quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Estranho
A falar, mas ninguém me ouve
*
Não consigo juntar as peças
Que mundo confuso
Estranho caminho que escolhi
Dura a pele que vesti
*
Até que algo mude
Falemos numa língua diferente
E se falarmos demasiado
Usemos palavras com a mente
*
Eu nunca tive
Um lugar onde ir
Nada com que contar
Além do que está para vir
*
Ninguém para me mostrar
Alguém para me ouvir
Por isso continuo...
*
Até que algo mude
Falemos numa língua diferente
E se falarmos demasiado
Usemos palavras com a mente
*
Até que algo mude
Falemos numa língua diferente
E se falarmos demasiado
Usemos palavras com a mente
*
Eu não tenho de entender o que dizes
Eu não tenho de ter mais medo
Antes de falares o que sentes
Digo-te que é a ti que eu quero...
*
Até que algo mude
Falemos numa língua diferente
E se falarmos demasiado
Usemos palavras com a mente
*
Até que algo mude...
Até que algo mude...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Estranho
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Tempo.. que seca
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Gelo
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Invasão de pensamento
Foi algo que aprendi com a vida
Aprendi a arriscar e a lutar pelo que quero
A ser o meu próprio exemplo.
*
Já sofri, já chorei, não é algo que me orgulhe
Mas para mim nem tudo foi fácil
No meu corpo tenho o peso de um Karma
No meu coração as feridas não cicatrizadas.
*
Hoje luto por ser alguém
E há dias em que pareço estar perto
Tento realizar-me com metas profissionais
Esquecendo os meus infortúnios no amor.
*
No entanto a tua imagem não me sai da mente
Lembro-me de cada traço do teu rosto, de cada curva o teu corpo
Não esqueci o teu cheiro ou o sabor dos teus beijos
E é como se estes quase três anos fosse quase três segundos.
*
Lembro-me de cada gosto teu, do teu sorriso
Adorava quando te provocava uma gargalhada
Amava o teu romantismo e desejo de conhecer o Amor
Sabia que adoravas quando eu te surpreendia ou me lembrava do que gostavas
A prova disso é que nunca esqueci...
*
Digo que sou orgulhoso e não permito à minha mente imaginar
Mas sei que faria tudo de novo
E quando eu tento avançar como se tudo já tivesse ultrapassado
O Destino apronta das suas e mete-te no meu caminho de novo.
*
É tão bom ver-te a seguir a tua vida e objectivos
Mas dói tanto não fazer parte das tuas conquistas
É bom ver que alguém te faz muito mais feliz do que eu fiz
Mas dó tanto saber que ninguém me fará tão feliz quanto tu o fizes-te.
*
Nestes dias dei comigo a voltar aos locais onde tivemos história
Nostalgia, saudade, tristeza, tudo me invadiu
Fui remexer nos objectos que trouxe do Algarve e encontrei ...
Encontrei aquela carta, a carta com a história...
No fim, apesar de tudo ter terminado, dizias que gostavas (muito) de mim
.. gostavas, apesar de não haver amor.
Porque é que já nem falamos... não entendo... Será melhor assim?...
*
PS: Naquele concerto realizas-te um sonho teu e eu estive presente a repetir a realização do meu
Isso não me saiu da mente, nem quando ela cantou "Womanizer", música que tanto dançámos
Só desejava que ela te tivesse dedicao um pouco da "Unusual You", a nossa música
Eu dediquei-te em mente... e prova disso é que nos cruzámos de novo no fim do concerto...
..... P'ra Sempre Teu *
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Férias Portugal
sábado, 19 de novembro de 2011
A algumas horas ...
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Unusual You
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Bullying
sábado, 15 de outubro de 2011
Felicidade Momentânea
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Medos
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Femme Fatale Tour * Britney Spears
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Some news *
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Fingindo*
Estás distante, o que aconteceu,
Fecho os olhos, penso em ti,
Sonho que tu estás aqui.
*
Vou olhar a Norte, ficar forte...
