sábado, 15 de novembro de 2014

Últimas aventuras *

Já há algum tempo que não vindo aqui. Segundo a minha amiga, deve-se ao facto de não andar em baixo ou triste e de uma certa perspectiva até poderá dever-se a isso.
Não! Não ando super feliz a sorrir pelas ruas, esta fase que ando a passar é uma fase de aceitação das circunstâncias da minha vida; fase de aumentar a barra de exigência do que quero para mim e para a minha vida, então por isso fui obrigado a tornar-me um pouco mais paciente para obter essas coisas.
A minha rotina ando a escolher vivê-la de outra forma... sim, continuo na rotina, mas agora estou muito mais aberto para aventuras, passear, não parar quando não estou a trabalhar. Estou virado para cuidar de mim e da minha família, já estava na altura.
Nestes últimos tempos estive várias semanas em casa pois fui operado a um pulso, quis retirar um quisto que me incomodava há algum tempo. Tive bastante tempo para pensar na minha vida, para engordar e também para viajar um pouco.
Voltei a Paris com a minha mãe e irmão, mas desta vez levei a minha tia connosco para ela conhecer, e também foi o presente de aniversário do meu irmão. Mais uma vez, encantei-me com a cidade e o quotidiano lá, embora esse ponto esteja em stand-by na minha vida, o sonho continua e a vontade também, mas ainda há outras prioridades, e a cada dia surgem mais. Mas para não me esquecer de continuar a luta, esta viagem recarregou-me as baterias de inspiração que precisava.
Em seguida, recebi a visita da minha Afilhada da Universidade aqui na Suíça. Ela veio conhecer onde eu vivia e um pouco da Suíça, e como tinha sido o seu aniversário há bem pouco tempo decidi fazer-lhe uma surpresa e levá-la até Berlim, como prenda de aniversário.
Berlim surpreendeu-me, adorei a receptividade, o alojamento, adorei a comida e a vertente turística. É uma cidade linda para se visitar no Inverno, uma cidade que encaixa perfeitamente num ambiente romântico, monumentos enormes e aspecto antigo majestoso. Definitivamente valeu a pena, e não ficou uma cidade nada cara.
De volta à Suíça para mais uns dias com ela e para eu descansar um pouco antes de retomar o trabalho visitamos o meu pai e a zona onde ele vive.
Retomar o trabalho não foi fácil, não me pude queixar, não pude reclamar, pois não achei bem fazê-lo, depois de ter estado um mês de baixa em casa e tendo os meus colegar de se revesar para me substituir e fazer horas extras. Retomei, morto de cansaço claro... foram muitos dias sem me mexer como devia. Mas ainda assim não descansei nas primeiras folgas e decidi aceitar o convite de uma colega minha que estava de férias, e irmos a Lyon na França. 
Foi uma aventura devo dizer, uma cidade de peregrinação... escadarias e muito para andar, foi de facto uma espécie de "punição de pecados", mas com muito prazer visitei, comi e subi cada degrau que a cidade tinha.
Cidade enorme, com imensas igrejas, gastronomia de fazer salivar e um ambiente nostálgico que nos deixa com vontade de iniciar uma caminhada de dias, ou uma espécie de peregrinação por qualquer motivo turístico ou de aventura que tenhamos para o fazer. E é algo que há muito tempo tenho vontade de fazer.
Indo embora para Portugal a minha Afilhada deixou-me uma bolsa com vários cd's de fotografias dos tempos da Universidade, ou seja, coincidindo com os tempos de universidade dela, apanhou os meus últimos 2 anos no Algarve. 
Visto eu não ter qualquer foto, pois como ja aqui escrevi foi um acidente que tive quando vi para a Suíça, foi estragar o meu disco externo onde guardava tudo; percorri cada album de fotos que ela me deu. Repassando a pente fino, as sensações, emoções, memórias, sentimentos que eu tive naquele periodo de tempo, a imagem que eu tinha... Eu compreendi agora o porquê de eu não ter conseguido aguentar aquela queda.
Os tempos foram o meu auge de vida, eu passei-os, quando me estava a preparar para descobrir uma forma de continuar uma nova rotina lá, com os amigos que lá tinha ficado, deu-se aquela paixão, aquela paixão foi um erro bom, mas que me aniquilou o coração. Ok. Já sabíamos isso. Mas ... Eu estava numa fase de mudança de imagem, de corpo. Quando sofri aquele desgosto nem eu estava habituado a uma nova rotina, nem eu estava com a nova imagem definida e isso desmoronou todos os esforços que eu estava a fazer, e cada dia depois disso, embora os primeiros tempos depois da tempestade eu os tenha vivido apático numa realidade que apenas o meu corpo vivia sem a minha mente, e eu estava em modo automático; cada dia seguinte foi um caminhar para o abismo, para um poço do qual o meu psicológico não se recuperou. Eu deixei de acreditar em mim, eu deixei de acreditar em acentar numa rotina, eu deixei de acreditar em conseguir uma boa imagem, eu deixei de acreditar no amor, que consigo ser amado e dar-me de novo a alguém. Tudo o que tenho feito a partir daí, é reagir aos impulsos adultos que, de certa forma, não perdi, e deixar-me encaminhar por eles, sem reagir muito bem, deixando parte do esforço aos impulsos, parte à sorte. Os impulsos levara-me a pedir aos meus pais para voltar ao Alentejo, os impulsos fizeram-me aceitar sair do Algarve, os impulsos fizeram-me desistir da Tuna, os impulsos fizera-me sair do meu país. Posso dizer que os impulsos me salvaram, mas sacrificaram tudo o resto, e hoje esses impulsos fazem-me realizar outros sonhos e continuar nesta rotina aprisionado mas estável, mas em  nenhum ponto esses sonhos se cruzam com o que outrora perdi ... amor, confiança, auto-estima, imagem, gosto por uma rotina ou lugar.
Recentemente li uma história de alguém que estava preso numa rotina também, tinha engordado, sem alguma auto-estima, gosto pelo que quer que seja, e por uma certa razão houve um "Click" que o fez sair do sofá e ir à luta, garra todos os dias e mudar radicalmente a vida que tinha. Confesso que já me tenho cruzado com imensas histórias onde este "Click" é referido onde de repente esta onda de garra e motivação entra na tua vida para ficar e tu vais à guerra e a tua vida transforma-se.
E eu tenho estado com isto na minha cabeça... onde estará o meu "click" ... onde tenho eu de ir... onde tenho de não ir, onde deva esperar por ele.... preciso deste "click"... urgentemente. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ele perde-se em pensamentos!

"Ele perde-se em pensamentos
durante horas a fio,
tentando entender os sentimentos
que só agora consegue perceber,
sempre sentiu!
Quem lhe dera ainda não compreender
e continuar na sua ignorância,
é bem melhor quando vivemos sem saber,
quando não damos importância,
ou talvez não seja...
Quando se sabe o que se deseja
é complicado resistir.
No fundo talvez ele só quisesse fugir,
não quisesse simplesmente sentir
com medo do que desconhecia!
Talvez ele não soubesse bem
o preço que teria de pagar
por fazer de conta que não sabia,
só para não ter de se justificar!
Nunca foi sua intenção
amar ninguém
e no entanto foi vítima da Paixão,
aquela que sempre acreditou ser mais uma ilusão
que o Ser Humano inventava.
E aquilo em que não acreditava
estava a acontecer...
Haverá maior ironia?
Ah, como ele preferia
ser imune a sentimentos,
ou ao menos ter razão
que nada lhe atingisse o coração!
Agora ele sabe com exactidão
o que é um amor de perdição,
o que é querer
e não poder ter...
O que é tentar agarrar
e não conseguir alcançar,
o que é querer resistir,
mas desejar a tentação
mesmo dela querendo fugir!"
 
Diva Félix

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Oportunista!


