sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

E quando me perco em mim!

O meu corpo ergue-se a meio da noite

Procuro as pantufas, os meus pés estão nús

A suplicar para que lhes dê um andar lento, um destino

Que não os deixe andar à deriva

Dispo-me do sonho que outrora foi meu

Visto-me de tempo e de noite

Vejo o escuro, oiço a lua,

Concentro-me no cheiro de alguém, talvez seja no meu

Talvez um outro eu.

No escuro questiono-me se quando amanhecer

Este corpo continuará igual, estas mãos continuarão enrugadas

Se este cabelo continuará emaranhado

Pergunto-se se pela manhã não serei mais um

Mais um que acordou e ficou com os sonhos perdidos

Está a amanhecer, liberto-me das pantufas

Desapareço no pensamento, entro no sonho novamente

A verdade – não gosto do amanhecer – prefiro acordar a meio do dia!

What the hell was I thinking?

Porque é que eu não tenho sorte no amor?

De todas as mil e uma coisas que levam duas pessoas a não estarem juntas, eu já posso enumerar uma lista de acontecimentos que me levaram a não poder estar com alguém…e o pior de tudo, nenhum factor da lista se repete, são todos diferentes.

Desta vez conheci uma pessoa espectacular, confesso que a início pensei para mim que nada iria acontecer, um rapaz muito fechado no seu mundo, inda por cima de um país onde eu pensava que os rapazes se achavam bons demais para se envolver seriamente com alguém, ainda mais me surpreendi por olhar para mim.

Desta vez, e do pouco que já conseguimos conhecer um do outro, há interesse dos dois lados (sim a início já me aconteceu haver interesse mútuo, depois é que há sempre o desinteresse de um dos lados), mas desta vez, no meio deste interesse mútuo, sinto que não sou eu a começar a jogar as cartas no jogo, a meter conversa, a pedir os momentos, isso é óptimo e dá-me uma sensação muito boa.

Sei que estamos a conhecer-nos, que estamos em fase inicial, nem sequer conhecemos os defeitos um do outro, mas lá no fundo, é algo que também não me importa. Por incrível que pareça, estou numa onde de querer aproveitar o momento, pois apesar de gostar disso tenho sempre presente a ideia de que isto é temporário, pois nada remove a minha ideia de ir para a Suiça em breve, e os meus dias estão contados.

Se recuarmos uns quantos posts no tempo iriamos encontrar um Ricardo que estava disposto a pedir transferência de Universidade para outra cidade sujeitando-se a ficar mais um ano no curso, só para poder ficar perto da pessoa que amava; encontraríamos um Ricardo que reprovou a cadeiras porque as avaliações coincidiram com desgostos amorosos ou encontraríamos um Ricardo que desistiu de ir estudar um semestre para fora porque não se queria afastar da pessoa que amava – Estúpido!

Hoje é do tipo “I look back and I think … I’m a smart person… I mean … What the Hell was I thinking?” já dizia a outra no meio de desabafos sobre o seu passado e assim estou eu agora, todas as vezes que penso nos meus erros. Mas ainda bem que os fiz, pois eles ajudam-me a ser a pessoa que sou agora.

Hoje estou aqui, com os meus objectivos co nvictos não importa o que aconteça, e só tenho de agradecer porque ainda assim, depois de todas as desventuras eu não perdi a minha capacidade de amar alguém ou de confiar em alguém, de me entregar quando assim tem de ser. Acho que isso é uma vitória para mim e uma derrota para quem me fez sofrer, eu continuar feliz e seguir em frente é a única vingança que eu desejo a quem me fez sofrer.

Confesso que as cicatrizes ainda as tenho, confesso que fiquei meio fragilizado na última relação… felizmente o nosso destino também nos mete pessoas boas no caminho que ajudam a curar essas feridas. Ainda bem que antes de sair de Portimão pude trazer a minha mente de volta ao momento que presente. E hoje, fora do Algarve sinto-me forte e apto para novas aventuras amorosas.

Neste momento não sei o que vai acontecer … só sei que estou a aproveitar o momento enquanto não vou para outro rumo, e vou aproveitar até ao fim.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Farto!

Estou farto!

A máscara que uso tende a deslizar para fora do meu rosto de tão velha que se encontra, de tão cansada das mesmas mentiras.

