quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Sanidade no desequilíbrio

No meio de tanto desequilibrio tu mantens a minha sanidade intacta ...
Vou apenas falar de mim, embora saiba neste momento de algumas coisas da tua personalidade e hábitos que me vão forçar a adaptar-me se quero estar contigo e que fiques comigo.
Não sei se já pensaste em acabar com isto tudo depois de veres o quanto eu posso dar trabalho ou posso precisar de ti... tanto e tão pouco ao mesmo tempo ...
Nunca tive uma relação duradoura, nunca tive exemplos a seguir para tal, sou frio, sou forte, sou exigente, sou rancoroso, sou mau, sou defensor. Hoje em dia depois de tudo o que ficou para trás, não é fácil partirem o meu gelo ... eu próprio luto constantemente para derretê-lo...
No entanto, tenho em mim toda a carência, vontade, desejo de ter essa relação que nunca tive como exemplo, sou romântico, sonhador, e quero tudo o que tenho direito numa relação ... sou quente, sou fraco, sinto falta, sou fácil, frágil, sou bom, preciso de proteção.
Comigo é assim, sempre fui de extremos, demoro a dar-me, e quando me dou tenho medo de perder, de te perder, de me perder...
Estou constantemente em luta comigo próprio para não exagerar, para não me interpretarem mal ... estou em luta comigo próprio para não ser frágil psicológicamente e carente como a minha mãe, luto comigo próprio para não ser forte, frio e mau como o meu pai ... e com estes extremos o meio termo parece ser uma luta interminável...
Não sou o mais sociável, já fui bastante, algures no caminho deixei de o ser quando me afastei de todos emigrando e agora não sei como recuperar isso ... a verdade é essa ... os meus amigos estão ali para mim, tu estás aí para mim, e eu simplesmente desligo ... forço-me a ativar, mas nem sempre consigo... continuo a lutar para melhorar a cada dia.
Cheguei a uma fase que deixei de lutar por mim, perdi a auto-estima, e esta luta tu não mereces tê-la, é minha, depois de deixar de lutar por mim, deixei de gostar de mim, e depois disso aceitei-me como era... tu vieste e eu tornei-me exigente comigo de novo, e vi que já não gostava de mim de novo porque eu tinha e tenho de estar bem para que tenhas prazer, para que me desejes, para que me exibas, para que gostes de me ter... e quero isso. E luto para isso, embora me aceites assim e me digas isso constantemente, e acredita que valorizo isso bastante mas continuo a lutar para encontrar esse balanço...
Sinto-me triste muitas vezes, sem razão nenhuma ... tenho ansiedade ... fico instável e insuportável ... tenho crises ... mau acordar por vezes ... mau adormecer também ... e por enquanto a minha rotina não ajuda mas tenho de aguentá-la por agora..
Posso ter todas estas lutas em mim, posso ter toda a minha família em cima, hoje em dia menos do que há uns tempos atrás, também graças ao teu apoio tenho conseguido manter uma distância saudável e tentado ajudar sem me afetar muito. Posso não ser o melhor partido que há por aí ... sim consegui a minha independência, e ainda pago por ela, mas é minha, posso não ter dinheiro para viagens e passeios pois tenho o dinheiro todo contado e acredita que me sinto impotente financeiramente por não te dar mais, e por não alimentar mais a relação entre nós a nível de coisas que tendo mais dinheiro poderíamos fazer mais.
Posso ser imperfeito ... carente... ciumento ... e inseguro ... e acredita que em parte me arrependo de o ser, e em parte não me arrependo de o ser ... sou maduro e sei o que quero da mesma forma que sei o que não quero ...

E por saber de todas as minhas imperfeições não consigo parar de me questionar na razão porque continuas comigo ...na razão porque não avanças comigo, porque não me dizes mais coisas, porque te desligas de mim muitas vezes, estou a chegar a um ponto que já me questiono sobre tudo ... onde antes não me importava, e eu sei que é porque já sinto algo por ti que me vai magoar se correr mal ... e agora ... se não é reciproco ... o que é que eu faço ... sinto que te incomodo se falo de mais ... sinto que te sufoco se te peço mais ou se te quero mais a meu lado ... sinto que te controlo por querer fazer mais contigo ... não quero tomar o lugar de ninguém nem que me dês mais atenção a mim ... eu devia sentir-me especial e desejado com pouco ... 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Aguentar ansioso

Há imenso tempo que sinto a necessidade de me exprimir como nos bons velhos tempos. Momentos onde tudo fluía tão facilmente, fosse qual fosse o motivo para querer escrever... hoje já não sinto essa facilidade em escrever o que sinto...
Desde que fui diagnosticado com ansiedade e depressão e depois de curar a última, os meus dias passam um de cada vez sem planear grandes passos, sem enfrentar grandes desafios, viver o dia a dia não sabendo quando vou ter a próxima crise de ansiedade, ou como lidar com ela quando ela aparecer, deixa-me num ímpasse sem fim ... e por conseguinte, um turbilhão de pensamentos que não consigo exprimir seja de que forma for.
Viver com ansiedade só me faz querer fechar no meu mundo com os pontos que me deixam confortável... não me consigo exprimir quando estou mal, fico instável, mal-humorado, impulsivo, e sem vontade para explicar o que sinto. Muitas vezes não explico o que estou a passar simplesmente porque tal como os sintomas depressivos, muitos não entendem o que é a ansiedade.
Só o tentar escrever este texto estou a ser assombrado por um turbilhão de pensamentos e sensações que não consigo ordenar.
Mas com isto não quero dizer que estou mal, não sou o pior caso que existe como é óbvio, eu estou a aprender a lidar com tudo a cada dia que passa, e tenho aprendido a focar-me nos pontos positivos e no que me deixa confortável como já referi, e não deixo nunca que nada perturbe isso.
Aceitei a minha rotina noturna no trabalho, e tive de reeducar-me para isso não me afetar. Mudei radicalmente a minha alimentação em quantidade e qualidade, estou a melhorar a minha saúde lentamente mas com resultados positivos, e por conseguinte o meu psicológico tem sofrido bastantes melhorias. Forço-me a dormir as 8h sempre para que isso não me prejudique. E limito o meu tempo livro a ele quando ele pode vir ter comigo, e quando não pode aproveito para descansar em casa. Ocasionalmente, muito raramente ultimamente, saiu com amigos, a minha ansiedade ataca logo, por isso tenho-o feito muito pouco.
Quando estou com eles, já não consigo omitir que sou diferente, que me sinto ansioso, que estou desconfortável, não tenho conversas longas, não quero conversar, não quero explicar cenas que não consigo colocar em ordem de raciocínio o que me torna meio lunático ao falar. Ainda para mais, tem-me sido super difícil olhar as pessoas nos olhos, e tenho ataques de suor horríveis quando fico agoniado.
Mas tenho aprendido a abstraír-me de tudo quando estou com eles, fico distante e a pensar no vazio, só assim consigo aguentar e não voltar à minha quietude.
Posso mudar de planos, mas por agora aceitei-me assim, determinei que quero manter este trabalho até pagar o meu carro ou até que encontre algo que eu goste e me pague o mesmo. Não tenho dinheiro para luxos, para viagens, para mimos. Todo o meu salário vai para despesas e isso deixa-me louco, desde que comprei o carro. Não tem sido fácil, ainda para mais tentando alimentar uma relação amorosa e que as coisas não fiquem monótonas, mas vou aguentando.
Afastei-me da minha família de novo, de todos, é muito doloroso tudo para mim, não quero lidar com ninguém nem com o que eles estão a passar, mas tem de ser a batalha de cada um, embora isso me magoe quando penso no assunto. De alguma forma tenho de me reaproximar mas não quero dar de mais para isso não me comer por dentro. Neste momento a minha mãe está de volta ao Alentejo, o meu irmão que tinha saído da minha casa por não querer a rotina que eu lhe propus, tinha regressado à Suíça e quando a minha mãe regressou a Portugal ele decidiu que ficaria na Suíça a tentar encontrar trabalho e viver lá. Os planos não lhe correram bem, se ele não amadurecia quando estava com família, nunca o imaginei a desenrascar sozinho assim derepente. O pai dele que de chulo tem tudo, cortou com ele e o miúdo teve de regressar a Portugal, tentou uns tempos em Almada com a tia a trabalhar no café dela, e agora vai à Suíça anular o resto das coisas e apanhar a bagagem que lá tem para depois regressar ao Alentejo para casa da minha mãe, e só o tempo sabe o que lhe acontecerá por lá... nem quero pensar que futuro terá ali ...
O meu pai, não falo com ele, fui desligando gradualmente ao ponto de já nem o conseguir ver, tudo nele me irrita, e não consigo fingir mais ... quando adoeci todos me falharam volutaria ou involuntariamente e ele que era o único com capacidade financeira para me ajudar, recusou e ainda teve a audácia de quando me veio visitar apenas me pagar um almoço, o qual mencionou que me pagou, e me oferecer “azeite” ... ora depois disto, não vale a pena mais conversas... claramente eu não sou mais adolescente para ser responsabilidade dele, mas depois de tudo o que eu fiz por todos na Suíça, era o mínimo ...
O mesmo vai para a minha irmã que ficou na Suíça e que também tanto ajudei, mas o sentimento é diferente, dela só quero que se oriente, e consiga aguentar-se sozinha e longe de nós, que também é uma primeira vez, mas não posso preocupar-me.

