quarta-feira, 30 de março de 2011

À beira de algo...

Estou constantemente a ser atacado por pensamentos opostos … farto disto tudo e não querer ir ao trabalho de amanhã com medo de falhar, de não gostar, de não me motivar, medo de não conseguir falar francês. Mas ao mesmo tempo visualizo tudo o que vem depois se eu conseguir um trabalho fixo, não aguento mais estes dilemas, estou a esgotar a pouca força mental que já tinha. Posso ser forte para muita coisa, mas isto está a exigir demais da minha força psicológica, tudo isto pelo qual estou a passar.


Muitas vezes sinto-me à beira de um colapso qualquer. Até em casa já não tolero olhar para eles, sinto-me vítima, sinto-me culpado por algo, sinto-me como se me culpassem por não trabalhar, por não ter trabalho, como se fosse um peso morto que aqui ando em casa. Por isso quero ir morar sozinho, mal vejo a hora desse momento chegar – de novo. Quero aquela sensação de novo de não dar satisfações a ninguém do que faço, de não fazer nada em casa se assim me apetecer, de comer ou não comer, de sair ou não sair.


Oh god. Quantas mais fases e sensações encontrarei nesta adaptação…

segunda-feira, 28 de março de 2011

Endireitas as coisas

O que é que eu fiz?


Quem me dera que eu pudesse fugir …


… Para longe deste navio a afundar …


Apenas por tentar ajudar


… Eu magoo toda a gente.


Agora eu sinto o peso do mundo nos meus ombros.


*


O que é que podes fazer quando o teu bom não é bom o suficiente


E tudo onde tocas acaba por ruir?


Porque as minhas melhores intenções


Continuam a deixar tudo uma confusão.


Eu só quero concertar isso de alguma forma


Mas quantas tentativas serão precisas?


Quantas tentarivas serão precisar para endireitas as coisas?


*


Posso começar de novo, com o meu destino a tremer?


Porque eu não posso voltar e desfazer isto.


Eu apenas preciso de ficar e enfrentar os meus erros.


Porque se eu ficar forte e esperto eu supero isto.


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Então eu fecho os meus punhos e jogo um soco ao ar!


E aceito a verdade de que a vida nem sempre é fácil.


Mando para um lado um desejo, para outro uma esperança.


E então no fim finalmente alguém irá entender o quanto eu me preocupo.


*


O que podes fazer quando o teu bom não é bom o suficiente …

domingo, 27 de março de 2011

Será desta?

Esta ansiedade está a tomar conta do meu estado de espírito, as ondas de sorte oscilam com as ondas de azar, agora recentemente parece que até está a correr bem, pelo menos os dias têm sido bem aproveitados a procurar trabalho com alguma esperança de respostas positivas.


Tenho 3 possíveis trabalhos, aguardo uma chamada a dizer algo, algo que me deixe alegre, sei que qualquer chamada que receba positiva, será primeiramente para eu experimentar o trabalho por dois ou três dias, para me testarem e ver se me querem a trabalhar, o que aqui se chama de “estágio”, enfim, conceitos diferentes.


Mas tenho medo de sequer dizer isto a alguém, quero tanto dar uma boa notícia a quem se preocupa comigo, quero tanto seguir com os meus objectivos em stand-by, mas prefiro ficar calado e esperar para ver o que isto vai dar.


Já seria pedir de mais de destes três eu ficasse com dois e os horários dessem para conciliar, era uma grande aventura, na qual eu não aguentei muito da última vez que tive uma parecida, mas agora os frutos de tal esforço seriam muitos mais.


Enfim, eu prometo que vou dar o melhor de mim seja no que for que surja, e continuar a lutar pelo que quero!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sensações Negativas

Estou a começar a ficar psicologicamente cansado desta rotina, destas respostas negativas, da quase ausência de pontos positivos para me motivar para o que me falta alcançar.

Ora consigo uma coisa ora já não a tenho. Ora estou quase a conseguir outra, ora fico sem nada. Não aguento mais!

Hoje cheguei ao ponto de me passar pela mente voltar para Portugal e desistir disto tudo, está a ser tão difícil psicologicamente, nunca pensei. É desgastante.

Quero a bonança, estou farto deste calvário, não tenho idade para isto, tenho idade para aproveitar os meus dias ao máximo e divertir-me, quero crescer mas não exageradamente, quero ainda cometer as minhas loucuras. Preciso urgentemente de uma ressaca, de uma bebedeira, de fazer merda! Já pensei embebedar-me sozinho, mas que gosto tem isso…

Quero sentir-me vivo, sorrir, estar contente com a minha rotina, com o que alcancei!

Não consigo mais tolerar este clima aqui em casa, a minha mãe só vê os problemas supérfluos da ausência de emprego não consegue ver através da minha expressão tudo o que não está bem e isso é sufocante para mim. Sufocante porque nem eu consigo quebrar o gelo e chorar no colo dela e desabafar com ela. Sinto-me uma bomba prestes a explodir para todo o lado, mas não de raiva, de tristeza.

Sinto-me pressionado a alcançar uma coisa que não depende só de mim. Sinto-me empurrado para coisas que não me vão trazer felicidade e isso eu quero evitar.

Só desejo que estas metas sejam rapidamente alcançáveis pois eu não sei quanto mais tempo aguentarei … aqui… assim … ou sem rebentar com eles… e aí sai tudo cá para fora …inclusive aquilo que me poderá trazer ainda mais tristeza que esta que sinto por vezes.

domingo, 20 de março de 2011

Homossexualidade A Limpo - III e última parte

Como conciliar este facto com a minha religião?

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Para alguns pais ou amigos, talvez esta seja a questão mais difícil de enfrentar. Para outros este problema não existe.

