sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

E quando me perco em mim!

O meu corpo ergue-se a meio da noite

Procuro as pantufas, os meus pés estão nús

A suplicar para que lhes dê um andar lento, um destino

Que não os deixe andar à deriva

Dispo-me do sonho que outrora foi meu

Visto-me de tempo e de noite

Vejo o escuro, oiço a lua,

Concentro-me no cheiro de alguém, talvez seja no meu

Talvez um outro eu.

No escuro questiono-me se quando amanhecer

Este corpo continuará igual, estas mãos continuarão enrugadas

Se este cabelo continuará emaranhado

Pergunto-se se pela manhã não serei mais um

Mais um que acordou e ficou com os sonhos perdidos

Está a amanhecer, liberto-me das pantufas

Desapareço no pensamento, entro no sonho novamente

A verdade – não gosto do amanhecer – prefiro acordar a meio do dia!

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