Mas eu aguento ... sem dinheiro... mas não devo nada a ninguém ... pago a minha casa, despesas, carro e ainda tento fazer o meu tratamento para melhorar... posso não ter mais dinheiro para nada, mas vou de cabeça erguida... para a cama, mas vou ... acreditar que um dia estarei melhor...

sábado, 23 de setembro de 2017

Estarei assim tão errado ...

Como é que conseguimos continuar a fazer o que estamos a fazer, sabendo e achando que estamos a fazer tudo bem, e no entando nos fazem sentir que estamos a fazer tudo mal?
É assim que me sinto ultimamente.
Ontem senti que algo não estava bem connosco, às vezes sinto isso, mas guardo para mim. Tal como muitas coisas com as quais não me quero chatear, ignoro-as ou sigo em frente e espero que se resolvam ou desapareçam. Mas ontem não o fiz.
Tive aquela sensação de que algo falhou, o mesmo que tem falhado outras vezes nas quais deixei passar. Seguido a isso, quando fomos para o banho juntos, trocamos “aquele olhar”, aquele em que tu sabes que te amo mas não o digo para não ser o primeiro a fazê-lo, aquele em que tu sabes perfeitamente que espero muito mais de ti, aquele que diz tanto mas sem me incriminar pois nunca digo nada, e que inevitávelmente te deixa sempre com pressão para sentires mais do que aquilo que sentes por mim.
Naquela troca de olhares e já iniciando a sensação de que algo tinha falhado anteriormente, eu perguntei, “gostas de mim?” e tu dispersaste, denunciando logo que estavas a sentir a mesma cena que eu, de que algo não estava bem, afinal estavamos com a mesma sensação, e disseste que já estavas cada vez mais perto de me amar ... que já lançavas uns “amor” involuntariamente. E isso devia ter-me contentado, como acontece sempre, mas eu, já desconfortável, só piorei ...
Ontem deveria ter sido tudo normal, mas eu decidi tocar no assunto ... queria saber se algo mais estava mal, se eu estava a fazer algo de mal, se me faltava fazer algo para que tu me amasses mais... ou para eu ter a sensação de que me amavas mesmo sem dizê-lo.
Depois do banho iniciei o questionário ... e eu não gosto de questionários ... faz-me ser alguém que não sou, alguém que já fui há muito tempo e que não mais faz parte de mim. Mas quis entender o porquê.
Dispersaste muito, como fazes sempre, utilizaste todas as chatices da tua rotina diária como desculpas para não estares bem, criticaste a minha rotina profissional, a minha rotina diária, as minhas motivações, as minhas atividades do dia-a-dia, o que faço em casa, e a minha recente rotina alimentar, e por fim, mencionando uma dor de cabeça, foste-te embora.
*
E eu tinha passado por uma fase de depressão e desmotivação, e como sabem, ou não, nessas fases estamos medicados e não reagimos a muita coisa, principalmente chatices e desentendimentos, então ele nunca teve um verdadeiro debate comigo em que eu argumentasse e ripostasse o que ele dizia.
Eu não o queria fazer ali, porque queria apenas entender se me faltava algo ou se eu estava a fazer algo de mal, e não consegui a minha resposta.
Nunca lhe omiti nada, ele sempre soube o quão fraco emocionalmente e psicologicamente eu estava quando ele me conheceu, e decidiu esperar que eu fosse melhorando ... ainda estou a melhorar, mesmo um ano e tal depois de ter recomeçado a minha vida aqui ...
Eu estive abstraído de relações amorosas e sexo durante cinco anos enquanto estive no estrangeiro, isso não me fez mal, mas essa ausência juntando à depressão no fim e consequentemente aumento de peso final, deu-me imensos problemas de auto-estima, e complicou uma pequena operação que decidi fazer antes de regressar a Portugal.
Quando ele ficou comigo, eu muitas vezes não queria que ele tocasse no meu corpo, ou em determinadas partes onde estava mais desconfortável ... hoje, graças a ele, essas partes diminuiram muito, e estou mais confiante, e graças a ele as mazelas que tinham ficado da operação que mencionei, desapareceram, mas ainda tenho pequenos momentos em que lhe agarro a mão para não me tocar... eu sei que isso já deveria ter passado ... mas não queria que complicasse mais, sendo que acho que vai passar completamente...
Hoje sinto-me super realizado por ter a minha casa, carro e conseguir pagar todas as minhas contas mensais com o meu salário, consigo manter-me de uma forma que às vezes só um casal junto consegue manter-se. Tenho de ter um trabalho noturno e estou realizado no mesmo, pois não exige muito de mim, mas estou nele para ter mais esse subsídio, tenho de ser rígido na minha rotina para dormir saudavelmente e ter os fins de tarde livres para ele. Mas quando se chateia menciona sempre o meu pouco tempo livre devido ao meu trabalho, onde eu tenho o mesmo tempo livre das outras pessoas... que saem às 17h do trabalho e é quando eu acordo. O único ponto que pedi que ele compreendesse foi apenas que não esperasse que eu fosse super ativo e social com outros logo quando acordo, pois precisava de tempo para “despertar” e ficar disposto a socializar com outros. É normal eu acordar às 17h e só começar a ser simpático com outros lá para as 20h .
Esforço-me por dormir menos horas em alguns dias que ele aparece aqui de surpresa, esforço-me por ir passear sempre que ele me pede, mas na maior parte dos dias nem saiu de casa, e ficamos por casa no pc, cama ou a falar. Mas não lhe chega, ele sente que não sou ativo o suficiente ou que não socializo com outras pessoas.
Eu nunca fui o mais social ou simpático, e ainda comecei a sê-lo menos depois de regressar a Portugal, e eu não vejo mal em querer ficar em casa e gostar de trabalhar à noite, onde normalmente se evita mais contato com pessoas. Sei que isso me tem dado consequências a nível social e de amizades, eu próprio sinto-o, e sinto que me afeta, principalmente quando estou rodeado de muita gente, panico facilmente e fico angustiado.
Mas não desgosto de como estou. Eu adoro estar em casa e adoro ser só dele e ele só meu, adoro sair quando ele quer sair porque ele quer sair comigo, ou sair com amigos quando eles o sentem e me pedem, mas a minha iniciativa para tal é praticamente “zero”. E zero porque hoje em dia apenas faço o que gosto e me apetece e poucos merecem o meu esforço.
Não sei explicar melhor, mas adoro estar em minha casa, rodeado das coisas que alcancei. Reconheço que haja vida fora de casa e temos de manter a relação, apimentar tudo, e manter as amizades, mas essa % neste momento é muito pequena em relação ao resto.
É verdade que não me quero manter na vida noturna para sempre, mas por agora tenho de reconhecer que é a única forma de manter as minhas despesas em dia e sem dever nada a ninguém. Sei que tenho pelo menos de pagar o carro primeiro antes de perder cerca de 100€ no salário e mudar para um regime diurno.
Pagando tudo sozinho e praticamente não me sobrando dinheiro nenhum para “luxo” ou mimos, fazer planos de viagens é praticamente nulo, ou só posso fazer quando sei que vou receber extras ou fins de ano, e ele tem muita vontade de viajar e fazer planos de viagem...
Eu sou alguém que não gosta de exercício físico, desisti do ginásio e de treinar pois na altura estava mal psicológicamente e não conseguia esforçar-me por nada, e é sempre difícil focar-me em algo que envolva emagrecer. Mas recentemente encontrei ajuda para tal e estou focado, mudei a minha alimentação e reduzi tudo o que me fazia mal, drasticamente, fico muito fraco por vezes porque como muito pouco, mas tive de reduzir a alimentação de acordo com a minha rotina, que basicamente é trabalhar sentado de noite, ir dormir 8 h logo a seguir ao trabalho e os fins de tarde não me pedem muito gasto de energia, então a alimentação tem de ser muito pouca e saudável.
Há uns dias atrás fomos passear para os calores alentejanos, saí da minha rotina por ele, mas naquele dia tive a ideia estúpida de manter a rotina alimentar que tinha quando trabalho, e senti-me mal quase desmaiando num lugar isolado, sem sombras e muito quente, sem ninguém para me ajudar e ele assustou-se um pouco com a situação. Com muito esforço e medo cheguei ao carro e recuperei a caminho do hotel, mas ele ficou bastante chateado com isso pelos vistos, pois foi mais uma de que me acusou no seu emaranhado de cenas das quais está descontente.
Foi erro meu e assumi-o. E na opinião dele estou a fazer uma alimentação muito mal feita, e digamos que a alimentação é algo que temos em comum, gostamos de ir comer fora, comer as mesmas porcarias e guloseimas, mas eu cortei com tudo. Esforço-me por ir comer fora e abro exceções quando estou com ele, mas o resto cortei tudo e nem tenho nada em casa de tais coisas....
Não sabia que isso o deixava descontente e isso deixou-me triste, pois estou a fazer isto para melhorar alguns problemas de saúde que tinha e tinha de tratar urgentemente e ele sabe disso. E estou a fazê-lo para eu melhorar a nível de auto-estima e consequentemente melhorar os problemas que daí derivam que mencionei anteriormente... e deixa-me triste que ele não veja isso também. Que também é por ele que tento melhorar.
Essa rotina alimentar ainda reduz mais toda a atividade fora de casa que ele refere que eu não tenho.
Tento pedir férias quando ele tem férias, mesmo temendo que ele ache que eu quero que ele fique atrelado a mim nas férias, pois não podemos viajar nas mesmas a não ser em janeiro ... não lhe pergunto onde ele anda ou o que faz, com medo que ele pense que o controlo... não lhe digo pa não sair com alguém, embora ache que as noites gays que já quase não tem, sejam desnecessárias... nunca controlei a privacidade dele, embora tema o que possa encontrar muitas vezes ... Sigo em frente e meto as inseguranças em relação a ele para trás para dar certo nesse aspeto, mas parece não ser o suficiente. Eu fico no meu canto quando ele desabafa chateado sobre o quão maus alguns dias de trabalho são, fico no meu canto quando desabafa sobre a mãe ou chatices com ela; fico no meu canto quando fala sobre os problemas do carro ou de dinheiro ... e tento ser compreensivo ou dar conselhos, mas até esses são mal interpretados e alvo de contestação e consequente descarga de motivos e razões a justificar-se, sendo que estava apenas a aconselhar algo.
Decidi dar o passo antecipado de regressar a Portugal por ele, para que isto desse certo. Eu ia regressar de qualquer forma, mas também podia ter aguentado mais uns meses lá fora. Eu praticamente faço tudo para que na minha casa ele se sinta ele e para fazer o que bem entender, com o meu carro igual. Ele conheceu as pessoas mais importantes para mim, de família e amigos, pois eu fiz questão de tal.
E com isto tudo ... 1 ano depois de eu regressar, sendo que nos conhecemos antes disso ... onde está o “amo-te” , onde está o “queres namorar comigo?”, onde estão mais noites juntos, onde está o “anel de namoro” (sim porque eu quero um) ... Mas pior que não ter nada disto e tê-lo a ele na minha rotina constantemente é não saber as razões, motivos da parte dele que levam a que isto não avance.