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É verdade que a maioria das religiões continua a condenar a homossexualidade. Contudo, mesmo dentro destas religiões, em gera existem líderes respeitados que acreditam que a posição de condenação da sua igreja é irracional, porque são frutos da má interpretação dos factos bíblicos.

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Muitas religiões importantes assumem actualmente uma posição oficial de apoio aos direitos dos homossexuais. Algumas já foram mais além. O órgão legislativo da Igreja Episcopal declarou que os homossexuais têm direitos iguais aos das outras pessoas dentro desta igreja.

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Tu ainda ouvirás pessoas que citam a Bíblia a defender o preconceito contra os gays. Mas existem estudiosos da Biblia que contestam qualquer interpretação anti-gay dos textos bíblicos.

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O Presidente Bill Clinton (U.S.A.) referiu outrora “aqueles que legalizam a descriminação com base na orientação sexual de uma pessoa ou com base em qualquer outro aspecto estão profundamente enganados a respeito dos valores que fazem do nosso país uma nação forte. O direito básico à igualdade não pode ser negado através de uma votação secreta ou de qualquer outro procedimento”.

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E em relação ao HIV/AIDS?

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Embora no início o HIV se tenha espalhado mais rapidamente entre homens gays e bissexuais e entre usuários de drogas que partilhavam seringas, actualmente todas as pessoas e grupos enfrentam a ameaça do vírus de HIV.

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Portanto, todos os pais e amigos precisam de pensar no HIV – seja o seu filho/amigo gay ou heterossexual. É preciso que tu te certifiques que o teu filho entende a forma como o HIV é transmitido e que saiba como proteger-se.

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Com os jovens a iniciar a sua vida sexual cada vez mais cedo, e com o HIV ainda a espalhar-se, nenhum pai ou mãe pode permitir-se ignorar este perigo, nem imaginar que o seu filho se tem protegido.

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Se o teu filho/amigo é seropositivo ou tem HIV, ele precisa mais do que nunca do teu apoio. Ambos precisam de saber que não estão sozinhos. Existem inúmeras organizações locais e nacionais que podem ajudar-vos com assistência médica, psicologia e física. Nesta altura, a relação entre ti e o teu filho pode tornar-se mais íntima, mas tu e a tua família terão de aprender a ajustar-se às circustâncias físicas e emocionais relacionadas com o novo estado de saúde do vosso filho/amigo.

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Nós aceitamos a situação, mas porque é que ele teve de se assumir homossexual?

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Homens gays, mulheres lésbicas e bissexuais que revelam a sua orientação sexual são às vezes acusados de “gabar” a sua sexualidade. Embora, a menos que eles se assumam, a nossa sociedade falsamente imagine que eles são homossexuais ou que a sua sexualidade é vergonhosa e precisa de ser escondida. Normalmente, o comportamento de gays que são rotulados de “exibicionistas” é considerado despercebido quando adoptado por heterossexuais.

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Talvez te sintas pouco à vontade com as demonstrações públicas de afecto entre o teu filho/amigo e o seu parceiro. Muitos gays, lésbicas e bi’s irão, certamente, censurar o próprio comportamento, com medo de uma reacção pública negativa. Mas para um pouco e pensa: será que tu és tão critica com heterossexuais demonstrando publicamente a sua perfeição?

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Lembra-te que “assumir-se” permite apenas comportar-se de forma natural e relaxada em público. Em outras circunstâncias, é possível afirmar que a sua sexualidade seja uma decisão política. Em culturas onde a homossexualidade é ignorada ou ridicularizada, uma pessoa que mostra a sua sexualidade publicamente pode estar a demonstrar um acto público de amor próprio.

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Será que o teu filho terá uma família?

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Casais de gays ou lésbicas com parceiros permanentes vêm os seus relacionamentos com o mesmo compromisso e com o mesmo sentido de família que os heterossexuais casados. Muitos homens gays e mulheres lésbicas realizam cerimónias de compromisso para celebrar formalmente a sua relação na companhia de amigos e parentes, e mais recentemente com a legalização do casamento homossexual em diversos países, estes podem até mesmo casar se o desejarem.

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Cada vez mais casais gays e lésbicas estão a tornar-se pais e mães. Algumas lésbicas utilizam a inseminação artificial para conceber um filho que possam criar com a sua parceira. Alguns homens gays e mulheres lésbicas, que se assumiram depois de terem tido relacionamentos heterossexuais, estão criando os filhos destas relações com os seus parceiros actuais. Além disso, existem cada vez mais casais gays que adoptam crianças.

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Como vamos contar para a família e amigos?

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Assim como o processo de nos assumirmos como gays é difícil, este processo é igualmente difícil para os pais, que geralmente irão preferir esconder esta situação. Os pais que ainda estão a lutar para aceitar a orientação sexual dos seus filhos, normalmente preocupam-se com a possibilidade de outras pessoas descobrirem. Tu provavelmente terás agora que esquivar-te a perguntas como “ele tem namorada”, “então, quando é que ele se vai casar?”.

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Muitos gays e lésbicas descobriram que os seus medos eram muito piores que a realidade. Alguns deles evitaram durante anos contar para os seus próprios pais, apenas para não os ouvirem dizer “nós já sabíamos disso há muito tempo”.

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O meu conselho para ti é o mesmo que já dei a muitos amigos gays e lésbicas. Lê muito a respeito das origens da orientação sexual e sobre o novo pensamento dentro dos meios médicos, psiquiátricos, religiosos, profissionais e políticos. Existe uma grande quantidade de “autoridades” que tu podes citar como aliados nesta luta pelos direitos iguais para os gays.

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Pesquisa a lista de homens gays, bissexuais e mulheres lésbicas famosos que deram contribuições importantes para o nosso mundo.