Oportunista :
• É alguém que não faz falta na tua vida, ele pensa que faz.
• É alguém que não te lembras da sua existência no dia-a-dia.
• É alguém que se finge teu amigo, onde não o é.
• Aquele que acha ou te faz crer que são bons amigos, onde não o são.
• Alguém que se sente no direito de te criticar, por achar que o consideras próximo; onde não o pode fazer.
• Alguém que te conta segredos só para se gabar do que fez; coisa que não tem a mínima importância.
• Alguém que não te fala no dia a dia e perto de outros mostra que sempre esteve presente na tua vida. Gosto em particular deste pois estampo-lhe a verdade na cara na hora.
• Alguém que se aproveita do teu trabalho. Muito cuidado, há que meter cada macaco no seu galho.
• Alguém que tenta que faças o seu trabalho. É mandar logo passear.
• Alguém que compra outros para o defenderem. Ora aí metem todos no mesmo saco e mandam tudo junto para o contentor. 
• Alguém que faz algo só porque espera algo em troca. Deixa-los fazer e não dar nada em troca – ficam fulos.
• Pessoa de um grande cinismo, fala geralmente nas tuas costas. Se conseguem ver as minhas costas é porque têm a melhor perspectiva de mim, não vão ter melhor.
• Alguém que compra as mesmas coisas que tu. Temos bom gosto.
Um oportunista é uma pessoa, conhecido ou familiar, que não faz falta na tua vida. Alguém que se deve ignorar e não dar qualquer importância. Pessoas assim dificultam-nos a vida, impedem-nos de avançar e de alcançar objectivos, pois aproveitam-se do sucesso de cada passo que demos. Pessoas assim devemos afastar da nossa vida assim que os detectamos. Eu costumo senti-los à distância, e afasto-me na hora, mas como há de todas as raças e feitios, há sempre um que se infiltra e se aproxima ... o importante é saber eliminá-lo assim que a primeira consequência surge! Aversão a esta gente!

sábado, 27 de setembro de 2014

Passageiro

Eu não consigo não importar-me com o "controlo". Não consigo não importar-me e não saber o caminho onde a vida me está a levar, para onde tu me estás a levar.
Neste momento, eu preciso de um dia de cada vez, pois antes existiram tempos sem confiança, tempos sem amor.
Eu sei que foi preciso apareceres para me mostrares que eu consigo estar em paz entregando as "chaves do controlo".
Agora eu deixo-te mostrares-me o caminho, quero que outro alguém agarre no meu volante. Ainda assim eu nunca me senti ou sentirei um passageiro eu sei ... nem sei se algum dia saberei o que isso é.
A estrada vai ter voltas e voltas, abismos e entroncamentos, mas eu sei que estou em boas mãos.
Eu nunca fui um passageiro mas agora quero ver o mundo sem um mapa. 
Quero ir passear e perder-me, quero ir ver se me encontro ... se nos encontro. Quero ver o mundo a partir dos nossos olhos, e que cada passo seja como primeiro.
É difícil saltar sem protecções, mas eu saltei e não me arrependi ... poder-te-ei chamar de meu "co-piloto"?! Acho que sim... finalmente posso aproveitar o passeio.
Agora estamos indo .... eu estava a dar metade de mim até agora ... mas neste momento o meu "todo" está presente ... posso finalmente jogar as mãos ao ar enquanto conduzes ... isto sim ... é viver... !

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Boa Aventura: Parte 3 - Amesterdão ! Final

Aqui estou eu! The city of Sin and ... Drugs! 
Não sei bem o que fazer nesta cidade, não é conhecida pela gastronomia, com apenas alguns monumentos razoavelmente conhecidos como o Museu Van Gogh ou a Casa de Anne Frank. Conhecida pelos seus inúmeros canais de água e pela permissão para fumar drogas, pelas prostitutas que se exibem nas vidreiras das casas!
Eu comecei "soft" com esta minha amiga dos tempos de Universidade que veio aqui ter comigo. Caminhámos um pouco a pé para reconhecer a área, os canais e experimentar um pouco a gastronomia.
O meu conselho é não tentarem comer nada holandês - é horrível! Vão ao "fast-food" ou a cenas que conheçam!
Como turismo aconselho a fazerem toda a cidade a pé, andem por todo o lado, há imensas lojas de "tudo" para descobrirem, mesmo nas ruas menos povoadas. Ou então, se não estiverem já fartos de ver bicicletas e de quase serem atropelados milhares de vezes por elas, aluguem uma para o dia, eu não o fiz, mas ficou o desejo de o fazer.
Quanto a monumentos, jardins ou Sightseeing Bus, fui a quase tudo. Não entrei em quase nenhum, pois pareceu-me perda de tempo, um que entrei, por exemplo, e me arrependi, foi o Museu Van Gogh (a sério, muito "artístico" mas "not my thing", além disso, não encontrei o amor da minha vida numa galeria de arte como vem nos filmes).
Amei a Casa de Anne Frank, e ainda que não tenha lido o livro, fiquei fascinado com a sua história e o resumo de tudo a que tive acesso.. brave innocent girl.
Não saltei num dos canais de Amesterdão como muitos se propõem; nem visitei uma "menina" no red light district, embora  as tenha visto "em exposição".
Provei mais Waffles, adorei o café, os canais em si, as ruas, a disposição das casas, as lojas de souvenirs, as pessoas, a segurança em geral que a cidade transmite, até mesmo à noite. Acho que quando um local atinge um nivel "seguro" de liberdade de se fazer o que se quer... a tensão entre as pessoas e em se fazer "merda" diminui um pouco e tudo anda descontraído, gostei disso.
Agora, como referi, vão encontrar de "tudo" em todo o lado, nomeadamente - drogas. O cheiro a Canabis ou Marijuana que emana dos bares, ou quando se cruzam com quem fuma, é horrível. Os souvenirs que vendem nas lojas, ou são misturados com drogas, ou têm a ver com drogas, ou ainda são preparados para se desmontar e esconder as drogas para as levarem em viagem, como latas de uma bebida qualquer que se desmontam ... é tentador, nem que seja por uma questão de curiosidade para quem nunca tinha tentado este tipo de aventura.
Comecei então por algo básico, um chupa-chupa de Canabis, horrível, gosto intenso ... não o acabei, joguei fora. Noutro dia tentei uns bolinhos de Hashish... muito bons, mas com estes apenas fiquei relaxado, descontraído e a minha amiga ferrou a dormir.
Quando visitava o Zoo da cidade, encontrámos um saquilo de "Apple Jack" a.k.a. "Crack" no chão, levei-o para casa, e comprei o necessário para fumá-lo, mas no fim não ousei... tive medo.
Mas tinha de ter uma experiência maluca, tinha de tentar algo marcante, então numa das lojas disseram-me que algo bom para "iniciantes" seria os conhecidos cogumelos mágicos e ... lord... as lojas tinham uma vasta variedade deles... As regras eram simples, não ter comido nada nas últimas três horas, não ingerir alcoól com eles, nem antes ou depois de os tomar e esperar pelo efeito. O nojo que eles me davam, a ideia de "cogumelos" que eu odeio, mas aqueles eram duros, algo da textura de castanhas e comia-se rápido, ainda que ele tivesse dito de comê-los pausadamente, mas o gosto ... e o cheiro... nojento ... a minha amiga vomitou ao terceiro, e eu estava a caminhar para isso também, mas tive a brilhante ideia de ir comendo os anteriores bolinhos de hashish ao mesmo tempo para disfarçar o gosto e ir bebendo água também.
Bom, duas horas passaram até os primeiros efeitos aparecerem... descrição ... eram os efeitos de uma boa bezana, saudável e sem alcoól... primeiro o riso descontrolado... a energia nos músculos ... os reflexos a melhorarem... mas desta vez a minha visão melhorava ao ponto de ter de retirar os óculos, e eu estava a chegar ao pico. Naquele pico raro de encontrar numa bezana em que estamos no auge da felicidade sem estar mal dispostos, capazes de fazer seja o que for, desinibidos. Os movimentos começaram a ser longos, uma mão a passar no ar à minha frente deixava o rasto de 50 atrás dela, e as cores misturavam... então começou ... não conseguia andar direito, o desejo sexual, daqueles tempos em que eu dançava e me sentia bem comigo ... oh lord ... como eu me tinha esquecido destas pequenas sensações ... foi emocionante. E então ...puff... o efeito começou a reduzir.. como o início de uma ressaca, o breve desejo de querer deitar para fora, e minutos depois estava eu normal na cama, como se tudo não tivesse passado de um breve sonho. Tarrell!!
Enfim, foi uma boa aventura. 
Mais uma vez, a companhia que levei comigo não foi a melhor escolha. Uma amiga dos tempos de Universidade, amiga que chegou a ser das melhores num dado ponto daquela vida, cheguei a viver em três casas com ela o meu dia-a-dia, e chegámos a um ponto onde houve uma discussão séria e eu decidi que cada um tinha de seguir o seu caminho. Tudo se desculpou depois e continuámos a socializar mas eu nunca mais a deixei aproximar de mim a esse nível de confiança. Entretanto ela foi estudar para Inglaterra e acabou por la ficar a viver e casar. Ironia do destino foi uma daquelas que continuei a falar depois daqueles tempos e já depois de eu ter ido a Londres e visitá-la agora foi a vez de termos esta pequena aventura.
Mas são coisas que não devemos fazer, pessoas que têm a sua própria vida, rotina, hábitos, que ja casaram, são pessoas que já pouco se adaptam a outras, ou as poucas vezes que fazem são por excepções quando conhecem alguem sério para viver com elas. Ir em viagem assim e ficar no mesmo quarto, na mesma cama, por mais amigos que sejam, não dá certo. Ela é alguém, wild, espaçosa, uma cama para os dois não foi boa escolha; ela é super desorganisada, tem de fazer o "ninho" onde quer que acente, e eu lembrava-me daquele ninho que na altura não me importava.. mas agora tou soft, com o meu canto, o meu repouso e tranquilidade... não quero este tipo de rebeldia. Mas pronto, passou-se, mas agora estou a repensar nos planos futuros que tinha feito com ela, para novas aventuras, e inclusivé na visita dela à minha casa na Suíça.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Boa Aventura : Parte 2 : Bruxelas !