Fases


Hoje apetece-me escrever, mas sinceramente não sei que dizer… há tanto a atravessar-me a mente neste momento, tanto assunto em vias de ser concluído, e eu, ajo sempre da mesma forma – encosto-me … encosto-me e deixo os outros andarem nos seus afazeres, preocupados, fazendo planos, os meus eu próprio resolvo, mas não me chateiem com mais nada, eu posso arrastar os meus um dado período de tempo pois não os consigo resolver a todos de uma vez, mas um a um eu lá os vou resolvendo.

Mas hoje – hoje só me apetece ver letras, riscar, rascunhar qualquer coisa, sempre gostei de escrever, e desta vez refiro-me a escrever – escrever, fosse ele nos cadernos da escola, apontamentos, ou outra coisa qualquer, sempre fui muito perfeccionista com a apresentação de tudo onde eu escrevesse e com a forma que a minha letra se apresentava, acho que isso sempre foi meio caminho para eu dar mais importância ao que lá estava escrito.

E aqui me encontro eu… sinto-me como alguém que ficou perdido algures numa travessia espaço-tempo e está à espera do momento certo para aparecer de novo. Quero e preciso de um recomeço, por isso vou dar o passo que vou, de olhos e pensamento fechados, pois se abrir algum deles vou-me acobardar e recuar como jáfiz em diferentes ocasiões, e desta vez só vou pensar em mim e no meu futuro.

Mas há tanto que quero dizer… tanto que quero recordar, tanto que quero deixar arrumado no baú de memórias, tantas palavras para dizer a dadas pessoas que quase me dá uma sensação de não querer ir, mas sabendo que é uma mera sensação.

Por incrível que pareça às vezes dou por mim a lembrar-me da minha Best Friend – Sósó, lembro-me porque sei que ela precisa de fechar os olhos e o pensamento (principalmente o pensamento) para dar os passos que eu gostava que ela desse, e que sei que lá no fundo ela quer dar. É pena não podermos oferecer força ou fontes onde recarregar baterias, pois caso pudessemos eu de certo lhe daria bastante, pois quero que ela passe à fase seguinte agora que está a um passo dessa linha.

Ela não é muito diferente de mim, e o que tem de diferente é aquilo que nos faz ter uma forte amizade, e daí ela me estar em pensamento de vez em quando. Este é um passo que não há conselho de família ou amigo que possa ajudar, não ombro amigo para chorar, é um passo onde apenas se encontramos nós e apenas o nosso “eu”, ele tem de atravessar essa linha sozinho, pois para trás fica uma fase vencida e a seguir está outra por explorar.

Amigos e família, eles ajudam-nos e apoiam-nos durante as nossas fases, mas para dar os passos de uma fase a outra, tem de ser o nosso corpo e mente a fazê-lo sozinhos e em sintonia.

Pensa nisso Sósó.!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Refúgio



Hoje, aqui pálido e com olhar no vazio, cansado de discutir com o meu pai e completamente refugiado no meu quarto no extremo da casa, encontro-me a pensar. Não é um pensar muito elaborado pois não tenho força mental neste momento para tal coisa, é aqueles nevoeiros mentais para onde somos remetidos sempre que estamos fartos ou cansados de algo e queremos refugiarnos.

A mim este estado fez-me lembrar da Tuna, eu podia já estar saturado de tudo quando deixei Portimão, mas a Tuna sempre era aquele canto onde tava com amigos e obrigatoriamente tinha que deixar a vida pessoal e problemas fora das portas do auditório e apenas esquecer o mundo naqueles momentos que estava em Tuna, era óptimo e sinto falta disso.

É como que se agora não pudessemos fugir mais dos problemas, não digo fugir no sentido completo da palavra, apenas um escape para recarregar baterias e voltar para os problemas de novo.

É disso que sinto saudade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pai

Ainda dizem que as nossas decisões não se reprecutem um dia mais tarde na nossa vida… e a cada dia que passa eu vejo que essa teoria está errada.

Devemos sempre pensar nas nossas acções e que rumo ou repercussões elas podem ter um dia mais tarde na nossa vida, eu só tenho exemplos desses na minha família que me levam a que calcule cada passo que dou para não dar passos em falso, levam-me a sofrer por cada erro que cometo pois não quero ter o mesmo futuro que eles.

O meu pai é o melhor exemplo a “não” se seguir que eu tenho.