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Pratica para ti mesma o que vais dizer aos outros e para ti mesma, como tu gostarias que fosse uma conversa ou as respostas a serem dadas numa entrevista de trabalho. Pratica como farias para teres uma atitude firme ou para enfrentares qualquer coisa que te deixe com medo, nervosa ou como tu praticarias para fazer algo com o qual não tens experiência. Já li a história de um pai que dizia “constumava ir para o WC, fechava a porta e ficava ensaiando em frente ao espelho ‘eu tenho uma filha lésbica’ e repetia esta frase com orgulho”; e isso ajudou-o. Mas tu tens mesmo que praticar. Esse mesmo pai disse “quando me “assumi” e disse ‘eu tenho uma filha lésbica’ isso fez com que os outros pais e mães achassem mais fácil de lidar com esta questão e “assumir-se” também. Eu vi isso acontecer muitas vezes”.

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Conversa com pessoas que entendem as tuas preocupações.

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Há a probabilidade de ouvires comentários negativos ou, no mínimo, indelicados, de familiares, amigos ou colegas. Mas tu provavelmente vais descobrir que estes comentários são menos do que os que previas.

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Lembra-te que o teu filho já percorreu este caminho antes. Talvez ele mesmo te possa ajudar neste sentido.

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Lembra-te também que as pessoas com quem tu falarás a respeito da sexualidade do teu filho devem ser escolhidas juntamente com ele.

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O que os vizinhos vão dizer?

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Esta pode ser uma preocupação muito real, principalmente para as famílias que se consideram parte de uma comunidade muito unida ou em regiões onde as religiões são muito fortes.

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Contudo, lésbicas, gays e bissexuais vêm de famílias de todos os cantos do planeta, de todas as culturas, religiões, grupos étnicos e profissões. Como disse uma mãe “eu juro por Deus que pensei que era a única mãe que tinha uma filhá lésbica, então eu começei a falar sobre isso e outros pais começaram a desabafar também”.

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Repetindo, é bem possível que encontres reacções difíceis de aceitar, e que o teu filho enfrente situações de preconceito.

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De que forma posso apoiar o meu filho/amigo?

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Como pai, mãe ou amigo, tu podes cuidade de ti e do teu filho/amigo. Há grupos de defesa dos homossexuais prontos a ajudar a superar as vossas necessidades pessoais para que tu possas ser uma mãe, pai, amigo ainda melhor.

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Ler isto tudo é um primeiro passo para ajudares – demonstras-te estar aberta a informações novas e eu espero que agora todos estejam bem informados. Apoiar o teu filho/amigo deve ser agora uma extensão natural do teu apoio geral como mãe/pai/amigo: nós precisamos conversar, ouvir e aprender juntos.

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Cada filho/amigo precisa de coisas diferentes dos seus pais/amigos. Cabe-te a ti aprender a comunicares-te com ele sobre as suas necessidades e as questões relacionadas com a sua suxualidade.

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Alguns pais e mães acham que conseguem compreender e apoiar o seu filho, quando reconhecem as semelhanças e diferenças com as suas próprias experiências. Em alguns casos, talvez seja útil conversar sobre como tu lidas-te com incidentes dolorosos. Em outos casos, contudo, tu tens de reconhecer que a forma como ele sofre descriminação sexual é incomparável. Neste caso, tu tens de apoiar o teu filho, aprender o máximo possível sobre homossexualidade e ajudar a trazer esta discussão para a nossa sociedade. É o facto de se usar uma máscara todos os dias que leva ao silêncio que permite haver preconceito e descriminação.

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Aprenderei a lidar com a orientação sexual do meu filho?

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Um psicólogo respondeu a uma pergunta semelhante dizendo “quando a maioria das pessoas se ajustar à realidade da orientação sexual do seu filho, eles descobrirão que existe um mundo completamente novo à sua frente. Em primeiro lugar eles começam a conhecer um lado do seu filho que nunca tinham conhecido. Agora eles fazem parte da vida desta filho. De uma forma geral eles tornam-se mais unidos. E os pais começam a conhecer a comunidade gay e a entender que estas pessoas são iguais a todas as outras”.

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Para saber melhor esta resposta nada como ler a opinião de outros pais:

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“Eu cheguei a um ponto em que me sentia triste e pensava o que é que eu iria responder quando alguém me perguntasse “como é que vai o Carlos?”. Foi aí que a resposta me surgiu: O Carlos está bem, eu é que não estou. E depois de ter chegado a este ponto, tudo ficou mais fácil, quando conheci os amigos do Carlos, descobri que eles são pessoas maravilhosas e percebi que ele é parte de um grupo muito bom. Então, qual é o problema? O problema é a sociedade. Foi aí que eu entendi que tinhamos superado a pior parte “mãe de um rapaz gay”.

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“Acho que o ponto fulcral para mim foi quando li mais sobre este assunto e vi que a maioria dos jovens que conseguem aceitar a sua sexualidade se sentem mais tranquilos, mais felizes e seguros. E é claro que era isso que eu queria para o meu filho e eu com certeza que não queria ser aquilo que o impediría de ele chegar a esse estado”

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Eu passei três meses tendo crises de choro. Mas sempre tivemos um relacionamento muito bom e isso nunca mudou. Nós nunca tivemos um momento de dúvida sobre o nosso amor por ele e nós os dois afirmámos na mesma hora que o amávamos. E desde então o relacionamento com o nosso filho tem ficado cada vez mais forte, pois estamos únidos simplesmente por sabermos tudo o que ele tem de enfrentar na nossa sociedade”.

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“Conversar sobre a homossexualidade é realmente muito importante, saber se tu não estás sozinho e que outras pessoas passaram pela mesma experiência e estão lidando com isso de uma forma positiva. E a vantagem é que tu desenvolves uma boa relação com o teu filho. Os pais querem cuidar dos seus filhos. De uma forma geral, eles não querem ser isolados dos seus filhos”.