Aqui vamos nós, eu e a minha irmã, ainda não tinha referido, mas trouxe-a para fazer estas duas cidades comigo e apesar de me sentir bem com o gesto, estou super arrependido. Era a única que ainda não tinha viajado comigo para onde quer que fosse e decidi oferecer-lhe.
Mas ... a não repetir... eu preciso de alguém paciente, sem stressar ao meu lado para eu atingir o nível de concentração que preciso e para conseguir ver e conhecer tudo o que tinha estipulado. Com ela foi quase impossível, constantemente cansada, de mau humor, stressada. A minha volta só começava depois de ela dormir 11 horas, onde quer que ia era, ou para tirar foto ou para a "postar" nas redes sociais para mostrar que ali estava, e queria logo ir embora. Já para não falar que se deitava cedo. Enfim, aprendi a lição!
Bruxelas! Aqui estamos nós... o aeroporto (do ponto de vista ensonado e stressado com a minha irmã) foi um pouco confuso! Um autocarro e dois metros, dois passos a pé e estavamos em frente ao hotel. 
Bruxelas não é uma cidade de monumentos ou cultura, é sim de gastronomia e tradições... provar, experimentar, experienciar, e foi o que fizemos o tempo todo.

Cidade da prostituição, só na rua do meu hotel (sim - 3 * - para compensar o mau tratamento da cidade anterior, a nível de alojamento) conseguia contar umas 17 prostitutas - e os chulos não andavam longe.
Seguidamente para as lojas de souvenirs, comprar alguns e adquirir um bom mapa. A gastronomia em sí não me marcou muito, comi bem (estilo gourmet), não muito caro, bastante acessível. E decidi meter-me numa maratona de cervejas.

Bruxelas é conhecida pelas suas 300 qualidades diferentes de cerveja, que se as subdividirmos dão volta de 1000 cervejas! Eu consegui beber 10 ao longo destes dias. São bastante fortes, e só bebia entre uma ou duas à vez pois começavam logo a afectar-me as ideias lol.
Segui-me para os chocolates e fui logo aos melhores, provei uma mousse de chocolate belga (branca e a normal) e também os morangos banhados em chocolate belga (delicioso).
No último dia fui directo para os waffles de nutella com chantilly (divinal) e experimentei as famosas batatas fritas belgas (muito boas - comam sem molhos).
Bruxelas também é muito conhecida pela cultura cinematográfica então decidi fazer três sessões de cinema, algo que há muito não fazia. 
Num dos dias decidi fazer então o sightseeing bus, o que foi uma perda de tempo e chovia (Bruxelas não é para ver em tempos de chuva, pois há muito para fazer e aproveitar). Uma referência para o grande Atomnium (Átomo) ... não vale a pena entrarem ... perda de tempo ... e se entrarem, aquela mulher/estátua vestida de aviadora ia-me dando um ataque de coração, pensei ser uma estátua lol.
Outra referência para o Manneken Pis, a estátua da criança a urinar, símbolo da cidade; representando a criança que apagou o rastilho da bomba como acto de "não quero saber" com a sua urina evitando que a bomba destruisse o "Hotel de Ville". Estátua pequena e sem interesse, mas vão habituar-se a vê-la e a gostar dela. Já no fim, ouvi que havia a versão feminina (Jeanneke Pis) mas nunca a encontrei.
Dica para esta cidade - façam-na a pé, é super rápido e torna-se pequena. Em relação aos restaurantes, não se esqueçam que um bom restaurante não precisa de meter um empregado à porta a chamar a clientela, portanto sempre que virem um destes restaurantes não escolham. É uma óptima cidade para fazer "shopping", preços acessíveis e os locais gays são bastante acolhedores.
- Last Stop - Amesterdão !

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Boa Aventura!

Aqui estou eu de novo, depois de uma ausência. Peço desculpa mas estava num bloqueio enorme para escrever e só mesmo uma viagem o conseguiu desbloquear. 
Aqui ando a meio de mais uma viagem, perdido nos meus pensamentos, a tentar absorver novas culturas e encontrar novos rumos, acima de tudo, tentar tomar decisões importantes.
Estou triste e cansado. Estou psicológicamente abatido de uma forma já várias vezes sentida mas nunca antes com esta intensidade. Sinto-me à beira do abismo, e o pior é que sinto que para acabar com isto eu tenho de saltar.
Há tanto que depende de mim, da minha força... da minha luta... e eu tenho que continuar a insistir... deprimido e apático, mas tem de ser... Então decidi sair, fechar os olhos ao dinheiro e ... gastar, desta vez quis algo intenso : Roma (Itália) - Bruxelas (Bélgica) e Amesterdão (Holanda).
Parte 1 : Roma :
Bom, as primeiras impressões foram QUENTE, SUPER QUENTE, ABAFADO, para quem quer aqui vir, aconselho vivamente a não virem em épocas altas e quentes. Eu ganhei um valente escaldão "à pedreiro" só pelo facto de passear e de esperar na fila para o Coliseu (créme, chapéu e anti-bronzeador).
Aviso já que o aeroporto é super desorganizado, parecia a recepção de famílias que esperavam refugiados de guerra (sentido de orientação ligado). Eu apressei-me a ir à loja mais perto comprar um adaptador para a electricidade, pois as tomadas são diferentes em Itália (grande erro - entradas de dois traços entram nas de três traços - não comprem).
Organizado como sou, desenrasquei-me com transportes baratos - metros, shuttle... não sabia eu o que me esperava. Para alugar algo barato e bem localizado como alojamento, decidi optar por um "bed & breakfast", escolhendo um que não tivesse casa de banho partilhada, pois odeio isso.
Bom - Embarrilado - publicidade enganosa, fui dar a um prédio antigo com discotecas fechadas em baixo e onde um marroquino possuía um andar com vários quartos e duas casas de banho para todos. Um quarto super quente e abadado, com um ventilador (que aprendi a amar), casas de banho partilhadas e um móvel no corredor com pequeno-almoço que parecia lá estar há séculos... só quis sair rápido daquele filme. 
Nos dias que se passaram fomo-nos habituando ao quarto, visitando e experimentando tudo o que a cidade tinha para nos oferecer.
Eu aconselho, seja onde for, para quem vai mais que um dia, a fazer um passeio pela área do alojamento a pé, sempre bom para reconhecer a área, lojas de conveniência, e talvez saborear um pouco daquilo que está escondido aos olhos do turismo. 
Antes de mais devo dizer que não importa o mapa de Roma que tenham - vão perder-se -  mas isso faz parte da aventura. Para mim não foi muito bonito, pois fiz um voo nocturno e eram 23h quando eu andava perdido nas ruas procurando este maldito "bed & breakfast" que apenas tinha o nome num quadradinho minúsculo em cima da campainha (obrigado ao marroquino do "bed & breakfast" ao lado que me viu perdido e veio ter comigo). O meu conselho é pedirem informações às pessoas, a maioria são acessíveis, e logo que possível, comprar um mapa na própria cidade.
O que mais me marcou - a Gastronomia. Come-se muito bem aqui, e escolham os locais mais baratos, não se vão desiludir. Eu apenas provei uma pizza, não valem a pena, pois boas pizzas há em todo o lado, mas a massa (pasta!!!) .. isso é algo que só os italianos sabem temperar e preparar. Eu cheguei ao ponto de comer uma diferente a cada refeição. Perto de onde eu dormia, havia um pequeno restaurante onde íamos jantar sempre, pelo acolhimento e comida serem excelentes, e o empregado super sexy.
Uma coisa que devem saber - na maioria dos restaurantes, as vezes que o empregado se descola à mesa - são cobradas por vezes 2€ de cada vez.
Provem as entradas : Bruschetta e os Onion Rings - marcaram-me.
Algo que devem ter sempre convosco aqui é uma grande garrafa de água, e guardem-na para encher. Esta cidade seca tem a capacidade de vos desidratar em minutos e podem recorrer a uma das mais de 200 fontes de água potável (as nasoni) em forma de nariz espalhadas pela cidade, e encher a garrafa também.
Provem ao pequeno almoço ou lanche, os croissants (cornetto) de Nutella - divinais!! De tarde tentem um gelado de Nutella, doce de leite ou outra. Itália é igualmente conhecida pela sua diversa gelataria e croissanteria.
Além do passeio a pé, aconselho um ou dois dias de "Sightseeing Bus", podem aqui eliminar logo os grandes monumentos ou pontos turísticos e os que estão nos arredores destes.
Vou aqui fazer uma pausa para um ponto em especial - o Vaticano - em primeiro, aconselho a irem de manhã pela abertura, as filas são enormes. Há imensas lojas de souvenirs, imensa croissanteria (Via Burletta 27 - descubram - vão babar), mas não tomem refeições aqui ... é super caro, e ficam muito mal servidos.
Podem deliciar-se tentando aprender um pouco de italiano, que pessoalmente, acho super sexy e atraente: ou deixarem crescer a barba (para os meninos claro) ao estilo dos boys daqui.
Comecem com um "Bonjorno" e acabem com um "Bonasera"! Um "Grazie" para agradecer! Os italianos adoram quando tentam aprender a sua cultura.
No último dia eu tinha de apanhar um taxi para o aeroporto (algo complicado) e tentei pesquisar na net ou perguntar aos habitantes, e consegui alguns números diferentes. Para não haver riscos no fim, chamei dois, lol, tencionando apanhar o primeiro que chegasse e bazar, eles chegaram os dois ao mesmo tempo... oh boy ... um italiano a praguejar não é bonito ... enfim, fiz-me de desentendido e que o erro tinha sido do recepcionista (que nem tinha) e paguei-lhe o que ele tinha feito de percurso até ali e bazei. 
Aparte tudo, Roma é uma cidade linda e mágica, cultura muito semelhante à minha portuguesa, por isso não foi difícil apaixonar-me e sentir-me acolhido. Uma cidade boa para andar sem stress, mesmo à noite, evitar os becos (pois há muitos). Uma cidade liberal e alternativa onde os gays andam em liberdade e sem descriminação.
Outra curiosidade, a rua principal gay aqui fica situada na rua de acesso ao Coliseu - o monumento mais turístico, o que faz com que para aí aceder, as pessoas têm de passar por esta rua, e acabam por ficar e conviver nos restaurantes e bares desta. Ainda assim, Roma é romântica, os italianos são atraentes.
Decidi também aceitar aqui o desafio do meu irmão para o "Banho Público" e mergulhar numa das fontes turísticas da cidade... not cool... mas refrescou-me.
Dica: Não comprem as garrafas de água a 1€ que todos vendem nas ruas, conseguem perfeitamente esperar por encontrar uma fonte e encher a vossa garrafa... eles fazem o mesmo.
Não pude lançar a minha moeda à Fonte Di Trevi e pedir pelo meu amor, Neptuno estava em reparação e a fonte bloqueada ...sina a minha!
Rápido para a próxima cidade!!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tempo extra para carregar baterias !