Pois sei que aqui é aceitar a sorte...
*
Eu e tu, seja onde for...
O desejo ou a dor...
Alguém vai quebrar!
E no fim, tem de ser assim...
Já não és pra mim, o meu luar sem mar!
*
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar...
P'ra bem longe... fingindo ...
*
Quanto tempo eu fantasiei?
Que estava vivo, eu acreditei...
Imaginei que eu era alguém...
E agora estou só e sem ninguém!
*
Vou olhar a Norte, ficar forte...
Pois sei que aqui é aceitar a sorte...
*
Eu eu tu, seja onde for...
O desejo ou a dor...
Alguém vai quebrar!
E no fim, tem de ser assim...
Já não és pra mim, o meu luar sem mar!
*
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar...
P'ra bem longe...
*
A fingir eu estou, cada passo eu dou
A tentar fugir da dor.
E no fim não sei, se me queres também
Eu só quero o teu amor.... ohhh
*
Eu e tu, seja onde for...
O desejo ou a dor...
Alguém vai quebrar!
E no fim, tem de ser assim...
Já não és pra mim, o meu luar sem mar!
*
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar...
P'ra bem longe...
*
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar...
P'ra bem longe...
*
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar!
Vamos voa-a-ar...
P'ra bem longe... Fingindo!
RR
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Identidade
sábado, 20 de agosto de 2011
Defeitos
Bem...
para contrariar algumas pessoas que dizem que eu sou orgulhoso demais para
falar dos meus próprios defeitos decidi então expô-los todos nua e cruamente.
Sabem, nem sempre é fácil para quem tem um carácter forte assumir os seus
defeitos, pior ainda ouvir alguém dizer-te na cara os teus defeitos. Ao
longo do meu percuso, durante o processo de escolher quem queria no meu ciclo
de amigos, involuntariamente os que foram ficando sabem que não gosto que me
acusem seja de que defeito for, à partida, eles estão lá porque gostam de mim
como eu sou, com os meus defeitos e virtudes. Mas aqui estão eles, pois eu sou
como toda a gente, tenho os meus defeitos e virtudes, que vão e vêm á tona
sempre que tem de ser pois também eu tenho momentos bons e maus, que gosto e
não gosto e não tenh problemas de os admitir.
Podemos começar pelos piores, os 7 pecados mortais: Gula, gosto de comer, tenho prazer insaciável no comer, é um pecado que sempre me tem afectado e danificado a auto-estima ao longo da minha vida, um pecado que com o meu crescimento o tenho conseguido domar, domesticar. Luxúria, também eu tenho em mim o desejo e fixação pelos prazeres carnais, o prazer pela sensualidade e sexualidade; acho que todos têm este, apenas não o admitem. Soberba, conhecido por outras palavras como o orgulho, sou bastante humilde e não sou muito arrogante, este último depende se me pisam a paciência, mas sou sim bastante orgulhoso, odeio ser magoado, odeio errar, odeio estar em desvantagem e estar por baixo; sou um orgulhoso saudavel pois uso os melhores meios para sair por cima. Preguiça, sou bastante preguiçoso em muitos momentos, em contrapartida sou bastante esforçado e dedicado em outros momentos. Por outras palavras, só me esforço pelo que me interessa, se faço algo que não gosto é como essa coisa tivesse com algum prazo de validade para acabar. Vaidade, sou bastante vaidoso sim, mas é só para mim, não me acho bonito aos olhos dos outros, tento apenas achar-me bonito para mim mesmo e sentir-me bem com isso, tenho um pouco de vaidade para mim mesmo para que não deixe a minha auto-estima ir abaixo.