Estando eu estavel em todos os aspetos fora relação, e dando passos, ainda que lentos, para melhorar as minhas inseguranças, criando novos objetivos para melhorar isso mais rápido ... o que é que falta...

sábado, 2 de setembro de 2017

Fora do ninho

Num qualquer caderno meio rasgado começo a escrever como único refúgio do tédio que se vive neste Alentejo.
Este caderno muito provavelmente sobrou do Ano Lectivo de alguém e agora a minha avó usa-o como folhas para apontar alguma coisa... na folha anterior leio "o comer está no frigorífico"...
E eu tenho-me sentido vazio de sentimentos ou de formas para me exprimir, e as circunstâncias quase não me deixam outra alternativa a não ser escrever.
Estou seco, vazio e sem paciências para nada e não sei como vou ter forças para começar o meu tratamento daqui a 3 dias... mas a algum ponto vou ter de me agarrar para vencer esta tão enraizada luta... e vou ter de a enfrentar sozinho.
"Ele" não está a ser o pilar que eu precisava que ele fosse, não sei se sou eu que estou a exigir demasiado, no entanto, não sinto nem uma palavra de encorajamento.
Não posso contar com o meu pai, está claro que já não estou na lista de prioridades dele, nada que eu não soubesse... A minha mãe, essa acabou de chegar da Suíça para voltar a viver em Portugal, chegou pior do que quando de aqui saiu, com uma extrema carga negativa e depressiva em cima e eu nem me consigo aproximar sem me sentir mal... e só quero manter uma distância de segurança por agora, e essa sensação de querer estar distante dela está a magoar-me de certa fora... com ela estão os meus irmãos (de férias) mas que em prol dessa circunstância também não me aproximo...
Eu já saiu imenso da minha zona de conforto quando saiu da minha casa... não sei porquê... a primeira noite fora parece que o mundo vai acabar, fico instável e irritável, e só quero a minha gata na cama comigo... depois o choque de não ter ligação ao mundo, internet, telefone e apenas 4 canais de televisão e o paleio das velhas da aldeia agonia-me imenso.
Eu não era assim tão fechado, e agora não consigo abrir-me de novo, socializar, olhar nos olhos, ter uma conversa descontraída.
Felizmente no segundo dia da minha mãe por cá veio com uma atitude diferente, deve ter sentido a minha distância, e veio mais calma, mas eu decidi que tinha atingido o limite e pedi para me levarem aos autocarros para voltar para o Algarve, inventando uma desculpa. Prometi regressar mais tarde e compensar.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

"Encravado" nos 30's ...

Aqui sozinho no meio do nada e sem nada para fazer, é inevitável que o meu cérebro não seja atacado por todos e mais alguns pensamentos... e nem todos saudáveis, por vezes. Não é fácil ter um trabalho em que apenas trabalhe de noite. Vejo o pôr-do-sol em casa e preparo-me para ir trabalhar e os meus turnos acabam sempre com um novo nascer-do-sol e são horas de dormir. No mínimo um cenário inspirador mas também bastante traiçoeiro. Acontece que educares o teu organismo a trocar horas em tudo, um organismo que já é bastante sedentário, tem as sua consequências e o meu corpo não tem sabido gerir esta rotina.
Não tenho conseguido emagrecer embora ainda tenho esperanças que encontre soluções para isto.
Não me posso queixar do que faço, ganho bem e tenho a tranquilidade no trabalho e em casa como eu gosto, alguém que gosta de mim e amigos que estão ali quando tem de ser.
Mas porque estou eu insatisfeito?!?!
Eu já sabia que era um constante insatisfeito, mas também, neste momento, não me encontro com objetivos, a curto prazo, por cumprir... Tudo o que ainda ambiciono para mim, são coisas a longo prazo, e que têm de ser trabalhadas, mas então porque não estou eu contente...
Ele tem puxado imenso por mim... alerta-me para ser mais ativo... sair e socializar mais... mas sair e socializar é algo que vou perdendo de dia para dia, há muito tempo... Não consigo controlar.
Por vezes sinto-me um fardo para ele... não saímos muito, acho que por culpa minha, e quando o fazemos é sempre para as mesmas duas coisas, jogar ou jantar fora... não que isso me aborreça, mas os meus medos residem na dúvida de que ele sim, se possa aborrecer...
O sexo, e a minha vontade para o mesmo reduziu drasticamente... o médico diz que a minha “líbido” reduziu muito com o aumento de peso e sedentarismo... algo mais para eu me preocupar.
Sinceramente, não é de todo o cenário que eu imaginava para os meus 30`s... sempre imaginei esta fase com um trabalho que goste de ir fazer todos os dias, voltar para alguém no fim do dia... uma fase de regressão do corpo em que se tem perdas estrondosas de peso e ficamos com ar jovial e de atrair atenções... um aumento de auto-estima... um aproximar de uma junção de duas pessoas seja ela de que tipo for... mais viagens... e não ...
Desde que passei essa barreira dos 30, que estou “encravado” ou piorando... porquê? Porque não tenho direito ao mesmo que os outros...
Hoje ouvi algo numa série que me fez pensar... “Sometimes you have to hit rock bottom before you reach the top”, mas eu já fui tão abaixo e passei por tanto que não acho que sobreviveria são e salvo se fosse mais fundo. O que passei deu-me e tirou-me imenso do meu “eu” e agora não sei onde recuperar-me.