Toda a vida teve a sua personalidade vincada, temperamento difícil … errou mas não aprendeu, ou se aprendeu, pensou que continuando a fazer da sua forma, que as coisas iriam ficar melhores, mas nunca entendeu que era a sua forma que o induzia em erro.

Mas vou deixar o meu pensamento retroceder no tempo, para que se compreenda o porquê de eu gostar do meu pai, mas ainda assim não haver esse afecto familiar que é um “ mar de rosas” entre pai e filho.

Eu de facto era o filho ideal para o meu pai … alinhava nas actividades que ele fazia comigo, noites de cinema junto à lareira, passeios nas terras do alentejo, caça, ver e tratar dos animais, ir para o trabalho dele com ele, isto em criança, e era chato mas bom, porque eu não tinha opinião e limitava-me a obedecer. E eis que as coisas pioram.

O meu pai era exageradamente tudo à maneira dele, tudo em casa sob ordens dele, queria a comida na mesa a tempo e horas e ninguém podia refilar com nada que ele impusesse, e a minha mãe era do género liberal, o oposto – e não, neste caso os opostos não se atrairam durante muito tempo. As coisas lá em casa chocavam e o meu pai começava por tudo e por nada a berrar com a minha mãe e batia-lhe constantemente, partia coisas em casa, era pavoroso, eu tinha medo, eu petrificava onde quer que estivesse apesar de eles me mandarem para outras divisões da casa. Eu começei a ter problemas que nem vou referir aqui que se repercutiram na minha personalidade, nas minhas acções naquela altura, isso afectou-me na escola inclusivé.

Aquela fase foi um verdadeiro inferno, até hoje eu nunca questionei o meu pai sobre os motivos que o levaram a fazer aquilo, nem sei se algum dia conseguirei fazê-lo, talvez se um dia tivermos uma conversa onde a honestidade esteja a 100% presente da parte dos dois. Acho que nem os meus pais sabem que eu tenho bem vivas as memórias daqueles momentos infernais. Que tenho bem viva a imagem do meu pai a bater na minha mãe e eu a correr para a defender e sendo arremessado de seguida contra a parede… Enfim…

Os anos passaram, eu cresci, eles separaram-se … ambos conheceram outras pessoas, quanto a essas acções eu acho que lá no fundo o meu pai se arrependeu bastante, pois nunca as repetiu com a esposa que teve em seguida. Mas a personalidade nunca mudou, o ambiente na minha familia paterna sempre foi “eu comprei isto” “eu tenho aquilo” e há a necessidade de mostrarem que têm as coisas, de se vangloriarem pelo que antingiram aos olhos dos outros, odeio isso, e o meu pai também é assim como o resto dos outros, e aos poucos foi-se enterrando cada vez mais em dívidas, em promessas, em papeis, de tal forma que já nunca mais vai ter o seu nome limpo e dormir em paz.

Mas esta sombra que ele carrega, e este passado de arrependimento fizeram-no mudar para melhor, ou querer ser uma melhor pessoa? Não. Continua a mesma personalidade dura, que se importa mais com o que o seu pai pensa, com o que as pessoas da aldeia pensam, recusando evoluir a sua mentalidade, recusando a opinião dos outros, dos próprios filhos que já conhecem outra realidade da vida.

Acho que a minha mentalidade evoluiu em várias coisas e com essa evolução veio o facto de meter para trás aquelas imagens infernais que ele gravou na minha memória, eu nunca me esqueci delas, mas nunca deixei que isso influenciasse a minha relação com ele.

Não sei descrever bem ..acho que havia dois de mim a relacionar-me com dois dele. Por um lado havia o Ricardo amargurado pelo que ele lhe fez passar, aquele pai que sabia lá no fundo o mal que tinha feito, mas mantinha-se escondido por detrás daquela aparente evolução. Este Ricardo amargurado que queria vingar-se daquilo tudo, que vivia com a mãe mas jurou a si mesmo que ele haveria de pagar de uma forma ou de outra por tudo o que tinha feito a minha mãe passar, mas não eram pensamentos maus, eram atitudes que me faziam querer que ele me pagasse as minhas despesas escolares e tudo o que lhe pudesse tirar por ele ter deixado a minha mãe a sustentar dois filhos, sozinha a muito custo. E eu mantive esse pensamento sempre presente até ao fim do meu curso anos mais tarde. Durante este percurso o Ricardo que tinha uma relação filho-pai, que usava a máscara, ainda mal sabia as várias camadas que essa máscara iria possuir uns tempos mais tarde. Pois por aqui já podem ver, que não sei em que rumo está a minha relação com o meu pai… máscara atrás de máscara, pois o feitio dele assim me fez enterrar, e mesmo que quisesse começar a tirar as máscaras, eu sozinho não o podería fazer.