Estes são os meus piores defeitos. Por vezes sou muito frio, por vezes sou directo e por vezes até desprezo. Para mim o desprezo é uma das maiores armas que tenho, talvez porque não sou pessoa que goste de confrontos físicos. Nunca estive em algum confronto físico com alguém em que eu ripostasse o ataque. Sou bastante distante das pessoas quando não posso ser 100% sincero com elas, mantenho-me afastado. Sou bastante temperamental, mas ja experienciei que ha muitas pessoas que não despertam este meu defeito. Sou autoritário, sou dono do meu espaço e de mim, mas também sei partilhar quando assim o entendo e não quando de mim o exigem. Não me rebaixo, seja a quem for, amigos, inimigos, colegas, chefes de trabalho, professores, ninguém abusa de mim ou me faz fazer o que não quero. Sou bastante solitário, gosto do meu espaço, de estar sozinho; mas em contrapartida sofro muito com isso, e muitas vezes me sinto só. Sou ciúmento, característica que ganhei com uma das minhas relações amorosas, nunca fui ciumento pois até então não tinha tido motivos para tal; depois dessas aventuras que me danificaram tem demorado para recuperar o Ricardo confiante.... Bem acho que por agora já admiti bastante. Estes são os meus defeitos.
Acho que as pessoas "não mudam" como muitos acham. Acho sim que as pessoas se educam, educam os seus defeitos e sabem lidar com eles, habituam-se a eles e sabem quando lhes meter uma barreira. Acredito também que possamos adequar os nossos defeitos aos defeitos de outra pessoa para podermos viver bem com essa pessoa. Mas nunca deixamos de ser desta forma ou de outra. Por mais que estejamos muito tempo sem ser ciúmentos, zangados.. em um momento ou outro esses defeitos virão à tona e temos saber mete-los no lugar certo de novo.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Puro Amor
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Quero-te *
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Não Sei Que Pensar
No passado sábado dia 6 foi o meu dia de aniversário. Já estava mentalizado que este dia seria imensamente solitário, sem os meus amigos por perto, sem a minha família por perto pois também foram todos de férias a Portugal nesta altura. Também já há muito que me tinha mentalizado que nunca iria ficar chateado por alguém não se lembrar do meu aniversário, pois nem eu mesmo me lembro do dia de aniversário de muitos dos meus melhores amigos. Mas lá no fundo eu senti essa falta, estou chateado com os meus pais, ainda que me tenham ligado eu não consegui ser outra coisa a não ser distante e um pouco frio na conversa com eles. Quando aos meus amigos, bem... os que não considero "amigos a 100%" deram-me todos os Parabéns, graças aos lembretes do Facebook e afins, mas os meus melhores amigos, aqueles que tenho em mais alta consideração - não houve um a dar-me os Parabéns, isso magoou-me lá no fundo. Não os culpabilizo pela memória, não têm de saber o meu dia de aniversário, mas lá no fundo eu fiquei sentido por se terem esquecido.
O meu dia foi passado a trabalhar, sem comentar com ninguém do trabalho que era o meu dia de anos, a não ser quando fui quase Obrigado a dizê-lo, sempre com um aperto no coração por estar aqui distante, e por ninguém se ter lembrado, à noite lá fui sair com uns quantos, duas amigas minhas que vieram de Espanha e um amigo meu daqui, mas não foi a mesma coisa sem a palavra de conforto de quem eu amo verdadeiramente. Foi para esquecer ** No dia seguinte lá um ou outro se lembrou, claro que fiquei contente, mas mesmo assim ainda há alguns que não se lembraram...
Enfim...
terça-feira, 2 de agosto de 2011
What goes around comes around **
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Inspiração
Love - Answer
Ricardo Ruaz
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Sensação Inexplicável
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Corda ao pescoço
Como todo o "homossexual" é perfeitamente normal que um "heterossexual" lhe chame sempre a atenção... por vezes só o facto de ser "hetero" já chama a atenção.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Bucket List - Descriminada!
Ultimamente tenho andado a assistir a imensos casos de relações amorosas, homossexuais inclusivé, entre duas pessoas, uma delas, daquelas que consideramos "padrão normal", e a outra daquelas que todos sonhamos ter.terça-feira, 21 de junho de 2011
Bucket List
Novembro - Portugal (Britney Spears) (Alentejo - Évora, Beja... ; Portimão, Faro; Lisboa... ;.. )
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Liberdade - Mudança
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Desconcertante
domingo, 29 de maio de 2011
Adieu
Quand on a seulement 24 ans?
