segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Herói

Não consigo dormir... a minha cabeça e coração andam a mil.
Hoje foi o primeiro dia de escola do meu irmão, e coube-me a mim ir levá-lo, pois o meu padrasto teria de trocar os horários no trabalho e assim facilitei-lhe e acompanhei a minha mãe, que ainda não se encontra à vontade no francês; a verdade é que eu também não, mas não podia abstrair-me e tudo o quanto eu puder esforçar-me para o ajudar a integrar-se eu farei.
É tão injusto as vezes que ele já teve "primeiros" dia de escola... graças à instabilidade da minha mãe em se fixar num local, e ele vai... liga o modo automático e já nem reage aos nervos, ao medo que eu sei que ele tem, pois não conhece o local, não conhece as pessoas, a língua muito pouco, eu sei que isso vem tudo com o tempo, mas ele não devia de ter de passar por este processo tantas vezes. Já não bastasse as vezes que a minha mãe se mudou até estabilizar, aqui na Suiça ainda têm o hábito de cada vez que uma pessoa muda de casa, ainda que na mesma cidade, o aluno é obrigado a mudar de escola para uma mais perto de casa, que estúpido.
Eu sei que isto tudo só o vai tornar numa pessoa mais forte que eu... só que eu sei os pensamentos que tive, as sensações que tive, os medos que enfrentei e os danos que sofri quando mudei de escolas, quando conheci novas pessoas, o que é não se sentir integrado ( e eu nem tive de sair do meu país ). Eu sei que lá no fundo ele está a ir por um bom caminho, um processo duro de adaptação e uns anos mais tarde ele vai ter uma postura e uma confiança muito melhor que a minha, mas eu simplesmente não consigo estar a ver a evolução dele assim tão de perto. Quero fazê-lo, quero ser forte para ele e acompanhá-lo, dar-lhe força e conselhos, mas aqueles meus medos que eu já venci, voltam como se nunca tivessem sido vencidos, mas não são medos por mim, são medos por ele, os meus eu pronto.. de uma forma ou outra, o tempo os levava, com ele estão sempre constantes.
Eu perante estes momentos pergunto-me... como é que eu algum dia poderia ter um filho... se eu com o meu irmão preocupo-me assim, com um filho nem sei... eu tenho de me manter nisto, nem posso pensar em alguma vez ter mais preocupações destas.
Mas perante esta situação eu cheguei a casa cheio de sono por me levantar cedo, e achei que tinha de me esforçar ainda para despejar este sentimento para aqui, pois se o meu irmão se levantou da cama e está neste momento naquela sala repleta de "desconhecido" e está a tentar ser forte, eu também tenho de me esforçar para me exprimir quanto a isso.
E após pensar alguns segundos eu só posso concluir que o meu irmão é mesmo o meu Herói, e não há mais palavras que o descrevam, há pessoas que passam inúmeras quedas na vida, adultas, sofridas, sei lá, mas ver o meu irmão de apenas 11 anos a enfrentar os meus medos de antes todos os dias, várias e várias vezes, já com uma postura de quem não fica sentido nem com medo do que está a enfrentar, sendo que eu sei como ele se sente por dentro, só me pode deixar amedrontado mas orgulhoso ao mesmo tempo e ele não pode deixar de ser o meu Herói depois do que o vejo passar...

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