Não sou
muito de pensar em « razões”, no porquê de me ter acontecido algo, ou de
estar como estou, ou onde estou ... sempre fui muito ponderado nos meus passos,
mas a verdade é que no último minuto a minha decisão nunca é tomada com
ponderação, mas sim com impulso, não importando muitas das consequências.
Não gosto
muito de pensar em que ponto eu perdi as rédeas da minha rotina e me meti em
piloto automático, a verdade é que esse robôt age tal e qual eu agiria em
perfeito estado de sanidade, mas esse robôt apenas é desprovido da maioria dos
sentimentos que a mim me impediriam de fazer muita coisa.
Aquilo que
me levou ao abismo e posteriormente à dose diária de “alegria” e “indiferença”
a que os médicos chamaram de Prozac, tornou assim os meus dias em algo mímico.
Eu ajo e reajo mas sem me importar.
Mas nem
tudo é mau, e talvez eu tenha de abrir os olhos ao que isto tem de positivo...
aliás, tudo o que esta droga me faz fazer, é tudo o que eu fazia antes de ter
caído bem fundo... eu tinha todas estas “forças” e “friezas”, esta droga apenas
me deu “mais algumas” que desconhecia.
Com esta
“pílula alegre” as minhas noites não são tão solitárias, no entanto, antes eu
adorava os meus momentos de solidão só para mim, o meu cantinho, antes de isso
se tornar perigoso para mim. Com ela os stresses do trabalho ficam no trabalho
... vou motivado em aprender, continuam a haver colegas que gostam de intrigas,
onde eu antes temia entrar, clientes que reclamam, fato que eu sabia lidar bem
dada a minha experiência la fora. Mas agora eu vou trabalhar, faço o meu
trabalho, escuto os colegas ou os clientes falarem de algo que não lhes agrada
e simplesmente olho para eles como se eles não vissem o mundo que existe lá
fora além deste pequeno Resort e desta receção; assinalo que sim com a cabeça
em sinal de compreensão e continuo a fazer o que estava a fazer, amarrotando
cada história e conversa ouvida e jogando no cesto do lixo.
Hoje já
reduzo as conversas com a minha família, se há algo que estava mal era a minha
preocupação com eles em exagero, esta dependência psicológica que me mordia em
conjunto com todo o restante vírus que tinha em mim... tive de tornar isso
saudável.. de alguma forma... não quero dizer que não me preocupo, mas acho que
não é “preocupar” que quero dizer, pois eu não os posso ajudar nos problemas
deles dada a realidade em que vivo agora, mas sim ouví-los quando me sinto mais
aberto para isso.
Não atendo
o telefone todos os dias, senão é demais, sobrecarregam-me com todo o desabafo
e para manter a sanidade que a “droga” me ensinou a equilibrar, tem de ser
assim. É que a droga é uma escola de reenquilíbrio mental e físico.
Por falar
em físico ... esse descambou ... num “eu” sem “droga” já me tinha cortado os
pulsos pelos kilos que ganhei nestes tempos todos com o vírus no meu
interior... mas a “pílula da felicidade” também tinha umas vitaminas de
auto-estima... humm nem diria auto-estima, porque não me faz gostar de mim...
simplesmente não me deixa perder tempo a pensar se estou bem ou mal, se gostam
de mim ou não, estou assim, quero melhorar, mas não faço disso uma tortura
imediata... quando tiver de ser será, a seu tempo.
E
consequência disso, tudo tem apaziguado mais na relação que tenho atualmente...
não só não me preocupo tanto em querer agradar, mas prefiro ser alguém que está
bem consigo mesmo para poder estar bem com outra pessoa. Isso tem feito a minha
relação resultar. Não conhecía este “eu” liberal e que confia tanto em alguém
ao ponto de não invadir um pouco a privacidade de alguém apenas para manter a
confiança nessa pessoa. A pílula faz-me confiar cegamente... humm.. não...
apenas me faz deixar as coisas andar naturalmente... atento aos sinais, pois a
pílula não faz de mim parvo, mas a pensar que se algo mau acontecer... deixa
andar... vira costas e foca-te em outros pontos... Mas ... está tudo a correr
bem.
Com isto,
não parece que me esteja a queixar, com tantos pontos positivos... mas onde é
que isto me deixa a pensar “q.b.” (pois a “droga” não me deixa pensar por
muitos segundos seguidos). Nas rédeas. Essas que nós agarramos e nos ajudam a
ir em frente e a comandar a vida e os obstáculos. Sinto que perdi um pouco a
“palavra”. Estes meses drogado têm-me feito recuperar muita coisa perdida, e
descobrir muito mais sobre mim que ajudam a rotina a ser perfeita, porque não
pegar nessa aprendizagem e comandar eu agora, de novo.
Não tenho
vergonha do desequilíbrio que sofri e do poço onde mergulhei, teve de
acontecer, fui muito alto e muito longe, e precisei de ajuda. Agora decidi
recomeçar.
Acho que a
minha história foi, é, e sempre será sobre aventuras e recomeços, vezes e vezes
sem conta, com uma bagagem impensável de experiências e aprendizagens que não
são tarefa fácil. E por isso decidi deixar a droga.
Mas meus
caros... a reabilitação não é fácil para todos ... o vírus tem de ser expremido
do organismo... e tenho de manter a calma, a inspiração... meditar e respirar
fundo.
Com isso
decidi também recuperar o meu corpo que há muito está perdido, decidi isso
agora, em fase de desintoxicação, pois assim o meu cérebro foca-se em outros
pontos, e esquece-se da droga por momentos. E também porque decidi assumir que
tinha um problema com o meu corpo e pedir a ajuda necessária para melhorar.
Esperemos que resulte.
Update
soon... desintoxicação no 2º dia.
Sem comentários:
Enviar um comentário