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“Eu preciso de vos contar, existem tantas coisas positivas agora. Tu começas por reconhecer que o teu filho é incrível, que partilha tudo contigo e quer que sejas parte da vida dele. Repara na confiança que ele depositou nas tuas mãos e na coragem que ele precisou para fazer isso”.

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“Para mim, foi o facto de o meu filho me dizer “Pai eu sou a mesma pessoa de antes”. Agora que se passaram seis meses, eu percebo ainda mais claramente que realmente nada mudou na vida dele. Acho que era mesmo o que nós imaginávamos que ele seria.”

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“A maioria de nós é como um trevo de três folhas – bastante comuns, ningúem nos dá atenção – mas de vez em quando encontramos um trevo de quatro folhas – uma descoberta rara e maravilhosa. Eu lembro-me que, quando era pequeno passava horas procurando este trevo de quatro folhas. De vez em quando eu encontrava um e guardava-o dentro de um livro ou entre folhas de papel encerado. Este trevo era como um tesouro para mim, algo que eu queria cuidar e proteger. A minha filha é como um desses trevos de quatro folhas, acontece que ela tem uma orientação sexual diferente da minha. Ela é um tesouro para mim, alguém que eu quero proteger. Um trevo de quatro folhas não é anormal, apenas é raro e diferente dos outros. Eu nunca pensaria em arrancar uma das folhas para que ele parecesse com um trevo de três folhas”.

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Por fim deixo-vos uma dica do melhor filme que já ti até ao momento a retratar o assunto da homossexualidade: “Prayers for Bobby”.

- Espero que estes três posts vos tenham sido úteis.

Ricardo Ruaz

sábado, 19 de março de 2011

Homossexualidade A Limpo - II

Porque é que ele não me contou antes?

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Pode ser difícil para ti descobrires que o teu filho/amigo provavelmente levou meses, talvez anos pensando na sua sexualidade e que só agora te está contando. É fácil interpretar isso como falta de confiança, falta de amor, ou como um reflexo da tua atitude enquanto mãe/amiga. E é doloroso perceber que tu não conheces esta pessoa tão bem como pensas-te que conhecias, e que foste excluída de grande parte da sua vida.

Até certo ponto, isso é verdade em todas as relações entre pais e filhos, sejam os filhos heterossexuais ou homossexuais. À medida que os filhos se tornam adultos, acontece uma separação natural entre eles e os seus pais. O teu filho vai chegar a conclusões que vocês não chegariam, e ele fá-lo-à sem vos consultar.

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Alguém disse “depois da minha filha me contar que era lésbica nós ficámos muito mais próximas”.

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Mas, neste caso, consultar-te é ainda mais difícil porque a conclusão à qual o teu filho chegou é tão importante e, em muitos casos, tão inesperada e porque tu ficas-te longe dos pensamentos dele ou dela por tanto tempo.

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É possível que gays e lésbicas se escondam dos seus pais o máximo possível, porque eles precisam de muito tempo para entenderem o que eles mesmos estão a sentir. Por outras palavras, filhos gays, lésbicas e bissexuais normalmente sabem que se sentem diferentes muito cedo, mas pode levar anos para que eles possam entender o que é este sentimento.

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Como nós ainda vivemos numa sociedade que não entende, ou que teme, os gays e as lésbicas, eles precisam de muito tempo para reconhecer a sua sexualidade para eles próprios. Muito frequentemente, os próprios gays interiorizam sentimentos de auto-desprezo ou de insegurança a respeito da sua identidade sexual. Pode levar algum tempo para que uma pessoa reflicta sobre o assunto e acumule a coragem necessária para conversar sobre isso com os seus pais ou amigos. Mesmo que tu aches que a relação entre ti e o teu filho/amigo era tal que ele deveria de saber que podia contar-te qualquer coisa, tudo na forma como a nossa cultura trata a sexualidade manda-o “não fales, não perguntes”.

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Assim, mesmo que tu sofras porque não pudes-te ajudá-lo durante este período difícil, ou mesmo que tu acredites que o resultado poderia ter sido diferente se tu te tivesses envolvido mais cedo, compreende que o teu filho/amigo provavelmente não te poderia ter contado antes. O mais importante é que, ao fazer isso agora, ele te está a convidar para uma relação mais honesta e aberta.

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Porque é que o meu filho/amigo é gay?

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Os pais e amigos normalmente fazem esta pergunta por uma série de motivos: eles podem estar a sofrer pela perda da imagem que tinham desta pessoa que se assumiu, eles acham que fizeram algo errado, acham que alguém “encaminhou” o filho/amigo para a homossexualidade, ou perguntam-se se existe uma causa biológica para a homossexualidade.

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Alguns pais reagem em choque, negação ou raiva à notícia de que o seu filho é gay. Uma reacção é perguntar-se “como é que ele pode fazer isto comigo?”. Esta não é uma reacção racional mas é uma reacção humana à dor. Nós comparamos esta reacção ao processo de sofrimento pela perda: neste momento tu estás a chorar pela imagem que perdeste do teu filho/amigo. À medida que tu elaboras os teus sentimentos, tu podes descobrir que a única coisa que o teu filho/amigo “fez” contigo foi confiar que a vossa relação podia crescer depois que tu soubesses a verdade sobre ele.

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É possível que tu penses que o teu filho foi levado para a homossexualidade por outra pessoa. A ideia homofóbica de que os homossexuais “desencaminham” as pessoas é muito comum, a verdade é que ninguém “fez” do teu filho/amigo um gay, nem da tua filha/amiga uma lésbica. É mais provável que ele ou ela se tenha sentido “diferente” por um longo tempo – nenhuma pessoa ou grupo de pessoas “transformou” o teu filho/amigo.

