sexta-feira, 29 de abril de 2016

De extremos

Costumo encontrar-me em fases psicológicas de extremos, onde ou estou hiper depressivo e triste com o decorrer das coisas, ou então motivado e contente porque as coisas se estão a encaminhar ... mas o pior deste extremos de sentimentos, é o feeling de não ter estabilidade emocional, consigo stressar-me por nada ou apagar de exaustão, e isto está a deixar-me louco.
Mas atrás disto tudo estou a dois meses de ir embora de vez da Suíça, se tudo correr como planeado, e poderei passar para os passos seguintes dos meus projectos, eu o meu corpo e a minha estabilidade emocional, e estar ali para o mesmo objectivo do meu irmão que bem precisa de estabilidade.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ir embora da Suíça * Voltar para Portugal *

E chegamos à parte final de três sobre a Suíça. Comecei por vos dizer o que é necessário para emigrar para este país e expliquei-vos um pouco como é viver aqui e agora, se ajudar alguém, gostaria de vos falar do necessário para ir embora daqui.
Em primeiro lugar vem toda uma preparação emocional que varia de pessoa para pessoa, e eu como não dependo de mais ninguém tive de ponderar muito bem esta decisão. O porquê? Bem, chegamos a um ponto em que vemos em que etapa estamos, o que já atingimos e vemos que não vale mais a pena aqui ficar, não adianta mais massacrar-nos com esta rotina e carga de tarefas e dinheiro que não traz mais felicidade que a momentânea.
Portanto, preparem-se bem para dar o passo e preparem bem o que querem ter quando voltarem a Portugal, ou no país para onde querem ir. Sair da Suíça tem tanta ou mais burocracia como para aqui vir.
Para ir embora e anular documentos e contractos convém informarem-se do tempo de aviso que têm de dar a cada entidade e em último caso saibam que a atestação de partida uma vez assinada vai posteriormente anular todos os contractos que têm na Suíça, digo isto porque podem sempre decidir fazer tudo no fim, mas para as coisas que pagam quotidianamente vão receber uma última conta de cada coisa, e se poderem evitar algumas no final façam-no.
Outro dos passos a decidir é a vossa situação laboral no país antes de irem. Acontece que se se prepararem economicamente antes de ir, simplesmente se despedem do trabalho, tratam de tudo e vão. Mas para quem não quer pensar nessa decisão assim, pode encontrar forma de ir para o desemprego suíço que oferece a oportunidade ao desempregado de ir procurar trabalho num outro país da UE durante três meses ganhando exactamente a mesma coisa que ganharia desempregado na Suíça e a procurar trabalho respeitando as regras, e mais para a frente explico este passo.
Vou falar nos meus passos pessoais pois foi a ordem que escolhi para ir embora. Comecei por anular o meu contracto de telefone, pois para telefones que têm contracto de 2 anos como o meu que lhes dão o telefone gratuito se respeitarem os 2 anos, vão receber uma última conta com o preço do telefone e do fim do contracto ... que não é valor que se cheire... é hiper caro.. por isso eu decidi fazer isto volta de 11 meses antes da partida... razões minhas, mas este valor não se reflectiu nos gastos finais. Em seguida, e porque o meu irmão vai dar este passo comigo, procedi à recolha dos documentos dos estudos dele, que têm de ser enviados para a Coordenação do Ensino Português em Berna e autenticados pela Apostilha de Haia. Este envio é pago por vós por correio mas a autenticação é gratuita, e quase regra geral o estudo que concluíram aqui não é semelhante ao que equivaleu em Portugal, no caso do meu irmão ele teve de recuar dois anos. Cabe-nos a nós encontrar agora formas de equivalências para que ele faça rapidamente os anos seguintes em Portugal. Quando chegam a Portugal, na vossa cidade uma escola equivalente, secundária ou primária, tem de fazer o “reconhecimento” dos vossos estudos, isto é, ir lá e eles passam um documento a autorizar que vocês se inscrevam no ano seguinte.
O passo seguinte é escolherem a data de partida, pois tudo o resto terá prazo certo para ser anulado. Convém saber como vão levar os vossos objectos pessoais, eu tinha imensa roupa que levei e fui deixando nas várias vezes que fui a Portugal, e procurei imensas pessoas e entidades que fazem transportes de mercadorias e animais entre estes países, coloquei o importante em caixas e escolhi o que queria levar, tirei medidas de tudo e pedi vários orçamentos diferentes. Aviso já que é caro... comparem preços e decidam bem, porque por exemplo encontrei entidades que levavam 700€ por o envio de um sofá .. em casos assim vocês vêem se compensa enviar ou comprar outro pelo mesmo preço. E depois há aqueles que fazem um preço geral para tudo, foi um desses que aproveitei, e consegui o envio de tudo por 1300€. Recomendo que façam este processo uns 3 meses antes da ida final, assim podem colocar o dinheiro decidido de lado e já não contar com ele, e com isto decidir a data de enviar tudo. Eu por exemplo fiz três meses antes e vou enviar tudo antes da data final de ida.
Para aqueles como eu que tiveram de recorrer a uma entidade de caução para a casa e que pagam anualmente um valor e que têm lá esse dinheiro acumulado para que no fim seja utilizado para reparar eventuais estragos que haja na casa no momento da partida. Podem avançar com alguns retoques não muito caros, como a pintura do espaço, para que no fim esse dinheiro não vos saia da caução. Depende de cada um aqui, eu por exemplo, dá-me geito reaver aquele montante, é algo extra que eu ganharei no final.
