domingo, 6 de março de 2011

What do you want from me?

Dei comigo a olhar para uma foto do ano passado, aquela t-shirt, aquele casaco, aquele cabelo, aquela expressão facial, por acaso hoje dei comigo a vestir essa exacta mesma roupa, e a fazer esse exacto mesmo penteado. Era óbvio que o cabelo estava maior, mas o que teria realmente mudado naquela expressão facial vendo-me ao espelho e olhando para a foto? Acho que só mesmo os peritos em me descodificar poderia responder a essa questão. Eu sempre fui muito bom a esconder o que se estava a passar no meu interior e a viver os dias normalmente como se não fosse nada comigo, mas chegou aquela altura em que já existiam uma ou outra pessoa que sabiam ver quando eu não estava bem, e vinham ter comigo, eu dou o maior valor a elas, pois não há um elemento da minha família que saiba descodificar as minhas expressões. Infelizmente, com eles basta usar todos os dias a minha máscara, nem preciso de usar uma diferente, basta usar sempre a mesma, que para eles está tudo bem. Não interessa se eu estou a sofrer de amor, não interessa se estou apaixonado, se estou com saudade, só interessa se estou a trabalhar, não importa se o trabalho me custou imenso a encontrar, seja o que for só é suficiente se for na minha área, tudo o resto não chega para mim, só interessa se estou a seguir o caminho que eles me traçaram, se estou na moda que eles definiram, se tenho saído com gajas e me interessado por elas. Isso cansa-me.

Hoje saí para o meu passeio quotidiano, mas se calhar não deveria ter saído, pois estava sufocado com pessoas, e talvez devesse ter obtado por um caminho longe de qualquer ser humano, ao invés disso fiz um longo percurso cruzando-me com todos e mais alguns, e fiquei angustiado, continuei a andar à medida que o sufoco me acompanhava, talvez quando chegasse a um ponto de exaustão a andar, tudo o resto se cansasse também. Demorou um bocado… atravessei praticamente toda a cidade a pé, pela primeira vez, cheguei a um ponto de tal exaustão que me deu para sorrir, pois quem estava exausta era esta pessoa que não quero ser, e finalmente tive espaço para ser eu mesmo. Entrei na Urbana que percorre a cidade e voltei para casa, ao descer na paragem voltei a meter a minha máscara, voltei a cortar o fôlego e decidi-me a morrer mais um bocadinho.


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