terça-feira, 5 de abril de 2011

Algo que tinha de recordar



Hoje enquanto estava para aqui a formar uma espécie de pasta com os posts do meu blog. E faço-o porque se está a aproximar o momento de dar a conhecer as minhas histórias aos meus pais, aquilo de mim que eles nunca souberam, incluindo a minha sexualidade.


Dou comigo a reler momentos que passei, desabafos que tive, sofrimentos e alegrias, mas uma coisa eu gostei de recordar.


O tamanho da amizade que eu tenho com a Soraia, é incrível… desde aqueles momentos que eu era um simples “mancebo” na Universidade que começámos a falar mais, desabafos, jantares, saídas, dois simples conhecidos, já eras uma grande ajuda para mim, nessa altura numa fase em que eu estava a dar em maluco com a minha relação e isso me estava a tirar a concentração no estudo, tu conseguis-te chamar-me à terra e manter o meu pensamento ali no momento.


Ironia do destino, os nossos caminhos estavam destinados a muitas mais aventuras, e estes para mal dos nossos pecados juntaram-nos a morar juntos na “Mouzinho de Albuquerque”, sempre tivemos os nossos próprios mundos, vivendo nos nossos quartos, nessa altura mais tu que eu, pois pouco convivias na Sala, então eu mantinha-me por lá. Não foi preciso definir modos de convivência, ou qualquer regra em casa, as nossas acções falavam por sim e o outro respeitava isso. Por vezes bastava sabermos que o outro estava em casa para nos sentirmos bem. Houve grandes aventuras, houve mais confissões, a história se criava. Começámos com as nossas aventuras de emagrecer, aventuras essas onde sempre tives-te mais força e sucesso que eu, e melhorámos a nossa imagem. Altura em que comecei a dar a devida importância ao meu cabelo, tu aos teus vestidinhos com tamanhos não explorados. Estávamos felizes com estas pequenas vitórias de imagem, apenas nós dois e o nosso mundo que às vezes até tinha momentos de convivência com outros.


Nunca nos fartávamos um do outro, ou de estarmos em vários sítios juntos, jantares, Tuna, entre outros, talvez porque nunca exigimos a atenção ao outro, nunca pedimos respostas, apenas vivíamos um dia de cada vez, e isso muita gente não compreendia.


Começámos na onda de ter inquilinos em casa, não gostávamos muito de termos pessoas a mais na nossa vida, mas éramos ambos pessoas que até nos sabia bem pagar 90 e tal euros de renda e ter mais dinheiro para as nossas aventuras, então lá fomos tolerando, e eles até eram caloiros, mantinham-se no seu lugar e respeitavam o nosso modo de levar os dias, e eram até nossos seguidores nas aventuras, e diria até um pouco … escravos.


Acabando as várias aventuras na Mouzinho de Albuquerque, fase de muitas mudanças universitárias para ambos, os nossos caminhos andavam com alguns solavancos académicos, depois de algumas derrotas estava na altura de nos focarmos em acabar finalmente algumas coisas que já andavam pendentes há imenso tempo, cadeiras e outros assuntos. Até nisso estávamos em sintonia, e eis que tu saís-te da Tuna, confesso que me custou imenso na altura não te ter lá, falo de ti mas poderia falar de outra pessoa qualquer que tivesse saído. Para mim as vivências e o espírito académico tinham um significado tão gravado a sangue na minha pele que eu não entendia como é que os outros não sentiam o mesmo que eu. Ainda assim respeitei a tua decisão, pois ao contrário de muitos continuavas a respeitar a Tuna e tudo o resto que tinhas decidido manter-te distante.


E eis que começaram as nossas aventuras no “Gil Eanes”… Meu Deus… isto sim, era LUXO, que casão, que vida que tínhamos, foi talvez o verão que recordo com mais Saudade, aquela sala, aquela vida, mais noites, mais aventuras, e a história tendia em continuar sem parar, eu trabalhava, tu estagiavas, histórias partilhadas, e a Spears entrou para a nossa vida. Aquela pequena que hoje me dá igualmente saudade de ambas (não não vos comparo) mas sabes como é … Era como se ambas me conhecessem como mais ninguém. Uma tinha as palavras para me dizer, a outra bastava o olhar incompreendido mas de carinho.


As nossas rotinas a ir à farmácia nos pesar, mais aventuras na dieta, era óptimo. Mas nem tudo era um mar de rosas, eu cheguei àquela fase do abismo graças aquela ex relação, e estava prestes a desabar, e tu estavas lá, tinhas de lá estar, por mais que eu não quisesse chorar-te ao pé, pois nunca o fiz com ninguém. Mas tu apareces-te no momento em que me tinha quebrado, e eu … chorei, chorei como nunca tinha feito antes, era estranho, mas sabia tão bem, chorei pelo que sentia e chorei por tanta coisa ao mesmo tempo. Fez-me bem. E isso fez-te crescer imenso no meu coração, apenas pela presença.


Já não eras apenas amiga, companheira, a melhor amiga, já eras irmã de sangue, irmã de alma, irmã de espírito. Eras uma pessoa que eu queria proteger e não queria perder nunca.


