Faz algum tempo que me determinei a tratar da minha transformação a todos os níveis. Acontece que por mais que tenham a opinião formada sobre mim ou sobre a minha aparência, se nós não nos sentirmos bem com nós próprios, nunca vamos conseguir transparecer a 100% que estamos bem com a nossa auto-estima, e na verdade são muito poucas as pessoas que estão bem consigo mesmas hoje em dia.
Por vezes podemos cruzar-nos com pessoas que nos fazem sentir bem é verdade, e isso faz-nos desleixar, e não vermos que estamos a ir por maus caminhos, e a ficar com aparências diferentes; não devemos nunca perder a opinião sobre nós próprios só porque alguém se sente bem connosco assim como somos. Eu já caí nesse erro...
Muitos podem não ver essa transformação em mim, pois ela tem sido lenta, eu próprio mal a vejo, mas já lhe vou reconhecendo os traços e é isso que me vai dando forças para continuar... Desleixar-me neste ponto? É muito fácil, basta estar em sítios errados com pessoas erradas para ir por outros caminhos menos saudáveis...
Agora, não estou aqui a falar das minhas transformações... estou a querer chegar ao ponto onde falo do que me levou a querer estas transformações, do que elas estão a originar, e do que eu queria que elas orginassem...
Pois bem... quem não me conhece há anos, não sabe pelo que passei, olhando para mim agora, ninguém diria que até aos 10 anos de idade eu corria, jogava à bola, e era esquelético, por outras palavras, era o que se chamava "um rapaz normal", as ideias parvas de criança estão sempre à porta quando se tem um espírito de brincadeira, e as minhas levaram-me a apanhar uma gastroentrite quando estava a acabar a primária... não sabia eu o que me esperava...
O tratamento da gastroentrite para quem não sabe, cinge-se a colocar no organismo, mais especificamente nos intestinos grandes quantidades de água quente, e outras tratamento; tudo por via "um tanto ou quanto difícil de pronunciar"; mas que por consequência, além de nos limparem os intestinos, também os alargam bastante, o que consequentemente aumenta o processo de digestão, o que origina cada vez mais e mais fome. Resultado: Iniciei o meu Ensino Básico com o processo de engorda a começar...e não parou até ao 9° ano.
Resumindo estes anos, que eu tanto tento apagar da minha vida, mas que não consigo, foram anos dolorosos, anos em que fui gozado, anos em que estive do lado das pessoas que não são "populares" na escola, por isso hoje lhes dou valor, estava no grupo dos marrões, simplesmente porque pouco me restava fazer na escola a não ser estudar; o que vejo de positivo nisto é que ao menos ainda não me tinha começado as confusões da sexualidade, mas talvez isto tenha sido um grande empurrão para elas. Acredito que estes tempos me tenham ensinado a dar valor a boas amizades, a defender pessoas mais fracas que precisavam dessa defesa contra pessoas que a vida pouco lhes ensina, e acima de tudo deram-me grandes valores morais. Gosto sempre de ir apreciando a vista à medida que avanço na vida, e algumas dessas pessoas anormais de cérebro não chegam nem a metade de onde eu cheguei.
Infelizmente, esses mais valias que advieram dessa experiência, nada contribuiram para que a minha auto-estima se elevasse. Eu era gordo, não me conseguia controlar, as pessoas com que estava, e em casa não ajudavam nem motivavam a minha melhoria e o tempo foi passando, nunca recebendo um elogio, nunca namorando, e apenas sonhando no meu pequeno mundo.
Cheguei ao Secundário, após um ano totalmente inútil no mesmo, eis que reencontro velhas amigas minhas da Escola Primária, eramos bons conhecidos, mas eu estava num grupo de pessoas que passavam despercebidas, e elas estavam naqueles grupos que se achavam superiores e os outros inferiores, como tinhamos boa amizade (achava eu) comecei a andar com elas, a forma como lidavam com as pessoas, a forma como me tratavam a mim e me faziam sentir levaram-me a entrar numa fase de desprezo pelos outros, e por mim mesmo. Entrei para o ginásio, para a nutricionista, dexei de me dar com as pessoas que antes considerava importantes, e agora limitava-me a ser a sombra delas...