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Outros pais acham que o comportamento deles, enquanto pais, causaram tal identidade sexual no seu filho. Durante muitos anos, a psicologia e a psiquiatria divulgaram as suas teorias de que a homossexualidade era causada pelos tipos de personalidade dos pais – a mulher dominante, o homem fraco – ou pela ausência de modelos sociais do mesmo sexo. Estas teorias não são mais aceites dentro da psicologia ou da psiquiatria, e parte do trabalho de muitas entidades é apagar estes conceitos errados da cultura popular. Gays vêm de famílias “Modelo”, aquelas com mães dominantes ou submissas, pais fortes ou fracos. Gays, lésbicas e bissexuais são filhos únicos, mais novos, mais velhos, ou do meio. Eles vêm de famílias com parentes gays e de famílias sem parentes gays.

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Muitos pais perguntam-se se existe uma razão genética ou biológica para a homossexualidade. Embora existam muitos estudos sobre a homossexualidade e genética, até ao momento não existem conclusões sobre a “causa” da homossexualidade. Na ausência de dados, eu gostava que reflectisses no porquê de ser importante para ti saberes a razão.

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Será que o apoio ou amor que tu vais dar ao teu filho/amigo vai depender e tu seres capaz de definir uma causa? Nós pedimos aos heterossexuais que nos expliquem a sua sexualidade? Lembrem-se que existem gays, lésbicas e bissexuais em todas as sociedades, religiões, nacionalidades e origens étnicas. Assim, gays, tal como os heterossexuais, são muito diferentes uns dos outros e chegaram à sua sexualidade por diferentes caminhos. Embora seja normal sentir curiosidade sobre a razão da homossexualidade, não é realmente importante saber porque é que o teu filho/amigo é gay para lhe dares apoio e amor.

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Porque é que não me sinto à vontade com a homossexualidade dele/a?

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O desconforto que tu podes sentir é um resultado da tua cultura. A homofobia na nossa sociedade é contagiante demais para ser banida da nossa consciência com facilidade. Enquanto houver homofobia na nossa sociedade, qualquer homossexual e qualquer pai, mãe ou amigo de um gay terá medos e preocupações bastante legítimos e reais.

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Muitos pais podem confrontar-se com outra fonte de culpa. Pais que se acham a si próprios “liberais”, que acreditam que estão livres do preconceito sexual – mesmo aqueles que têm amigos gays – ficam algumas vezes surpresos em reconhecer que não se sentem à vontade quando o filho deles é gay. Estes pais não têm apenas de lutar contra os seus medos da homossexualidade, mas ainda têm de viver com o peso de achar que não deveriam estar a sentir-se da forma como estão.

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Alguém disse “quando eu descobri que o meu filho era gay, a minha reacção foi : ‘o que é que eu posso fazer para mudar isso?’”

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A minha opinião é – concentra-te nas preocupações reais: é o que o teu filho mais precisa que tu faças neste momento. Tenta não concentrar a tua atenção na culpa. A culpa não se apoia em base nenhuma, nem constrói nada para ti ou para o teu filho.

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Será que deveríamos consultar um psiquiatra ou um psicólogo?

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Não tem sentido consultar um terapeuta na esperança de mudar a orientação sexual do teu filho. A homossexualidade não é uma doença para ser curada. Em 1973 já a Associação Americana de Psiquiatria tinha retirado a homossexualidade da lista de anomalias da sociedade, e no Brasil se tinha conseguido através de campanhas nacionais que se abolisse o código que classificava o “homossexualismo” como doença. A homossexualidade é uma forma natural de ser.

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Como a homossexualidade não é uma “escolha”, tu não podes fazer o teu filho/amigo “mudar de ideias”. Há associações que definiram como anti-ético tentar mudar a orientação sexual de um homossexual.

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Mas existem situações em que pode ser útil consultar um terapeuta. Talvez tu queiras conversar com alguém sobre os teus próprios sentimentos e sobre como trabalhá-los. Talvez tu aches que tu e o teu filho precisam de ajuda para se comunicarem mais claramente durante esta fase. Ou talvez tu reconheças que o teu filho está infeliz e precisa de ajuda para chegar a uma auto-aceitação e desenvolver a sua auto-estima. Mais uma vez, os gays passam por dificuldades para se aceitarem a si próprios e à sua identidade sexual. Nestas circunstâncias, a auto-rejeição pode ser um estado emocional perigoso. O terapeuta, deve colocar a sua aceitação em sintonia com a sua homossexualidade.

Em todos os casos, tu tens um leque de opções e recursos. Um terapeuta pode-te oferecer confidencialidade e, até certo ponto, o anonimato que tu podes achar que precisas num primeiro momento.

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Há muitas outras opções de ajuda, informação e aconselhamento, além da, ou em vez da terapia. Eu encorajo-te a explorar as opções dele e a usares recursos para ele se adaptar melhor a ti e à tua família.

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Será que ele/ela vai sofrer de discriminação, vai enfrentar problemas para encontrar ou manter um emprego, ou até mesmo sofrer de agressões físicas?

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Todas estas coisas são possíveis, dependendo de onde o teu filho mora, que tipo de trabalho tem e como se comporta. Porém, a postura em relação à homossexualidade já começa a mudar e agora está mudando relativamente rápido. Existem muitos lugares onde o teu filho/amigo pode morar e trabalhar, mantendo-se relativamente livre de descriminação.

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Infelizmente, mudançãs sociais são sempre lentas – observa simplesmente quanto tempo levou para permitir o voto feminino. Os progressos geralmente são seguidos de recuos. Até que um número maior de pessoas e organizações se tornem defensoras dos direitos dos homossexuais, até que a homofobia tenha sido extinta da nossa sociedade, o teu filho/amigo enfrentará alguns desafios significativos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Homossexualidade A Limpo - I

Orientações:

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Se tens um filho, um amigo, um familiar adolescente, torna-se muito importante compreendê-lo. Os jovens gays e lésbicas que são isolados pelos seus pais apresentam uma taxa de suicídio e de abuso de drogas e alcool comparativamente alta. Alguns destes adolescentes protegem-se afastando-se e colocando a maior distância possível entre eles e os seus pais (é neste caso que eu me insiro).