Comment dire adieu,
Sans perdre goût à la vie?
Comment dire adieu
Alors que notre vie n'est pas finie?
Comment dire adieu
A toi que j'ai tant aimé?
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Silence
Penser
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Olá TGV
Hoje é tudo motivo para escrever, aliás, a escrever é o único refúgio que encontro para estar em ligação com o "português". Aliás o meu maior amigo e com quem desabafo é o meu Blog ahah por isso entendo perfeitamente que quem o lê esteja verdadeiramente entediado ou que até já tenha desistido.
Madrugada
Agonia
Aperta-me bem contra ti, olha-me nos olhos.
Eu olho para o teu oceano azul e lá descubro o fogo.
O que nasce depois? Mais uma montanha gelada.
Tudo consequências das minhas escolhas inocentes.
E por me enganar sempre o meu suspiro já é tremido.
No entanto continuo a sorrir.
Prefiro as lágrimas silenciosas que se misturam com a água da chuva.
Num murmúrio eu suplico que pouco a pouco tu me esqueças
E num último sorriso eu solto um último suspiro.
Tu voltas, fechas as minhas pálpebras e repousas-me na terra.
Fizes-te-me sofrer. Mas tu sábe-lo. Não há volta a dar.
Tu sabes que comigo vai-se também o teu coração.
E com um último beijo nos meus lábios gelados tu vais-te sem uma palavra.
Tu soluças e a neve começa a cair, cruzando-se com o lugar onde eu permaneço.
E isto foi o fim da hipótese de felicidade que tives-te na tua mão e deixas-te escapar.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Há dias assim ...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Ar puro/poluído
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Tudo ao mesmo tempo
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Dilemas
domingo, 1 de maio de 2011
De volta!
I miss ...
I miss the thoughts where I could fly
I miss the nights full of dreams, when I thought that I could live those dreams
I miss the time when a kiss wasn't just kiss
I miss the feelings of happiness, love and hope
I miss the strenght that I get when you touched me
I miss the age when I didn't know what "nostalgia", "jealousy", "tears" were
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Portimão
E eis que a
cidade
fica ao abandono
Partimos
tristes,
tão tristes
Como quando chegámos
Partem as ruas que subimos
Partem as esquinas, partem as luzes
Passos perdidos que demos
Partimos com os nossos olhos
Na procura de quem somos
E como nós partem aos molhos
Sonhos que já esquecemos
Partem as esperanças maduras
Que as verdes já perdemos.
Parte o rio para o mar
Cheio de lágrimas duras,
Pedras negras, que a chorar
Fazem faíscas nas ruas.
Lá, ficam os gritos calaos
Congelados pelo tempo
E como nós, homens pasmados
Forçados ao momento
Que também nos já passámos
Ficam das aves as asas
Marcadas no azul
As nossas vozes perdem-se
Pelas casas que marcámos no Sul
Ficam as mãos cansadas
Como as de quem perdeu
Como as horas dançadas
Que a brisa já esqueceu.
E estes dois corpos vencidos
Deixados ao desespero
De apenas terem nascido
Ser de facto verdadeiro
Que o tempo come tudo
Sem nada deixar para trás
Ficam os nossos restos, parte do nosso
mundo,
Agarra-se quem é capaz,
Até se irem os dedos
Para onde tudo jaz
Partem as esperanças ficam os medos
E a memória do que foi
Parece roer-nos os ossos
Em dor lenta que só dói.
Ficam os sonhos estragados
Como peso na mochila,
Sebentas que de tão gastas
São uma papa de argila…
terça-feira, 19 de abril de 2011
Magoas-te-me!
Hoje magoas-te-me!
Hoje era suposto ser mais um
dia normal como tantos outros em que eu metia a minha máscara de filho que não
dá problemas e tu a da mãe que não quer ver que tem um filho homossexual.