Algum tempo passado depois das minhas últimas férias em Portugal, onde tanto se passou, sinto este bolo dentro de mim, ou estes acontecimentos para meter para fora, pois como é hábito cada vez que lá vou, há sempre imenso que já mudou, deste a imagem de todas as paragens que faço até às personalidades das pessoas que vejo.
Desta vez, como tinha mais tempo de férias do que alguma vez tive em Portugal, optei por chamar a minha irmã que vive em Lisboa e passar 3,5 dias no Alentejo perto da família, e aproveitar para ir a um casamento. Já há algum tempo que estava a flipar na minha cabeça por ir a este casamento, são pessoas que tinham estudado comigo nos tempos mais negros da minha vida, o ciclo, e pessoas que me viram na minha pior fase, a tortura que passei, entre outros factores, fase essa onde até eu tinha o meu físico horrível e nenhum cuidado com a imagem; e pessoas essas que me acompanharam até ao secundário onde depois os deixei. Eu estava uma pilha de nervos e na minha cabeça estava a planear chegar atrasado à igreja e depois inventar uma desculpa para não ir ao copo-de-água e ir logo embora. Outro factor que me fazia panicar um pouco era o facto de todo este grupo se fazer acompanhar dos namorados/maridos e eu ser o único do grupo não-acompanhado, podia evitar este desconforto lol. Casamento "en route", cheguei atrasado como planeado, não de propósito, mas porque os convidados eram tão poucos que nem reparei terem entrado na igreja, na entrada, tentei localizar os membros do grupos e vi-os espalhados com os respectivos namorados, acenei para alguns e meti-me na fila de trás perto de outros, e a rezar para que aquilo fosse interminável para eu não ter de passar à parte da socialização.  Como era de esperar, a cerimónia, os noivos, tudo fez com que eu puxasse dos meus pensamentos e tornou-se um pouco nostálgico e emocional, quase caiu uma lagriminha.
No fim da cerimónia saímos todos para fora e aí pude cumprimentar minimamente as pessoas, ainda havia algumas de quem passava ao lado, pois conhecia mas não sabia se iam falar-me, então não dizia nada, mas acabavam sempre por me vir falar. Com o decorrer do dia fui fazendo um esforço enorme para uma socialização razoável com todos, ia de casal para casal, petiscando e bebendo, assim colocava a conversa em dia com todos (coisa que nunca tive oportunidade de fazer até esse dia, dado aos momentos de segundos que nos vimos nestes anos todos) e não incomovada muito o casal, cujo acompanhante ainda se estava a ambientar a mim. Dia bem passado, tenho de confessar, nunca mas nunca pensei que este grupo ainda me pudesse proporcionar tais momentos, e ainda tive uma atenção especial por parte da noiva, a minha amiga, e os seus pais e familiares, conhecemo-nos desde os 5 anos, e os pais dela perguntavam a algumas pessoas se eu não tinha vindo, onde de facto apenas não me tinham reconhecido, quando perguntaram a esta minha amiga e ela os direccionou para mim foi algo de facto cómico de ver. Uma curiosidade à parte, o noivo deste casamento nunca gostou de mim, como alguns namorados de grandes amigas minhas, talvez inveja ou ciúme do à vontade que eu posso ter com uma rapariga, não sei, e ainda pelo facto de ela ter sido a minha primeira namorada. Os pais dela sempre desejaram algo mais para a filha do que um futuro com este rapaz, e deram-lhe a entender isso ao socializar imenso comigo, o que não me deixou muito à vontade por alguns momentos do dia.
Em geral, foi um dia muito bem passado e eu não poderia estar mais contente de me sentir reintegrado neste grupinho de uma fase tão escura da minha vida.
Casamento terminado estava na altura de voltar para a minha irmã que tinha descido de Lisboa comigo no dia anterior para passar algum tempo comigo na casa dos meus avós. É incrível ver o quanto ela está mudada, o quanto ela tem crescido e está independente. Adorei ver o que ela cresceu e passar estes momentos com ela, onde tirámos imensas fotos, passeámos e rimos os dois e ainda enfrentámos as mentalidades mais retrógradas lá da aldeia, incluíndo os meus avós.
E é triste saltar para este parágrafo, mas é inevitável, eu sempre disse que uma das razões pelas quais eu voltava aqui de férias era pelos meus avós, mas eles estão a entrar numa fase impossível de aturar, estão mais velhinhos, e estão com os desejos de ver todos casados e com filhos à flor da pele, o que se tornou ainda mais insuportável estes momentos com eles. Já não se contém nas críticas seja do estilo, seja de tatuagens e piercings, cortes de cabelo, acabando na mais chata que é o facto de estarmos solteiros. Eu adoro-os, eles criaram-me e deram-me todo o amor e necessidades básicas que precisava por muito tempo da minha vida e para sempre serei grato por isso. Eu sempre disse que uma vez que o meu avô partisse deste mundo, a minha avó ficaria comigo e eu cuidaria dela, e ainda não desisti disso; mas eu terei de os evitar por agora, para bem da minha auto-estima. Se eles nesta fase quiserem dar preferência a outros membros da família, só porque eles já estão orientados na vida e têm companheiros/as tudo bem, eu compreendo, e espero que na fase terminal da sua vida não se arrependam destas decisões, mas eu tenho de me afastar um pouco por agora.
Ainda fiz um pequeno desvio para ir ver os meus tios e primos, para ir dar um presente à minha Afilhada, aproveitar que estou numa fase da minha vida onde posso dar bons presentes, e visto na minha família dar-se muito valor aos afilhados a quem se deve dar bons presentes e um pouco de atenção, foi o que fiz, dei-lhe dois excelentes pares de sandálias como ela queria, e ainda uma notinha ao irmão (meu primo também) para não parecer mal, e minutos depois fui embora, não me senti bem-vindo ou confortável ali com eles. Os meus tios agora sabem da minha sexualidade graças à minha mãe que quis desabafar algumas coisas com eles nas férias dela, então eu senti que o meu tio respeitou mas não está à vontade comigo, então poupei-lhe o constrangimento e dei uma desculpa para ir embora; também não tenho qualquer afinidade com o meu primo, que é muito hetero-troglodita para o meu gosto. Já nem fui ver o meu avô materno, estar com os meus avós e depois tios, esgotou-me qualquer força interior que tinha para os enfrentar e resolvi partir, pois eu estava ali em busca de força e não para esgotar as reservas que tinha armazenadas. No dia seguinte levei a minha irmã ao autocarro, a quem presenteei com dinheiro para comprar uns ténis que ela queria, e fui ao dentista, partindo de seguida para o Algarve e desistindo na hora de ali voltar nestas férias fosse sequer para me despedir.
Rumo ao Algarve como bem anseava, ía para me instalar na casa de uma amiga minha da Tuna, que se disponibilizou para me acolher num quarto extra, o qual aceitei de seguida por estar mais à vontade, ter uma casa de banho para mim e ainda Internet de borla. A ela faço vénia pela amizade e disponibilidade que teve para mim, sem nunca pedir nada em troca. Quando cheguei já sabia que ela me ia fazer conviver em Tuna então tive de ir rumo à Universidade onde a Tuna estava a ensaiar para ir buscar a chave de casa. Chegando lá, vi que haviam algumas novidades, um razoável número de caloiros que não conhecía, novos órgãos de poder, algumas pessoas que tinham saído e outras que tinham voltado, músicas novas. Gostei do que vi, não me deu más sensações, todos me cumprimentaram e o Magister fez uma grande apresentação de quem eu era aos caloiros (babei um  bocadinho) mas mantive-me sempre na minha, sem grandes interacções, a observar e depois fui para casa com jantar marcado no dia seguinte com o grupo.
Não quis muito convívio com a Tuna tanto que nem levei o meu traje comigo (visto já o ter guardado definitivamente) mas enquanto estava no quarto na casa da minha amiga reparei nas minhas velhas pandeiretas que estavam na estante dela à minha espera... mal dos meus pecados, tinha-as deixado ali nas minhas últimas férias por não caberem na minha mala. Antes de ir para o jantar, peguei nas minhas "panda" e "rêta" e lá fui eu para um pequeno convívio. Sinceramente só me apetecia cantar um pouco, beber uns "ratata's" e conversar, mas no fim não foi bem como eu esperava.. música só ouve alguma, ratata's dois ou três... e aquele espírito já não existia.. e eu estava conformado com isso, a minha cabeça sabia que eu podia dar volta à situação, embebedar o pessoal e pedir para tocarem as músicas que eu gostava, mas não, mantive-me na minha e a embebedar-me a mim próprio. Dias seguindo, fui revendo os tunos em momentos e ocasiões diferentes, e acho que toda esta descontração e mais tempo livre reaproximou-me um pouco deles, até de alguns que já sentia uma diferença maior. Foram jantarinhos, bares, revendo outros ex-tunos e ex-colegas da Universidades e conhecidos desses tempos.. Foi agradável.
Logo no segundo dia decidi ser maluco e correr o risco de estragar as minhas férias e pegar na minha companheira de aventuras loucas (Mimi) e ir fazer uma tatuagem.. uma que já queria fazer há algum tempo, uma pantera negra tribal na lateral do tronco, em cima das costelas. Posso dizer que foi das experiências mais dolorosas da minha vida, pior que qualquer tatuagem ou piercing que já fiz até hoje... difícil de suportar a dor e já para o fim só queria espancar o tatuador e sair dali mas tive de aguentar. Resultado: Magnífica !!
Para os curiosos, a pantera negra simboliza mistério, sensualidade, sexualidade, beleza, sedução, força e flexibilidade, representa aquela pessoa que temos próxima de nós para nos ajudar a eliminar as más energias que temos dentro de nós, e é o que eu gosto de ser para os outros. Para mim além deste significado, a pantera negra foi uma homenagem ao único felino que amei na vida, a minha gata preta - Spears.
Ainda antes de ir de férias eu tinha começado a falar com este rapaz que achei bastante giro, sexy, não muito conversador, mas o pouco que dizia, ia directo ao ponto e dizia-me o que eu queria ouvir. Eu deixei sempre claro que nesta fase da minha vida não procuro aventuras amorosas de curta duração, flirts, ou amores de verão, deixei claro que procuro alguém sério, que saiba pensar, que tenha um pouco de estabilidade ou pelo menos objectivos fortes para a conseguir, alguém com planos de vida, e serei sempre sincero daquilo que também quero para mim sem mesmo esconder o objectivo parisiense. Ele parecia completar tudo o que dizia.. mas eu sendo perito nestas andanças (sofrimentos) nunca me apeguei muito mas também não me fechei para o conhecer melhor e no primeiro dia no Algarve decidi ir ter com ele. Fui buscá-lo ao trabalho, fui sempre cuidadoso, Deus sabe o que os amores de verão podem fazer e Deus sabe o karma amoroso que Portimão me ofereceu toda a minha vida, e eu não queria isso. Fomos dar uma volta de carro, eu estava um pouco nervoso e não tinha muita conversa, mas o pior de não ter conversa é que ele não me estava a completar desta vez e haviam momentos de silêncio entre nós. Depois de um bom momento de conversa desinteressante eu decidi que tinha de me ir embora e fui levá-lo a casa, e ele resolveu convidar-me para entrar e conhecer a casa dele... onde se seguiu mais conversa sem muito interesse e ele tentou aproximar-se de mim... rolaram uns beijos e amassos... e ele queria partir para algo mais .. eu cortei-lhe as asas.... se eu podia deixar-me ir ? Sim ... mas só porque nas conversas anteriores ele me tinha mentido .. pois sempre me dizia que tambem queria ir devagar e conhecer alguém sério blablabla e tava a fazer exactamente o contrário e toda aquela noite se tinha resumido a ir para a cama no fim..e eu não quis. Gostei dos amassos e tentei que refizessemos planos para os dias seguintes, na manhã seguinte decidi enviar a mensagem ... aquela que quem dá o passo tem de enviar... e ele disse que não estava disponível ... para mim bastou .. já sei o que a casa gasta e é algo que aprendi ali e há muito tempo é que eu não corro mais atrás de ninguém.. dou passos Ok .. vou contra o que sinto ..Ok .. mas não vou atrás de ninguém ..não mais.. resumindo ele também não disse mais nada.. se fiquei triste ? não ... apenas um pouco desiludido ..
Foram noitadas atrás de noitadas, foram jantares e encontros com pessoal atrás uns dos outros, se me agradou .. sim .. fiquei contente pois por uma vez que fosse, não fiz planos e por uma vez mesmo que a correr e tendo pequenos momentos com cada um, consegui ver todos e fazer tudo. E faço aqui a transição para uma sensação horrível que tive ao rever alguns dos meus amigos. Nós acabamos aquela vida rebelde e sem preocupações (infelizmente) e a transição não foi fácil para a maioria, muitos foram embora para as suas terras natais, outros ficaram por ali pois ao início tinham decidido criar um elo entre aquela fase e a nova e ficar ali pelo sul do país com sol e praia todo o ano, e por último aqueles que decidiram não seguir nenhuma destas opções e enveredar por saídas como ir para o estrangeiro (escolha que fiz muito mais tarde que os outros) ou juntarem-se a companhias aéreas ou cruzeiros. Ao lado destes ramos todos há aquela pequena percentagem que ali estagnou e ainda estão a sobreviver da mesma forma, trabalhando na área durante o verão e indo para o desemprego no inverno, ou então sobrevivendo de part-times e biscates aqui e ali, e eu encontrei-me com essa pequena minoria... e apesar de eu estar completamente descontraido e a querer divertir-me ..senti que eles se inferiorizavam e se sentiam mal de eu "ter sido bem sucedido" e eles ali estarem à espera que a oportunidade de ouro caia do céu. Ora tocar no assunto de "como é viver no estrangeiro e as suas aventuras" já é algo que não faço, não só porque os outros não se interessam assim tanto a não ser saber quanto eu ganho de salário ..mas também porque aceitei que nem tudo é um mar de rosas e até eu posso invejar que ficou por Portugal na maior parte das vezes; então eu não o fiz e limitei-me a responder às perguntas desviando o assunto de seguida. Por vezes sentia-os a baixar a cabeça, por vezes sentia-os com uma garra imaginária como se fingissem estar a lutar por algo maior onde no entanto já aceitaram ali ficar na rotina...e eu não gostei dessa sensação. Quem me dera poder ajudar, ou pelo menos transmitir-lhes a minha visão de que .. eu também ando de cabeça baixa, eu também ando na rotina.. talvez hajam outros destinos e outros ex-colegas que estejam a viver um sonho, que adorem a rotina, que tenham um salário aceitável... mas eu não sou uma dessas pessoas
Depois de rever a minha super amiga, ex-colega dos meus tempos de Pingo Doce (oh God) e com quem passei um dia fantástico a recordar momentos e a falar de planos futuros, aqui está uma pessoa que eu poderia ajudar se me fosse possível. Depois de passar os dias a matar o desejo pela melhor gastronomia, sobretudo os meus peixinhos frescos e saladinhas algarvias, bolo de bolacha, cerejas, tudo o que há de melhor no meu país. Decidi pegar no grupinho e ir ver a minha Sósó ao seu novo destino e trabalho - Albufeira.
Se há momento sobre o qual eu estava apreensivo, era este, rever a Sósó, saber como reagiríamos, saber em que ponto estava o nosso à vontade um com o outro. Queria saber se a realidade te permitia desistir dos teus planos e deixar-te voltar à estaca zero, deixar-te voltar a Portugal - ao Algarve, e recomeçar tudo de novo. Na verdade foi um misto de sensações que tive neste momento e não consegui exteriorizar nenhuma, não consegui mostrar sentimentos ou o que ía dentro de mim, limitei-me a fazer o meu sorriso que tenho sempre estampado comigo. A realidade foi que eu fiquei extremamente feliz por ela estar bem, por ter seguido com a vida dela, por estar a lutar por algo e a viver o dia a dia normalmente. Eu, não aprofundando muito ou falando muito da vida, pude ir embora com os meus ombros leves por ver que ela está bem. 
Foram umas férias óptimas, foram momentos únicos, adorei o que fiz e quem revi, o misto de sensações que tive, e agradeço tudo o que fizeram por mim e para estar comigo. Foi bom ver e saber que ainda há quem importe em terras portuguesas. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tu és ... eu sou ..