Agora, para quem como eu se questiona, como recomeçar em Portugal em relação a IRS, Finanças e impostos etc, por se terem ausentado muito tempo do país, digo-vos que nada alterou. Como a Suíça assinou o acordo de Livre Passagem entre pessoas da UE, na Suíça sabem que pagaram os impostos e a segurança social mensalmente, portanto isso será comunicado a Portugal no momento da reforma, ou no momento para alguns, que como eu, pedirão que esse dinheiro seja retido numa Conta de Livre Passagem na Suíça para que esse dinheiro não se perca, e acreditem que se perderá. Portanto para Portugal basta retomarem as vossas actividades normais e na altura devida de entregarem a Declaração de IRS fazerem-na. Relembro que para estarem aptos a fazer a declaração de IRS têm de ter estado pelo menos 6 meses a residir em Portugal senão não será preciso. Outra coisa para retomarem normalmente a vossa actividade em Portugal será alterar as moradas no vosso Cartão de Cidadão e Passaporte, e na Conservatória se tiverem habitações, passarem-nas de Secundárias para Permanentes, e para quem recebia correspondência do banco no estrangeiro, colocar a correspondência de Portugal.
Agora para sair da Suíça como eu referi, o dinheiro que aqui acumularam para a vossa reforma não pode ser perdido, e para não o perderem convém bloquearem-no numa conta de Livre Passagem que pode ser aberta em qualquer banco na Suíça e recomendo que o façam assim que estejam livres pois é algo hiper rápido de se fazer e não precisa ser feito à última hora. Com essa conta aberta vão receber documentos que terão de enviar à Entidade de Providência que trabalhava com o vosso último patrão, têm de saber qual é; e à AVS, ambos documentos juntos com as cópias dos vossos documentos pessoais e a atestação de partida. Enviam a essas duas entidades junto com um formulário que cada uma vos terá de ceder que é um pedido do extrato para saberem quanto acumularam e quanto ficará guardado.
Agora perguntam-se se não há dinheiro que poderão tocar. Sim. Na parte do 2ème Pilier ou LPP ou nesse da Providência do ex-patrão, havia uma parte do que vos era retirado que não era obrigado pagar, pagaram apenas porque meteram a taxa alta e vocês pagaram a mais, essa parte que pagaram a mais vocês podem pedi-la em espécie (cash) na altura que entregarão os documentos.
Relembro que este processo é todo feito no último mês na Suíça, pedir os formulários e extractos no início do mês, e entregar tudo no fim do mês. Saibam que para esse dinheiro vos ser transferido para a conta será num prazo de 90 dias, por isso já estarão fora da Suíça quando o dinheiro lá cair. Como disse esse dinheiro será bloqueado na conta e poderão desbloqueá-lo cinco anos antes da reforma, se quiserem. Nessa altura poderão retirá-lo todo ao mesmo tempo, e se o fizerem terão de o declarar nos impostos, ou por mensalidades, e aí não têm de declarar.
Sabendo o que têm de fazer para o fim, e com a data definida para partir. Eu decidi anular dois meses antes, a Billag que é a entidade que regula os sinais de rádio e televisão, e anulei a Citycable que era onde tinha o contracto internet em casa. Anulei estes dois por não querer pagar estas últimas contas junto com as últimas despesas. Recomendo que se souberem as datas de partida, comprem com muita antecedência o bilhete de avião, se forem utilisar este, para também não cair nas últimas despesas.
Dois meses antes de partirem, e se estiverem no desemprego, é aí que mencionam à/ao vossa/o conselheira/o no desemprego a intenção de irem procurar trabalho os 3 meses fora do país, pois ela tem um prazo de 30 dias para vos dar resposta, e aí convém dizerem que ainda vão tentar procurar um mês na suíça mas que querem dar início ao pedido para o caso de não encontrarem, para poderem ir na altura que planearam. E eles aqui podem lixar-vos os planos, por isso Boa Sorte.
Se forem com o desemprego há esse momento que fazem o pedido à/ao conselheira/o, e há um documento para pedir essa autorização, se ela aceitar, quando o disser ela fornece-vos logo as 3 folhas que entregam mensalmente à Caixa do Desemprego para não terem de vir à Suíça todos os meses, e enviam isso por correio, estando certos que chegará cá no momento certo, ou eles não vos pagam. Quando forem, a/o conselheira/o dá-vos o documento de autorização para quando chegarem a Portugal têm 7 dias para se inscrever no desemprego português onde terão igualmente de respeitar todas as regras, excepto que estes não vos pagarão e apenas vos fazem cumprir a lei.
Há ainda um outro documento que pedem logo à/ao conselheira/o, ou pedirão no decorrer dos três meses, que é um pedido de autorização para que as indemnizações de desemprego sejam transferidas para Portugal no caso de não encontrarem trabalho nestes três meses. Com este pedido, se for aceite, pois pode não ser, no fim dos três meses enviam à conselheira, se for aprovado, o tempo que ainda vos restava de desemprego na Suíça passará para Portugal, mas o salário passará para o critério português e ganharão como alguém desempregado em Portugal.
Portanto durante esses três meses não poderão nem pedir o dinheiro para a conta de livre passagem, nem pedir a atestação de partida. E se antes de irem os três meses para Portugal conseguirem alguém para onde possam mudar a vossa morada façam-no pois assim não pagarão a renda Suíça durante esses três meses. Eu consegui. Mas para quem não consegue terá de manter a renda para ter onde receber o correio na Suíça, pois além da renda terão de continuar a pagar o Seguro de Saúde.
Independentemente de quando se vão livrar da casa, na minha gerência eu bastava avisar um mês antes, e foi o que fiz, com esse aviso, o mesmo foi para a companhia de electricidade e aquecimento, para a caução da casa e para o seguro de incêndio. Assim tudo será anulado para a mesma data.
Se têm animais não esqueçam de os vacinar para a viagem e provavelmente o veterinário vos venderá um calmante para eles para viajarem sem stress. E assim que chegarem a Portugal para evitar mais gastos em vacinas podem logo ir para a alteração na morada do ship do vosso animal. Em junção a isto não se esqueçam que agora terão igualmente o prazo de um ano para alterar da vossa carta de condução em formato suíço, para quem o fez, para o formato português de novo, se pasarem o prazo terão de fazer exame de novo. E se têm diplomas de algo feito na Suíça, será o momento em Portugal de pedirem a tradução ou equivalência.