Hoje, é como se eu soubesse os passos que tenho a dar mas não sei como fazê-lo nem por onde começar... tratar do meu físico, que por consequência aumentará o meu ânimo e bem-estar emocional... que melhorará o meu sentido de iniciativa para apimentar mais a minha relação... talvez me motive a procurar um trabalho mais perto de casa e que me motive, e então talvez aí eu tenha coragem para reatar com a minha vida social e reconquistar algumas amizades que estão um pouco apagadas há muito tempo.

sábado, 15 de julho de 2017

Objetivos entalados *

Sinto vontade de escrever pois hoje em dia é a única forma de dizer o que sinto e a única forma de conseguir uma ordem de raciocínio.
Hoje em dia, já pouco resta de um "eu" que eu gostava, de um eu que estava "ok" com o seu corpo, que fazia qualquer coisa por amor sem pensar duas vezes, que simplesmente dizia "amo-te" sem pensar nas consequências.
Algures no meu percurso, esse "eu" perdeu-se, ficou frio, sofreu, endureceu de uma forma inquebrável...
Este "eu" pouco sabia de sobrevivência, para ele, bastava viver na cidade que tantas boas memórias lhe trazia, ter um trabalho que pagava o principal, viver numa rotina sem ter de pedir autorização dos pais, sair todas as semanas com amigos que em tudo eram o seu espelho, dançar, beber, beijar e ter a praia para recarregar a bateria e reviver tudo de novo.
Mas esta pessoa nunca quis entrar em situações que o deixassem desconfortável... que saíssem da sua zona de conforto e então os imprevistos começaram a aparecer.
À primeira vista aquilo que para mim era perfeito, começou a reduzir drásticamente, as dificuldades financeiras surgiram, a triste realidade de que nunca iria conseguir passos importantes como ter uma casa, carro, viajar, os meus amigos começaram a dispersar para outros lugares e a seguir os seus objetivos. O meu círculo que já era bem limitado, e porque assim eu o criei, agora estava escasso.
Neste momento eu estava completamente apaixonado por alguém, eu sabia que não era saudável mas não quis saber... deixei-me levar e então tudo acabou... e eu perdi algo em mim que nunca mais recuperei... não estava preparado para este fundo. O chão desabou dos meus pés...
Aquela cidade sonho e onde nada de mau poderia acontecer, agora era um martírio de dias e memórias de momentos e pessoas que não voltaríam nunca mais, e eu não soube habituar-me a isso.
Então fiz o impensável, regressei ao lugar que jurei nunca mais voltar e que tanto mal me tinha feito e à casa da minha família vivendo sob regras e opiniões, comentários e julgamentos... Neste ponto eu podería ter esquecido que alguma vez tinha sido feliz e tentar reconstruir tudo de novo... e fí-lo mas não da forma que eu estava a pensar.
Pouco tempo depois do regresso a casa, toda a minha família tomou a decisão de imigrar... algo que eu nunca quis meter em causa... e sair ainda mais da minha zona de conforto... mas depois de alguma pressão, fechei os olhos e segui para aquela que seria uma gruta sem fundo e sem regresso.
Fazer trabalhos que humilhavam os meus sonhos... não saber falar e ter de aprender como um bébé... não saber defender-me e ter de dizer "sim" a tudo e sujeitar-me por necessidade. Viver cinco anos com pessoas frias, cruéis, racistas, transformou-me em alguém de quem não sou forte o suficiente para me abstrair.
A isto se juntou a saudade e o sonho que a nova realidade financeira me tinha oferecido. Eu podía ter sofrido, eu podía ter perdido, eu podía não ter amor, mas podería dar-me uma estabilidade para viver numa rotina onde nada me perturbasse... tracei a minha meta... viajei, aproveitei a credibilidade financeira que tive para comprar casa e tudo o que ela engloba e meti um prazo para desistir deste bem-estar financeiro e voltar a uma rotina onde já tinha tudo o que "materialmente" precisava e apenas teria de encontrar um trabalho para manter isso por muito tempo.
Acho que no fundo de mim nunca perdi este sonhador que ainda acredita em algo... longe de pensar que podería encontrar algo parecido a "amor" de novo.
Mas este regresso teve um preço muito grande a ser pago, físico e mental, aguentar até ao momento certo, apertando as feridas mal saradas ao máximo, passando de um emprego que me mantinha saudável para o desemprego que me deixava em casa e torturava ainda mais o meu psicológico... e a pessoa que aqui chegou foi alguém que eu já não conhecia...a nenhum nível.
E eu já "o" tinha encontrado...a "ele"... e ele tinha e tem tanto trabalho pela frente e como posso eu pedir tal batalha a alguém... ninguém merece isso.
Ninguém merece esta personalidade fria e inconstante que ainda tem bastante por amulecer... ninguém merece este medo de amar, de dizer "amo-te" em prol de uma vontade enorme de ser amado de novo... não sei se sobreviveria a outra queda.
Esta pessoa que aqui chegou estava a batalhar sintomas depressivos e de ansiedade, lutando contra uma maré enorme de desmotivação em lutar pelo que quer que fosse... e "ele" foi paciente nisso... e hoje não tenho mais crises de ansiedade e pânico, não me sinto mais triste...
Mas a batalha ainda não está vencida... preciso de reencontrar a chama para lutar por mim, preciso de acreditar que é possível, que posso gostar de mim de novo e posso deixar outros gostarem de mim ... posso deixá-lo a ele gostar de mim, tocar-me, sentir-me... 
Preciso de encontrar um equilíbrio emocional e psicológico para ter atividades de novo, para me mexer mais, para sair com amigos e fortalecer as amizades. E eu estou agradecido por esses amigos, e por ali estarem mesmo estando eu perto e ausente. E eles tentam de vez em quando aparecer e fazer algo, e eu simplesmente desligo.
No fundo de mim, estou à espera da luz que me motive para tal... à espera de algum impulso que me mova a lutar de novo ... A minha consciência diz-me que "ele" deveria ser motivação suficiente para eu lutar por mim de novo ...e porque não o é? O sentimento é puro, mas porque é que eu não desperto ...
O trabalho está bom, e eu gosto disso. A minha chefe gosta de mim e deixa-me ter uma rotina estável de horários de trabalho, o salário é "aceitável" deste ponto de vista português ... tenho tudo em casa o que preciso embora tenha de me conter nas compras muitas vezes. A família vai-se orientando como pode, mas é um peso que já não tenho em cima de mim porque simplesmente aqui não posso fazer nada para os ajudar. O que falta? 
... Por vezes sinto ainda aqueles antigos sintomas da saudade de uma liberdade que não volta ... mas acho que seja normal e aprendi viver com ela e aceitá-la ... e aceitar as novas fases que se seguiram. Acho que terei mesmo de continuar a ser paciente e ver o que a vida me reserva.
Apenas não quero que esta fase em que estou passe e eu não aproveite nada ... os 30 deveriam ser vividos em grande e eu já estou praticamente nos 31 e entalado em objetivos.

sábado, 24 de junho de 2017

Melhores dias virão...

