Hoje estou aqui olhando para o meu portátil, a chuva cai fortemente na rua e a minha gata está enroscada aos meus pés, quente e a dormir num sono tão profundo como se a vida fosse perfeita apenas pelo simples facto de se poder comer, dormir, brincar e voltar a fazer o mesmo vezes e vezes sem conta, vou deixá-la ser feliz assim, não vale a pena trazê-la para a difícil realidade humana.
Estou bastante desocupado hoje, para não variar, e é logo ambiente mental perfeito para que o misticismo alentejano me ataque de novo para escrever… acho que se continuar no Alentejo vou sobrelotar o meu blog ou seja lá onde eu despeje as minhas parvoíces.
Hoje é o último dia do ano, não sei se deveria estar contente ou triste com isso, estou exactamente igual aos outros dias, espero que isto anime lá para o fim o dia, pelo menos vou fazer tudo por isso.
Acho que como muita gente, eu deveria também fazer um short em pensamento de tudo o que se passou em 2010, e muito se passou neste ano isso é verdade. 2010 foi nem mais nem menos do que um ano de experiências novas, finalizações de objectivos, definições de novas metas, encontros de amigos novos, despedimento de amigos velhos, por aí fora… ainda bem que não sou de espírito fraco, pois isto é uma carga muito difícil de se aguentar!
Neste ano eu fraquejei no último ano do meu curso, pensei até que seria impossível algum dia eu passar a Estatística ou Economia, pois era a 3ª vez que estava a repetir a 1ª e a 2ª vez que estava a repetir a 2ª, e já não sabia que mais tentativas ou tácticas usar para ultrapassar as minhas dificuldades; além do mais, era uma altura em simultâneo com o maior desgosto amoroso que senti na minha vida, até à data. Por isso não sei onde fui buscar forças para me abstrair desse sofrimento e focar-me no estudo, dia e noite eu lutei e consegui finalizar essas cadeiras. Seguiu-se a luta para encontrar estágios, várias foram as ofertas e eu poderia logo aqui ter dado grandes passos e vivido grandes aventuras, mas era uma altura calma para mim e as coisas que hoje já não fazem sentido, na altura ainda faziam perfeito sentido, estava bem, a viver o dia-a-dia sendo eu mesmo até na minha própria casa, pois a companhia perfeita de casa permitia-me ser eu mesmo, e era óptimo; como tal decidi ficar a estagiar por Portimão. Confesso que foi um desafio aquele estágio e esteve recheado de muitos disabores, mas concluíu-se. Não encontrei logo trabalho de seguida, começando a ver a triste realidade do meu curso no Algarve, onde só no Verão se encontrava trabalho. Resolvi então envolver-me num trabalho que me permitisse pagar as minhas despesas e não me tirar de Portimão e a depender dos meus pais novamente. E assim me mantive.
A princípio foi um martírio, dois trabalhos, um full time e um part time, era de loucos, só dormia das 8 da manhã ao meio dia, isto quase todo o verão até desistir do part-time, não aproveitei praia, não tinha cor, mas corria por gosto e isso fazia os dias passarem rápido.
Com a rotina cheia, não me apercebia que todo o lado académico estava a desvanecer aos poucos, e quando dei por mim já as praxes e vida académica não eram a mesma coisa, já não me interessavam e aquela chama que se manteve forte por muito tempo já não existia, e a pouca que existia mantinha-se apenas para a Tuna que eu tanto prezava e lutava por manter.
Eu não sei se estas e outras vivências me tornaram mais forte, mas acho que lá no fundo um Ricardo mais forte estava para surgir… não tinha paciência para algumas coisas, mas por outro lado, tinha “alguma” coragem para enfrentar outras que antes não conseguia enfrentar, como por exemplo, o facto de largar tudo e ir à luta daquilo que gosto, ou o facto de ter de voltar às origens para conseguir isso.
Farto dos trabalhos onde estava, de me sentir pouco realizado, de cada vez mais ver amigos a partir, falta de tempo até para a Tuna que tanto gostava, não existência de aventuras amorosas na minha vida, ainda que já para o fim tenha sentido as pernas a tremer com alguém que tenha conhecido. Tudo isso me fez juntar as peças e decidir que precisava de uma nova mudança, daquelas de começar outra fase, em outro lugar, com outras pessoas. Mas desta vez não queria cortar radicalmente com todos, como fiz quando saí do Alentejo; desta vez quis trazer algumas pessoas no meu coração.
E eis o resumo do meu 2010. Hoje encontro-me a procurar algo onde encaixar a minha vida, na esperança de encontrar algo que me faça correr e suspirar de novo…
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