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Se esse teu filho, amigo ou familiar “se assumiu” a ti por vontade própria, tu provavelmente já estás a meio do caminho. A decisão desse teu filho em revelar para ti algo que a nossa sociedade critica, exige uma grande coragem e compreensão de ambas as partes. Este “à vontade” mostra também uma carga surpreendente de amor, confiança e compromisso para com o seu relacionamento contigo.

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Agora é a tua vez de corresponder à coragem, ao compromisso, à confiança e ao amor a este teu filho, amigo, familiar, com os mesmos sentimentos.

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Definições Usadas:

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Heterossexual, refere-se a pessoas cujos sentimentos sexuais e afectivos são na sua maioria dirigidos a pessoas do sexo oposto.

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Homossexual, gay ou lésbica referem-se a pessoas cujos sentimentos sexuais e afectivos são na sua maioria dirigidos a pessoas do mesmo sexo.

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Homofobia refere-se à incompreensão, à ignorância e ao medo que a sociedade expressa em relação aos gays, lésbicas e bissexuais.

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Lésbica refere-se a mulheres que são homossexuais.

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Bissexuais ou Bi’s refere-se a pessoas cujos sentimentos sexuais e afectivos são dirigidos a pessoas de ambos os sexos.

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Neste texto, a palavra gay é usada de forma a incluir homossexuais e bissexuais, tanto homens como mulheres. Mas a palavra lésbica é como as mulheres homossexuais preferem ser identificadas.

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O meu filho, amigo, familiar é uma pessoa diferente agora?

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Nós achamos que os conhecemos porque nos são próximos, e entendemo-los desde o dia em que nasceram ou os conhecemos. Nós temos a certeza absoluta de que sabemos o que se passa na sua cabeça.

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Assim, quando esta pessoa chega a casa com uma revelação tão importante “eu sou gay”, “eu sou lésbica”, e nós nem tínhamos desconfiado – ou sabíamos e apenas o escondíamos de nós mesmos – a nossa reacção de choque e desorientação. Choque, porque este filho não é o que esperávamos, desorientação porque nós não sabíamos disso.

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Alguém disse “A nossa primeira reacção foi dizer-lhe que o amávamos e que nada tinha mudado. Mas na verdade tudo mudou. De repente ele tornou-se um estranho”.

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Desde o momento em que um filho nasce, nós temos um sonho, quando conhecemos alguém fazemos uma perspectiva do que essa amizade será; uma visão do que esta pessoa será, deverá ser, poderá ser. Este é um sonho que nasce da sua própria história, do que tu mesmo desejavas ser quando crescesses, e especialmente da cultura à sua volta. Apesar do facto de que os gays são apenas uma parcela significativa da população, a sociedade de uma forma geral ainda nos prepara para ter sonhos heterossexuais em relação aos nosso familiares e amigos.

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O choque e a desorientação que sentes são uma parte natural de um tipo de processo de dor. Tu perdes-te algo: o sonho que alimentas-te para esta pessoa. Tu também perdes-te a ilusão de que podias ler os pensamentos desta pessoa, quando na verdade não podias.

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É claro que, quanto tu paras para pensar nisto, este é um processo que acontece com todos, sejam eles heterossexuais ou homossexuais. Eles estão sempre a surpreender-nos. Eles não casam com as pessoas que nós escolhemos, não têm o emprego que nós teríamos escolhido, não moram onde nós gostaríamos que eles morassem. Porém, na nossa sociedade, estamos mais preparados para lidar com estas circunstâncias do que com a orientação sexual não-tradicional de uma pessoa.

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Repete sempre para ti mesmo que esta pessoa não mudou, é a mesma pessoa que sempre foi antes de tu conheceres a sua orientação sexual. É o seu sonho, as suas expectativas, as suas visões que podem ter que mudar se tu realmente quiseres conhecer melhor esta pessoa.

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Porque é que ele teve de nos contar?

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Alguns pais e amigos acham que ficariam mais felizes se não soubessem a verdade. Eles começam a pensar na época anterior ao momento da revelação como uma época sem problemas – esquecendo a inexplicável e desconcertante distância que eles geralmente sentiam existir entre eles e os seus filhos/amigos naquela época.

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Às vezes, tentamos negar o que está acontecendo – rejeitando o que estamos a ouvir, “é só uma fase, vais ultrapassar isto”, isolando-os “se tu escolheres esta forma de vida, não quero ouvir falar sobre isso”; ou não dar importância ao impacto do que estão a ouvir “está tudo bem querido, e o que vais querer para o jantar?”. Todas estas reacções são naturais.

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Contudo, se tu nunca conhecesses a verdadeira orientação sexual desta pessoa, tu nunca conhecerias esta pessoa na sua totalidade. Grande parte da sua vida permaneceria um segredo para ti.

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É importante aceitar e entender a orientação sexual do teu filho/amigo porque a homossexualidade não é uma fase e muito menos uma escolha. Não se escolhe uma roupa ou uma cor. Embora seja possível que as pessoas passem um período experimentando a sua sexualidade, alguém que chegou ao ponto de contar aos pais ou amigos que é gay, geralmente não é alguém que está passando por uma fase. Em geral, ele ou ela já levou um bom tempo pensando, na tentativa de entender e reconhecer a sua orientação sexual.

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Então, se tu estás a pensar “será que ele tem a certeza?”, a resposta é quase certamente “tem”. Uma pessoa que conta ao pai ou à mãe que acha que é gay, teve que superar muitas barreiras, dificuldades e muitos estereótipos negativos que fazem parte das representações da “nossa” própria cultura machista e sexista. Portanto, esta pessoa está a expor-se a muitos riscos para querer dar esse passo prematuramente, ou sem ter pensado o suficiente.