Quando é que chegará o dia em que eu poderei respirar tranquilo e confiante da rotina que eu tenho e de quem eu sou. Orgulhoso do que alcançei.
Tenho tentado reconstruir um ambiente seguro a nível físico e mental mas não está a ser nada fácil. Segui os meus planos de recomeçar em Portugal e encontrei um trabalho que é razoavelmente bem pago, embora seja difícil pagar todas as contas e esteja a pensar procurar um pequeno trabalho para estes meses de verão e endireitar as contas de novo.
É que a realização do meu mais recente objetivo - a compra de um carro - deixou-me super limitado de dinheiro. Quase nada me sobra para a minha rotina.
Tenho "o meu carro"... confesso que é uma sensação estranha, não sei como me sentir, é sem dúvida mais um dos grandes passos de realização do "padrão humano", eu só devia estar orgulhoso... mas na verdade não sinto nada... não me sinto contente, estou normal... Apenas sinto que tenho um filho que tenho de cuidar e ver se está sempre bem.
*
Mas algo em mim está a faltar e eu não sei o que é... continuo preso num seguimento de dias sem me focar em nada de específico.
Tudo em meu redor tem perdido o sentido... não vou ver a família, não saiu com os amigos... quando faço algo... é forçado e como se saísse da minha zona de conforto.
Esgotei-me de tudo...
E esta relação amorosa tende em não me deixar despreocupado... também há qualquer coisa em falta e não entendo o que é.
*
Não sinto mais sintomas depressivos ou de ansiedade... e sinto-me bem por isso... mas sinto algo igualmente chato... "algo em falta", estou incompleto e sinto-me indiferente a tudo e todos...
... melhores dias virão!

terça-feira, 6 de junho de 2017

O meu vazio *

Estou vazio!
Não consigo pressionar o botão “recomeçar”.
Na verdade, eu não posso recomeçar... tenho pilares importantes a suster e estou agarrado a eles, um em cada mão, um no cimo da cabeça ... mas os meus pés neste momento estão acentes na ponta de um penhasco e prontos a desmoronar com tudo em cima de mim.
Este penhasco que está prestes a quebrar chama-se gordura... e esta está descontrolada... de uma forma que nunca enfrentei. Eu já enfrentei imensas batalhas de peso, mas nunca a este nível. E isto está a envenenar todos os ramos da minha vida, psicológico, amoroso, profissional e tudo o que esses ramos envolvem ... e eu lutei muito na minha vida para jogar tudo pelo penhasco abaixo ... mas na verdade, estou perdido.
Hoje estou com 105kgs, e não é de ânimo leve que digo isto, não sei o que originou isto, apesar de ter a minha teoria, mas isto tem provocado imensos problemas, ou os imensos problemas têm provocado isto.
Um pouco antes do fim de 2016 fui operado às amígdalas originando uma quebra grande de peso.Em Janeiro de 2016 finalizei uma rotina agressiva na Suíça num trabalho que exigia imenso de mim fisicamente, dessa rotina eu saí com uma grande depressão. Fui para o desemprego, e essa quebre de rotina e depressão fizeram-me engordar 22 kgs em apenas 6 meses. Desse aumento repentino de peso surgiram contratempos nos intestinos, cólicas, prisão de ventre que provocava sangue, dores nos rins, coluna, cabeça, e depois de ter ido ao médico expôr estes sintomas consegui regular os intestinos, e depois de examinar os rins nada foi detetado. Pergunto-me nesta fase se tenha havido também algum desregulamento hormonal provocado pela anterior operação às amígdalas que não tenha sido detetado antes.
Depois desses 6 meses regressei a Portugal a meio de 2016 e comecei a procurar novas soluções, comecei um psiquiatra que me tratou para a depressão e também a ansiedade, que foi um sintoma que não tinha reconhecido antes. Consultei novos médicos que me fizeram análises ao sangue, urina dos quais a única irregularidade era o Aminotransferase Aspartato a 40 e a Proteína C reactiva a 5.1 . Fiz um teste H.I.V. na mesma altura que deu negativo. Uma Colonoscopia Total que foi inconclusiva. Uma Ecografia Abdominal / Abdomen, onde detetaram uma ligeira esteatose hepática difusa. Uma Tomografia do Abdómen onde detetaram um pequeno baço acessório sem significado e disseram que o exame era normal. Pediram-me para fazer um novo exame focado no sangue onde viram que o Colesterol das HDL estava a 42 e os Triglicerídeos a 160.  Nessa rotina de consultas apenas me disseram que tinha peso a mais e o fígado um pouco gordo e que tinha de emagrecer.
Fim de 2016 a depressão está curada com o devido desmame mas ocasionalmente sinto que a parte da ansiedade ainda não ficou bem resolvida. Este aumento de peso não resolvido, junto à minha rotina de trabalho noturna, sem muito esforço físico, originou-me um abdómen dilatado, baço aumentado, dores na zona do fígado, dores na coluna e costas em geral, inchaço da barriga e mamilos, dores de cabeça, imensas tonturas, transpiração inconstante e cansaço rápido. Aliados a estes sintomas surgiu-me coceira no corpo mais focado nas pernas, nádegas, braços e cabeça, nos quais tenho constantes erupções cutâneas, dores nas articulações dos dedos das mãos, pés e joelhos.  E mais recentemente dor em qualquer parte central e baixa do abdómen ao tocar e dores nos testículos.
A minha alimentação não é considerada saudável ou não saudável mas também como adaptando aos meus horários, um pequeno-almoço normal às 17h , janto um jantar normal que varia entre tudo o que podem imaginar por volta das 21h e como sei que trabalho toda a noite e sem muito movimento, apenas como fruta e iogurtes e 2 chás durante a noite, juntos a 1l de água. Depois volto a beber um copo de leite ou iogurte antes de ir dormir.
Sou alguém com tendência a diabetes na família e disseram que tenho a pré-diabetes, e costumo controlar sempre isso, ainda que há dois anos que não controle, mas acho que isso acusaria nas análises de sangue se fosse isso.
Não sei mais que fazer ... não como quase nada e o pouco que como deixa-me desconfortável. Tenho uma barriga que não aceito e não gosto de ver em mim. Nada do que tinha para vestir me serve, a não ser roupas largas. Poderia gostar do meu corpo, sou corpudo e já convivia bem com isso, mas este super peso não aceito, e fico desconfortável quando me visto, quando me vêm, quando me cruzo com amigos e família, ou conhecidos que visivelmente reparam que tenho excesso de peso.
A minha relação está a aguentar mas temo que vá ser testada dentro de algum tempo ... se eu não me sinto bem comigo isto não vai resultar para sempre. Não gosto que ele me toque, não estou confiante de mim nem de nós assim.

A minha confiança no trabalho também está balançada, sem motivação para lutar por mim, não tenho motivação para ser melhor no que faço, não me esforço e apenas me prendo numa rotina noturna sem muito contato ou convivência, e assim fico cómido. Gosto da rotina em si, vou lentamente aprendendo, mas não há fogo, não há sexapeal, aquele gostinho de ser bom no que faço. E o pior de tudo, não tenho ambição para querer mais neste momento e isso é algo que eu sempre tive e parte do meu vazio deve-se também a isso.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Farão sempre parte da minha História !

