Oh meu Deus! A expressão exacta para o meu estado de alma neste momento seria mesmo esta!
Nos últimos dias resolvi sair do quotidiano da casa do meu pai e enviar currículos não respondidos em 50% do meu dia e resolvi fazer uns quantos passeios, que até à data não me tinha apetecido arriscar. A minha tia convidou-me para vir à Suiça e aproveitar a viagem que ela iria fazer para me trazer de boleia com ela e assim eu conhecer o país e fazer uma surpresa à minha mãe e irmão. Sem pensar, pois concluí ultimamente que para fazer certas coisas que tenho de fazer sem me acobardar eu não posso pensar muito e tenho de jogar-me de cabeça! Tal como já tinha ocorrido em outras ocasiões, em outros locais, o primeiro dia é agoniante ao rubro. Não se houve português em lugar algum e o português apenas existe no nosso pensamento, e mesmo assim até pensar em português pode prejudicar pois dificulta a nossa forma de falar em algumas situações.
Sei que na realidade a minha mãe adorava que eu decidisse ficar por cá e encontrasse aqui um trabalho aqui pela Suiça, para o meu irmão isso seria óptimo pois vejo na cara dele o quanto adora ter-me por perto e eu sinto que preciso de estar perto dele para ele desenvolver em alguns aspectos que só a presença dos pais não lhe chega.
A realidade de trabalho aqui, tenho de admitir que preenche bem aquilo que ambiciono, os ordenados são bem superiores, o nivel de vida tambem é mais elevado, o ambiente frio, citadino bem ao estilo que gosto, grande e pouca gente se conhece, o que também me agrada bastante, além disso aqui o nível de homofobia é praticamente nulo havendo até bastante liberdade visível pelas ruas da cidade. Gostei , gostei mesmo de tudo. E mexeu comigo... eu vinha com a ideia convicta de visita, e isto conseguiu mesmo mudar a minha forma de ver as coisas.. eu nunca gostei do termo "imigrante" parece que nos faz sentir inferiores... uns pobres quaisqueres que saíram de Portugal porque não suportaram as condições de lá, mas afinal não é bem assim. As pessoas vêem para aqui, porque na verdade isto aqui é vísivelmente melhor: as pessoas têm a sua vida sem ninguém se meter nela, tem poucos amigos mas fiéis, o ambiente frio é optimo, a cidade em si, tem aquele misticismo do desconhecido, ganha-se mais a nível de trabalho, e no que respeita ao meu curso eles precisam mesmo e dão valor aos meus conhecimentos profissionais.
Estou mesmo indicado a voltar para aqui daqui a uns dias.. mas por outro lado estou a pensar se aguentarei um ano de curso intensivo de Francês, eu tenho as bases e falo, mas preciso de fluência para trabalhar com o meu curso, e para isso tenho de ir para um curso. Diz quem lá andou, que resulta bastante bem... mas é o processo de adaptação que não sei se me apetece passar... Eu posso frequentar as aulas e trabalhar ao mesmo tempo.. mas gostava de nos primeiros meses ser só aulas para me adaptar melhor e mais ao meu ritmo. Não sei que faça... Tenho medo de isto ser só fogo de vista.. e depois me arrepender se tomar alguma decisão errada..
A minha mãe está a tentar convencer-me... até me disse que depois de me adaptar nem precisaria de morar com ela.. poderia alugar um estúdio para mim.. o que me agrada bastante... mas não sei...
Por enquanto vou passar aqui mais uns dias, explorar mais um pouco, conhecer mais um pouco... depois quero ir à França a Chambery ver a minha Xaninha, e conhecer também aquilo, quero tentar conhecer Paris. E por vim se calhar vou a Madrid uns dias antes de voltar para Portugal. Talvez só aí... depois de conhecer todas as realidades eu tome uma decisão... aproveitar esta fase de transição para o fazer..
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