Serviu de alguma coisa? Se calhar serviu apenas para "iniciar" esta transformação, mas a auto-estima nunca se iria alterar, tendo companhias como estas, pois so se viam a elas ao espelho e era impossível que o partilhassem com alguém... Sentia que precisava de uma mudança radical... no último ano "extra" do Secundário separámo-nos involuntariamente, elas seguiram e eu fiquei por ali a dar-me com a minha nova turma, não fiz grandes amigos, pelo menos agora já não lido muito com eles, mas foram pessoas que se mantinham cada um no seu lugar, e não desprezavam ou se importavam com a aparência uns dos outros; e isso serviu para eu aprender em muito com eles...
Ainda assim, a minha autoestima não mudou em nada... precisava de uma mudança mas radical que a mudança de companhias... e o fim do secundário, a saída do Alentejo, a entrada na Universidade, o corte radical com amizades (no sentido) de começá-las do zero...serviu de muito...
Ia muito "traumatizado", não sorria, nao convivia, mas as Praxes talvez me tenham ajudado nesse ponto, pois as pessoas são praticamente obrigadas a socializarem umas com as outras, a ajudarem-se, e eu começei a ver que realmente estar fora de casa e afastado de pessoas que conhecemos pode realmente mudar um pouco as pessoas... apesar de haver pessoas que serão sempre anormais e estúpidas...
O meu corpo tinha mudado um pouco com a nutricionista, o ginásio tinha-me dado massa muscular apesar de com a gordura que ainda tinha extra, isso pouco se notar... mas pouco a pouco fui descobrindo como lidar com o meu corpo, descobrindo os meus gostos, como o da Dança... patamares que as minhas companhias e mentalidades das mesmas nunca me deixariam descobrir, e acima de tudo estava a descobrir a minha verdadeira sexualidade, agora que começava a ser apreciado pelas pessoas.
Finalmente chego à fase que referi à pouco, a mudança estava a notar-se aos olhos dos outros, mas ainda faltava, falta, o essencial, eu sentir-me bem comigo mesmo, sentir a minha auto-estima elevada. Ja perceberam o que me levou a querer mudar... Pois estas mudanças ainda que pouco visíveis na minha opinião, como eu referi, elas estavam a começar a fazer com que pessoas reparassem em mim, e mal cheguei a este sitio novo, deparei-me com situações de engate, com as quais demorei a conseguir lidar... pessoas interessadas em mim, pessoas a querer algo comigo, pessoas que me usaram.. eu deixe-me usar por elas, pois era tudo novidade para mim... simplesmente me sentia bem, pois elas faziam-me sentir bem comigo... mas isso era o que me faziam sentir, não o que eu sentia la no fundo dentro de mim...
Mais recentemente, depois de uma série de desgostos decidi iniciar "mais um processo de transformação" este diferente de todos os que fiz até agora... um processo de transformação do corpo, mais lento, mas que ao mesmo tempo a sua evolução é acompanhada com a evolução da minha auto-estima, e sobem em simultâneo...
É bom, pois tenho aprendido a apreciar-me a mim próprio, a querer trabalhar mais a imagem que gosto em mim, o meu estilo de roupa e afins... mas outras coisas também estão a mudar...
Antes sentia-me feio, e pensava que devia sentir-me grato por pessoas que eu não considerava giras se interessassem por mim, e não entendia como é que eu não conseguia sentir nada por elas... sinto que me tornei exigente nesse ponto... Agora sinto-me no direito de escolher as pessoas... e sinto que cada vez que melhor me sinto, mais direito tenho de ter a pessoa que mais acho indicada para mim...
Não sei se posso ser assim... mas quero realmente ter a pessoa que corresponde aos meus parâmetros de beleza exigidos, e quero lutar para ter os parâmetros indicados para poder fazer essa exigência... mas tenho medo de que, quanto mais atinja, mais me torne na pessoa a nivel interior que eu sempre odiei.
Será a beleza interior o preço a pagar pela beleza exterior?... Ou haverá um concílio entre as duas?... Vamos ver... Só sei que não consigo nem quero parar esta lenta evolução para atingir o limite da minha auto-estima por agora..pois estou a atingir algo de muito bom e sinto-me bem com isso...
O objectivo, estar perfeito no meu espelho, com alguém ideal ao meu lado...
mas não te esqueças...quem feio ama, bonito lhe parece.
ResponderEliminarcontinuo a defender a minha ideologia do "sorridente encantado"
:)
um ponto de luz...
ResponderEliminarum rasgo na veia de poeta
sera que tu ao menos me entendes?
(last post)
bj, MT
Adorei o texto!
ResponderEliminarEstá escrito de uma forma muito honesta (eu sei que me estou a repetir…).
Identifico-me com imensas coisas que escreveste, apesar de as nossas vivências terem sido naturalmente diferentes.