Quase 11 anos depois de para aqui ter entrado, depois de ter saído duas vezes da Tuna, na 1ª porque assim “supostamente” ditava o fim do meu curso, e que depois acabei por não sair e ficar Magister, e a segunda por ter ido para fora do país mas sem nunca ter parado as aventuras com a Tunabebes. Concluo que não posso dizer que sairei da Tuna porque já percebi que isso eu nunca farei.
Mas tive de me adaptar, tive de mudar e de ir caminhando com o passar de cada ano. Adaptei-me a novos instrumentos, adaptei-me a novos tunos, adaptei-me a novas regras, eu próprio fiz novas regras, até eu quebrei regras....
Eu não me considero um Tuno antigo, porque a minha geração foi a primeira do chamado Bolonha, foi aquela que sofreu a última ditadura dos antigos universitários com inúmeras matrículas, imensas tradições académicas, histórias e aventuras. Mas ao mesmo tempo sou da geração que teve de se adaptar ao que veio a seguir. Era como ter de aprender algo que não iria meter completamente em prática, pois seria impossível viver certas coisas de certa forma com quem vinha para aqui apenas por um ainda mais curto espaço de tempo e que não se interessava tanto por esta história.
Esta foi a minha batalha e esta foi a minha tarefa enquanto Magister. E acreditem todos eles têm uma diferente. E talvez por eu ter sido da 1ª geração da mudança, para mim tenha sido super fácil aceitar a nossa junção com os Rolha.
Para mim foi um caminhar que me deu inúmeros amigos para a vida, para mim foi o auge dos tempos académicos, nunca troquei algo pela Tuna, deixei de ir a casa pela Tuna, deixei de ir ver a família algumas vezes pela Tuna, é algo que faz parte da minha história, para um dia mais tarde eu ter até levado toda a Tuna para dentro da minha casa e a interagir com a minha família. Nunca escolhi estudar em prol da Tuna, sempre fui primeiro à Tuna, ironia do destino, apenas fiquei mais meio ano que o previsto para acabar o curso. Era e é o que me fazia feliz, era e é o que me ajuda quando preciso de motivar-me e à minha rotina ou esquecê-la. E assim se mantém até encontrarmos algo “semelhante” que assuma o mesmo papel. É bom ver que os principais amigos que daqui levei, hoje são aqueles com quem partilho momentos, jantares e casas uns dos outros e por isso não mais faz sentido para mim ter de aqui vir lutar por algo, neste caso a universidade, ao qual já não pertenço.
Sobrevivi ao auge da Tuna com antigos tunos com regras impensáveis, vi a Tati e o Koida enquanto Magisters acabarem com os pequenos grupos dentro da tuna que estavam a prejudicar o avanço da mesma. Mas o principal desafio estava para vir. A cena é que entramos para aqui com o nosso grupo, aquele só nosso, que entra connosco. E só depois nos misturamos com os outros. Este “meu grupo” não saiu todo da Tuna ao mesmo tempo e foram saíndo um por um, e cada um deles foi um teste à minha resistência na Tuna. Sobrevivi... e depois disto ainda tive de sobreviver ao declínio da Tuna, e aí sentimos na pele o que era pertencer ao Bolonha ... sobrevivemos à queda de membros drasticamente, às atuações de 5 ou 6 elementos, e então ainda decidiram testar-me como Magister e tive de forçar as minhas baterias a lutar por algo que estava a perder importância para mim a uma velocidade drástica, e eu tinha acabado o curso.
Mas fiz dessa a minha batalha novamente, enchi a Tuna com um calendário de atuações e ensaios quase todas as semanas, novos elementos, novas regras e aí notou-se que eu já era de outra geração, pois tive de adaptar algumas regras para podermos sobreviver aos tempos que estavamos a passar.
E acabou. Saí naquele momento em que vi que estava encaminhado e foi a melhor forma de sair, nomeei eu mesmo quem eu quis que continuasse a mandar para ter a certeza que aquilo se cumpria. E fui embora.
Aí foi a pior prova de todas. Ter de encontrar a minha rotina sem este escape foi horrível, foi incansável... para mim não foi fácil ... pois eu era aquele que trocava tudo para ir a aventuras académicas ... eu não queria voltar para casa, eu não quis voltar para o Alentejo, eu ainda nem tinha ganho a aposta que tinha feito enquanto caloiro de um dia vir a ser Tuno Honorário desta Tuna que tanto me estava a massacrar com praxes.
Na minha história pessoal, eu nunca pertenci ao Alentejo, foi aqui que encontrei a minha casa, foi aqui que comecei a viver, e por isso me custou encontrar um rumo quando tudo acabou, e sair do país quebrou-me ... lentamente... sempre regressei nas férias e sempre vim carregado com o traje na mala, tinha de ser, só isto me carregava as baterias, só eles, o meu grupo, não a universidade ou as cenas tunantes em si. E depois de mais 4 anos de férias de trabalho passadas em tuna e a viajar de avião com o traje na mala eu consegui vencer a aposta de caloiro e nomearam-me tuno honorário.
Foi a melhor sensação de sempre, foi a única vez que fiquei sem palavras... mas com tantas para dizer ao mesmo tempo ...
Tempos depois e parecendo que já tinha passado toda uma vida, tomei a decisão de comprar a minha casa e sem sombras de dúvida que não o ia fazer no Alentejo, mas não foi de ânimo leve que escolhi voltar para Portimão. Foi difícil e doloroso desintoxicar-me disto tudo, voltar aqui só temporariamente e não era preciso muito para andar em cada rua sem ser “flashado” com memórias intermináveis, boas e ... más... Foi preciso uma cura, foi preciso encontrar a minha paz com esse passado tão bom mas que me tinha quebrado. Não fazia sentido eu escolher outra cidade para minha casa, tinha de ser aqui. Achei que se ela antes me tinha feito tão feliz, talvez numa nova rotina, com novos momentos eu encontrasse essa felicidade de novo. E assim foi, casa nova e voltei.
Sempre prometi que não entrava nas velhas rotinas, mas alguns dos meus amigos estão aqui, e eu precisava de ver com os meus olhos e vivenciar o ponto em que eles estavam. E acabei por me ver aqui por mais uns dias.
Não considero que voltei para a Tuna, eu voltei porque eu vinha esgotado do estrangeiro, todo o processo de trabalhar lá fora arrasou comigo, e mudar de rotina para uma com bens pessoais que temos de manter... não é fácil... e essa foi a razão de eu voltar temporariamente, foi encontrar o escape de novo daquilo que me tinha feito mal e com a ajuda desta distração, sarar todas as minhas feridas, e resultou.
Fui super bem recebido neste grupo onde apenas conhecia 5 pessoas que logo passaram a duas, e nunca me deixaram de lado.
Mas agora que já recuperei forças para a minha nova rotina de vida, e já vi que o grupo está ótimo e com imensas aventuras, eu preciso de ir à minha. Já não tenho fogo para isto, já não tenho vontade para isto e é com muita serenidade que admito isso, aceito-o. Já não me apetece ensaios, carregar instrumentos, conduzir para atuações, sentir que precisam de mim para atuar. Não gosto do feeling de ser bombista de novo. A minha chama sempre residiu nas pandeiretas e é com essa mesma serenidade que aceito também que já não é o meu lugar. Não tenho o corpo que tinha há 10 anos atrás para fazer o que tanto gostava e o traje já se veste a muito custo, e está a pedir um fim, e essa é a minha última batalha aqui, arrumar o traje de vez.

Foi e é uma honra ser Tunabebes, ter a Tunabebes na minha história académica e trazer a Tunabebes para a minha história pessoal. Os meus melhores amigos hoje praticamente todos estiveram na Tunabebes, e devo muito a eles. Não vou dizer que voltarei sempre que puder, pois preciso de não o fazer, mas espero que o destino me pregue partidas e cruze o meu caminho com o grupo para eu sentir a adrenalina de novo.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Um novo dia, lá bem no horizonte.

Já há imenso tempo que eu não passava um mês completo sem escrever nada aqui no Blog. Na verdade... eu vim aqui algumas vezes reler antigos posts que precisava de recordar para tentar entender-me de novo. 
Desde o meu último post ainda me encontro em fase de reencontro comigo mesmo... já na 2a fase da desintóxicação dos medicamentos... e até agora tudo está a correr bem... isto dizendo que ... se tiver de chorar, já consigo chorar. 
Neste ponto apenas tenho vivido a minha rotina, tirei uns dias de férias para curar-me de uma gripe e também para festejar os meus 10 anos de Tuna junto com a malta (nova e alguns antigos). Foram dias nostálgicos pois alguns dos membros de raíz da Tuna foram embora de vez e agora apenas restam 2 e eu, mas em contrapartida, o novo grupo tem-me feito sentir lindamente e são super acolhedores.
Muitas mudanças se passaram neste novo grupo, desde os antigos textos que aqui escrevi sobre esta Tuna, mas um dia escreverei sobre esta nova Tuna. Para que conste não voltei à Tuna, apenas entendi que para me reencontrar precisava limpar as ideias e não há melhor do que estar com eles, cantar e esquecer tudo o resto. Foi uma boa terapia.
Agora que já tomei um pouco de Vitamina C durante as férias vou voltar ao trabalho, agrada-me, mas tem dias que quero voltar a um trabalho diurno, mas ainda não sei muito bem onde me inserir em turismo... deveria haver um Night Auditor diurno lol, aquele que tivesse na receção sem praticamente nenhuma chatice à cabeça. Mas enfim... vou ficando por aqui, pois estou bem, até encontrar outra coisa com que me identifique..
E focar-me em fortalecer mais esta relação "amorosa" em que estou... estou prestes a tomar algumas decisões para desencravar o estado de relação em que me encontro..mas também logo escreverei sobre isso quando a inspiração o ditar.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