Hoje o meu coração está triste com a minha realidade, está triste pelos desafios que tem de enfrentar, e eu estou sem reagir, sem forças para combater.
Em breve sei que vou ter contigo, ou pelo menos assim estamos a combinar. Tu és alguém que pertence a um patamar mais elevado que o meu, és belo, tens um corpo invejável, todos te desejam e te querem ter. És aquela pessoa de quem fujo, pois sei que não és para mim, e mesmo que me visses eu não te ligaria pois era o mesmo de aceitar sofrer. Ainda assim eu respondi-te,  respondi frio e deixei andar, pois sei que em algum ponto da conversa, tu vais desistir de mim ou vai aparecer alguém tão bom como tu e que te complete mais que eu. E eu não sofrerei pois já o previa. A minha auto-estima... nunca a tive, por isso não é algo que possas afundar mais do que já afundei eu mesmo com estes anos todos e ex-experiências.
Vejo que esperas que reaja contigo, como os outros reagem, que exija ou corra atrás de ti pela tua atenção, eu não vou correr, eu apenas sigo respondendo e gostando do pouco que dizes. Tu falas, tu pedes para conversarmos por câmera, eu odeio câmaras, pois enfrento a minha imagem, mas mais uma vez eu sei que vais desistir de mim, então eu ligo a câmara, eu falo e rio contigo, tu falas e dizes-me o que quero ouvir. Há momentos em que não posso deixar de reparar que a tua atenção se direciona em todas as direções. De facto, não sei se consigo lidar com toda a concorrência que estar contigo exige. Preciso de alguém que me faça sentir que sou único, eu sei que o sou, mas preciso que me o façam sentir.  Tu fazes-me corações com as mãos pela câmara e envias-me beijos. E eu não posso mentir que isso derrete pouco a pouco o gelo que me cobre e então tento envolver a minha mente de pensamentos que me defendam contra ti. 
Em seguida tu vais, distante de novo, respostas curtas, muito curtas até, por vezes dias de ausência, e em seguida chamas por mim, vens com mil e uma coisas fofas para cima de mim, como se fosse tudo um passatempo que trocavas de tempo a tempo. Na verdade isto tudo é a minha imaginação que trabalha, pois não consigo saber muito de ti e por isso anseio por um bom tempo contigo para te arrancar toda a informação que preciso para algumas dúvidas se evaporarem.
Tu começaste a interessar-te por Paris, como eu tanto desejo e planeio há tempos. Por vezes dizes querer ser um homem que pede outro em casamento, num local e ocasiões super românticos, e viver uma vida de dedicação e amor com essa pessoa, pois estás cansado que só olhem para ti como um pedaço de carne. Eu procuro isso, mas não quero ser fácil ao ponto de te dizer logo de seguida que eu sou esse tipo de pessoa, que quero ser essa pessoa, não posso dizer-te. E então tu vens tentando revolucionar a minha vida e inserindo-te nos meus sonhos e imaginações Parisienses. Não tens esse direito, não tens o direito de aumentar os meus sonhos, pois eu tenho medos, muitos medos que tens de trabalhar antes de possuíres o que mais tenho de sagrado, a minha garra para lutar pelos meus objetivos. 
Eu tenho de ter um tempo ... um tempo para pensar nisto que me está a acontecer, para pensar se te quero na minha vida. Tenho de conseguir ler entre as linhas para desvendar o que queres de mim, comigo, e principalmente o que eu posso querer contigo. Na minha vida tem havido dor e sofrimento mas isso eu não te posso dizer, não é necessário tocar nas feridas, pois eu não preciso de uma experiência sem erros ou que compense uma anterior... eu preciso de uma diferente e que exalte o que de melhor há em mim....