Chegámos praticamente à fase final dos nossos cursos, mas o destino ainda nos tinha mais uma para reservar, não fomos embora de Portimão, ainda tínhamos mais uma casa por explorar e mais umas quantas aventuras, além disso, ainda não tínhamos morado na Praia da Rocha. Lá fomos nós, a nossa tralha e o novo membro do nosso Gang, a Spears.


Mas desta vez já não éramos aquelas duas pessoas académicas, apesar de tu teres regressado para a Tuna e tudo isso. Éramos mais “crescidos” mais “maduros”, as tradições e costumes académicos estava a desaparecer da nossa pele involuntariamente, e as coisas deixavam de fazer sentido, era como que se o destino nos obrigasse a passar por aventuras diferentes desta vez. E assim foi, se antes já éramos isolados, agora parecia que vivíamos num “forte” lol, continuámos com pequenas aventuras académicas, mas agora éramos mais “nós”… os jantares de frango só nossos, as saídas só nossos, já não era com muita gente, apenas mais um ou dois. Eu gostava disso. Éramos felizes, estávamos bem. Mesmo depois de acabarmos o curso, tu teres entrado na rotina de carta de condução, eu na de trabalho. Estávamos sempre lá os dois. A mesma cumplicidade, o mesmo pensamento de que não era preciso dizermos muito, pois como sempre tinha sido estávamos a uma parede de distância, e se não chegasse ainda tínhamos a respiração um do outro a dormir, que já bem conhecíamos.


Mas o destino não quis que houvesse boa vida para sempre, até porque a vida não é feita disto, ela quer que sigamos mais objectivos e não fiquemos por ali, e seguir muitos implica dar tempo ao tempo até em amizades. Tanto os teus como os meus tinham agora de seguir o seu rumo. Se temporariamente ou não? Quem sabe… Eu pessoalmente prefiro pensar que isto é temporário … sigo uma série de objectivos e alcanço-os… tu fazes o mesmo … e um dia decidimos que temos de voltar a morar juntos, gosto dessa ideia, quem sabe numa casa ainda mais luxuosa que a do Gil Eanes, e com um andar para cada um, pois nem que já tenhamos companheiros, acho que não impediria a minha vontade desse reencontro.


Mas quero pensar que esta história ainda tem muitas mais aventuras… Beijinhos Adoro-te Soraia.


6 comentários:

  1. sinto me forçada a ter de exprimir o meu ciume...
    oh pah bordinha do prato a sorrir pa mim...
    unf

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  2. Nao sejas ciumentinha* Nunca vivi contigo para ter este tipo de saudade* Sabes que foste e serás a minha amiga da loucura Mimi, infelizmente nao quero recordar mto os momentos de loucura passados, pois é algo que tenho de seguir em frente, mas estou aberto a novas aventuras. Beijao.
    Rik

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  3. Obrigado. Aposto que tens sentimentos semelhantes para com ela :D beijinhos
    Rik

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  4. Meu deus...leio isto vezes sem conta...e farto-me de rir e choro...poderia dizer tanto sobre o que escreveste...mas disseste tudo...está lindo! E diz a verdade…o que fomos…resume bastante bem a nossa "passagem" por Portimão...a construção da nossa amizade…
    Queria destacar umas partes do teu texto que me tocaram especialmente: "Estávamos felizes com estas pequenas vitórias de imagem, apenas nós dois e o nosso mundo que às vezes até tinha momentos de convivência com outros." / "Nunca nos fartávamos um do outro, ou de estarmos em vários sítios juntos, jantares, Tuna, entre outros, talvez porque nunca exigimos a atenção ao outro, nunca pedimos respostas, apenas vivíamos um dia de cada vez, e isso muita gente não compreendia." / "não gostávamos muito de termos pessoas a mais na nossa vida..."

    ..........................

    Enfim...a vida quis fazer coincidir os nossos caminhos...
    Eu cheguei cá primeiro, antes de imaginar que existias...e é estranho sequer pensar isso...que já estive cá sem saber da tua existência...é como se sempre tivesses feito parte de minha vida...
    Dizia então que cheguei cá primeiro, e como sempre, agora sou a última a partir...( como acho que aconteceu nas vezes que mudámos de casa...eu também era sempre a última a sair...tu és bem mais decidido que eu...lol)...e se cheguei cá, como disse, sem saber da tua existência...parto agora com uma imensa felicidade por te ter conhecido...

    obrigada...

    Eu sinto o mesmo que tu...não acredito que a "nossa história" tenha terminado já...

    Adoro-te!

    beijinhos

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  5. Em primeiro lugar fico contente com o teu comment .. ja tinha saudades de um :P sinto me sempre bem por lê-los.
    Mas pronto... qualquer palavra que tivesse despejado neste texto seria insuficiente.. seria preciso um blog especifico só para a nossa história..as nossas aventurar.
    Até não era uma má ideia criarmos um blog com as nossas histórias loool
    Enfim.. tudo acontece por uma razão.. nao me canso desta teoria.. só temos de entender qual o próximo passo em vez de tentarmos entender porque é que os anteriores aconteceram... quem sabe nos futuros passos nos cruzemos de novo...
    Só quero que encontres o teu caminho e os teus objectivos! Quero mesmo! Um beijao grande.
    Adoro-te .

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