto, e fechar um pouco os olhos a quem fica aqui, por mais que vá ser difícil. Acabo o ano fraco psicológicamente e com uma auto-estima quebrada de uma forma que não estava há imenso tempo, ou talvez não tenha sido só o facto de ter engordado mas também o facto de estar com alguém de novo e eu não confiar no meu corpo o suficiente para acreditar que alguém possa gostar dele assim ... mas pronto ... assim acabo o eu texto ... são histórias vagas que não consigo dar final ainda... vamos ver o que 2016 me reserva... metade na Suíça e metade no meu regresso ...

........ e finalmente acorde numa tal manhã de Fevereiro em 2011 onde talvez não fosse suposto eu ter aceite uma viagem para a Suíça ... 

3 comentários:

  1. god...adorei...
    eu li a última frase antes do restante texto...e fiquei "apanhada" ...até estou em lagrimas...

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  2. Obrigado Honey, não a queria usar ainda... tinha o texto na minha cabeça desorganizado há imenso tempo, e depois tinha esta frase que me persegue há bués mesmo ...e tinha de a colocar para fora... diz tanto ... mas enfim .. ** Miss u *

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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