sábado, 26 de abril de 2014

Hasta Mañana!

Ainda se lembram, quando começou...
O mundo era simples, não tinha limites
E então tudo acabou ..
E quando um problema, não qu'rias enfrentar
Bastava um sorriso, o instrumento contigo
... e todos a cantar...
*
Hasta Mañana
... Não voltarei!
Estou contigo, estás em mim.
Estamos juntos a lutar.
É um mundo tão dif'rente
Estou aqui p'ra te ajudar.
*
E quando o meu traje, eu tinha de usar
O orgulho eu sentia as regras seguia
Embora recordar...
Uma história, um emblema, um pin para trocar
Um copo de tinto, orgulho infinito
... Não quero acordar!
*
Hasta Mañana
... Não voltarei!
Estou contigo, estás em mim.
Estamos juntos a lutar.
É um mundo tão dif'rente
Estou aqui p'ra te ajudar.
*
(Inacabado)

quinta-feira, 20 de março de 2014

Traçar o futuro com feridas do passado!

A vida corre normal, nós vamos para o trabalho, focamo-nos nos objectivos, nos planos futuros, nos novos amigos, na família. Mas eis que o coração aperta com o passado.
Uns dizem que devemos focar-nos no que temos à nossa frente, esquecendo o que ficou para trás, não falando, não mencionando nada, sem referências.... outros afirmam que devemos pensar e aprender com o que ficou para trás, as experiências que tivemos, que devemos voltar aos sitios, recordar, conviver com quem lá ficou.
Eu sinceramente não sei com que teoria concordar, e por vezes deparo-me com este dilema, este aperto no coração a que também podemos chamar de saudade.... e surgem questões, apelos...
Aquelas pessoas e aquelas memórias necessitam que voltes lá para mais momentos, para um "Adeus final" .. precisam de ti para marcar o momento. 
Mas o meu passado tem tantos momentos que eu prefiro esquecer, tem momentos que prefiro apagar, momentos tão dolorosos, mesmo aqueles que foram tão bons tornam-se tolorosos porque não voltam mais, e por mais que eu os queira recordar, reviver, aceitando isso sofro pois é algo impossível e aí sou forçado a seguir a primeira teoria de que não posso pensar.
Muitos me acusam e apontam o dedo, como é que podes virar costas a um apelo, como é que não queres passar mais momentos; eu não posso explicar tudo a cada pessoa, pois não somos todos iguais, e vivemos as coisas com diferente intensidade, mas há que compreender que é doloroso voltar a dado clima e ambiente, aglomerar um certo número de pessoas que me puxam para a recordação. Não o posso fazer. Todas as minhas memórias estão guardadas, o pouco que tenho "material" que me recorde também está guardado. Eu não vou voltar, eu acho que não posso voltar, pelo menos não sozinho ou com mais uma ou duas pessoas; se eu voltar todas as cartas do jogo terão de voltar de novo. Eu não comando mais o navio, eu não sou mais aquele que organiza momentos, jantares, saídas e arrasta todos, eu perdi o fogo e preciso que puxem por mim, estou ancorado algures. Então não vou voltar sem ver que todos olham para a mesma causa. E mais uma vez isso não acontecerá... não somos todos iguais e não vivemos os momentos com a mesma intensidade mais uma vez. 
Eu.. tenho de me focar no meu futuro, como o farei com as feridas do passado que não sei como fechar? Não sei ... não sei se é fazendo as pazes com o passado que posso avançar... não sei se é esquecendo de vez ... não sei ... mas tenho de sair deste Limbo rapidamente... antes que dê em louco.

terça-feira, 18 de março de 2014

Dias estúpidos ... dias de reflexão !