E Boa Sorte para a retoma da velha rotina portuguesa, vão ver que será mais “suportável” depois de saberem como era pesada la fora. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Viver na Suíça !! *

Já vos tinha escrito anteriormente sobre o que fazer para viverem e trabalharem na Suíça, e como já viram não é sempre fácil, e por vezes é apenas uma questão de sorte.
Este pequeno post é agora para vos dar um pouco a minha perspectiva de como é viver aqui, e aviso já que as minhas opiniões não são as melhores.
Mais uma vez refiro que, sim vale a pena vir, endireitar a vida, avançar na compra de coisas importantes, aqui ganham suficientemente bem para isso tudo, mas a que preço?
Os costumes, as tradições, as personalidades, a carga horária no trabalho, os trabalhos abaixo da expectativa, tudo isso vai transformar-vos a um ponto impensável, e a muito custo voltarão a ser a pessoa que eram antes de vir para a Suíça.
Os suíços são super racistas, não porque não gostem de portugueses, mas porque aqui há imensos, e não só portugueses, o nível de imigrantes aqui é muito elevado e há imensas comunidades neste pequeno país. Portanto não esperem que um suíço, um patrão, uma empresa vos receba de braços abertos. Por outro lado eles reconhecem que nós somos mais esforçados, que temos mais experiência, embora com menos formações em geral, que somos mais fiéis e duráveis numa empresa. E os outros suíços que perdem os postos de trabalho não ficam nada contentes com isso, pois estudam imensos anos, e os estudos aqui custam muito caros, para depois serem substituídos por nós. Em contrapartida, nós aceitamos trabalhar em postos mais reles e baixos para conseguir chegar onde queremos, aprender a língua, conseguir documentos e tudo mais e eles não querem fazer esse tipo de trabalhos, falo de limpezas, construção, empregados de mesa e balcão, etc.
Na Suíça não há vida social. Bem aqui as opiniões dividem-se, há aqueles como eu que vêm para cá, integram-se, ainda saem um pouco ao início e socializam mas a certo ponto lembram-se dos  motivos que os fizeram vir para aqui e começam a eliminar objectivos de vida, comprar casa, carro, viajar, etc, e preparam uma boa vida, depois regressam a Portugal, ou apenas continuam aqui a conseguir mais e mais, e estes que ficam são em regra geral, famílias, casais, filhos que têm cá os pais, ou pessoas mais velhas; outros como eu acabam por ir embora quando já atingiram a meta, ou o limite de paciência.
E depois há a outra minoria que vêm para cá e faz exactamente a mesma rotina que fazia em Portugal, de não avançar na vida, ficar apenas estável no trabalho, sair socializar todas as semanas, nights, vida nocturna, e assim se mantém durante anos, e a vida passa. Estar aqui pode ser muito mau, e muito bom nesse aspecto. Pessoas que sabem escolher o produto mais barato na loja, economizar como faziam em Portugal onde não havia muito dinheiro, etc, essas pessoas chegam muito longe, os outros nem por isso.
Os suíços têm uma personalidade muito fria, são muito secos e rígidos, e não têm pena de ninguém, eu vi isso em inúmeras situações, principalmente em entrevistas de trabalho, onde é uma chacina; e sobretudo trabalhando em restauração e lidando com os clientes. Agora há duas coisas que acontecem normalmente, recuam e voltam para o vosso canto pois ficaram ofendidos por eles serem como são, e daí faz com que fiquem sempre em cargos onde não lidam muito com os clientes; e os outros que se adaptam, não se calam, e a personalidade vai sendo alterada à força para saber lidar com eles. Este foi o meu caso, levei tanta martelada, fui tão empurrado que comecei a certo ponto a reagir, a responder, e isso tornou-me numa pessoa que eu não gosto, reconheço que é mais forte e me protege mas deu-me uma parte suíça que eu não gosto nada mesmo.
Aqui há hábitos de vida, rotina, casa e trabalho que nós em Portugal não estamos habituados a ver, simplesmente porque a vida é menos regrada e mais simples, e isso faz bastante falta. Aqui há regras para tudo, há sanções pesadas para quando não se cumprem.
Um exemplo bem rápido são os sacos do lixo, aqui só os sacos oficiais do lixo podem ser usados para o mesmo e colocados no contentor, se usamos outros, eles retiram e metem no chão e não levam, e se apanham quem o fez essa pessoa é penalizada, e esses rolos de sacos são hiper caros. O que obriga as pessoas a reciclar imenso para colocar o menos possível de lixo nos sacos oficiais, e cada prédio está fornecido com os seus contentores de cartão, vidro e lixo normal, sendo que cada rua tem um outro contentor para roupas e sapatos, latas e afins. E há um dia ou dois por mês em que carrinhas vêm buscar coisas maiores como móveis, aparelhos, entre outros.
Outra coisa diferente é andar nos autocarros e metro da cidade, que possuem várias linhas que vão para diferentes zonas da cidade, e para os quais temos passes que temos de tirar mensalmente, quase 97% das vezes não existem controladores, eles apostam na fidelidade das pessoas e confiam que eles tirem sempre passes e bilhetes e nunca vêm controlar. Por outro lado, nas raras vezes que controlam, podem multar com penalizações enormes.
Multas de trânsito por incumprimentos do que quer que seja também não são fracas.
Nos nossos prédios, na maior parte deles as casas estão todas proíbidas de terem máquinas de lavar, por isso as gerências fornecem uma casa na cave com máquina de lavar e secar, e em algumas uma casa com ventilação para quem não quer usar a máquina de secar. Os senhorios da gerência, fornecem-nos cartas que carregamos com dinheiro e usamos pagando cada lavagem, há um aparelho próprio que metemos a carta e ela activa a máquina de lavar ou secar. E cada apartamento do prédio tem o seu dia específico da semana para lavar, no meu caso e no meu prédio, como eu tenho um estúdio pequeno, só tenho uma tarde para lavar de 15 em 15 dias, ou seja duas vezes por mês, o que a princípio foi difícil de engolir.
Em regra geral a vida na Suíça é cara, ir a restaurantes é caro, sair à noite é caro, comer fora caro, comprar nas lojas caro, transportes caros, e por aí fora, vai ser preciso uma fase de adaptação para reaprender a gerir o dinheiro, principalmente a nível de saúde, pois como já referi no anterior post, os seguros de saúde aqui são caros, mas até passarem o limite mensal do seguro que têm, têm de pagar tudo, e consultas aqui é horrível.
Aqui há também médicos de família onde vão e se queixam, mas eles quase nunca vão a fundo no problema. Aqui existem pequenas clínicas para cada divisão do corpo, e quase sempre o médico vos direcciona para essas clínicas e acabam por pagar o médico e depois a clínica – ridículo. Em contrapartida, se tiverem de ser operados a algo não existe nunca tempo de espera como se fala imenso em Portugal, é super rápido nesse aspecto. Pessoas como a minha mãe por exemplo que têm imensos problemas de saúde, quando passam o limite mensal pago pelo seguro, aproveitam para se queixar de tudo o resto e fazer as operações que têm a fazer, o que é tudo gratuito depois de terem passado o limite.