Só para concluir, a segunda esposa dele acabou agora por deixá-lo também, a sua situação financeira continua mais perdida que ele, e isto está a deitá-lo abaixo, mas mesmo assim não lhe vejo melhoras, ele não amolece, e eu vejo isso… inda hoje dei com ele a chorar, fiquei estranho, havia algo perdido dentro de mim que queria avançar… mas algo dentro de mim petrificou … como antes petrificava com o medo… e fico com os olhos vazios olhando para ele com palavras sábias, mas que não chegam ao coração. Agora fala-me em ir para fora, fazer outra vida, recomeçar, e eu apoio-o nisso, sei que lá fora, longe desta mentalidade retrógrada ele vai evoluir em mil sentidos como eu há muito espero, mas com ele eu já não vou deitar os “foguetes antes da festa”, vou deixá-lo ir, apoiar como é minha obrigação, e esperar… esperar que ele recupere de todas as feridas que a sua própria personalidade lhe causou, e se prepare, pois a língua que ele teve para falar de tudo e de todos durante anos, vai ainda doer-lhe muito. Pois espero que ele ganhe forças suficientes para aguentar quando eu lhe colocar todas as minhas máscaras em cima da mesa.

Eu posso não saber como as tirar pois já se emaranharam todas ao longo dos anos… o único método será descarregar-lhe tudo em cima, e acho que será o último acto daquele Ricardo amargurado que está cá dentro, antes de eles se tornarem numa só personalidade.

(Este texto pode soar vingativo ou que não gosto dele, mas em 24 anos, foi a primeira vez que escrevi sobre o meu pai, e meti cá para fora um ordem de raciocínio sobre ele, e sobre os meus vários estados de espírito que ele me provocou e ainda provoca. Do meu geito eu gosto dele, mas vou fazer com que ele corrija os erros que cometeu, e esse percurso vai ser doloroso).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pecado?

Hoje encontro-me a rever no meu pensamento velhos momentos e sensações que tinha adormecidos dentro de mim. Fazia ontem um ano e meio que não via uma grande amiga minha da Universidade, que passou em Portimão por tudo o que eu passei e eramos inseparáveis.
Tal amizade nunca se perdeu e a cumplicidade é notável por mais tempo que estejamos sem nos ver, isso deixa-me contente.
Mas há uma história implícita sobre nós dois... uma paixão adormecida de ambas as partes que o destino ousou não conciliar na devida altura, no início antes da grande amizade.. ela gostou de mim e eu não consegui interessar-me por ela, depois... quando ela já estava com outra pessoa é que eu começei a gostar dela. Mas o destino foi fazendo o tempo passar e aumentando a nossa amizade ao mesmo tempo que metia outras pessoas no nosso caminho e hoje somos duas pessoas que mostram a sua perfeita amizade um ao outro mas lá dentro, no nosso pensamento, há sempre aquele pensamento intímo que nos aquece a alma.
Hoje quando revejo os tempos que gostei e não gostei do passado, supostamente não me devia arrepender de nada... mas arrependo... arrependo-me de não ter-me dado a conhecê-la ... arrependo-me de no ano seguinte ter trocado a oportunidade de ir para Erasmus com ela por motivos estúpidos...
Será o arrependimento um pecado? Se não é deveria ser... pois a dor que nos dá na alma é muito semelhante à Ira ... Gula ... Preguiça... Inveja... entre tantos outros.
Mas nem precisamos de ir mais longe.. a Inveja é muito traiçoeira.. eu vejo-a hoje a viver o seu dia-a-dia de Mestrado ao lado do rapaz que ela conheceu em Erasmus... e penso.. "poderia ter sido eu" ... e invejo-o.. sim.. eu invejo..
Mas depois volta o olhar de amizade.. e tudo fica calmo e sereno de novo e nós trocamos olhares e sorrisos e ficamos contentes com os caminhos que a vida levou.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Look at us - by John Trudell