Dias estúpidos é o que tenho vivido ultimamente, dias atribulados, dias confusos, sem noção da realidade. Sinto-me confuso e não sei como reagir, e isto está-me a esgotar psicologicamente. O dia de hoje por exemplo foi calmo, mas como tenho trabalhado todos os dias estou esgotado, ainda que mantenha um ritmo razoável a trabalhar, nunca brincadeira aumentei o volume da música no trabalho; pois a música, as letras delas, são o único refúgio que a minha mente encontra para se motivar, e para enfrentar as oito horas laborais que tenho de cumprir todos os dias. Aumentei um volume pois há um cliente habitual já de idade que insiste em ir beber o seu copo ao bar onde trabalho, daqueles suíços que decidem lá ir beber o seu copo não sei bem porquê, mas depois não aceitam que o estabelecimento é um Bar e não um Café ou uma Taberna ou outra coisa qualquer, e num Bar é obrigatório haver música, num bar há um empregado em cada sector e têm de esperar que ele esteja disponível para vir e não chamar outro para os servir e há simplesmente alguns que não aceitam isso e tentam refilar. Hoje aumentei o volume da música quando um desses senhores de idade resolveu aproveitar uma música mais calma para tocar a sua Gaita, sinceramente, eu não quero ser inconveniente mas ali não é local para isso e aumentei o som, não sei se por malícia, mas acho que sem ser mal educado o quis meter no lugar, e eis que isso lhe pareceu mal, e me insultou, de alguns nomes não agradáveis, eu respondi-lhe e meti-o no lugar. Fiquei um pouco desconfortável com esta situação mas pronto, nada a fazer, segui em frente. Já para o fim, mais um idoso que insiste em beber até à hora de o Bar fechar e no fim se recusa a levantar-se e sair, e faz-nos atrasar a todos. Continuando o meu trabalho vi que o segurança se começava a exaltar e eu em parte compreendo-o... todos os dias estes mesmo tira-paciência, a mesma história "over and over again", as mesmas situações não compreendendo ou respeitando as situações, empregados ou seja quem for, cansa, cansa mesmo e tira do sério. Dias a avisar, a tentar fazer entender, palavras gastas, hoje ele pegou no velho em braços e meteu-o na rua, o velho caiu no chão e magoou-se ... eu observei tudo ... sem reagir. Ainda pra mais fui induzido a esquecer tudo o que tinha visto, como se o senhor tivesse caído por ele mesmo depois de o terem metido na rua. E eu ..aceitei cooperar... porque mais uma vez quero que a pessoa saiba o seu lugar e não volte a repetir estes inconvenientes. 
Tudo terminado eu paro e dou comigo a pensar... fogo ... de onde eu venho ... tudo o que passei... onde comecei e dou comigo nestas situações, neste local, a fazer isto... e regressar a casa para tudo repetir no dia seguinte ou sem saber que situação caricata me depararei no dia seguinte.
Um misto de boas e más acções, ou acções que podem ter diferentes interpretações dependendo do ponto de vista das pessoas.
Estando eu ainda quase a ir embora encontrei uma senhora anã brasileira dormindo no hall de entrada do Bar, onde tem alcatifa e não faz frio, convidei-a a entrar na meia hora que faltava antes de fechar e ofereci-lhe um sumo e sandes para que se alimentasse e mais algumas num saco para levar... senti que o devia fazer ... e fiquei contente por mim ... por sentir que não guardo apenas rancor no meu coração por esta gente que não sabe o seu lugar nem respeita ninguém. Ainda há quem imigre, quem mude de país e até mesmo de continente sem saber para o que vai, deixando tudo para trás, e tem a infelicidade de se encontrar sem ter nem mesmo onde dormir ou o que comer... se eu tenho esta agonia dentro de mim, nem imagino o que esta pessoa sentirá ...
Hoje foi acima de tudo um dia de reflexão ... amanhã nem sei como será..

terça-feira, 11 de março de 2014

Tentei ... next!

I'm back...
... os dias continuam, eu tento agir e reagir com o que a rotina me dá... no fundo, não tenho outra opção, por mais que escolha fugir de um ou outro contratempo que não me apetece enfrentar. Tenho-me focado nos meus objectivos se é que posso dizê-lo, tenho re-planeado tudo de novo, o que quero, o que penso, tudo implicando sair daqui mas ao mesmo tempo ainda aqui ficando um bom tempo.
Tenho tido a cabeça a mil, nestas minhas últimas folgas decidi encontrar-me com alguém, um rapaz francês que habita aqui perto da fronteira e que quis encontrar-se comigo, não pensei muito, não pude pensar... se metesse os meus medos na mesa nunca aceitaria trazer alguém aqui para casa, da mesma forma que foi a primeira vez que o fiz em 3 anos e pouco. Ele veio, tinha medo que eu não fosse o que ele esperava, e eu tinha os mesmos medos. 
O primeiro momento que o vi, fiquei logo retraído, ele é bem apresentado, simpático, extrovertido (de mais), não tem o físico que eu idealizo, mas para dizer a verdade a parte do físico não me incomodou nada. Acontece que eu tenho uma barreira nos meus critérios da qual não consigo abstrair-me - a feminidade dos gays. Está mais que mencionado que eu não tenho qualquer atracção por bixas (ele não era), ou por qualquer tiques extras mais afemeninados que os gays tenham, e era o caso, ele agia normalmente mas tinha saídas com as quais eu não me sentía bem com ele. 
Eu não tenho muita prática em estar em público (locais não gays, ruas etc) com um gay; é verdade que não quero saber, não me importo, mas não tenho o hábito e como é óbvio é algo que quero alcançar, mas sempre me imaginei a fazê-lo com alguém que me dê essa vontade, de o mostrar ao mundo, de me fazer esquecer de tudo e todos, de me sentir protegido. Com ele não senti isso.
No entanto, nos momentos que estavamos os dois juntos em casa eu sentia-me bem... senti que era este companheirismo que me fazia falta, alguém que me faça sentir bem comigo e com o meu corpo - ele fez, alguém que me diga coisas românticas, ver filmes, comer - ele fez, alguém que me elogie - ele fez. Mas como sempre eu sou parvo e isso não me chegou, há pormenores cruciais para mim e eu não os consigo ignorar. Eu venho de uma rotina muito diferente da dele. Tudo o que eu tenho de alcançar numa relação requer tempo, trabalho e paciência, e esse alguém tem de ser paciente para alcançar isso tudo. 
Outros dos factores que pesou foi a idade dele que se reflectia por vezes nas suas acções, amuos, coisas momentâneas que requeriam muita paciência da minha parte, eu ainda tolerei, mas isso vai mexer-me nos meus fantasmas de ex-relações com rapazes que não tinham a maturidade suficiente para mim, e eu acabaria lutando sozinho, perdendo a paciência sozinho e no fim provavelmente enlouquecendo, não ... não quero isso.
Tenho muito em que me focar, e ainda não é desta que vou desviar a minha atenção para o meu coração não me posso dar ao luxo de fazê-lo ainda. Uma coisa ele tinha extraordinária, quer um dia ir viver para Paris e lá trabalhar, isso fez-me remoer no meu cérebro um bom momento.
Enfim, as folgas passaram, ele foi embora, com as palavras que nos iamos encontrar de novo mas agora na cidade dele em França, eu disse que sim, mas sinceramente acho melhor deixar tudo claro com ele, e depois decidir o que fazer, tenho de encontrar as palavras certas.  Estou ainda a curar-me de uma intoxicação alimentar que apanhei nos últimos dias, que horror, nunca me tinha acontecido algo assim, mas pelo menos consigo emagrecer um pouco... há mesmo males que vêm por bem...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Melhores dias virão