Outro problema na Suíça é para ter um carro, além de ser muito caro, até o simples facto de estacionar é caro, ninguém que não pertença a determinada zona da cidade pode estacionar sem um documento no carro que calcula a hora em que estacionou e depois há um limite para ali deixar a viatura. Os outros que ali vivem têm de comprar uma autorização de estacionamento, digamos portanto que não compensa andar de carro na Suíça pois é um atrofio com estacionamentos e pagamento de parques para estacionar.
A comida tradicional não presta, tudo reside à base de molhos, e comida mal passada que eu pessoalmente não gosto, mas o pior de tudo é o facto de ser “gourmet” e eu gostar de comer abastadamente. Claro que se formos para o lado “fondue” ou “raclette” a coisa ainda vai muito bem, pois é um excelente prato, ou digamos se vamos a lugares de comida tradicional portuguesa ou espanhola, brasileira ou italiana, também, mesmo em fast food eles não são muito ricos e apenas ficam pelo básico.
Outro ponto ainda dentro da gastronomia é o “chocolate” ... sim é bom, mas não é um “tenho de o provar obrigatoriamente”, ok há mais variedade, porque há muitas empresas sediadas aqui, mas nada de especial.
Um ótimo factor que eu gosto aqui é o nível de criminalidade ser bastante baixo. As ruas e a noite são razoavelmente seguras, claro que há gente parva em todo o lado e há sempre que ter atenção, mas considero segura a cidade onde vivo. Também o facto de as penalizações serem hiper elevadas dá um pouco de medo à coisa. E por conseguinte, aqui ser diferente até não é muito mal visto, minorias aqui podem estar tranquilas que não são vistas de forma diferente. O nível de aceitação é relativamente bom.
Um factor que eu não gosto aqui são “os portugueses” e passo a explicar, há uma grande percentagem de portugueses que vêm para aqui e tentam viver como se estivessem em Portugal, recusam-se a integrar, recusam-se a aprender, a falar a língua do lugar onde estão e apenas socializam entre eles, não gosto disso, e ficamos com uma reputação muito má. Além do mais já aconteceu ver alguns que insultam mesmo as pessoas em português como se ninguém os entendesse.
Estar na Suíça é gostar da solidão, mas até para quem gosta da solidão tem os seus limites. Fazer uma rotina de casa-trabalho e focar-se nisso não é fácil, enfrentar os desafios sozinho, aprender a língua, e para alguns casos fugir dos laços de afecto, como eu, que por não gostar do país não me deixei aproximar de ninguém para não magoar as pessoas por me ir embora um dia mais tarde. Tudo isto pode pesar muito no estado depressivo de alguém. Até mesmo socializar. Basta lidares com alguém que faça uma rotina diferente da tua ou não tão económica e que para estares com essas pessoas tenhas também de sair à noite e “gastar dinheiro”.. nem sempre é fácil.
Mais uma vez refiro que as prioridades com que vêm para cá nunca devem ser esquecidas. Eu vim pelo simples facto de experimentar algo novo, orientar-me financeiramente pois tinha algumas coisas para pagar em Portugal que poderia na mesma pagar em Portugal, mas vir para cá fez com que as pagasse mais rápido. Vim para me aproximar mais da minha família, o que consegui, e que eles me aceitem como eu sou. E por fim quando nada mais fazia sentido eu optei por satisfazer o meu gosto em viajar, e conheci quase a Europa toda. Ainda tive uma mini fase de querer ir para Paris e viver e fazer montes de coisas lá, pois é a minha cidade favorita da Europa, mas passou-me. Mas acima de tudo nunca esquecer as prioridades e que as coisas façam sentido, pois quando já não fizer sentido têm de ter força para seguir para a próxima fase da vossa vida. Eu quase me perdi já para o fim, e quase não tive forças para sair deste limbo onde estava.
E digo-vos mudar de país depois de terem saído de Portugal, ou sair de um país para regressar a Portugal é tão ou mais difícil como o primeiro passo que deram ao sair de Portugal, e há igualmente o mesmo número de chatices.
Um dos pontos positivos que se tornaram negativos na Suíça é o frio. Eu adoro frio, chuva, inverno e o tempo assim “xoxo” como diz a minha avó. Mas aqui tudo foi a um nível muito mais acima do esperado. O frio é abusivo, o vento com frio, ou tudo isto com neve em vários meses do ano, podem arrasar com tudo, a pele queima, os lábios secam, em certas partes do país bem altas é quase impossível respirar, de tão puro e frio que é o ar. E torna-se difícil manter a rotina com estes factores climáticos, há dias em que a neve é tanta, ou manhãs em que os autocarros simplesmente não sobem as ruas com tanta neve, e trabalhos e escola têm de ser cancelados por esses factores.
Um factor interessante aqui é o pagamento de contas. Tudo aqui se paga em buletins que vêm para casa com uma data limite para as pagar, se não pagam a primeira, chegará uma segunda com um valor acrescido e vão até três avisos, se continuarem sem pagar. Se ao terceiro aviso não pagarem a dita conta, a entidade pode ir à justiça e o valor sairá automaticamente do vosso salário no fim do mês sem que vocês possam contestar. Uma coisa boa é o facto de poderem ir à farmácia quando tiverem de ir mesmo sem dinheiro e darem o vosso cartão de saúde e mais tarde a conta ir-vos para casa.
Aqui as pessoas não gostam de ser incomodadas, qualquer coisa chamam a polícia, eu vejo muito acontecer isso em relação ao barulho entre vizinhos. Ao mínimo incómodo as pessoas contactam a gerência que vos envia logo um aviso que quando chega ao terceiro vocês são obrigados a trocar de casa. E eles nem se preocupam a ouvir a vossa versão da história.
Outra cena super chata aqui é o Desemprego, para começar, para terem direito ao mesmo têm de ter trabalhado 12 meses sem interrupções, e mesmo depois de conseguirem ter direito ao desemprego há imensas regras e controlos, são hiper chatos.
Ah, aqui têm uma mania muito chata de ir propôr serviços porta a porta, e de conseguirem puxar conversa, e ainda para mais têm a mania de aproveitar-se de pessoas que falam mal francês para as meterem em contractos que elas não desejavam. Desde telefones, a mudanças de seguro de saúde e internet, geovás, greenpeace, há de tudo um pouco, o melhor é fazerem como eu, ou não abrirem a porta, pois toda a minha família ou amigos que me visitam sabem que além de tocar na campainha têm de me chamar para eu poder ouvir a voz deles; ou abrir a porta e ser frio e mandá-los embora sem mesmo ouví-los falar.