Look at us, we are of Earth and Water
Look at them, it is the same.
Look at us, we are suffering all these years
Look at them, they are connected.
Look at us, we are in pain
Look at them, surprised at our anger.
Look at us, we are struggling to survive
Look at them, expecting sorrow be benign.
Look at us, we were the ones called pagan
Look at them, on their arrival.
Look at us, we are called subversive
Look at them, descending from name callers.
Look at us, we wept sadly in the long dark
Look at them, hiding in tech no logic light.
Look at us, we buried the generations
Look at them, inventing the body count.
Look at us, we are older than America
Look at them, chasing a fountain of youth.
Look at us, we are embracing Earth
Look at them, clutching today.
Look at us, we are living in the generations
Look at them, existing in jobs and debts.
Look at us, we have escaped many times
Look at them, they cannot remember.
Look at us, we are healing
Look at them, their medicine is patented.
Look at us, we are trying
Look at them, what are they doing.
Look at us, we are children of Earth
Look at them, who are they?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Herói

Não consigo dormir... a minha cabeça e coração andam a mil.
Hoje foi o primeiro dia de escola do meu irmão, e coube-me a mim ir levá-lo, pois o meu padrasto teria de trocar os horários no trabalho e assim facilitei-lhe e acompanhei a minha mãe, que ainda não se encontra à vontade no francês; a verdade é que eu também não, mas não podia abstrair-me e tudo o quanto eu puder esforçar-me para o ajudar a integrar-se eu farei.
É tão injusto as vezes que ele já teve "primeiros" dia de escola... graças à instabilidade da minha mãe em se fixar num local, e ele vai... liga o modo automático e já nem reage aos nervos, ao medo que eu sei que ele tem, pois não conhece o local, não conhece as pessoas, a língua muito pouco, eu sei que isso vem tudo com o tempo, mas ele não devia de ter de passar por este processo tantas vezes. Já não bastasse as vezes que a minha mãe se mudou até estabilizar, aqui na Suiça ainda têm o hábito de cada vez que uma pessoa muda de casa, ainda que na mesma cidade, o aluno é obrigado a mudar de escola para uma mais perto de casa, que estúpido.
Eu sei que isto tudo só o vai tornar numa pessoa mais forte que eu... só que eu sei os pensamentos que tive, as sensações que tive, os medos que enfrentei e os danos que sofri quando mudei de escolas, quando conheci novas pessoas, o que é não se sentir integrado ( e eu nem tive de sair do meu país ). Eu sei que lá no fundo ele está a ir por um bom caminho, um processo duro de adaptação e uns anos mais tarde ele vai ter uma postura e uma confiança muito melhor que a minha, mas eu simplesmente não consigo estar a ver a evolução dele assim tão de perto. Quero fazê-lo, quero ser forte para ele e acompanhá-lo, dar-lhe força e conselhos, mas aqueles meus medos que eu já venci, voltam como se nunca tivessem sido vencidos, mas não são medos por mim, são medos por ele, os meus eu pronto.. de uma forma ou outra, o tempo os levava, com ele estão sempre constantes.
Eu perante estes momentos pergunto-me... como é que eu algum dia poderia ter um filho... se eu com o meu irmão preocupo-me assim, com um filho nem sei... eu tenho de me manter nisto, nem posso pensar em alguma vez ter mais preocupações destas.
Mas perante esta situação eu cheguei a casa cheio de sono por me levantar cedo, e achei que tinha de me esforçar ainda para despejar este sentimento para aqui, pois se o meu irmão se levantou da cama e está neste momento naquela sala repleta de "desconhecido" e está a tentar ser forte, eu também tenho de me esforçar para me exprimir quanto a isso.
E após pensar alguns segundos eu só posso concluir que o meu irmão é mesmo o meu Herói, e não há mais palavras que o descrevam, há pessoas que passam inúmeras quedas na vida, adultas, sofridas, sei lá, mas ver o meu irmão de apenas 11 anos a enfrentar os meus medos de antes todos os dias, várias e várias vezes, já com uma postura de quem não fica sentido nem com medo do que está a enfrentar, sendo que eu sei como ele se sente por dentro, só me pode deixar amedrontado mas orgulhoso ao mesmo tempo e ele não pode deixar de ser o meu Herói depois do que o vejo passar...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Realidade