Estes dias têm-se passado em monotonia e crises de agonia, é como se estivesse preso no mesmo filme, dia após dia, após dia, e todos os dias se repetem as mesmas coisas, se vêem as mesmas pessoas, e eu limito-me a agir, sem reagir mas apenas agindo.
Há muito que o ânimo se foi, eu já aceitei que aqui estou e aqui tenho de estar até os meus pontos estarem realizados e até a minha família estar estável, é o que tem de ser, e eu não gosto, mas sou inteligente o suficiente para aceitar este Fado.
Simplesmente não ando com força para me focar em coisas básicas como "amor", desafios como "melhorar o físico" coisas que me poderiam ajudar a passar o tempo e eu nem me consigo debruçar sobre elas... isso entristece-me.
O pior é que de há alguns dias para cá, tenho tido "déjà-vu's" de sensações se é que isso é possível, isto é, sentimentos de calma e tranquilidade por exemplo quando estou em casa, sozinho, como me sentia nos meus tempos no Algarve; situações como uma corrente de ar a despentear-me remete-me logo os pensamentos para aqueles tempos de estar sozinho no meu mundo. Falando de cabelo, estou a voltar a deixar crescê-lo, acho que é mais um sinal de estar a fechar-me cada vez mais, pois o cabelo grande representa para mim um "eu" aprisionado ... mas pronto, vou em frente...
Não há um dia que passe que não veja a mil e uma vertentes, ficar aqui, ir para outro destino e ter uma nova história, voltar para Portugal, tudo passa pela minha cabeça e tento imaginar as várias histórias desenrolarem-se e no fim tudo acaba com a conformidade ..."ainda não é o momento".
Sinto-me a desistir de procurar alguém, não tenho confiança para tratar do meu corpo ou força de vontade e ao mesmo tempo a minha auto-estima desaparece pouco a pouco e fecho-me para as relações por falta de confiança. 
Estou com muitos sentimentos negativos dentro de mim e não gosto disso, fico revoltado e inquieto, desmotivado para trabalhar, e aí eu não posso mesmo falhar. Hoje o pai do meu irmão pediu-me para ir com ele a uma reunião da escola do miúdo eu disse que sim a início, mas depois lembro-me da última vez que pisei a escola dele para o levar ao primeiro dia de aulas, os medos dele misturaram-se com os meus e tornaram-se os meus, os olhares dos colegas novos, o recinto novo, inseguranças, foi uma explosão de sentimentos que me perturbaram imenso e acabei por em parte explicar isso ao pai dele para entender um pouco que escolas e ter a mínima ideia de que o meu irmão possa passar por uma parte do que eu passei amedronta-me e eu não consigo lidar com esses sentimentos e sensações dentro de mim. Quero sim ajudá-lo, apoiá-lo em tudo, mas prefiro não ir à escola pessoalmente. Isto entristeceu-me, pois estou fraco para enfrentar isto por ele, e em outras ocasiões eu esqueceria os meus medos e por ele eu iría.
Enfim... melhores dias virão.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

À beira de algo ...

Hoje estou aqui sentado no meu estúdio em frente ao meu computador ... estou em plena ruptura psicológica, se é que já não me encontro nela, nunca poderei saber, pois foram raras as vezes que me encontrei cansado a este ponto, e no entanto as razões que me deixam assim requerem que seja o mais forte de todos mentalmente.
Tenho visões, tenho flash's de memória do passado ou de momentos reconfortantes, pôr-do-sois, momentos sozinho a olhar o campo no Alentejo, momentos em que vivia com os meus avós, momentos em que vivia com a minha mãe e a casa era o meu mundo; momentos em que adormecia ao lado do meu pai no sofá, a lareira, não sei mas não tendo estes momentos, tenho a necessidade de os encontrar no fundo do meu pensamento. Mas o que mata mais é eu não ter momentos futuros que me confortem, que me aqueçam ... momentos que me motivem e tenha de ir buscar o passado, que muitas vezes me magoa.
Estou sozinho ... o prazo de me ir embora há muito expirou, estou estagnado e a minha agonia já atingiu a barreira e posso dizer que estou preso. Não vou pôr a culpa na minha família que em parte é por eles que estou agora aqui sem avançar com a minha vida, mas é o que tem de ser e isto está a acabar comigo... vê-los assim, a cair um por um e eu sem poder ajudar a todos, ver que querem a minha ajuda mas não seguem os meus conselhos, e não vêm o quão errado as suas decisões afectam os outros e a si mesmos. Por vezes gostava de ser como uma espécia de "manager" para lhes endireitar a vida, mas não posso, eles não querem. E eu vou ficar estagnado até que tudo se endireite. Os meus irmãos não tomam atitudes, não avançam, não lutam por si.
Tinha planos para ir e dar um último suspiro em outro dos meus objectivos, a dança, mas começo a pensar que nunca será o meu momento e que se está a fazer cada vez mais tarde ... e isso mata-me. Quero sair daqui com plena consciência de que não precisam da minha ajuda e eu posso ir à luta, seja para cair, seja para vitoriar. 
Acumula, acumula, e agora aparece-me mais alguém na minha vida amorosa ... alguém que parece interessado em mim, alguém que tem características que eu quero e gosto, mas eu não consigo ir ter com ele, não consigo avançar e arriscar ... este medo, este nervoso miudinho, frio no estômago, esta "timidez" ... está a impedir-me de ir e temo que ele acabe por desistir, mas não consigo fazer nada... ainda por cima ele é suíço e já se sabe o quanto eu fujo a isso ... a possibilidade de aqui ficar por tempo indeterminado não entra na minha cabeça ..
Tudo isto está a entrar em parafuso na minha cabeça e não sei como gerir ... e temo que brevemente acabe por explodir ... e espero que quando exploda não descarregue em quem não merece.
Ontem quando me abri com a minha mãe quase chorei e quase que ia falando tudo o que estava aqui entalado, mas ela já tem tanto problema que não lhe quero descarregar os meus ou sequer falar dos dela, pois não a quero magoar mais. É triste pois ainda sinto a barreira com os meus pais que sempre tive, aquela barreira fria que não me deixa dizer tudo o que vai na alma, no pensamento, e isso magoa-me mais do que tudo ....

domingo, 12 de janeiro de 2014

Triângulo

Ele só tem olhos para ela
Nem sequer consigo a sua atenção
Nem dois segundos que seja
É pena, o seu corpo arde de desejo carnal
E mexe com o meu instinto...
Com o meu corpo adormecido há muito
Os seus lábios carnudos e vermelhos chamam por mim
... mas eles apenas querem tocar os dela...
E ela ..
Ela não o deseja ... é louca ...
Mais louca ainda porque ela tem outro desejo que não ele...
Um desejo inalcancável ...
O desejo de me ter ...
Algo fora de questão pelas minhas leis da vida...
e aqui me encontro eu neste triângulo ...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O meu sonho .. o meu cansaço ..

Preciso de escrever... estou um pouco triste com o meu dia de trabalho de ontem ... vim revoltado e desiludido para casa por algo ter desaparecido no trabalho e as culpas terem caído em cima de mim ... sem sequer poder provar o contrário... isso deitou-me abaixo. E fê-lo porque eu mais que ninguém aprecio a oportunidade que tive de poder ter saído de uma função de merda para ir para ali trabalhar, e aprecio o meu chefe que me deu essa oportunidade; por isso na minha cabeça é estúpido ser acusado de ter roubado algo que não roubei, e acreditem que eu trago muito para casa, e vou logo ser culpado por algo que eu sei que não posso fazer. Enfim...
No meio desta revolta caí no sono por várias horas e dei comigo a ter um "sonho" .. estranho mas um sonho.. e acreditem há muito não tinha um verdadeiro sonho a dormir e que me lembrasse no dia a seguir ... foi um tanto ou quanto estranho.. de repente encontrei-me na minha aldeia natal... possivelmente no meio de festividades..no entanto não havia muita gente.. então os dois cantores do dia andavam a cantar de um lado para o outro..palco para a rua, rua para o palco, e no meio disso eu conseguia estar ao lado deles e tirar fotos, até falar com um deles, havia uma distância entre eles, eu e as pessoas que assistiam, como se eles não se conseguissem aproximar como eu conseguía. E no fim eu pude dizer o que sentia ..coisa que tenho uma certa dificuldade em fazer nos dias de hoje... não consigo identificar a mensagem deste sonho, só que me deu um pouco de paz interior, mas deixou-me ainda mais triste e com vontade de acabar de vez com estes dramas e deste jogo em que estou metido.
Acho que parte da mensagem do sonho foi alguém intocável deixar-me aproximar de si .. deixar-me desabafar, ouvir-me, querer saber o que sinto, o que gosto, o que sonho, o que passei .... parte da naturalidade e simplicidade do local (a aldeia) poderá querer dizer que tenho de regressar à simplicidade.. ou talvez que não me posso esquecer da minha essência ... !