Bom e acho que fiz um bom apanhado do que eu pude reter da Suíça. Estou contente que vá terminar em breve, foi uma carga muito grande viver aqui, transformou-me, transformou a minha personalidade. É verdade que sou mais forte agora, mas a que ponto me transformei, tive cortes muito grandes no meu espírito e a muito custo tou a tentar recuperar um pouco da minha essência perdida. Boa sorte para quem quiser tentar.
Ricardo.

sábado, 16 de abril de 2016

New World * First Steps...

Nestes últimos dias tenho andado às voltas com questões de decoração ... ainda que já tenha decorado o meu estúdio aqui na Suíça, desta vez a questão de decorar a minha casa é toda a um mais alto nível, porque agora o espaço é meu.
Para mim uma casa deve ser o espelho de quem lá habita, no meu caso, como sou eu e a minha gata, toda a decoração será apenas ao meu gosto. A casa deve ter elementos que contêm um pouco o teu gosto, a tua ambição e a tua história, e só à medida que vou procurando e pesquisando me vou deparando com os diversos pontos que quero e visualizo o meu espaço.
Não tem sido fácil, pois quanto mais vejo mais quero ou mudo a ideia anterior que já tinha escolhido, mas em algumas vezes até chego a um consenso e prefiro ir concretizando por essa ordem, onde já estou decidido.
Apesar da casa que comprei ser nova, o anterior proprietário já a tinha mobilado ao seu gosto e portanto quando levou tudo o que lá tinha, isto é, candeeiros, varões de quortinados etc, deixou as marcas dos mesmos que tinham de ser refeitas de novo, para tudo estar perfeito. Na varanda os ferros estavam corroídos com alguma ferrugem dado o sol, maresia e até mesmo gaivotas, e isso precisava de ser refeito mas com algo resistente a esses factores. Nesta casa onde estou tinha optado pela minha fantasia de ter tudo preto e vermelho, usando uns brancos e mais tarde uns cinzentos. Já não vou cair nesse erro, são cores brutais e futuristas, até modernas, mas tornam-se sombrias por vezes, e muito solitárias em alguns momentos, já para não falar que em questão de limprar o pó.... são um castigo todas as semanas, e sabe Deus que eu só limpo quando tenho vontade e não quando tem de ser.
Desta vez quis algo que seja alegre, mais adulto, moderno e aconchegante ao mesmo tempo. Então tradicionalmente as paredes serão brancas, e misturarão castanhos claros e cremes, para coincidirem com o interior do apartamento, portas, roupeiro e móveis da cozinha.
Como eram trabalhos que se fariam rápido, foquei-me em outro ponto que decidi mudar no apartamento, retirar a banheira e colocar um duche italiano feito em pedra. Acontece que devido a traumas das casas onde vivi, tenho horror de banheiras, são um retentor de bactérias, tornam-me claustrofóbico quando enchem de água e são feias. Para mim o chuveiro é muito melhor, eu tomo banhos todos os dias e são banhos de apenas alguns rápidos minutos, é mais moderno, e não há nada como uns amassos dentro do duche.
Decidi escolher uma pedra própria para o duche a Ardósia, que escolhi em preto por gostar da ideia de Spa para esta divisão da casa, mas ao mesmo tempo escolhi para a pedra também alguns tons de castanho pois as paredes são cremes e o móvel do WC castanho claro, então tive de adaptar. Como adoro tomar banho com o corpo em contacto com a pedra, a ideia remeteu-me para uma cascata, e então comprei um chuveiro com essa função de cascata que dá a impressão de uma queda de água. Ainda no chuveiro, além de opção chuveiro normal, ou manual, também tem jatos de água para uma boa hidromassagem em casos de maior cansaço ou stress.
Com estes planos iniciais, decidi contratar uma equipa que me concretizasse as ideias, pintar a casa, os ferros da varanda, reparar-me as marcas nas paredes, e refazer-me a casa de banho. Bom saber que em especial estes trabalhos no WC aumentaram-me o valor da casa se um dia quiser vendê-la.
Ao mesmo tempo encontrei um Seca-toalhas a instalar na parede onde poderei ter o conforto de uma toalha quentinha depois de um banho no Inverno, e uns apoios de toalhas e roupão de banho bem modernos. E procedi à compra dos mesmos.
Neste WC eu tinha um Bidé.... out ... não gosto de bidés, não gosto da ideia de apenas lavar uma parte (feia) do corpo quando tem de ser, não tenho qualquer utilidade para o mesmo, então mandei tirá-lo e usar esse canto do WC para refazer um mini WC para a minha filha.
Para finalizar e visto não haver muito espaço no WC, optei por comprar um total de 12 cubos de paredes e uma prateleira para a mesma, e assim focar toda a arrumação na parede, é uma parede bastante alta e conseguirei colocar bastantes coisas.
Eu tenho gostos futuristas, para uma casa, mas a minha alma vintage requer esse também um certo conforto e eu preciso de ter elementos vintage na minha casa, i'm an old soul, e não posso fugir disso, nem quero ter uma casa toda moderna onde eu sinta a obrigação de a manter sempre moderna, eu vi numa transição de séculos, numa fase de transição de tecnologias e isso tem de se ver em minha casa. Então essa representação vai estar presente.
Outro factor que quero presente é os ambientes de onde eu venho e por onde passei. Gosto das minhas origens, e quero colocar aqui o que o alentejo tem de bom, quero tons castanhos, quero madeiras, decorações em madeira, quero leveza, simplicidade, humildade, quero ver-me a mim em casa mas ao mesmo tempo uma casa onde imagino que os meus pais e avós se sentiriam bem. Ao mesmo tempo quero representar aquele Algarve que me recebeu e me fez escolher ali ficar, quero pequenos tons de mar, céu, quero a alegria, quero a esperança, quero o sonhar, quero a praia e o sol, quero algumas coisas que remetam para essas ideias.
Ainda que a casa respeite uma decoração base eu quero que sejamos transmitidos para realidades diferentes ao ir de divisão para divisão.
Elementos vintage serão encontrados especialmente no quarto, todo o quarto old school, cama de rei com os varões e quortinados, tudo king size, e cómoda, espelho, mesa de cabeceira, tudo em madeira trabalhada manualmente em Bambu super pesado. Quero este vintage misturado com o luxo dos tempos modernos que se encontrará nos quortinados, na decoração, na roupa de cama e almofadas e  no candeeiro. Escolhi apenas uma mesa de cabeceira para o quarto, ainda não consegui decidir-me sobre o que colocarei do outro lado da cama.
Em seguida foi a vez de tratar da Iluminação de toda a casa, sei que isso implicaria uma pessoa com experiência pois a parede teria de ser furada, visto eu ter pedido para taparem as marcas dos candeeiros anteriores. Comecei com a compra de todo o material, os candeeiros foram super difíceis de escolher, mudei de opinião umas quatro vezes, depois ver o melhor para cada divisão da casa, ver um estilo que entre na decoração geral da casa e na decoração específica de cada divisão, foi um trabalho duro mas fiquei orgulhoso com o resultado. A escolha das lâmpadas não foi menos trabalhosa, escolher tipos de lâmpada, temperatura da lâmpada, côr da luz, coisas com as quais eu nunca tinha lidado na vida. Aqui optei não só por colocar lâmpadas LED's que são mais económicas, como também tentei dar o melhor ambiente à casa com a temperatura adequada, e ainda me forneci uma boa quantidade de reserva just in case.