Ora aqui está um belo cartaz com o qual me deparei há alguns dias. Realmente ao ler nós sabemos que é a verdade nua e crua... mas ainda assim, ao vê-la assim explícita, dá-nos muito que pensar.
O homofobismo da sociedade, principalmente da portuguesa, deve-se essencialmente à educação que cada um teve em sua casa, por mais que os defensores e adeptos contra esta causa se unam, lutem ou mesmo se abstraiam, a evolução, para melhor, está a ser imensamente lenta. Ser homofóbico é sim uma escolha, ser homofóbico está ultrapassado, as sexualidades existem, e as pessoas não podem viver com a mentalidade presa no passado e em outra educação baseada em alicerces que já se viu que foram quebrados. Já vai sendo altura de cada um olhar-se ao espelho ou parar para pensar no que quer para a sua vida, no que quer que seja a sua atitude perante a vida e perante os outros!
Hoje em dia as pessoas seguem todas o lema do "quem está mal, muda-se" e seguem-no a extremos, ninguém está para aturar a mentalidade de uma família retrógrada, ou um amigo estúpido com piadinhas homofóbicas, ninguém se digna a ficar fechado numa terrióla onde todos olham de atravessado, tipo as pessoas vão para longe, encontram locais e trabalhos onde são felizes e rodeiam-se das pessoas com quem se sentem bem a viver, mesmo que isso implique perderam a ligação com familias e amigas que não aceitam certas opções. E o que acontece no final? Esses homofóbicos vão acabar sozinhos, vão acabar num ambiente de estúpidez, rodeados por outros igualmente estúpidos a viver uma vida sem sal. É isso que eu encontro quando passo por algumaas zonas esquecidas no Alentejo, ou quando vejo membros da minha família afastados, os quais fiz questão de perder contacto, ou colegas das várias fases da minha educação. E esses "grupos" vão sendo postos de parte na esperança que a mentalidade aberta prevaleça e esses sejam extintos - tomara que isso aconteça a uma velocidade alarmante :D

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quando os medos e indecisões atacam ...

É tão estranha esta sensação que sinto enquanto estou em casa da minha mãe... e atenção refiro-me à casa como a casa dela... não me sinto em casa, apesar de me sentir acolhido e aconchegado. Não que ela faça algo para eu me sentir assim, simplesmente me sinto.
A cada dia vejo que esta é uma realidade muito provável e eu até não desgosto dessa situação... apesar de lá no fundo ter aquele receio na lentidão de aprender a língua, mas segundo aqueles a quem pergunto, todos dizem que é fácil. Isso até me motiva pois são pessoas que não estavam muito motivadas a cá estar e ainda assim aprenderam, logo, eu também tenho de aprender, pois estou motivado para tal e já tenho algumas bases de trás.
Adoro o facto de correr as ruas e o frio a congelar-me de cima a baixo pois não me quero envolver em mega casacos, mas até os mais resistentes acabam por ceder ao frio, pois um frio de 13°C não se compara a um frio de -10°C .
Adoro a ideia de começar a ganhar como licenciado aqui, o que é uma óptima quantia e ir viver sozinho para um estúdio só para mim. Tudo isto me agrada, pois se tiver de definir objectivos para cá ficar tenho de me motivar pelos possíveis bons resultados que poderei vir a alcançar.
Adoro o facto de ir na rua e ser uma pessoa completamente transparente aos olhos dos outros, deparo-me com casais homossexuais, bixas, travestis, muçulmanos, entre outros, incluíndo todos os estilos imagináveis de se vestir, e todos agem como se fosse a coisa mais natural do mundo, e isso dá imenso prazer de se assistir.
O poder de compra aqui é tão grande que nas lojas as pessoas simplesmente escolhem o que gostam, experimentam e levam sem sequer olhar aos preços; e digamos de passagem, que no que diz respeito a moda, nunca encontrei tanta loja ao meu gosto, e tanta gente vestida semelhante a mim. Piercings e tatoos é algo banal. Por aqui, até senhoras de 50 anos andam com piercings no nariz, lol.
Acho que só me senti diferente um pouco pelo meu cabelo, eu vi imensa gente de cabelos grandes, rastas, etc, mas do mesmo estilo - caracóis rebeldes e combridos, não vi (sim, porque graças às tomadas de electricidade aqui serem diferentes, eu não posso esticar o meu cabelo).
...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novas realidades ..