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O facto de o teu filho ou amigo assumir para ti a sua orientação sexual é um sinal de amor e necessidade do teu apoio. Esta atitude exigiu muita coragem e mostra o desejo muito forte de um relacionamento aberto e honesto contigo; um relacionamento que te possibilita amar o teu filho ou amigo pelo que ele é e não pelo que tu gostarias que ele fosse.

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terça-feira, 15 de março de 2011

Ponto Positivo

Já quase me esquecia de postar aqui uma boa Vitória numa das melhores decisões que já tomei, no que respeita ao coração!

Se bem sabem nem sempre fiz as escolhas mais acertadas para a minha vida quando me deixei guiar pelo coração. Acabei sempre por me magoar, desiludir-me e depois arrepender-me Ya eu arrependo-me várias vezes lol.

Já perdi experiências e períodos de Ouro por não ter feito as escolhas acertaas em prol do amor.

Mas desta vez lá fiz a coisa certa. Se bem leram, uns tempos antes de vir para a Suiça conheci aquele rapaz… lindo… bem na vida… e que dava toda aquela atenção que eu bem precisava e adorava. Era brutal! Pois ele deu-me e prometeu-me quase tudo só para eu ficar em Portugal perto dele… e um gajo daqueles fazer isso OMG! Por mais que o interior também conte, e aquele interior era bem agradável, o exterior batia tudo e todos! Mas não … não podia arriscar tudo o que já tinha visualizado para o meu futuro em troca desta submissão a algo inseguro. Precisava de estabilidade e ainda hoje a procuro.

Hoje nem um nem outro inicia uma conversa… e isso faz com que eu fique indiferente àquilo que virei costas e optei por não escolher, e feliz por essa decisão. Se ele tivesse mesmo interessado em mim, pelo menos não me ignoraria agora e continuava a falar comigo… sei lá! Um Ponto Positivo no meu Repertório! :P See ya!

Opções

Num banco de jardim verde… aqui me encontro rodeado de tudo o que possa haver de verde na Natureza. À minha frente estão as montanhas envoltas na sua base por um denso nevoeiro mas o cimo é deslumbrante, os picos cobertos de neve, dá vontade de caminhar até lá e explorar aquele desconhecido.

Sim, estou aqui, despreocupado mas ao mesmo tempo não estou indiferente às metas que ainda tenho para alcançar.

Há pouco saí de casa, formalmente vestido para uma boa entrevista num Hotel muito bom, numa vila histórica que fica a uns 40 kms daqui. Quando chego à Gare para apanhar o comboio virei pela direita e meti-me por novas ruas por explorar até vir dar a este jardim que já tinha visto de relance mas ainda não o tinha explorado por dentro.

Eu sei que não foi correcto ter fugido às minhas responsabilidades, mas neste momento tenho de redefinir estratégias. Está provado que não ter alemão no repertório, e o francês não estar fluente, tem-me dificultado imenso a vida e tem-me levado a imensas respostas negativas nesta demanda. E é um facto que estou um pouco desmotivado com isso. Tal não me vai fazer desistir, pois se já cheguei até aqui não vou recuar agora.

Decidi também que não vou começar aulas algumas sem ter um trabalho qualquer para as pagar. E precisará de ser um trabalho fora da minha área, não ganho como licenciado mas pelo menos ganharei mais que qualquer licenciado em Portugal lol. Resta-me agora conseguir esse trabalho … e será devagar que chegarei longe. Assim, trabalharei e estudarei às minhas custas, e será muito mais fácil fixar o meu lugar no Turismo aqui, quando for à luta com todas as armas.

Eu sei ser paciente… só preciso de sorte!

Wish me luck!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Óptima experiência

Na outra noite dei comigo a ver um filme que acho que mudou uma das minhas perspectivas da vida. O filme chama-se “To Save a Life” retrata a história de um rapaz que tinha como melhor amigo um rapaz de cor, foram os melhores amigos desde a infância mas quando o primeiro se tornou mais popular na escola isso implicava não se dar com o outro, e nunca sair com ele. O facto retratado é o como a solidão, discriminação, não ter amigos, como isso tudo pode levar a acções extremistas, de loucura, chegando até ao suicídio. Este rapaz de cor acaba por se suicidar, dando uma reviravolta na forma de pensar do outro, que vai ter rever todas as suas acções e no que elas podem desencadear. Mudando a sua forma de lidar com a vida ele afasta-se dos seus vícios e acções menos boas, e começa a ajudar aqueles que realmente precisam. É uma história emocionante baseada em factos verídicos.

Isto mudou a minha forma “indiferente” de ouvir as histórias dos outros. Eu considero-me uma pessoa que gosta de ajudar quem precisa, mas casos muito especiais como estes, pois não tenho muita paciência para ouvir os problemas banais dos outros.

Mas é incrível ver como certas pessoas não conseguem lidar com o isolamento, como o facto de não ter amigos pode levar a acções inimagináveis, isso ajudou-me a ver as coisas de outra forma. Basta ouvirmos estas pessoas, dizer um “Olá”, “Boa Noite”, “Dorme Bem” para lhes dar um sorriso, basta trocarmos ideias de coisas banais e estúpidas, para podermos dar uma gargalhada, é incrível como isso pode mudar a forma dessas pessoas lidarem com os seus problemas diários, na escola, com a família.