Ainda na Iluminação decidi alterar todos os Interruptores e Tomadas da casa, pois além de terem aspecto rasco e mal instalados, não entravam na decoraçâo em si. Comprei tudo novo, alterei estilos de interruptores e tomadas, ficou muito mais moderno e sinceramente nunca pensei que me custaria o valor que custou ... já sei que dá um valor ainda maior à casa.
Com outras coisas para instalar que requeriam mão-de-obra onde eu não tenho experiência, conseguiu-se encontrar um electrecista que tem conhecimentos em outros campos, e aproveitei para ele me fazer uns trabalhos extras. Não só me alterou as grelhas na cozinha e varanda, os ditos respiradoros e ventilações interiores, como também me instalou um cabide de parede no hall de entrada bastante simples e moderno, os apoios das toalhas e estantes de parede no WC. Sinceramente fiquei surpreendido com o trabalho do senhor e já ficou contratado para as próximas instalações, que ainda haverão mais.
Consegui posteriormente decidir-me por um Sofá... foi mais uma escolha difícil que teve de ser apressada pela tão atraente "Black Friday", que me fez fazer esta compra antes do previsto. Como não foi algo que pensei e repensei, tive de levar o meu tempo a apaixonar-me pela minha escolha, mas acho que em termos de espaço e tamanhos, fiz a escolha acertada.
Equipar a casa não é fácil, e não poder fazer quase nada em casa enquanto lá durmo também não é fácil, principalmente para a carteira, mas sempre que aqui fico para uns dias tento ir gastando um pouco com pequenos objectos, principalmente para equipar a cozinha, para não custar tanto de comprar tudo junto no fim. Comecei com alguns pratos e copos, já tenho algumas frigideiras, facas, apoios de guardanados, bastantes produtos de limpeza, panos e produtos de higiene... pouco a pouco, as reservas vão enchendo.
Não só vou avançando nos objectos em casa como também cada vez que aqui venho trago as malas de bagagem cheias de roupa que aqui fica, para eu não ter de trazer toda no derradeiro momento, e deixo a mala de viagem por aqui, pois tenho algumas de reserva.
A caminho do próximo passo, aconteceu-me um imprevisto com a madeira do quarto. Acontece que é um bambu importado, e apesar de tudo ser envernizado e devidamente tratado há sempre risco dos chamados "bichos da madeira". Eu nunca me tinha deparado com tais problemas mas ... parece que há uma primeira vez para tudo. Ainda que a cómoda, espelho e mesa de cabeceira, seja madeira hiper forte e envernizada, a cama já não foi a mesma história. A madeira teve de ser furada para montar a cama, e há fissuras onde o estrado encaixa, essa parte de encaixe interior não estava tratada ou protegida e trouxe algo que lá ficou durante meses e na primeira vez que dei algum aquecimento à casa, isso provocou à eclosão das cenas. Não quero entrar muito mais no caso, está a ser tratado, a cama devolvida e uma nova entregue, mas é a tal cena, fica a paranóia de que aquilo se vai repetir, a confiança foi quebrada, e de vez em quando vêm aquelas comichões só de pensar nos bichos. Não que eles alguma vez se tenham passeado pelo colchão, foi algo que sempre ficou dentro da madeira.
Assunto encaminhado, e eu já a ficar com meses na contagem decrescente, foi altura de apostar um pouco na parte de electrodomésticos.
Aproveitando os Saldos e mais algumas promoções, decidi avançar com o Frigorífico e a Máquina de Lavar Roupa. Não era exactamente o tipo de material que tinha em mente. Sempre quis algo cromado, aquele cinzento metalizado que nunca envelhece ou enferruja, mas na altura de comprar não havia, esgotou. E como o frigorífico que eu queria estava hiper caro, consegui encontrar o mesmo, mas em branco e cinzento, e decidi arriscar... é mais uma daquelas coisas que me irei apaixonar mais com o tempo, não tenho dúvidas.
O mesmo para a máquina de lavar, comprei uma Hotpoint que lava até 9kgs, com espaço para lavar as maiores coisas, gostei mas tive de optar por uma branca com porta em acrílico, pois a que era toda em acrílico era consideravelmente mais cara, e eu achei um absurdo. O bom disto foi que na compra da máquina tive acesso a um micro-ondas-forno gratuito, igualzinho ao que eu tinha na Suíça, logo fez três electrodomésticos.
Depois de mais um round no mês seguinte, fui sondar um pouco preços para fechar as minhas varandas, quero aproveitar a vista, mas ao mesmo tempo quero segurança para o meu gato, e quero protecção para que eu possa aproveitar melhor estes espaços da casa, principalmente no Inverno, então pedi alguns orçamentos em opções diferentes para tentar fazer algo para aqui. Foram dias de pormenores, tentanto dar um pouco mais de conteúdo à casa, pequenos retoques em silicones, e decisões, principalmente no WC, decidi-me por juntar mais uns cubos nas paredes, para ter mais espaço de arrumação. Controlei se continuava tudo bem com as madeiras da casa dado o último trauma que tive, tudo estava perfeito. Andei também a ver preços para reparar o estore da cozinha que tinha um desnivelamento, e aproveitei e controlei todas as janelas que parecem estar bem e com um sistema de tranca óptimo. Aproveitei e experimentei o sofá onde dormi umas noites, e devo dizer que é bastante confortável e aconchegante, experimentei a máquina de lavar, para lhe dar algum uso, e tudo é perfeito, e tem modos económicos de lavar. Usei este tempinho para equipar mais a cozinhas, uns pirexes, uns tachos, mais objectos e já alguma comida e bebida daquela de stock e validade mais prolongados, recipientes de condimentos e cenas desse género.
Devo dizer que o meu guarda roupa está abarrotando pois desta vez enviei praticamente tudo o que tinha, aproveitando o facto de mais familiares meus terem viajado comigo e eu ter aproveitado a bagagem deles, e começaram a surgir os primeiros problemas de arrumação. Preciso de estudar melhor a arrumação da roupa, pois ainda chegará o meu irmão com as coisas dele, e eu tenho de ter onde as arrumar, e tenho de estudar uma estante bem grande de arrumação na varanda, onde não só guardarei malas de viagem como outros objectos maiores. Aproveitei e sondei preços de termoacumuladores e televisões que serão o meu próximo passo.
Mais uns pontos batidos, comprei o meu estendal enorme em alumínio que ficará numa das varandas, um estendal resistente de abrir e fechar para não incomodar, mas de meter na parede, pois eu odeio estendais normais. Um outro ponto que resolvi avançar foi uma Smart TV LED razoavelmente grande para o quarto, que temporariamente ficará na sala pois eu para a sala imaginei algo maior.
(Continua ... )