As rédeas

Não sou muito de pensar em « razões”, no porquê de me ter acontecido algo, ou de estar como estou, ou onde estou ... sempre fui muito ponderado nos meus passos, mas a verdade é que no último minuto a minha decisão nunca é tomada com ponderação, mas sim com impulso, não importando muitas das consequências.
Não gosto muito de pensar em que ponto eu perdi as rédeas da minha rotina e me meti em piloto automático, a verdade é que esse robôt age tal e qual eu agiria em perfeito estado de sanidade, mas esse robôt apenas é desprovido da maioria dos sentimentos que a mim me impediriam de fazer muita coisa.
Aquilo que me levou ao abismo e posteriormente à dose diária de “alegria” e “indiferença” a que os médicos chamaram de Prozac, tornou assim os meus dias em algo mímico. Eu ajo e reajo mas sem me importar.
Mas nem tudo é mau, e talvez eu tenha de abrir os olhos ao que isto tem de positivo... aliás, tudo o que esta droga me faz fazer, é tudo o que eu fazia antes de ter caído bem fundo... eu tinha todas estas “forças” e “friezas”, esta droga apenas me deu “mais algumas” que desconhecia.
Com esta “pílula alegre” as minhas noites não são tão solitárias, no entanto, antes eu adorava os meus momentos de solidão só para mim, o meu cantinho, antes de isso se tornar perigoso para mim. Com ela os stresses do trabalho ficam no trabalho ... vou motivado em aprender, continuam a haver colegas que gostam de intrigas, onde eu antes temia entrar, clientes que reclamam, fato que eu sabia lidar bem dada a minha experiência la fora. Mas agora eu vou trabalhar, faço o meu trabalho, escuto os colegas ou os clientes falarem de algo que não lhes agrada e simplesmente olho para eles como se eles não vissem o mundo que existe lá fora além deste pequeno Resort e desta receção; assinalo que sim com a cabeça em sinal de compreensão e continuo a fazer o que estava a fazer, amarrotando cada história e conversa ouvida e jogando no cesto do lixo.
Hoje já reduzo as conversas com a minha família, se há algo que estava mal era a minha preocupação com eles em exagero, esta dependência psicológica que me mordia em conjunto com todo o restante vírus que tinha em mim... tive de tornar isso saudável.. de alguma forma... não quero dizer que não me preocupo, mas acho que não é “preocupar” que quero dizer, pois eu não os posso ajudar nos problemas deles dada a realidade em que vivo agora, mas sim ouví-los quando me sinto mais aberto para isso.
Não atendo o telefone todos os dias, senão é demais, sobrecarregam-me com todo o desabafo e para manter a sanidade que a “droga” me ensinou a equilibrar, tem de ser assim. É que a droga é uma escola de reenquilíbrio mental e físico.
Por falar em físico ... esse descambou ... num “eu” sem “droga” já me tinha cortado os pulsos pelos kilos que ganhei nestes tempos todos com o vírus no meu interior... mas a “pílula da felicidade” também tinha umas vitaminas de auto-estima... humm nem diria auto-estima, porque não me faz gostar de mim... simplesmente não me deixa perder tempo a pensar se estou bem ou mal, se gostam de mim ou não, estou assim, quero melhorar, mas não faço disso uma tortura imediata... quando tiver de ser será, a seu tempo.
E consequência disso, tudo tem apaziguado mais na relação que tenho atualmente... não só não me preocupo tanto em querer agradar, mas prefiro ser alguém que está bem consigo mesmo para poder estar bem com outra pessoa. Isso tem feito a minha relação resultar. Não conhecía este “eu” liberal e que confia tanto em alguém ao ponto de não invadir um pouco a privacidade de alguém apenas para manter a confiança nessa pessoa. A pílula faz-me confiar cegamente... humm.. não... apenas me faz deixar as coisas andar naturalmente... atento aos sinais, pois a pílula não faz de mim parvo, mas a pensar que se algo mau acontecer... deixa andar... vira costas e foca-te em outros pontos... Mas ... está tudo a correr bem.
Com isto, não parece que me esteja a queixar, com tantos pontos positivos... mas onde é que isto me deixa a pensar “q.b.” (pois a “droga” não me deixa pensar por muitos segundos seguidos). Nas rédeas. Essas que nós agarramos e nos ajudam a ir em frente e a comandar a vida e os obstáculos. Sinto que perdi um pouco a “palavra”. Estes meses drogado têm-me feito recuperar muita coisa perdida, e descobrir muito mais sobre mim que ajudam a rotina a ser perfeita, porque não pegar nessa aprendizagem e comandar eu agora, de novo.
Não tenho vergonha do desequilíbrio que sofri e do poço onde mergulhei, teve de acontecer, fui muito alto e muito longe, e precisei de ajuda. Agora decidi recomeçar.
Acho que a minha história foi, é, e sempre será sobre aventuras e recomeços, vezes e vezes sem conta, com uma bagagem impensável de experiências e aprendizagens que não são tarefa fácil. E por isso decidi deixar a droga.
Mas meus caros... a reabilitação não é fácil para todos ... o vírus tem de ser expremido do organismo... e tenho de manter a calma, a inspiração... meditar e respirar fundo.
Com isso decidi também recuperar o meu corpo que há muito está perdido, decidi isso agora, em fase de desintoxicação, pois assim o meu cérebro foca-se em outros pontos, e esquece-se da droga por momentos. E também porque decidi assumir que tinha um problema com o meu corpo e pedir a ajuda necessária para melhorar. Esperemos que resulte.


Update soon... desintoxicação no 2º dia.