Oh meu Deus! A expressão exacta para o meu estado de alma neste momento seria mesmo esta!
Nos últimos dias resolvi sair do quotidiano da casa do meu pai e enviar currículos não respondidos em 50% do meu dia e resolvi fazer uns quantos passeios, que até à data não me tinha apetecido arriscar. A minha tia convidou-me para vir à Suiça e aproveitar a viagem que ela iria fazer para me trazer de boleia com ela e assim eu conhecer o país e fazer uma surpresa à minha mãe e irmão. Sem pensar, pois concluí ultimamente que para fazer certas coisas que tenho de fazer sem me acobardar eu não posso pensar muito e tenho de jogar-me de cabeça! Tal como já tinha ocorrido em outras ocasiões, em outros locais, o primeiro dia é agoniante ao rubro. Não se houve português em lugar algum e o português apenas existe no nosso pensamento, e mesmo assim até pensar em português pode prejudicar pois dificulta a nossa forma de falar em algumas situações.
Sei que na realidade a minha mãe adorava que eu decidisse ficar por cá e encontrasse aqui um trabalho aqui pela Suiça, para o meu irmão isso seria óptimo pois vejo na cara dele o quanto adora ter-me por perto e eu sinto que preciso de estar perto dele para ele desenvolver em alguns aspectos que só a presença dos pais não lhe chega.
A realidade de trabalho aqui, tenho de admitir que preenche bem aquilo que ambiciono, os ordenados são bem superiores, o nivel de vida tambem é mais elevado, o ambiente frio, citadino bem ao estilo que gosto, grande e pouca gente se conhece, o que também me agrada bastante, além disso aqui o nível de homofobia é praticamente nulo havendo até bastante liberdade visível pelas ruas da cidade. Gostei , gostei mesmo de tudo. E mexeu comigo... eu vinha com a ideia convicta de visita, e isto conseguiu mesmo mudar a minha forma de ver as coisas.. eu nunca gostei do termo "imigrante" parece que nos faz sentir inferiores... uns pobres quaisqueres que saíram de Portugal porque não suportaram as condições de lá, mas afinal não é bem assim. As pessoas vêem para aqui, porque na verdade isto aqui é vísivelmente melhor: as pessoas têm a sua vida sem ninguém se meter nela, tem poucos amigos mas fiéis, o ambiente frio é optimo, a cidade em si, tem aquele misticismo do desconhecido, ganha-se mais a nível de trabalho, e no que respeita ao meu curso eles precisam mesmo e dão valor aos meus conhecimentos profissionais.
Estou mesmo indicado a voltar para aqui daqui a uns dias.. mas por outro lado estou a pensar se aguentarei um ano de curso intensivo de Francês, eu tenho as bases e falo, mas preciso de fluência para trabalhar com o meu curso, e para isso tenho de ir para um curso. Diz quem lá andou, que resulta bastante bem... mas é o processo de adaptação que não sei se me apetece passar... Eu posso frequentar as aulas e trabalhar ao mesmo tempo.. mas gostava de nos primeiros meses ser só aulas para me adaptar melhor e mais ao meu ritmo. Não sei que faça... Tenho medo de isto ser só fogo de vista.. e depois me arrepender se tomar alguma decisão errada..
A minha mãe está a tentar convencer-me... até me disse que depois de me adaptar nem precisaria de morar com ela.. poderia alugar um estúdio para mim.. o que me agrada bastante... mas não sei...
Por enquanto vou passar aqui mais uns dias, explorar mais um pouco, conhecer mais um pouco... depois quero ir à França a Chambery ver a minha Xaninha, e conhecer também aquilo, quero tentar conhecer Paris. E por vim se calhar vou a Madrid uns dias antes de voltar para Portugal. Talvez só aí... depois de conhecer todas as realidades eu tome uma decisão... aproveitar esta fase de transição para o fazer..

sábado, 1 de janeiro de 2011

2010

Hoje estou aqui olhando para o meu portátil, a chuva cai fortemente na rua e a minha gata está enroscada aos meus pés, quente e a dormir num sono tão profundo como se a vida fosse perfeita apenas pelo simples facto de se poder comer, dormir, brincar e voltar a fazer o mesmo vezes e vezes sem conta, vou deixá-la ser feliz assim, não vale a pena trazê-la para a difícil realidade humana.