Depois do filme e de pensar um bocado nisto tudo, de limpar as lágrimas, eu decidi pesquisar um pouco sobre este assunto. Eu não pesquiso sobre nada de notícias do mundo, problemas dos outros, cada um com os seus problemas, e já me bastam os meus e os dos meus amigos e familiares, para eu me preocupar, e tenho é de resolver os meus e ajuda-los nos deles. Mas depois de ver que mesmo do meu cantinho eu posso fazer alguma coisa que não envolva doar dinheiro que não tenho, ou ser mais uma pessoa preocupada no mundo sobre desastres e desgraças no mundo, eu decidi pesquisar.

Depois de muito ler, e de me identificar com muitas situações que eles estão a passar, problemas de família, ausência de amigos, discriminação, e de ler o estado a que isso os leva, às ideias que lhes passam pela cabeça, aos desesperos de encontrar uma palavra amiga, eu decidi ajudar. Então associei-me ao projecto “Association CONTACT”, é Internacional, infelizmente ainda não aprofundei a pesquisa para encontrar algo parecido na minha língua materna, mas associei-me a este projecto, onde desde as vítimas aos voluntários todos se podem inscrever, eles inscrevem-se, expõem os problemas e nós inscrevemo-nos e metemos conversa com eles, tornamo-nos amigos deles, partilhamos histórias, experiências, simplesmente falamos.

É incrível ver como eles ficam nervosos ao início, pelo simples facto de estar alguém a falar com eles, é do género “de certeza que queres falar comigo, é que eu sou uma merda de pessoa de quem ninguém quer saber ou se preocupa”, isto é verídico. E é incrível ver o quanto esta pessoa evolui só numa simples conversa e como essa conversa lhe afasta as ideias más da cabeça. Isso meus amigos dá-me uma sensação que nunca tinha vivenciado, uma sensação de fazer algo muito importante por alguém. E a sensação é óptima. Desafio-os a pesquisarem sobre isso.

Whatever

Esta demanda está difícil, eu vim mentalizado que iria ter um trabalho menos bom e fora da minha área pois tinha a perfeita noção de que tendo o francês fraco e a ausência de alemão me iriam dificultar a procura na minha área. E é o que tenho feito, a procura de trabalho fora da minha área requer ir de porta a porta oferecer os meus serviços, coisa que eu odeio, ou então funcionar por cunhas. Isto para dizer que ainda assim tenho procurado trabalho na minha área, ido a entrevistas, muitas das vezes, a maioria, estão cheios de pessoal, resposta geral, mas ao menos todos me dão resposta, ao contrário de Portugal. Em outros casos, é a ausência de alemão que impede a minha permanência no trabalho. Isto deita-me abaixo, tentar uma coisa para o qual já estava mentalizado que só iria ter a longo prazo e não conseguir, é estúpido.

Mas de resto lá se continua a avançar, os meus medos, os meus ataques de pânico interiores estão mais calmos, por enquanto, em breve devo começar as aulas, isto se começar a trabalhar, pois resolvi que não quero que ninguém mas pague, tenho conseguido todos os documentos que preciso, só me faltando o principal, que só virá com um trabalho fixo.

Dedico os meus dias a passear, e a melhorar a minha imagem que era outro dos meus objectivos, os músculos doem-me do cansaço, mas é algo que faz parte da minha rotina diária e a longo prazo tudo irá ficar como nunca foi…

A primeira fase está a começar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A corda prestes a partir-se

Acho que vou cair a qualquer momento… como é que em um único dia pode haver tamanha miscigenação de sensações e sentimentos?

O dia começou com a mesma sensação de sufoco que já me começa a ser familiar, então decidi que depois de almoço iria sair. Estranhamente a forma como saí vestido, a música e o passeio que defini para hoje fizeram-me bem e deram-me confiança, senti-me bem, mas quando voltei para casa e depois de estudar um pouco, eis que o inesperável aconteceu, estraguei o meu disco externo, não entendo, uma queda insignificante e ele deixou de trabalhar… e eu estou numa angústia, todos os filmes, todas as fotos de amigos, da Spears, todos os documentos pessoais e da Universidade, todo o histórico da Britney, os vídeos que me fizeram, só me apetece chorar.

Estou prestes a ultrapassar os meus limites, e a minha força pessoal não está a conseguir aguentar isto tudo, esta pressão de ter um trabalho, este medo quando o encontrar, o não saber ainda bem a língua, o não ter aqui amigos, a vontade de desabafo, de sorrir, de estar com amigos ou pessoas confiáveis, esta máscara que uso em casa, e depois ainda por cima estes azares do dia a dia, que só pioram o meu estado.

Tudo corre mal, e passada a fase de estranhar, estou a chegar à fase de entranhar… a fase em que o desespero quer apoderar-se de mim e eu não posso deixar, mas ainda não sei como impedi-lo disso.

Será hoje que vou chorar ao pé da minha mãe? A pressão é muita e não sei até quando é que conseguirei bancar o forte… e não me chatear com nada… e levar tudo de ânimo leve…

segunda-feira, 7 de março de 2011

Aos poucos a Neblina domina...

O calor dos teus braços

Fazem aguentar a bravura do frio

Que se insinua em mim

Apertado contra ti

Tu olhas-me nos olhos

Do teu oceano azul

E descobres o fogo

Que aí se acendeu há instantes

Mas um manto gelado

Surge em aparecer

O meu bafo anuncia-o

Tanto, que eu sorrio

E as lágrimas vêm em silêncio

Misturam-se com a água da chuva

E num murmúrio, eu suplico

Que pouco a pouco tu te esqueças

E a um último riso

Se rende o meu último suspiro

Tu fechas as minhas pálpebras

E repousas-me sobre a terra

Descansando-te comigo

É o teu coração que se vai

E de um último beijo

Nos lábios gelados

Tu vais-te sem uma palavra

E as outras perdem-se nos teus soluços

E eis que a neve cai

Estampando-se com o meu próprio túmulo

E eu … saúdo as traças

Deslumbrantes e de uma espécie nunca antes vista.