terça-feira, 12 de abril de 2016

Emigrar para a Suíça !!

Olá. Estou a escrever este texto a conselho de uma amiga que depois de me ouvir desabafar sobre o ir-me embora da Suíça e de saber o quanto existe em burocracia me disse que eu deveria escrever sobre isso para bem informar o pessoal. Então este desabafo dividir-se-á em três partes.
Para começar, e para aqueles que gostariam de sair em direcção à Suíça, país para onde decidi emigrar em 2011, tenho de começar por dizer que o primeiro passo a tomar é o mental. Estejam muito bem decididos a arriscar e principalmente vão com uma mente aberta e disponíveis a adaptar-se às mais caricatas situações e sobretudo a diminuir as expectativas que possam ter imaginado.
Não vos posso dar os meus motivos, pois eu decidi ir visitar a minha família e dadas as boas condições que o país oferecia em contraste às que eu tinha em Portugal na altura, nada apetecíveis, decidi arriscar nesse desafio.
Em primeiro lugar não podem numa esquecer que se vierem para a Suíça, a língua com a qual lidarão vai depender muito da zona da Suíça para onde forem. A Suíça divide-se em quatro línguas: francês (língua com a qual eu lido), alemão, italiano e uma minoria de romanche. Tenho a delinear, que por mais que falem qualquer uma destas línguas, e tal como ir para qualquer outro país, os conhecimentos que vocês têm de uma língua nunca serão suficientes, isso pode quebrar em muito a vossa auto-estima e confiança, por isso venham abertos para serem corrigidos e aprenderem com isso. Tudo se aprende, e com várias técnicas as coisas vêm rápido. Eu tinha imensas bases de francês, com muito esforço posso dizer que com um ano já tinha um nível razoavel de compreensão, com dois anos já tinha boa reflexão de resposta e com três anos já conseguia ter uma conversa ponderada. O ser espontâneo e impulsivo a conversar virão no quarto ano e seguintes.
A Suíça assinou o acordo de livre passagem com a União Europeia, apesar de não fazer parte dela, o que significa que qualquer um que venha pertencente à UE tem o direito de aqui permanecer num máximo de 3 meses como turista. Para quem vem para ficar, o principal é encontrar com quem ficar. Não se espantem se muitos amigos ou familiares vos recusarem abrigo e derem desculpas, aqui o alojamento ou aluguer de casas divide-se em duas categorias, as casas subvisionadas e as não subvisionadas. As primeiras são aquelas às quais nos candidatamos de acordo com os nossos salários mais baixos e onde temos ajuda da câmara (ou Comuna aqui), quer dizer que os preços são mais razoáveis, já para as segundas os preços variam muito e há menos controle. A maior regra é que para aquelas mais baratas, o preço delas é nos dado consoante os salários de quem la vive, se os residentes quiserem abrigar alguém, pessoas que para cá vêm trabalhar por exemplo e essa pessoa começar a ter um salário, as coisas podem complicar-se, e as rendas aumentarem ou levarem até mesmo à expulsão dos residentes. Os suíços são hiper exigentes em fazer cumprir regras.
Há ainda a hipótese de fazer isto e só meses mais tarde alguém controlar e pedir-vos para sair da casa, foi o que aconteceu comigo que fui para casa da minha mãe que era destas mais baratas, e quando descobriram que eu lá estava, eu já tinha tempo de trabalho suficiente para alugar a minha própria casa. Já a minha alugada não é destas controladas e eu posso meter quem eu quiser lá dentro sem alterarem o preço.
Outra hipótese é desde o início procurar logo um trabalho no qual o alojamento seja incluído, quartos, etc. Existem alguns.
Normalmente para qualquer contrato, nomeadamente de casa, todas as entidades pedem as "Fichas de salário" de três meses, ainda que ache que a lei tenha mudado recentemente.
Passemos ao trabalho. Para poderem ficar na Suíça precisam de ter um "Permis de séjour" ou Autorização de residência, para poderem preencher este formulário de pedido, precisam de ter um contrato de trabalho em mãos, e para terem um contrato de trabalho precisam de ter um seguro de saúde. Como para terem este seguro de saúde precisam de ter um contrato de trabalho, isto entra em choque, portanto o que precisam primeiro é de fazer um contrato e dizerem que vão em seguida buscar a inscrição no seguro e a maioria concorda nisso. Com o contrato em mãos podem dirigir-se à Câmara (comuna) para o pedido do Permis, que consoante o contrato que mostrarem pode variar, do B, duração de 5 anos; L duração de meses ou 1 ano ou o de fronteiriço se decidirem trabalhar aqui e viver do outro lado de uma fronteira.. mais tarde terão o C que é o de dupla nacionalidade, onde conseguirão ter as regalias equivalentes aos suissos.
Quando escolherem o seguro de saúde (ou Assurance) onde se inscreverem tenham muita atenção no que fazem, muitos agentes aproveitam-se da inexperiência que têm com seguros de saúde e até mesmo da vossa pouca fluência em compreender para vos dar mensalidades absurdas sem nenhumas regalias. Aqui podem também ponderar consoante à resistência da vossa saúde. Se são alguém que fica constantemente doente ou não.
Quando fazem o contrato de trabalho, essa entidade de trabalho fará obrigatoriamente a vossa inscrição no 2ème Pilier, e quando fizerem a inscrição no Seguro de Saúde eles farão automaticamente a vossa inscrição na AVS ou 1er Pilier, isto tudo quer dizer a Reforma. Acontece que como em Portugal temos de fazer IRS, impostos blabla, aqui temos estes dois "Piliers" que juntos nos dão a reforma. Ambos saem todos os meses do vosso salário automaticamente e não têm de se preocupar em esperar pela altura do ano onde têm de pagar impostos ou preencher declarações. Explicando para miúdos imaginem uma barra com a mensalidade da vossa reforma, 50% vem das prestações que pagaram à AVS que é a reforma principal, depois 25% são um suplemento que sai das prestações pagas ao 2ème Pilier que são para tornar a reforma mais confortável, e ainda há outros 25% de um Seguro Opcional que os suissos gostam de pagar para tarem no conforto reformados, que nós imigrantes quase nunca escolhemos pagar, mas é o 3ème Pilier de cujas prestações mensais sai esses 25% finais.
Quando chegam na Suíça têm de fazer uma atestação de chegada no país, ou seja, ir à Comuna e pedir este documento onde escrevem a data que entraram para eles verem que não passaram dos 3 meses limites. Aqui eles não pedem qualquer prova, portanto .. sintam-se livres de meter a data que quiserem... Eu por exemplo encontrei trabalho no início do 3o mês, mas há quem tenha demorado muito mais e tenham jogado com essas datas.
Ao mesmo tempo que assinam um contrato de trabalho vão ter de abrir uma conta bancária basicamente no mesmo dia, para poderem dar esses dados à entidade patronal.
No trabalho a folha de salário divide-se em vários pontos onde vem no topo o salário bruto que ganham 3800 francos por exemplo, dando-vos o salário que eu ganhava no primeiro trabalho que tive, que depois vai sendo cortado para pagar as várias coisas que aqui são obrigatórias. Começo pelo AVS (1er Pilier) e o LPP (2ème Pilier) e já vos falei anteriormente do que se trata cada um. Temos depois uma percentagem para o Seguro de Acidente de trabalho caso aconteça algo, um Seguro de Desemprego para o caso de irem para este, uma parte de alimentação e bebida se tiverem adquirido no contrato entre outros que não me lembro. Recordo-me que onde trabalhei a comida era opcional e a bebida obrigatória de pagar. Tudo retirado dava-me um total de 3000 e qualquer coisa, que era o dinheiro que ficava para mim, para pagar as minhas coisas.
Um pequeno aparte para o desemprego. Aqui só poderão usufruir deste se trabalharem um ano sem interrupções.
Para quem vem de fora e fez estudos ou formações fora, antes a Suíça obrigava a passar por um processo de fazerem algo extra aqui, um ano de estudos no meu caso para o Turismo. Mas agora tudo mudou. Com o acordo de livre passagem dos europeus, a Suíça é obrigada a aceitar e reconhecer os nossos estudos, basta que se dirijam a uma entidade que faça a tradução dos documentos e a carimbe ou atentique, eu escolhi a Alliance Française que há em vários locais em Portugal.
Um aparte para esse Acordo de Livre Passagem. Indo para a Suíça não precisam de se preocupar em manter a vossa situação de IRS ou Segurança Social, Finanças sempre controlada em Portugal. Aqui tudo é pago normalmente. E se tiverem propriedades em Portugal cabe a vocês declararem-nas nos impostos suíços ...  ou não.