È completamente verdade o que dizes que não adianta que os outros nos digam que estamos bem e tudo, se no fundo nós não nos sentimos bem connosco próprios.
E também tens razão quando dizes que é fácil cair no desleixo, é bastante! Basta apenas alguns dias para destruir tudo (ou pelo menos quase tudo) do que se conseguiu em meses!
A destruição é sempre tão mais fácil que a construção!
Por isso devemos sempre ter em mente o nosso objectivo…e dedicarmo-nos imensamente a ele…mas também não de forma que fiquemos obcecados…e isso é muito fácil de acontecer…muito fácil mesmo…e aí começa uma série de conflitos…entre eles, o que também referes no texto…o conflito entre beleza interior e beleza exterior…
Sim (respondendo á pergunta que colocas no texto), eu penso (e sinto) que, de facto, há um preço a pagar pela beleza exterior…e esse preço a pagar ressente-se, evidentemente, na beleza interior.
Quando não nos sentimos tão confortáveis com a nossa imagem temos tendência a seguir dois caminhos: ou nos isolamos completamente do mundo e não nos relacionamos com ninguém por termos demasiada “vergonha” que os outros nos vejam e nos julguem, ou, na evidência de sermos mesmo “obrigados” a relacionarmo-nos com os outros ( que é o que acontece), estamos sempre bastante inseguros se as pessoas nos vão aceitar…se gostam realmente de nós…sentimos uma necessidade imensa de agradar toda a gente para que de certa forma esqueçam a nossa imagem e se concentrem na nossa personalidade…conclusão: tornamo-nos naturalmente pessoas “melhores”, mais bonitas interiormente…pouco (ou nada) falsas …e pouco (ou nada) fúteis…
Quando atingimos um novo” patamar”…quando conseguimos que a nossa imagem se torne mais plausível...aí as nossas prioridades mudam…a nossa forma de encarar o mundo muda…porque nós somos um íman das reacções dos outros que nos rodeiam…e se reparamos que a reacções dos outros perante nós muda…nós também mudamos…
É um processo gradual…lento…e nem sempre nos sentimos completamente confortáveis com tudo isso…e por vezes acabamos por não saber lidar com isso…porque é novo para nós…mas ia eu a dizer…que quando a nossa imagem começa a mudar …começamos a sentirmo-nos melhor e queremos sempre mais…e começamos a concentrarmo-nos demasiado em nós…deixamos de sentir tanta necessidade de nos esforçar para ser aceites …acabamos por cair na tentação de pensar que temos um encanto especial…e que mesmo deixando os outros mais para segundo plano, eles vão continuar a gostar de nós …não que seja por maldade…e quase nem nos apercebemos…mas o egocentrismo acaba por ser um predador muito forte.
E sim, acabamos por nos tornar naquelas pessoas que odiávamos porque eram demasiado pretensiosas…
Mas acontece outro “fenómeno” também…como referi anteriormente…muitas vezes não sabemos lidar com as transformações que ocorrem na nossa vida com a mudança da nosso imagem…e chegamos á conclusão de que de nada nos adiantou ficar mais “bonitos” se continuamos a sentirmo-nos irremediavelmente feios…
E acabamos por concluir que o que pensávamos que nos faria muito felizes…é, de certa forma, inútil…
Quanto ao que dizes sobre o facto de agora seres mais exigente em relação aos parâmetros da pessoa ideal para ti…acho completamente legítimo …é um processo evolutivo perfeitamente natural…
Bem, desculpa o comentário um pouco extenso…mas sabes que este é um assunto que me diz imenso nesta fase da minha vida também.
De resto, deixo-te de uma frase, que se aplica imenso a mim, e que também se pode aplicar a ti.
"Hoje entendo que não é por mudar de vida que iria ser mais feliz, que nada estava errado com a minha vida, mas sim comigo."
Beijinhos
Cara MT:
ResponderEliminarQuem me dera que essa teoria me calhasse mais vezes..amar feios e ter bonitos... eu nem sei o que amo... eu so quero a pessoa certa... vou esperar para ver se aparece.
Beijinhos RR
Cara SG:
ResponderEliminarPor vezes agrada-me que tenhamos estes caminhos semelhantes... partilhar contigo mudanças corporais, aventuras nas mesmas...
Apesar de sermos pessoas diferentes, e tu seres muito mais forte que eu no que respeita as tentações da gula, eu tenho aprendido muito contigo, não deixando de pensar à minha maneira claro, mas tem sido uma experiência deveras enriquecedora.
Beijinhos RR