Mas não foi, não dirigis-te
actos agressivos para mim, mas usas-te palavras duras, naquela conversa que era
suposto ser uma brincadeira, tu respondes-te-me de uma forma tão dura, tão
seca, as tuas palavras foram como lâminas no meu coração, eu nem te consegui
dirigir um falso sorriso, como normalmente faço, eu fiquei estagnado, abismado,
magoado, eu limitei-me a ficar apático perante a tua resposta e parado no mesmo
lugar.
E então quando caí na
realidade e reflecti sobre o que tinhas dito só me apeteceu chorar, chorar e
dizer-te tudo o que tinha para te dizer, quer te magoasse, quer não te
magoasse, eu queria dizer-te, pois queria ripostar com iguais palavras
cortantes e te magoar como me tinhas acabado de fazer. Não tens noção do que
dizes muitas vezes, não dás valor ao filho que tens, à irmã que tens e te
acolheu em sua casa, não dás valor aos amigos homossexuais que tens e já te
ajudaram. Para ti é apenas recorrer a eles quando precisas, e por trás
criticares e magoares a sua essência com as tuas palavras e o teu preconceito.
Se eu poderia evitar isto?
Poderia… só tinha de sair da tua casa e ir viver a minha vida à minha maneira,
quer tu gostasses, quer não gostasses. Sabes… é claro que gostava que me
aceitasses como sou, mas na verdade, eu não quero saber, pois eu sigo com a
minha vida na mesma quer me aceitem ou não aceitem. Eu não tenho culpa de ter
nascido assim, na verdade se quisesses meter culpas em alguém, terias de meter
em ti e no pai que me transmitiram os genes, mas isto … nem é uma questão de genes.
Cada um tem a sua essência, e temos de aceitar o que somos. Não tens o direito
de me magoar assim, eu não abdiquei da liberdade que consegui na Universidade e
após esta, para vir para aqui e tu me magoares. Mas quando chegar a devida
altura, quando eu finalmente me puder defender, eu vou-me defender com todas as
palavras que eu retive aqui dentro para ti nos últimos anos todos, e nem
imaginas quantas são, e por fim quando eu me defender, não me irei só defender
a mim, irei defender todas as causas semelhantes às minhas. E se para isso
tiver de ir contra a minha própria família, eu vou!
A homossexualidade deixou de
ser um problema para mim há imenso tempo, eu estou bem comigo e com o mundo e
tu não tens o direito de me fazer sentir mal a este ponto. A minha vida não é
diferente das outras, eu não faço as coisas diferentes dos outros. Devias
sentir-te privilegiada por ter um filho que não é igual a todos os outros
filhos, devias ser uma mãe que me olhasse nos olhos e conseguisse ver quando eu
não estou bem, mas não vês. Os meus problemas são superficiais para ti. Nunca
me viste chorar, numa me ouviste desabafar sobre um desgosto de amor, nunca me
viste a delirar de amor, para ti sempre foi ter sucesso na escola, e nem era
pelo sucesso era para a escola acabar rápido para não teres mais despesas
comigo. E infelizmente não foste só tu a fazer-me sofrer por tudo isto, toda a
minha família à excepção da minha tia, tua irmã, e dos meus irmãos, todos sabem
que dedo apontar-me, onde criticar, onde na verdade nem uma única pessoa da
minha família à excepção dos que referi me conhece na realidade, e isso é
triste, isso faz-me não ter saudades dessas pessoas, faz-me não sentir a sua
falta, pois na verdade quando me vêm só perguntam as cenas superficiais da
vida, nunca se preocuparam como eu estava por dentro. Isso é duro.
Mas ainda assim eu gosto de
ti, ainda assim eu tenho sempre um sorriso, aí podes ver o quão forte eu sou
para a vida. Achas que já passas-te por muito? Achas que sofreste? Talvez, mas
aquilo que eu passei não tens o mínimo de noção da cicatriz que me deixou cá
dentro.
…