Um parágrafo para a carta de condução. Aqui podem pedir o formato suíço da carta (muito mais feio) mas estejam certos do que vão fazer, se não conduzirem nunca não façam, de qualquer forma têm um ano para decidir alterar ou não, se o fizerem como eu, em alguns minutos têm a carta nova por um custo mínimo, mas eu quase nunca a usei, não era necessário. Saibam que para regressar a Portugal um dia o processo será semelhante, um ano para alterar para a versão portuguesa.
Vir para a Suíça é praticamente alterar a rotina, a vossa rotina será aprisionada em casa-trabalho e vice-versa, claro que se conseguirem aguentar nights e festa, e tudo mais, muito bem, mas fazerem essas escolha é abdicar de outras, pois essa é uma escolha muito cara. Estar aqui permite-vos de ir longe em objectivos e realizar alguns pontos importantes dos vossos objectivos e sonhos, os meus eram quase todos viagens e eu viajei sem parar imensas vezes, e a certo ponto equilibrei os meus objectivos com a compra de uma casa em Portugal. A certo ponto têm de pensar até quando querem estar nesta vida, se algum dia vão querer regressar, se sim, o que querem ter lá quando regressarem ou como querem que seja a rotina quando regressarem, ponderar se vão querer estar assim por muito tempo - sozinhos ou em casal, etc.
Posso dizer-vos também que se mantiverem as boas escolhas e formas de não gastarem muito dinheiro como faziam em Portugal, em compras e afins, aqui vão conseguir poupar bastante.
Saltando de novo para o aluguer de uma casa, refiro que aqui todas as gerências pedem o pagamento de uma caução que ronda quase sempre os mil francos, que se não os tiverem em mãos, a gerência vos faz inscrever numa agência de cauções que vos cede a caução e a qual pagarão uma mensalidade anual. Eu tive de aceitar pois não estava preparado com esta informação, mas se poderem ter esta prestação anual a menos para pagar, pode ser útil.
Ao serem aceites numa casa, são automaticamente inscritos na companhia de electricidade e aquecimento, cujo valor vem numa factura conjunta. Na Suíça não se paga água, apenas o "aquecimento" da mesma se optarem por água quente; além do aquecimento em casa que é ligado automaticamente quando as temperaturas baixam imenso, o que acontece regularmente nas estações mais frias. Para o aquecimento é uma percentagem que se paga, portanto no fim de cada ano contem com o acerto, no meu caso eu recebo sempre pois como é um pequeno apartamento não gasta muito e recebo imenso no fim do ano de reembolso, mas sei de casos que pagam bastante.  Com um apartamento vem também a inscrição obrigatória com a ECA ou seguro de incêndio, não é opcional, mesmo que a casa esteja vazia, e chegam a pagar um montante de 20 francos anuais.
Uma ligação com a casa é a Billag, que é a entidade que regula a captação de sinal de radio e tv. Eu considero esta entidade bastante ridícula. Se tiverem TV, telefone, computador, um carro, esta prestação que pode ser trimensal é obrigatória e ronda os 100 e poucos francos cada trimestre. Quer dizer que com estes aparelhos vocês podem ouvir musica e videos etc, logo para eles pagam. Mesmo tempo contratos de tv, telefone ou internet ilimitada, pagam na mesma esta entidade à parte. 
Outro ponto a ter em atenção para aqueles que têm animais é verem nos anúncios se aceitam animais ou não para não vos meterem na rua.
Faço um pequeno aparte para estes dizendo que aqui há vacinação que é obrigatória, assim como a alteração na morada do Chip do animal, considerando que este tem chip senão terá de meter um. Não há prazo para fazer isso, mas convém no caso de um controlo ou de viagem com o animal, podem retirar-vos o animal. 
Voltanto ao apartamento, as pessoas aqui na Suíça são muito complicadas e abusam com as regras e o respeito das mesmas, no caso da vizinhança e do barulho que possam fazer em casa, acontece muito os vizinhos queixarem-se à gerência sem mesmo falarem com vocês e dias depois recebem um aviso em casa a ameaçar que serão expulsos sem mesmo ouvirem a vossa versão da história, depois de um número de queixas são mesmo expulsos. Portanto este é um ponto muito importante. 
Os apartamentos na Suíça ou 95% deles não é permitido terem máquina de lavar roupa, por isso este é um ponto a habituarem-se. Cada prédio tem uma cave ou duas, com máquinas de lavar e casas de estender e secar roupa, pelo menos no meu caso que sou hiper paranóico com lavagem de roupa e usar máquinas que todos usam, foi difícil e tenho de estar sempre munido de detergentes bons e anti bactérias para lavar a minha roupa onde outros que nem sequer conheço lavam. Além do que haverá um horário mensal definido a explicar os únicos dias em que o vosso apartamento pode lavar, no meu caso, como é um pequeno estúdio eu só tenho uma tarde de 15 em 15 dias, o que é horrível. 
Uma coisa boa na Suíça, ou não, são os contratos de telefone, aqui com uma fidelização de dois anos na companhia, podem ter um telefone gratuito, seja ele qual for, mas tenham atenção se quiserem anular o contrato, aí a ultima conta será o preço do telefone por terem cancelado, ainda que se cancelarem poderem guardar o telefone. Mas aqui os contratos são muito bons, a preços baixos e com regalias que não temos em Portugal no que respeita ao limite de tráfego internet, chamadas e mensagens, aqui não há limites. O mesmo para os contratos de internet, que para pessoas como eu que não vivem sem um PC, aqui a um preço razoável têm internet ilimitada cujo valor vem junto com a conta da luz e aquecimento. 
Antes de acabar faço uma pequena referência para a vossa preparação para se depararem com trabalhos que em nada têm a ver com aquilo para o qual estudarem... género, empregado de mesa, balcão, limpeza, loiças etc, que a maioria aceita aqui para começar a aprender o francês e só depois quando estão confortáveis saltam de área de trabalho. 
Eu pessoalmente gosto de evitar as comunidades portuguesas, e não me julguem quando digo isso, apenas se vierem irão tirar as vossas próprias conclusões, mas eu mantive o meu nível de exigência desde o início, concretizei os meus objectivos, e nunca fiquei com a mania das grandezas por viver na Suíça. Ao contrário de muitos que a primeira coisa que fazem quando para cá vêm é comprar um carro, e ir viajar para Portugal de carro para se exibirem, e que mais tarde já se recusam a falar português ou fazem uma mistura das duas línguas, imensos pontos com os quais não estou de acordo. Além de haver uma pequena minoria problemática que dá imensos atritos aqui, e insulta os suíços em portugues, etc o que torna uma grande parte da população aqui racista contra nós.
Faço um pequeno aparte para quem tem carro, não aconselho a trazerem, é muito dispendioso trocarem as placas aqui, mais vale venderem e comprar outro aqui... se precisarem realmente de um carro.  E para a actualização de documentos pessoais, que podem fazer aqui no Consolado mas não aconselho, se poderem fazer isso tudo em Portugal podem manter o máximo da vossa raiz em Portugal. Fazer aqui implica que a morada oficial fique a daqui, e cada vez se sentirão menos portugueses. Já para não falar que um dia mais tarde se voltarem para Portugal, são mais coisas a trocar e mudar.
Acho que falei de tudo o que era importante sobre imigrar para a Suíça. Espero ter ajudado.
Ricardo.

sábado, 2 de abril de 2016

Não sei amar

Eu não sei amar … é a verdade … eu não sei ter este grande sentimento dentro de mim. Eu sou um viciado na solidão, no isolamento, logo, quando tenho este sentimento de depender de alguém, todo o meu cérebro entra em conflito comigo mesmo.
Eu não sei amar, pois nunca senti esse factor de uma forma saudável... nunca tive grandes exemplos de boas relações na minha vida e até bastante tempo aprendi a esconder esse sentimento dos outros pois não podia demonstrar ao mundo o amor gay, e as relações que se seguiram as primeiras foram batalhas de novas sensações mas nunca houve uma única pessoa que me amasse incondicionalmente ou que me ajudasse a  encontrar um equilíbrio entre o amor saudável e o amor absurdo ... ou mesmo uma pessoa que me tirasse os meus medos e me desse o meu espaço na solidão.

Foi só algo que precisava exteriorizar ... eu adoro a solidão .. consigo ser imensamente criativo nela ... é quase como um vício em sofrer que lá no fundo se transforma em prazer.