Estou bastante desocupado hoje, para não variar, e é logo ambiente mental perfeito para que o misticismo alentejano me ataque de novo para escrever… acho que se continuar no Alentejo vou sobrelotar o meu blog ou seja lá onde eu despeje as minhas parvoíces.

Hoje é o último dia do ano, não sei se deveria estar contente ou triste com isso, estou exactamente igual aos outros dias, espero que isto anime lá para o fim o dia, pelo menos vou fazer tudo por isso.

Acho que como muita gente, eu deveria também fazer um short em pensamento de tudo o que se passou em 2010, e muito se passou neste ano isso é verdade. 2010 foi nem mais nem menos do que um ano de experiências novas, finalizações de objectivos, definições de novas metas, encontros de amigos novos, despedimento de amigos velhos, por aí fora… ainda bem que não sou de espírito fraco, pois isto é uma carga muito difícil de se aguentar!

Neste ano eu fraquejei no último ano do meu curso, pensei até que seria impossível algum dia eu passar a Estatística ou Economia, pois era a 3ª vez que estava a repetir a 1ª e a 2ª vez que estava a repetir a 2ª, e já não sabia que mais tentativas ou tácticas usar para ultrapassar as minhas dificuldades; além do mais, era uma altura em simultâneo com o maior desgosto amoroso que senti na minha vida, até à data. Por isso não sei onde fui buscar forças para me abstrair desse sofrimento e focar-me no estudo, dia e noite eu lutei e consegui finalizar essas cadeiras. Seguiu-se a luta para encontrar estágios, várias foram as ofertas e eu poderia logo aqui ter dado grandes passos e vivido grandes aventuras, mas era uma altura calma para mim e as coisas que hoje já não fazem sentido, na altura ainda faziam perfeito sentido, estava bem, a viver o dia-a-dia sendo eu mesmo até na minha própria casa, pois a companhia perfeita de casa permitia-me ser eu mesmo, e era óptimo; como tal decidi ficar a estagiar por Portimão. Confesso que foi um desafio aquele estágio e esteve recheado de muitos disabores, mas concluíu-se. Não encontrei logo trabalho de seguida, começando a ver a triste realidade do meu curso no Algarve, onde só no Verão se encontrava trabalho. Resolvi então envolver-me num trabalho que me permitisse pagar as minhas despesas e não me tirar de Portimão e a depender dos meus pais novamente. E assim me mantive.

A princípio foi um martírio, dois trabalhos, um full time e um part time, era de loucos, só dormia das 8 da manhã ao meio dia, isto quase todo o verão até desistir do part-time, não aproveitei praia, não tinha cor, mas corria por gosto e isso fazia os dias passarem rápido.

Com a rotina cheia, não me apercebia que todo o lado académico estava a desvanecer aos poucos, e quando dei por mim já as praxes e vida académica não eram a mesma coisa, já não me interessavam e aquela chama que se manteve forte por muito tempo já não existia, e a pouca que existia mantinha-se apenas para a Tuna que eu tanto prezava e lutava por manter.

Eu não sei se estas e outras vivências me tornaram mais forte, mas acho que lá no fundo um Ricardo mais forte estava para surgir… não tinha paciência para algumas coisas, mas por outro lado, tinha “alguma” coragem para enfrentar outras que antes não conseguia enfrentar, como por exemplo, o facto de largar tudo e ir à luta daquilo que gosto, ou o facto de ter de voltar às origens para conseguir isso.

Farto dos trabalhos onde estava, de me sentir pouco realizado, de cada vez mais ver amigos a partir, falta de tempo até para a Tuna que tanto gostava, não existência de aventuras amorosas na minha vida, ainda que já para o fim tenha sentido as pernas a tremer com alguém que tenha conhecido. Tudo isso me fez juntar as peças e decidir que precisava de uma nova mudança, daquelas de começar outra fase, em outro lugar, com outras pessoas. Mas desta vez não queria cortar radicalmente com todos, como fiz quando saí do Alentejo; desta vez quis trazer algumas pessoas no meu coração.

E eis o resumo do meu 2010. Hoje encontro-me a procurar algo onde encaixar a minha vida, na esperança de encontrar algo que me faça correr e suspirar de novo…