sábado, 14 de janeiro de 2017

2016

Janeiro já vai no seu caminho, rumo para mais um ano preenchido de novas aventuras na vida de todos.
Mas este ano que ficou para trás não pode ser ignorado sem antes uma pequena reflexão na grande aventura que foi, e nas mazelas que me deixou.
Em 2016 experienciei, pela primeira vez, algo em que não acreditava, a depressão. Esta menina pode dar muitas dores de cabeça a uma pessoa se não for levada seriamente. Algo que se vinha arrastando com pequenos traços desde a minha temporada na Suíça que muito foi prolongada, quando deveria ter sido rapidamente terminada para não chegar onde chegou; foi piorado com um trabalho que em muito apunhalava a minha personalidade, fazendo-me ser uma pessoa que eu não gostava de ser, enfrentando outras que eu em dias normais ou no meu estado são não enfrentaria. Isso danificou-me e levou-me a extremos. A culpa foi minha, podia ter jogado tudo ao ar e ter regressado a Portugal, mas ia para onde e fazer o quê. Eu tinha a minha casa, mas se não desse um passo bem dado tudo poderia ir por água a baixo... ou no pior das hipóteses, não ter o conforto que tanto tinha ambicionado para mim... Não sou ganancioso mas queria estar confortável, e por isso sacrifiquei o resto da minha sanidade por mais uns meses na Suíça para preparar tudo minimamente.
Depois do fim do ano 2015 pasmei em casa na Suíça inscrito no desemprego, com falsas procuras de trabalho e alinhando em atividades que eles achavam que me iriam reintroduzir no mercado de trabalho. Aderi a tudo apenas para conseguir no fim do mês ter um salário, que já não era aquilo a que trabalhando estava habituado, mas ainda assim melhor que um salário português, logo ainda que me obrigasse a passar meses apertados e sem sair de casa na Suíça, tinha de ir avançando algo todos os meses na minha casa em Portugal. Assim foi... de janeiro a junho abstrai-me do mundo... quase nunca saía, não fiz quase nada da minha vida, e nisto provoquei em mim algo que iria ser a gota venenosa na minha depressão, um aumento de peso enorme que ajudado pela depressão que já tinha levou a mesma a proporções que não tinha ainda vivenciado e com problemas de saúde que advinham desta.
Aqui muito do que tinha planeado foi cortado por metade pois juntamente a este percurso, tinha agora de ir a consultas de médico e fazer análises para saber o que tinha. Estar doente na Suíça sai muito caro .. só fui mesmo quando estava nos limites, quando a depressão bloqueou os meus intestinos ao ponto de eu ver o sangue sair no WC ao tentar defecar. Com estes custos tomei a decisão de fazer pequenas escapadas a Portugal.. concluí que pagar a viagem e os médicos em Portugal sairia mais barato do que me tratar na Suíça e assim o fiz... entrei então num mar de consultas e testes para saber o que tinha... e denoto ... nunca me tratando da depressão... fiz tudo e mais alguma coisa, onde a única conclusão a que chegaram foi que tudo era provocado pelo meu excesso de peso... e nisto se foi mares de dinheiro.
Estas escapadinhas a Portugal permitiram-me passar mais tempo com aquele que seria agora o rapaz que está comigo, conhecê-lo melhor, e darmo-nos a conhecer um ao outro, e assim foi. Sendo ainda mais difícil os outros espaços de tempo que regressava para a Suíça a fingir as minhas procuras de trabalho.
Meteram-se depois atividades do desemprego que me obrigaram a não sair da Suíça, pois inscreveram-me num curso de técnicas de procura de emprego, que iria refazer o meu cv e carta de motivação e dar-me algumas técnicas para entrevistas de trabalho e dar-me também algumas dicas de postura e imagem. Fui obrigado a aceitar, ainda que o que eu queria era escapar-me dali. No fim acabei por achar aquilo produtivo não só no objetivo que tinha mas porque naquela altura me fez bem obrigarem-me a sair de casa.
Estava torturado mentalmente, tinha engordado visivelmente aos olhos de todos, estava farto, dinheiro para mim não ia acumular, não avançaria mais projetos ali desempregado, não podia ajudar mais a minha família na minha situação e a minha saúde não ia melhorar... não iria adiar mais, tinha de ser ali tomada a decisão de partir. Fiz o pedido de transferência de desemprego que me dava três meses para ir procurar trabalho em Portugal, um acordo na Europa que a UE tem com alguns países e meti-me em contagem decrescente ... anulei tudo o que havia para anular dos cinco anos da minha vida naquele país... paguei o que faltava e deixei o essencial para me permitir sair três meses. Nunca pensando voltar atrás.
Com este nervosismo da mudança... e custos que tinha com a mesma, pois era mudar tudo de casa.. os meus bens todos de volta para Portugal..e agora não era apenas uma mala de viagem..era tudo mesmo, e ainda a gata. Mudar tudo e havia passos a dar em cada dia, mas a planear tudo eu sou bom. Quase tudo correu como planeado, mas fui lidando como pude com os imprevistos.
A esta depressão juntou-se uma esperança de que tudo ia melhorar, mas um nervosismo com esse passo há muito pensado, de inúmeras formas diferentes, e também uma tristeza por deixar a minha família para trás.
Hoje já vou conseguindo lidar melhor com a distância, pois estava já muito preso a eles todos, mas naquela altura pensei que não ia conseguir aguentar a pressão.
Hoje vejo o quando negativo foi este apego à minha família, no sentido de eles dependerem muito de mim e eu gerir as minhas decisões em prol deles. Gosto da proximidade, mas cada um tem de cuidar da sua vida. Nós ajudamos mas temos de manter a distância de segurança. Fui aprendendo isso apenas nestes ultimos tempos.
Mudei-me com tudo às costas, foi uma aventura que não esquecerei... a adrenalida de encaixotar coisas desde janeiro... a emoção de esvaziar aquele estúdio sufocante, o limpar tudo e vê-lo vazio para novos inquelinos... aquelas regras stressantes de encontrar um novo inquelino, o entregar as chaves. Até o ponto de viver o último mês em casa da minha mãe. Acho que a Suíça tinha de acabar como começou.
Ultimos dias peguei na gata e duas malas e fui para o aeroporto. Se soubesse o que sei hoje, não fazia a minha gata passar por aquela viagem de avião novamente... nem me fazia passar por isso... foi torturante para ambos. Julho, agosto e setembro foram passados em paz, praia, descanso, mais falsas procuras de trabalho, agora em Portugal. Eu sempre planeei aproveitar tudo até ao fim. Ainda eram três meses de salário suíço então tinham de ser aproveitados, de uma forma portuguesa, isto é, no descanso... julho e agosto pelo menos. Foi o meu verão há muito merecido.
Com apenas um mês para encontrar trabalho e endireitar a vida, setembro tinha de ser para encontrar trabalho, assim o fiz com unhas e dentes, e algum descanso claro, mas dei de tudo para encontrar algo. Até comecei numa tentativa de ser rececionista numa empresa americana que vendia aspiradores porta a porta, onde mais tarde vim a descobrir que até os rececionistas quando não tinham nada para fazer, tinham de ir vender também porta a porta. Foi o suficiente para desistir no segundo dia. Apenas acho que não tinha de me sujeitar a uma fase de vida com algo que não me identificava.
Eu sei que arrisquei de mais... mas não queria trabalhar fora da minha área novamente... eu acabei o meu curso em 2010 e nunca tinha feito nada em turismo a não ser ... ser turista ... chega... arrisquei ..fui exigente na minha procura, e ainda mais nas entrevistaa que fiz, e sempre sincero.
Sei que a imagem do que quero, é um pouco diferente da realidade que muitos vivem aqui no Algarve, mas eu vou manter aquilo em que acredito, e ser quem sou, lutando pelo que gosto. Não somos todos iguais e mais dia menos dia caímos num trabalho e numa rotina que é mais ou menos adequada àquilo que queremos.
A minha neste momento é ser Night Auditor... não é um trabalho de sonho, tive de reeducar-me e ganhar hábitos de trabalho e rotina, de dormir, de comer, enfim, toda uma rotina nova para poder aguentar o trabalho.
Não sou um rececionistas, mas aqui posso ir lentamente aprendendo tudo o que o rececionista faz, pois faço a mesma coisa que ele, apenas ocasionalmente, logo tenho tempo para lentamente ir aprendendo tudo e me ir aperfeiçoando. Ao mesmo tempo tenho funções do departamento de reservas, marketing e contabilidade, logo dá-me outras perspectivas e experiência também. Consigo ir estudando e treinando as línguas, que já tava destreinado, como o inglês e o espanhol e assim vou na minha rotina.
O salário, do ponto de vista português, não é mau, pois é com as horas noturnas, durmo de manhã e acordo ao início da tarde. Ou seja, quando as pessoas estão a sair dos trabalhos eu estou a acordar, e acabamos por ter livre a mesma parte do dia. Quando elas vão dormir, eu vou trabalhar. Tudo está normal.
Tirando isto, eu notava que a minha depressão não melhorava, mesmo tendo decidido inscrever-me num ginásio para ter alguma atividade física e mexer-me mais. Sem motivação alguma para treinar, como é óbvio, mas fui.
Já para novembro – dezembro, decidi que era altura de tratar-me, o meu cérebro estava finalmente a prejudicar-me, estava a tornar-me alguém que eu não gostava, e isso estava a prejudicar-me em casa, na relação, e nas minhas relações com os outros, e antes que isso afetasse o trabalho tinha de ser controlado.
Fui consultar um psiquiatra e expus aquilo que me inquietava. Nunca quis psicólogo, eu sei identificar os meus problemas e o que me faz mal. E ali decidimos seguir por um tratamento.
Não quero estar nisto para sempre, mas vou lutar por mim e fazer o necessário para melhorar. Desde então tudo tem melhorado a olhos vivos, não só no trabalho e em casa, mas na relação, na minha auto-estima e corpo, no stress e na minha saúde.
Identifiquei melhor o que me prejudicava e estou a lidar com isso. Tenho de encontrar um ponto melhor de equilíbrio com o meu irmão e tentar ajudá-lo sem me afetar. Mas quero o melhor para ele. Vamos ver o que acontece.

2016 foi uma luta de cinco anos que venci com muitas cicatrizes. 2017 vai ser para colocar tudo no lugar e seguir em frente com novos projetos.